Sunday, May 07, 2006

Meu carro quebrou, de novo.

Grande começo. Uma verdade que eu descobri depois de uma vida contando histórias - todos sabem como eu gosto de falar - é que as pessoas adoram ouvir coisas sobre quando você se deu mal.
Os amigos gostam de lembrar quando você passou mal depois de beber muito, quando você tomou um tombão ou deu beijo em mulher feia.
Felicidade não vende e não atrai. A galera gosta de ver o circo pegar fogo.
Imagina eu contando uma história de como estava tudo tão lindo e maravilhoso, como o céu estava azul enquando eu ouvia uma música fantástica que me despertava muitas memórias bonitas e, quando dei por mim, havia chegado no trabalho para mais um glorioso dia.
Quem não tivesse dormido antes do fim deste relato ia achar que eu sou boiola.
Mas quando eu conto que o desgraçado do carro quebrou de novo, que estava fazendo um barulho de um liquidificador com um parafuso dentro antes de parar de vez, no meio de uma das estradas mais movimentadas e perigosas dos Emirados - e quando eu digo no meio, estou querendo dizer NO MEIO mesmo, tive que empurrar aquele carro monstruoso para o acostamento - e que tudo isso aconteceu com uma nuvem de vapor saindo do capô, parecendo o motor da Ferrari do Rubinho, com certeza todo mundo vai ficar interessado.
E, melhor de tudo, quando abro o capô emputecido - coisa que não sei exatamente porque a gente faz, já que não entendemos lhufas de mecânica - fora o vapor vejo um líquido verde espalhado por todo o motor.
"Céus, atropelei um alien!" Foi o meu primeiro pensamento.
Mas a solução para este pequeno mistério era simples. Na última parada na mecânica, onde gastei uma fábula para deixar o carro amaldiçoado em condições de rodagem, eles colocaram um troço verde na água do radiador.
E, quando a mangueira do radiador explodiu - e olha que eu consegui entender isso sozinho - essa meleca que parece sangue de ET foi para todo lado.
Chama o socorro e leva para os malditos mecânicos darem uma olhada.
Eu estou insistindo com eles para ver se eles se afeiçoam pelo carro, já que vêem ele com tanta frequência.
Claro que tudo isso aconteceu às 7h20 da matina, e eu estava na estrada já tão cedo para poder chegar no trabalho e resolver 3748 coisas pendentes.
A maior aventura do dia, fora ficar imaginando qual caminhão iria acertar meu carro, já que eu parei em um mega balão - roundabout como eles chamam por aqui - foi explicar para o motorista indiano do guincho onde eu estava.
E olha que era fácil.
Agora estou esperando para ver qual vai ser a facada. De novo.

Viu só como eu consegui manter o seu interesse?
É só o circo pegar fogo que todos vêm ver os palhaços correndo.
Ou empurrando o carro.

3 comments:

MGribel said...

Gargalhadas...eu me divirto aqui!

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