Friday, July 28, 2006

Runaway Baby

Como um serzinho cheio de vontade e opiniões deve ser, a Carolina detesta ser contrariada.

Em geral nas manhãs de sexta - o meu equivalente de sábado para os nativos da Pindorama e do resto do mundo dos cruzados - ela vêm me aporrinhar a partir das 7 da manhã.

Quando chamada a atenção para alguma atitude malina ela vira brava e fala com os braços cruzados:

"Eu não quelo mais você!"

E sai correndo na direção oposta ao progenitor.

Eu retruco:

"Ah, é? Não quer?"

E ela, sem pestanejar:

"Quelo sim!!!"

E vem correndo para o colo.

Tudo isso em uma questão de 5 segundos.

Ser pai não é a melhor coisa do mundo?
Crime em Dubai.

Há mais ou menos duas semanas a mulher de um amigo meu testemunhou o lado menos glamouroso de Dubai.

Eles têm um Polo conversível antigo e que está com a fechadura quebrada.
O problema é que ela teve que parar na rua para fazer uma coisa e deixou o carro destrancado por alguns minutos com bolsas cheias de roupas de marcas caríssimas.

Quando ela voltou o carro tinha sido aberto por alguém.

E tinham levado o tíquete do estacionamento.
Ontem fomos assistir Superman.

O filme começa onde os segundo capítulo da série, com o Christopher Reeve, parou.
Superman 3 e 4 são ignorados.

Me senti menino de novo. Quando a música de John Williams começa a tocar - a mesma dos filmes originais - é como estar em uma sala de cinema no Rio nos idos de 78, com a diferença que invés de lição de casa, hoje você tem contas a pagar. E porque também tem uma criaturinha de quase 3 anos assistindo com você, dando os primeiros passos na sua paixão pela telona.

As pontas se conectam.

O filme é gostoso de assistir. A história não é tudo isso, mas você sai do cinema com a sensação que o homem pode voar sem ter que passar por check in.
De volta.

Essa história toda de guerra me deixou meio desinspirado para escrever.
Mas agora estou de volta. E tenho muitas histórias para contar.

Aguardem

Wednesday, July 19, 2006

A guerra que a gente vê pela TV é sempre idealizada.
São aviões saindo de porta-aviões, soldados e tanques de guerra indo para um lado e para o outro. Alguns tiros sendo dados, edifícios em ruínas e uns carros em chamas. Aí o apresentador fala quantas foram as vítimas e, de vez em quando, mostram uma mãe chorando.

Mas na guerra morre gente. E morre de maneiras horríveis, não daquele jeito inodoro de filme americano dos anos 50, em que o soldado põe a mão no peito e pronto - às vezes com direito a últimas palavras.
Na guerra de verdade as pessoas morrem queimadas, despedaçadas, sujas, sangrentas.

Mas o pior são as crianças.

Hoje eu recebi um link de um website com imagens extremamente fortes do que está acontecendo no Líbano. Prédios destruídos e gente morta, muita gente morta e ferida. Principalmente crianças.
É um site muito parcial e emocionalmente carregado, de revolta mesmo, mas que mostra uma cara do conflito que as grandes redes não mostram. Um conflito em que uma população de um país indefeso sofre de uma maneira desumana.

Ou será humana demais?

Para mim é algo muito mais real do que assistir isso no jornal nacional. As pessoas que trabalham comigo, meus amigos, têm família e amigos lá. Passam o dia acompanhando as notícias e com as caras carregadas e os ombros pesados.

A guerra para mim é de verdade.

Se você tem estômago - posso te dizer que não é fácil, quase me levou às lágrimas - e não tiverem bloqueado o site, olhe.

http://www.fromisraeltolebanon.org/

Tem uma petição para assinar também:

http://epetition.net/julywar/index.php

Agora só quero correr para casa e abraçar muito minha filha.
From Israel to Lebanon.

Thursday, July 13, 2006

Carta do Meu Pai


Há 36 anos, v. era ainda uma grande expectativa. Aí, à 1:30 da madrugada gelada de uma segunda-feira, 13/7/70: - É um menino!!!. Uma luz apareceu neste pequenino planeta da Via Láctea para aquecer minha vida fria, para iluminar minha vida cinzenta. E nunca mais fui o mesmo. Envelheci, melhorei, aprendi a amar muito melhor a mim mesmo, às pessoas e à vida. Todos os dias de minha vida agradecerei ao infinito, à natureza, ao mistério que nos arrepia, pelo meu filho que me ensinou a ser pai, me fez gente, que na verdade me gerou. Cuidou de minha feridas e me mostrou um mundo novinho em folha.
"Um menino nasceu. O mundo torna a começar" - Guimarães Rosa, em Grande Sertão - Veredas.
Eu te amo, Guilherme. Feliz aniversário!
Pai
Dia Mundial do Rock.
Dia do aniversário do Harrison Ford.
Dia do aniversário do Patrick Stewart.
Dia do aniversário do Cameron Crowe.
E, melhor de tudo...
Dia do aniversário do Cheech da dupla Cheech and Chong.

Wednesday, July 12, 2006

Fuga das Estrelas.

Lembro que quando era moleque lá no Rio um dos meus maiores orgulhos era que eu ia e voltava do colégio sozinho.
Era um outro Rio de Janeiro, mas ainda assim era uma aventura.
Tinha 8 aninhos e lá ia eu pegar o ônibus que me deixava pertinho da escola. O cobrador queria me deixar passar sem pagar mas eu, orgulhoso de me sentir gente grande, fazia questão de pagar como todo mundo.
Minha irmã ia com uma mulher que dirigia uma caravan.
Eu voltava a pé, o que demorava um pouco - uma meia hora mais ou menos.
O problema acontecia nas quintas-feiras.
Quinta era o dia de Fuga das Estrelas. Era um seriado obscuro baseado num filme meia-boca do começo dos anos 70.
O herói era um tal de Logan. Ele era um policial numa cidade futurista que era construída dentro de um domo.
Deixa eu explicar...tudo aconteceu depois de uma guerra atômica. Os sobreviventes construiram a cidade para se abrigar do mundo desolado e radioativo que ficou lá fora.
O problema é que o espaço e os recursos para manter a cidade eram escassos. E como os governantes resolveram este problema?
A solução foi limitar a duração da vida de todos os habitantes a 30 anos.
Todo mundo tinha um cristalzinho na mão que indicava a idade - quando ele mudava de cor, tchau e benção.
Mais ou menos como o Peru da Sadia.
Aí todos iam alegremente para um auditório gigantesco onde eram todos reprocessados (desintegrados), com o resto da população curtindo alegremente o show.
Mas obviamente tinha um movimento de resistência que não acreditava nisto tudo e queria fugir do lugar.
Como uma das tarefas dos policiais era de garantir que todos fossem reprocessados no seu devido tempo.
Aí você já viu...policial persegue uma integrante da resistência gatinha, se apaixona e os dois fogem da cidade - e são perseguidos pelos outros policiais malvadões.
Tudo que eu gostava no mesmo pacote: ficção científica pós-apocalíptica, robôs, ruínas e uma mocinha gatinha.
Eu saía da escola às 5 e o seriado começava 5 e meia - eu tinha que andar rápido senão perdia o começo. E eu andava.
Amanhã o meu prazo de validade para "Fuga das Estrelas" vai estar expirado há 6 anos.
E eu me lembrei disso porque estar em Dubai é como fazer parte do seriado.
Não há velhos em Dubai. Eles não estão nas ruas, nos shoppings...
Será que quando todos chegamos numa certa idade somos reprocessandos em transformados em comida de camelo ou areia?
Eu fiquei quebrando a cabeça para entender esta equação. Como não vi ninguém sendo reprocessado e a quantidade de areia não tem aumentado (é impossível ter mais) deve ter uma explicação razoável.
Bom, como todos os meus leitores assíduos sabem - e todo mundo que me encontrou teve que ouvir umas 5 vezes pelo menos quando eu estive no Brasil - só 20% da população de Dubai é local.
Agora imagina que só 10% deles é da melhor idade. Num lugar onde só tem pouco mais de um milhão de pessoas estamos falando de uns 20 mil velhinhos, muito pouco.
O resto da população é composta de expatriados. Muitos indianos, todos jovens e dispostos a tudo para fazer um dinheirinho e mandar para casa. A maioria trabalhando em construção civil sob temperaturas de até 50 graus.
Solteiros de todas as nacionalidades trabalhando em companhias locais, internacionais, restaurantes, hotéis...
E como é quase impossível conseguir cidadania as pessoas não têm ligação emocional com Dubai, elas vêm e vão com muita facilidade - não dá tempo para envelhecer aqui.
Por isso os jovens estão por todos os lados.
E os velhos não estão em lugar nenhum.
Mas pode ser que eu esteja errado.
Se eu estiver, meu prazo de validade passou há 6 anos...
De qualquer maneira, vou ficar esperto.

Monday, July 10, 2006

Faz calor em Dubai.

Aliás, faz muito calor.

A temperatura passa facilmente dos 40 graus quase todo dia. É tranquilo quando está seco, mas quando está úmido fica algo próximo de um pesadelo. Você anda 50 metros e já está melado, com cara de quem pegou aquele ônibus lotado em dia de chuva e ficou em pé com mais 75 pessoas - e ainda se considera sortudo por ter pegado o ônibus.
O inferno não é quente. É quente e úmido.

Uma coisa boa de estar morando em Tatooine - o planeta desértico de Guerra nas Estrelas e também como eu apelidei o nosso condomínio no meio do deserto - é que, por ser longe do mar, o lugar é mais seco.

Aproveitando este aspecto interessante da climatologia local a minha querida Íris (mãe da Dri), quando estava conosco, teve um insight (é como os publicitários chamam uma idéia - a única diferença é que eles ganham dinheiro para ter insights e usam roupinhas fashion). Ao invés de colocar o pão congelado para assar no forno ela deixava lá fora por meia hora.
Acreditem, funcionou e continua funcionando - só não pode deixar muito porque senão o pão torra.

Não é surpreendente imaginar que existia civilização aqui antes do ar-condicionado?

Thursday, July 06, 2006

"The computer viruses are the graffiti of the information age"

Tuesday, July 04, 2006

Always look at the bright side of life.

Pelo menos o imbecil do Lula não vai poder usar a alegria ufanista estúpida a que somos acometidos quando o Brasil ganha a Copa.
Sabe, eu fiquei pensando muito tempo sobre o que escrever sobre o final da minha experiência na Copa do Mundo.
Tive mil idéias sobre o que falar sobre a situação, sobre os jogadores, sobre o jogo final.
Mas acabei decidindo escrever só uma frase.

Eu odeio a Seleção Brasileira.