Sunday, February 05, 2006

Tâf dêis

Que volta!
Chegamos de viagem numa sexta e voltei a trabalhar em um domingo. Ainda estava sofrendo os efeitos do jet lag, sem conseguir dormir direito e com aquela sensação de estar acordado de madrugada. Óbvio que a nossa filhota não estava ajudando. Afinal como se explica para uma criança de 2 anos de idade que ela tem que se adaptar ao fuso horário?
O pequeno dínamo estava ficando acordado até as 2 da manhã todos os dias. E eu me sentindo como um zumbi.
Brains!
Logo no primeiro dia de trabalho já tive uma reunião longa e, quando estava voltando para agência, recebi um chamado me dizendo que tínhamos que resolver uma crise.
A crise, fiquei sabendo depois, era ter que criar uma campanha inteira - ou melhor, duas - começando às 5 da tarde e apresentando no próximo dias às 10 da manhã.
Conseguimos negociar para o próximo dia - grande ajuda!
Mas isso só adiou a correria para o dia seguinte. Ainda cansado passei a noite em claro criando a bendita campanha - isso porque metade do meu grupo estava ausente, por várias razões.
No dia seguinte, tudo pronto para ir para casa e dormir, vem o atendimento e implora para que eu vá apresentar com eles.
Só vai demorar uma hora, disseram.
Eu sabia que não ia ser assim. Mas não estava esperando pelo que ia acontecer.
Fui, ou melhor, o que restou de mim foi com eles.
Eu tinha muita confiança na qualidade do trabalho que ia apresentar mas uma coisa eu posso afirmar: publicidade não é uma ciência exata.
Fomos destruídos pelo Chief Marketing Officer da empresa.
A campanha, o planejamento, a agência, o clima em Dubai. Só faltou ele falar que eu tenho chulé.
Se você tem vontade de destruir uma campanha - ou qualquer coisa baseada em criatividade - você consegue.
Essa é a triste verdade do nosso negócio. O "não gostei" recheado de um monte de explicações pseudo-intelectuais tem a mesma validade das tábuas sagradas trazidas por Moisés do alto do monte Sinai.
Derrotados e esculhambados voltamos para a agência - sim, para a agência - para resolver a situação.
Solução: criar novas campanhas em 3 horas(!), apresentar para o cliente as idéias e executá-las - colocá-la no papel - na noite seguinte para a apresentação.
Isso significou mais uma noite em claro.
Meu recorde foi batido: 48 horas em claro.
O problema - mais um problema, digo - é que essa empresa, Dubai Holding, é como uma cebola.
Não, não é porque ela me faz vontade de chorar - não sempre, pelo menos.
Mas porque ela é constituída em camadas.
E ela não funciona sem que todas as camadas estejam envolvidas, o que significa que até a sogra do presidente é envolvida no processo decisório.
A primeira apresentação era só uma entre muitas, culminando na grande apresentação para o ultra BIG BOSS MASTER BLASTER OF THE UNIVERSE da empresa, o homem que tem contato direto com o Sheikh Mohammed, ruler of Dubai.
E nessa a gente não tem acesso. Fica tudo a cargo dos cupinchas.
É como jogar um videogame: você luta, luta, luta até enfrentar o chefão da fase, aí você passa para fase seguinte, e é a mesma coisa.
No final você enfrenta o Mega Chefão e game over.
A diferença é você tem que enfrentar todos eles mais de uma vez.
E o game ainda não está over.
Depois da primeira apresentação foram várias outras, mais stress, mais encheção de saco e várias noites em claro.
Semana passada tivemos a notícia que que a comemoração do ano novo muçulmano seria na quinta-feira passada.
Oba! Final de semana prolongado!
E ficamos aqui todos os dias até de madrugada...
A novela continua, hoje tem mais um capítulo.
O bom das novelas é que no final todos se casam e os vilões se dão mal.
Que bom seria...
Agora deixa eu voltar para a vaca fria.

Câmbio, desligo.