Monday, June 29, 2009



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Saturday, June 13, 2009

Quatro Anos de Dubai.

Há quatro anos eu chegava no aeroporto de Dubai pela primeira vez como residente. Não apenas como residente, mas como um cara que estava morando pela primeira vez longe do seu país.

Achei que não iria conseguir ficar mais do que um mês aqui.

Acho que umas das razões para ter aguentado no começo foram não a minhas expectativas, mas as expectativas dos outros. Todo mundo estava tão empolgado com a minha aventura que eu iria me sentir muito bundão voltando depois de duas semanas. Às vezes funciona assim.

O começo difícil passou e muitos altos e baixos vieram - como em qualquer outra experiência. Hoje estou no meu segundo emprego, segundo carro, segunda casa. Ou seja, posso contar para todo mundo que oficialmente morei em Dubai.

Quatro anos e contando.

Thursday, June 04, 2009

Carruagens de Fogo

Não é fácil acordar às 6 da manhã para correr. Este é o único horário que eu tenho livre, porque levo minha filha todos os dias para a escola.

A preguiça é enorme. Só o fato de conseguir acordar neste horário já deveria ser digno de uma medalha olímpica - bronze, pelo menos.

Faço meu alongamento sentindo que meus músculos são correntes enferrujadas que recusam a se mover, implorando para serem deixados em paz, estáticos e tranquilos.

Depois de vencer a resistência inicial comecei a correr. Apesar do calor por volta de 30 graus - bem fresquinho para os padrões de Dubai - e da umidade sufocante que me fez ficar parecendo um picolé de limão derretendo na mão, no calor da praia no Rio, eu estava indo surpreendentemente bem.

Em geral eu corro até o centrinho comercial que tem no nosso condomínio e volto - um circuito de mais ou menos uns cinco quilômetros que é o suficiente para te deixar com a sensação de dever cumprido pela manhã.

Mais ou menos na metade do percurso eu estava mais do que satisfeito com meu resultado. Não estava só sobrevivendo à experiência, mas a performance estava bastante decente. Tão decente que ao invés de ficar usar toda a capacidade do meu cérebro para pensar em desculpas para parar de correr, eu estava pensando em outras coisas. Vida, trabalho, projetos em andamento, idéias para posts...

Foi quando fui ultrapassado.

Todo mundo que corre sabe que não é nada prazeroso ser ultrapassado. Nosso impulso inicial é sempre dar o troco e mostrar quem manda. Mas são coisas da vida - sempre tem alguém que é mais rápido, treina mais, tem mais resistência. Alguns tem todos os atributos em uma só embalagem.

Mas neste meu momento de distração eu fui ultrapassado - por uma garota. Depois que você completa trinta anos você passa a tratar todas as mulheres como garotas, por isso a idade dela não importa - só o fato de ela ser uma garota e ter me ultrapassado.

Minha primeira reação foi de dar o troco, mas mesmo no meu cansaço e com a mente nublada pelo calor e a umidade refleti sobre minha atitude.

É realmente justificada a reação? É realmente tão ruim assim ser ultrapassado por uma mulher? Será que eu devo agir como um porco machista e ultrapassá-la para mostrar quem é superior? Será que temos que continuar vivendo de acordo com antigos estereótipos ou é o momento de questioná-los?

Muitas coisas passaram pela minha cabeça, e no final decidi que não iria ultrapassá-la. Continuei minha corrida no mesmo ritmo em que estava, como se nada tivesse acontecido.

E mostrei ao mundo que não sou um porco machista. Sou um porco machista fora de forma.

Thursday, May 28, 2009

Celebrando a chegada do Metrô de Dubai.
Trocando Figurinhas

Outro dia parei para pensar como a tecnologia é extraordinária. Estava em Los Angeles andando na Sunset Boulevard e de repente recebi uma ligação - no meu telefone. O mesmo telefone que eu carrego para cima e para baixo em Dubai estava ali tocando, literalmente do outro lado do mundo, me ajudando a conectar com uma pessoa a mais de quinze mil quilômetros de distância.

Tudo bem que era um operador de telemarketing tentando me vender algo, como sempre, que eu não tinha a menor intenção de comprar, mas acho que dá para pegar a idéia.

Logo depois eu estava na sede da companhia que estava produzindo o comercial que eu estava supervisionando. Tirei meu laptop da mochila e, sem ter que fazer nada, estava conectado na internet, checando meus emails, dando uma olhada na minha página do Facebook para ver o que meus amigos andavam escrevendo, acessando o Twitter para ver o que as pessoas andavam fazendo ultimamente e para deixar algum documento escrito, um comentário, que refletisse o momento. Não tive muito tempo, porque o ritmo de trabalho não permitia, mas se quisesse poderia também ter acessado minha página do Orkut para ver o estava rolando, poderia também abrir o MSN para ver quem estava online, dar oi para algum amigo ou esperar ser descoberto por alguma pessoa.

E não dá para esquecer também o Skype...fazer ligações internacionais de uma hora para um telefone fixo ou celular e pagar o preço de uma bala juquinha consegue ser quase tão bom quanto comer amendoim Mendorato. Isso sem falar no fato de que se você estiver falando de computador para computador ainda dá para usar sua câmera e ver seu interlocutor.

Neste mundo moderno as possibilidades de conexões com nossos amigos, parentes, filhos, filhas, colegas de trabalho, clientes e operadores de telemarketing são infindáveis. Se a conexão estiver boa dá para mandar uns Twits do alto do Everest, postar uns comentários na página do Facebook do seu amigo direto da fossa das Marianas.

E eu me lembro como era extraordinário quando eu estava viajando de bicicleta pelo sul do Brasil em 1992 com meu amigo Luli. Eu parava em um orelhão no meio do nada e conseguia fazer uma ligação - a cobrar - para a casa do meu pai. E isso sem sair da bicicleta.

Mágica!

Mas nesta minha última viagem aos Estados Unidos percebi que este excesso de conectividade também cria uma ilusão de proximidade.

Aproveitei que tinha alguns dias livres durante o processo de pós-produção e comprei uma passagem para o Colorado, para ver minha irmã que mora perto de Denver.

O encontro foi uma felicidade enorme. Tinha me esquecido como é bom papear com minha irmã e papo para colocar em dia não faltava. Meus sobrinhos, Ian e Matthew, estão enormes, divertidos, ativos e inteligentes. Eles adoram ler e falar sobre ciência - astronomia, biologia, geologia...e olha que são dois pivetes de nove e sete anos de idade!

No meio de toda essa agitação eu e minha irmã demos uma escapada para uma cidade no meio das Montanhas Rochosas onde tem uma piscina natural com água que vem de uma fonte geotérmica. Seria sensacional se não tivéssemos ido no único dia do ano em que eles esvaziam a maldita piscina para limpeza e reparos. Por conta disso decidimos estender nossa viagem para dar uma olhada em Aspen, a estação de inverno dos muito-ricos americanos. Como o inverno já tinha passado e a única neve que sobrou mais parecia algodão doce queimado, a cidade estava vazia - mas tiramos muitas fotos engraçadas.

Papo não faltou. Histórias, causos, fofocas, nossa conversa não tinha fim. Até que num determinado momento nos demos conta - eu ia falar "caiu a ficha" mas achei que ia soar muito velho - de que não nos víamos pessoalmente há quase cinco anos.

Como é que você consegue ficar sem ver sua irmã por cinco anos?

É o que eu chamo de ilusão de proximidade, o efeito colateral criado pela conectividade nas nossas vidas.

Nestes cinco anos nos falamos por telefone, email, trocamos mensagens pelo Orkut, deixamos recados nos scrapbooks, nos falamos pelo Skype só com voz e depois usando as câmeras também. É quase como se tivéssemos nos encontrado pessoalmente. E por que não seria? Afinal eu pude falar com ela, ouvi suas histórias e vi sua imagem.

Mas não é a mesma coisa.

Ao mesmo tempo que nos aproximam estes meios criam a ilusão de que estamos próximos. Ter um ícone com a foto de um amigo seu para olhar de vez em quando não é a mesma coisa que falar com ele. Acabando passando dias procurando antigos colegas de escola, ex-colegas de trabalhos, ex-namorados e namoradas, vizinhos e até mesmo parentes não para estar em contato com eles, mas quase para colecioná-los.

No máximo uma mensagenzinha dizendo uma versão ou outra de "que saudade! e aí, o que você conta?", mas na maior parte das vezes nem isso.

É como se as pessoas que conhecemos fossem figurinhas para colecionar. "Nossa, ele tem mais de quatrocentos amigos no Facebook!". Deixa eu dar uma olhada para eu ver quem eu conheço para adicionar...

Você olha para as fotinhos e se sente rodeado pelas pessoas que conhece. É muito confortável. Mas o potencial para comunicação - o canal - não é a comunicação em si. Mas muitas vezes basta para que não nos sintamos desconectados da nossa teia de relações. Muito mais sofisticado do que a antiga caderneta de endereços com nomes e números, mas basicamente a mesma coisa.

Mas deixa este monte de papo filosófico para lá, preciso mesmo é te contar uma coisa. Você não acredita quem eu encontrei no Facebook...

Tuesday, May 19, 2009

Não dá para ser mais Dubai do que isso.

Este é o uniforme que a Carolina tem que usar na escola todo dia...

Ops!

Agora falando sério...

Era o dia nacional dos Emirados Árabes Unidos, e estávamos na frente da sua escola - com minha filhota vestida à caráter para a celebração.

Ao fundo podemos ver um hotelzinho modesto que construiram por aqui.

Isto continua não sendo um cachimbo.

Há mais de vinte anos atrás estava eu entrando em uma sala cheia de adolescentes nervosos para mais um dia de vestibular. Era a segunda fase da FUVEST.

O vestibular é para o adolescente brasileiro de classe média como aqueles ritos de passagem para os jovens índios tem que passar para serem aceitos como adultos. Rituais longos, dolorosos e tensos que nunca sabemos qual será o resultado final, mas que todo mundo tem que passar para fazer parte do mundo de gente grande.

Agora você faz parte da tribo, jovem Gafanhoto.

O dia era importante - a prova de redação, que contava muito na nota final. Mais um motivo para ficar tenso. Entre as várias opções para escrever a redação havia uma dissertação que começava com uma reprodução da pintura acima. Um cachimbo com uma frase embaixo "Isto não é um cachimbo".

Escrever sobre um cachimbo que não era um cachimbo pode não parecer muito convidativo. Especialmente quando você está numa sala dilapidada de uma escola pública sem ar-condicionado junto uns 40 adolescente que, como você e apesar do calor, estão suando frio.

Eu não lembro quais eram as outras opções porque foi essa a que eu escolhi.

O que René Magritte queria dizer com aqui? Um cachimbo que não é um cachimbo.

Depois de me debruçar sobre a imagem por quase meia hora comecei a escrever. Duas páginas à mão - lembra quando a gente usava a mão para escrever? - falando sobre a natureza da realidade.

Interessante que naquele momento tenso estava sem saber forjando minha identidade. Aquela redação era um esboço não de texto acadêmico, mas da minha maneira de ver o mundo.

O que era a realidade afinal? Existe algo verdadeiro ou apenas aquilo que acreditamos real?

Existe um sentido intrínsseco à coisas que observamos e experimentamos ou o sentido é atribuído pelo observador?

Seria a realidade uma fantasia?

O vestibular passou, mas as idéias ficaram.

Às vezes um cachimbo não é um cachimbo.

Monday, May 18, 2009

Mas os meus cabelos...

Quase quatro anos depois eu confesso que dei o braço a torcer.
Mudei a cara do meu blog e troquei para o nome que metade do planeta Terra insistia para eu colocasse.

Antes à tarde do que nunca. (São mais de 7 da tarde aqui)

Sunday, May 17, 2009

Passagem para Índia.

Comer em restaurante indiano já foi um acontecimento exótico para mim.

Fui apresentado à cozinha indiana - um termo relativo porque os indianos concordam que não existe tal coisa, tal a diferença entre a comida de cada estado - pelo meu tio Carlos há mais de duas décadas. Coisa estranha, sofisticada e cara!

Era um restaurante com o qual, muitos anos depois, acabei sendo vizinho, o Ganesh.

Nunca me ocorreu naquela época que estava travando meu primeiro contato com uma cozinha que tinha ambição de representar mais de um bilhão de pessoas.

Meus contatos depois deste primeiro momento foram esporádicos e, na maior parte das vezes motivado pelo meu amor à minha esposa - ela uma viciada na comida do subcontinente.

Avançamos muitos anos no futuro e me vejo em Dubai, uma estranhíssima cidade-estado em que 85% são estrangeiros e, surpresa, 60% indianos.

Claro que em um lugar com tantos indianos não ia ter nenhuma possibilidade de evitar os elaborados pratos das Índias.

Doce ilusão. Muitas pessoas mantém distância da comida indiana, considerada elaborada demais, picante demais e estranha demais para alguns paladares.

As duas culturas vivas mais antigas - a chinesa e a indiana - têm legados culinários completamente diferentes. Nos seus mais de cinco mil anos de histórias os chineses aprenderam a comer absolutamente tudo. De pepinos a pepinos do mar, de abelha a zebra, passando por cachorro e escorpião, eles não recusam nada nos seus pratos.

Indianos por outro lado aprenderam que é possível colocar absolutamente tudo em um prato. Uma refeição ligeira preparada por eles tem umas mil e quatrocentas especiarias, pelo menos. Quando você pede um franguinho básico pode ter certeza que a única coisa reconhecível, talvez, vai ser a textura da ave. O sabor, mascarado por um furacão de especiarias, faz com que as papilas gustativas dos desavisados sejam sobrecarregadas. O cérebro entra em curto-circuito.

É fácil manter distância de restaurantes indianos aqui em Dubai. Tem muito de tudo. De restaurantes libaneses a trash-food americana - McDonald's e Burger King - tem de tudo. Italianos, tailandeses, filipinos, sul-africanos, alemães, franceses, iranianos, argentinos - sim, até eles - estão representados. Tem até uma churrascaria rodízio em Abu Dhabi para aqueles tupinquins que estão com saudade de casa e com dinheiro no bolso.

Mas este nunca foi o meu caso. Não só eu não tinha medo de comida indiana como também encontrei um monte de amigos do subcontinente na minha jornada de publicitário desterrado no Oriente Médio.

Posso descrever a minha experiência (e a de um monte de gente que eu conheço) com a cozinha deles em seis etapas:

1 - Você estranha
2 - Você tolera
3 - Você se acostuma
4 - Você passa a gostar.
5 - Você gosta muito!
6 - Você precisa.

Já faz algum tempo em que estou no sexto estágio. Minha jornada para chegar até aqui não foi simples. Fui em restaurantes caríssimos e em bibocas que não custam nada. Visitei restaurantes de diferentes estados e posso confirmar: a não ser pelo fato que eles adoram especiarias a comida é completamente diferente.

Hoje em dia eu me considero um escolado. Nada me surpreende mais com relação a restaurantes indianos.

Pelo menos era isso que eu pensava. E o pior é que esta experiência completamente inesperada e indigesta aconteceu num restaurante do lado do meu trabalho. Um lugar em que eu como quase toda a semana.

Estávamos lá eu e mais um amigo indiano e um americano. Pedimos pratos óbvios, pré-testados e aprovados. Até aí, nada de mais. A comida chegou e estava saborosa. Música indiana tocava no sistema de som. Espera, eu conheço essa música indiana...como é possível.

Eu olho para a cara dos meus amigos e uma centelha de reconhecimento faz meu cérebro se acender como uma árvore de natal.

O que eu estava escutando era uma versão indiana ilegal - isto é, sem pagar direitos - de Lambada, do grupo Kaoma. Lembram? Infelizmente eu lembrava.

Depois de tanto tempo um restaurante indiano me deu indigestão.
O violão morreu, viva o violão!

Depois do desastre, a depressão, enfim boas notícias.
A salvação veio pelas linhas tortas da internet, depois que postei um comentário desesperado no meu Status do Facebook. Foi como ter jogado uma mensagem na garrafa num oceano virtual. Mas funcionou.

Levei meu violão para um indiano guitarrista, talentoso e interessante, fã de Joe Satriani. Ele olhou para os restos mortais e disse que ainda havia esperança e que em alguns dias tudo estaria resolvido. Eu deixei os dias passarem com medo de ligar e receber más notícias.

- Infelizmente nada pôde ser feito...tentamos tudo que era possível. Seu violão não está mais entre nós. Mas ele foi sem sofrimento, se isto lhe conforta.

Eu já imaginava o pobrezinho no céu dos violões - tudo bem, para violões e guitarras eu abro uma exceção - sendo tocado por um anjo sereno. Que destino horrível! Neste céu imaginário eles não devem tocar Rock'n'Roll, só músicas do Ray Conniff e do Zamfir.

Ignorando meu temor eu liguei e recebei a notícia: está pronto.

E não é que o cara fez um bom trabalho?

Fui até o apartamento dele para pegar o menino e me surpreendi. Quase não se vê as marcas da fratura e ele está soando lindamente. Acho que estava imaginando que ia ver um conserto parecido com aqueles que a gente fazia nos brinquedos que quebravam quando éramos crianças, com cola vazando pelas rachaduras. Felizmente eu estava errado.

O violão só não está soando melhor porque eu sou ruim demais. Mas para isso eu não sei se tem conserto.

Tuesday, May 05, 2009

A dor da separação, parte II.

Um update na história da guitarra: Ainda há esperança. Mandei uma mensagem desesperada no Facebook eu uma amiga me respondeu recomendando um especialista em conserto de guitarras.

Hoje eu juntei os pedaços e estou levando para ele.

Cruzem os dedos.

Monday, May 04, 2009

A dor da separação.

Foi realmente dolorosa a separação. Até agora ainda não me recuperei e até este momento não tive energia ou cabeça para falar no assunto.

Estranho que você use o blog, um modo totalmente público, para se expor de uma maneira que você jamais faria na sua vida privada. Mas este ritual catártico acaba ajudando você a lidar com seus demônios.

Aconteceu há umas 3 semanas. Cheguei em casa e a nossa empregada me deu a notícia. Fiquei sem reação. Não senti raiva, tristeza, nada. Só um grande vazio, choque.

A tristeza veio mais tarde, muita.

Dias depois veio uma viagem longa para Los Angeles. Foi uma fuga. Lá eu encontrei outras, muitas outras. Mas não era o momento, a separação ainda dolorosa não me deixa pensar em algo novo.

Claro, devo confessar, que tinha - e ainda tenho - esperança de que possamos juntar os pedaços, voltar ao que tínhamos antes da separação. Mas para isso preciso de ajuda. Não consigo fazer sozinho, preciso de ajuda profissional.

Por isso eu me abro e lanço este apelo:

Por acaso vocês sabem de alguém que conserte uma guitarra com o braço quebrado em dois pedaços?

Thursday, April 02, 2009

Coldplay e as águas de Março.

Imagine ir a um show the rock em que, meio da apresentação da banda, comece a chover.
Não é difícil de imaginar. Todo roqueiro deve ter pelo menos uma história de chuva durante show incluída no seu currículo. Eu mesmo tenho várias.

Agora imagine que você está no show da banda de maior sucesso da atualidade.

No Oriente Médio.

Com chuva.

Obviamente não é a combinação mais provável de fatores. Mas foi exatamente o que aconteceu no final de semana passado quando fomos comemorar o aniversário da minha querida esposa no show do Coldplay em Abu Dhabi.

Um megashow do lado do hotel mais caro e impressionante de Abu Dhabi - o Emirates Palace. Lotado, disputado, antecipado, animado, molhado.

Quando chegamos em Abu Dhabi algumas gotas estavam caindo - o que já era inesperado. Ei, isso aqui não é São Paulo. Estamos no meio do deserto, Oriente Médio, caramba! Não é para chover aqui.

Claro que chove. Umas 5 vezes por ano. Mas não antes do show de rock mais esperado do ano - e não em Março, por favor.

Mas tem chovido - e bastante - ultimamente.

Depois de penar para chegar ao local do show - o trânsito em Abu Dhabi é tão lento que parece que você está em uma fotografia - paramos no estacionamento e, como tinha um tempo de sobra, ficamos assistindo um episódio de Lost no DVD do carro. It's good to be the king.

Como o horário do show estava chegando decimos entrar. Já lá dentro a luta foi para conseguir comprar bebida. Devia ter umas cinco mil pessoas tentando comprar cerveja - entre elas umas três mil furando fila.

Claro que também aconteceu na nossa frente. Para melhorar meu humor - filas comprar bebida em show e tentar arrumar vaga estacionamento de shopping deveriam fazer parte dos métodos de tortura usados pela CIA em Guantanamo - um grupo de argentinos estava na nossa frente e demorou quase uma hora para pedir metade do bar - claro que com mais alguns hermanos chegando para furar fila enquanto esperávamos. Bebidas na mão, entramos na área VIP (a Dri tinha comprado ingressos especiais) e descobrimos...que tinha um bar lá dentro, vazio, tranquilo.

Quando eu era criança e alguém da classe dizia ou fazia algo estúpido as crianças faziam um som.

- Dãããããrrrrrrr

Acho que dá para imaginar a cena.

Entramos no show com a banda tocando. Nada da loucura que vemos em shows no Brasil com gente se empurrando e tentando se matar para chegar perto dos ídolos. Fãs de todas as nacionalidades curtindo juntos.

E tenho que confessar, mesmo não sendo um grande fã da banda, que eles são muito bons ao vivo. O show foi sensacional. Inesquecível, mas não pela apresentação da banda.

Vinte minutos depois do começo da apresentação começou a chuviscar. Inacreditável! Chovendo num show nos Emirados Árabes? Eu estava achando irônico - até que começou a chover de verdade. E quando falo de verdade quero dizer que começou a chover para cacete!

Chuva de verdade, daquelas que você corria para rua para ficar ensopado e depois tomava bronca da mãe.

O legal de gente ensopada é que todas as máscaras caem. Todo mundo perde a pose e relaxa. E foi isso que aconteceu. A galera relaxou e pulou que nem criança - e o show ficou memorável.

A banda fez piada, brincou com a galera e, num momento surpresa, correu no meio do público e se apresentou num palquinho no meio do estádio - a uns 3 metros de onde estávamos.

Durante este "pocket show" no meio do show eles pediram para apagar as luzes para celebrar a Earth Hour e o Chris Martin - o vocalista da banda - falou para a platéia iluminar o palco com seus celulares. Funcionou.

Os celulares oficialmente substituiram os isqueiros como fonte oficial de iluminação de platéia.

Muita diversão.

No final do show, quase secos de tanto pular depois que a chuva parou, vamos para casa feliz da vida. Claro que ainda ia ter um atoleiro pela frente - que deixou muita gente parada mas foi enfrentado bravamente pelo Ford Flex da Dri com este seu interlocutor no volante - e mais de duas horas de viagem até Dubai - incluindo uma parada estratégica para comprar um rango e trocar a água das azeitonas.

Exaustos e ainda meio molhados fomos dormir com um sorriso nos lábios e dor nas pernas.

Chuva em Abu Dhabi durante o show do Coldplay? Improvável, mas não impossível, diriam alguns.

Wednesday, February 25, 2009

Guilhermismos 02

Mire na lua, porque se errar irá alcançar as estrelas. Em uns 14.ooo anos, depois de passar fome, sufocar e congelar.

Tuesday, February 24, 2009

Guilhermismos 01

Arte é execução mais contexto.
Considerações.

Aqui em Dubai você só lembra que é Carnaval por que tá cheio de neguinho vestido de sheikh.

Monday, February 16, 2009

Caras-Metades

Imagina você conhecer uma pessoa num dia e três dias depois estar casado com ela.

Bom, você não precisa estar bêbado em Las Vegas, ser uma estrela da indústria do entretenimento - ou ambos - para fazer isso.

No Oriente Médio e na Ásia - principalmente a Índia - isso é comum.

Casamentos arranjados entre pessoas da mesma casta ou da mesma região da Índia acontecem com frequência. Uma amiga minha indiana conheceu o futuro marido um mês antes do casamento, depois que o enlace já estava negociado pelas famílias.

Outro amigo, nepalês, conheceu a noiva - que era a única representante da mesma casta disponível na sua vila - cinco dias antes do casamento. Se você acha isso estranho, devia ver uma foto da criatura.

No mundo muçulmano conservador a história acontece de um jeito diferente. Garotos não saem com garotas, namoros são proibidos e beijo na boca, nem pensar! Em países que seguem leituras mais radicais do Corão - como a Arábia Saudita - se você não é marido, pai ou irmão da mulher você não pode nem andar junto, sob o risco de ser preso e levar uma chibatadas - como aconteceu com um amigo libanês que tinha um rolo com uma enfermeira canadense na. O coitado estava andando com a garota num shopping - a uma distância segura, pensava ele - quando foi abordado pela polícia religiosa. Preso, tomou dez chibatadas e foi expulso do país. Imagina o que aconteceria se tivessem pegado ele transando no carro...

Mas os moleques sempre arrumam um jeito. Antigamente passam de carro do lado das garotas e jogavam bilhetinhos com seus telefones - e romances começavam aí. Hoje em dia a tecnologia ajuda a furar os bloqueios. Eles flertam com as meninas - e vice-versa - usam bluetooth e SMSs e depois continuam seus xavecos via MSN, GoogleTalk ou o que estiver disponível.

Onde há hormônios sempre há um jeito.

Mas na hora de casar a história é outra. Você tem que ir até a casa da menina com seus pais para ser apresentado aos pais dela que, depois de aprová-lo, irão deixá-lo falar com futura noiva. Se os dois concordarem e gostarem um do outro podem se casar em uma semana - ou em alguns meses se a preparação para a cerimônia for mais complicadas. Em alguns casos a família decide pela mulher.

Antigamente haviam mulheres que ganhavam a vida fazendo estas apresentações, juntando as partes interessadas. Hoje elas são mais raras e, mais um sinal de que a tecnologia tem poder de mudar nossas cabeças mais do que cabeleireiro, estão sendo substituídas por agências matrimoniais online. Você coloca seu perfil, fotinho e pronto!

Mas um dos fatos mais curiosos é que no mundo árabe muçulmano a poligamia é permitida. Segundo algumas leituras do corão - eles nunca concordam - o homem muçulmano pode ter até 4 (quatro esposas). Isso mesmo, quatro esposas.

Imagina colocar quatro mulheres sob um mesmo teto e tentar viver em harmonia? Não é à toa que os locais adoram ficar perdidos no deserto na companhia de camelos.

Algum tempo atrás eu falei com um cara dos Emirados que tinha duas e estava se preparando para casar com a terceira. Qual era o truque, perguntei eu, porque eu tinha só uma e de vez em quando me deixava louco.

O segredo, disse ele, é sempre dar às outras o que você ofereceu à uma - ao invés de olho por olho, dente por dente é Louis Vuitton por Louis Vuitton, Prada por Prada.

Fácil. Só precisa ser justo e ter um cartão de crédito sem limite.

Sunday, February 15, 2009


Salve a Donzela de Ferro.

Vinte e quatro anos depois finalmente assisti ao show que perdi no Rock in Rio.
Claro que meus pais não deixaram aquele moleque magrelo de catorze anos embarcar sozinho para a capital fluminense. Ele ficou na vontade, ouvindo a versão em vinil do show até gastar.

Doze anos depois veio a primeira chance de ver os caras ao vivo em em cores. Mas não foi a mesma coisa. As músicas não eram as mesmas que eu queria e talvez eu também não fosse o mais mesmo. Muito bom, mas poderia ter sido perfeito.

Corta de novo. Nos movemos para o futuro, mais treze anos - quase o número de anos que eu tinha quando perdi minha grande chance. Estou em Campinas e meu grande amigo André Brandalise me conta que a turnê iria passar no Brasil em Março. E lá estava eu em Campinas, pronto para voltar para Dubai...deixando a possibilidade de assistir aos catorze mil quilômetros e vinte e três horas de viagem para trás.

Claro que como todo grande amigo o André esfregou na minha cara o ingresso. "Já comprei, vou estar lá e você não!".

Se você algum cara te tratar bem pode ter certeza que ele não é seu amigo. Amigos de verdade enchem o seu saco, te provocam, te chamam de um monte de coisas ruins e você pensa "caramba, o cara é o maior brother" - e tenta provocá-lo pelo menos três vezes mais.

Mas encher a paciência não é o suficiente no competitivo universo macho - tem que pagar na mesma moeda. E eu não sabia que os deuses do Metal estariam do meu lado - pelo menos nesta oportunidade.

Cheguei em Dubai e meio sem querer, no meio de uma conversa com um colega de trabalho, que a Donzela de Ferro viria para essas paragens. Glória!

Cadê meu ingresso?

Mas não podia ficar assim...uma semana depois estou em Beirute para a finalização de um comercial que filmamos - aquele mesmo da libanesa beiçuda superstar. Quando você senta na ilha de edição para editar um comercial em geral é um misto de agitação e ócio. Primeiro você vê o material editado e tem que fazer uns cinquenta comentários - essa é a parte tensa. Aí você tem que esperar horas para eles fazerem todas as mudanças - a parte do ócio.

Durante este ócio eu liguei meu laptop e fiquei surfando na net feito um zumbi. Saí para ver um filme num shopping perto e quando voltei o Skype estava piscando: chamada de André Brandalise.

Ligamos nossas câmeras e ficamos conversando por uma hora, sobre todos os assuntos. E, antes de terminar, claro que ele me provocou de novo falando dos show. E eu fiquei quietinho.

Vingança é um prato mais saboroso servido com frios. Vai um salaminho e um queijo tipo reino aí.

De volta para Dubai leio mais sobre a turnê. Com se estivessem atendendo aos pedidos já quase esquecidos de um moleque de catorze anos feitos há vinte e cinco anos, o tema do show é reviver o show mais famoso que eles fizeram nos anos oitenta. Aquele que eu perdi.

E lá vou eu para o meu primeiro grande show em Dubai.

Uma coisa você pode dizer sobre rock clássico: é sempre um encontro de gerações. Moleques de dez anos de idade se misturam com tiozinhos com cabelos brancos e mesmo sem cabelos. Em qual das categorias será que eu me encaixo?

Naquela noite eu tinha catorze anos de idade.

Claro que tirei montes de fotos, pulei e cantei como um retardado e me filmei abusando verbalmente do meu grande amigo enquanto a banda tocava uma das músicas favoritas para postar depois no YouTube. Mas o meu plano infalível - esse é o meu lado Cebolinha - não funcionou - exatamente como o Cebolinha.

Tentei ligar de lá para o André enquanto o Iron Maiden tocava Phantom of the Opera, mas o maldito celular não funcionou. Gambá de sorte.

No fim do show o moleque, feliz da vida, andou até seu carro, voltou para casa, para sua esposa, sua filha e sua carreira. Vinte e cinco anos depois.

Thursday, February 12, 2009


Parabéns, Charles.

Há duzentos anos nascia Charles Robert Darwin.

Quarenta e nove anos depois ele publicaria, junto com Alfred Russel Wallace, a teoria da evolução que explicaria que a vida no nosso planeta está em constante transformação - processo regulado pela seleção natural - e que faz com que organismos mais adaptados ao meio ambiente tenham maiores chances de sobrevivência.

Entre outras afirmações controversas, Darwin anunciou que o homem (notem a ausência de maiúscula) descenderia do macaco - ou um ancestral comum aos macacos. Muitos se sentiram ofendidos.

Surpreendentemente, aqueles que deveriam ter se sentido mais ultrajados não se pronunciaram. Os macacos permanecem neutros com relação ao assunto.
Considerações sobre o macroverso.

Você pode ser preso por não seguir as leis da física?

A polícia pode te multar se você ultrapassar a velocidade da luz?

Se eu fosse um membro do congresso eu teria votado contra a Lei da gravidade.

A maior prova de que o universo está se expandindo é o valor do meu aluguel.

A maior prova de que ele não está é o meu salário.

Monday, February 02, 2009

O copo está meio cheio.

A coisa mais fantástica sobre as crises, mesmo em uma situação complicada como esta recessão global, é que sempre há uma história feliz e positiva para contar.

Eu ainda não ouvi nenhuma, mas tenho certeza que um dia vai aparecer.

Thursday, January 29, 2009

A crise. Ah, a crise.

Os ecologistas devem estar felizes - estamos vivendo o desaquecimento global.

Pingüins e ursos polares, uni-vos!

Tuesday, January 27, 2009

Resoluções de ano-novo fáceis de cumprir.

1 - Prometo respirar com mais frequência.
2 - Prometo esquecer alguns aniversários.
3 - Prometo jogar videogame até deixar minha mulher P. da vida.
4 - Prometo colocar gasolina no carro.
5 - Prometo comer no MacDonald's.
6 - Prometo não usar protetor solar
7 - Prometo que vou ficar irritado se tiver que acompanhar minha mulher às compras.
8 - Prometo assistir Sexto Sentido de novo na TV a cabo, mesmo que seja da metade para a frente.
9 - Prometo esquecer de usar fio dental.
10 - Prometo que vou dizer que coloquei água na forminha de gelo, mesmo que não tenha colocado.
11 - Prometo ficar com raiva de procurar vaga em estacionamento de shopping.
12 - Prometo deixar para o dia 23 de dezembro as compras de Natal.
13 - Prometo que vou descobrir alguma coisa cara que minha mulher comprou.
14 - Prometo que vou ficar puto com a coisa cara que minha mulher comprou.
15 - Prometo que vou comer todos os Mendoratos disponíveis.
16 - Prometo que vou comprar mais livros do que dou conta de ler.
17 - Prometo que vou esquecer de comprar ketchup na próxima vez que for ao supermercado.
18 - Prometo que vou queimar meu pé na areia quente da praia porque não levei chinelo.
19 - Prometo contar a piada da competição internacional das polícias.
20 - Prometo reclamar dos mecânicos de Dubai.
21 - Prometo reclamar dos preços em Dubai.
22 - Prometo reclamar do trânsito em Dubai.
23 - Prometo arrumar minha mala uma hora antes da viagem.
24 - Prometo esquecer de colocar pasta de dente na mala.
25 - Prometo ficar irritado com a operadora do meu cartão de crédito.
26 - Prometo falar que a pizza de São Paulo é a melhor que existe.
27 - Prometo contar para alguém que há mais libaneses em São Paulo do que no Líbano.
28 - Prometo confirmar para alguém que em Beirute não se come beirute.
29 - Prometo prometer que vou correr de kart com a galera.
30 - Prometo comer chilli con carne preparado pela minha esposa até passar mal.
31 - Prometo dar risada sozinho de uma coisa que achei na internet e que ninguém mais vai achar engraçado.
32 - Prometo comprar alguma coisa e logo depois de comprá-la descobrir que tinha muito mais barato em outra loja.
33 - Prometo dar dois beijos em uma pessoa que está esperando três.
34 - Prometo comprar um DVD pirata que não vai funcionar.
35 - Prometo sair atrasado de casa e ligar dizendo que estou chegando em 5 minutos.
36 - Prometo escrever mais promessas depois.
Fazendo beicinho.

Estou eu aqui em Beirute numa filmagem com a maior estrela pop árabe: Nancy Ajram.

Para dar uma idéia ela é a Beyoncé local. Está para todos os lados - da Coca Cola à Damas (joalheria de maior sucesso no Oriente Médio) entre outras grandes marcas. No meu caso ela foi escolhida para ser a cara da Sony Ericsson.

Como toda estrela árabe, ela tem o look de quem fez a alegria de algum cirurgião plástico - ou vários. Se no Brasil cirurgia plástica ficou mais importante do que ter geladeira em casa no Líbano é mais importante do que ter geladeira e comida para por na geladeira. Acho que já devo ter mencionado isso, mas tem até banco oferecendo empréstimo para pagar plástica. É interessante emprestar dinheiro para gente que tem um produto que está em queda...

Parece que todas as estrelas do mundo árabe vão ao mesmo cirurgião - elas eventualmente acabam ficando com a mesma cara. O mesmo nariz, os mesmos peitos, os mesmos beições.

E que beições.

Elas acabam ficado com o que os gringos chamam de trout pout - beicinho de truta em bom e velho português. O mais engraçado é que as mulheres a partir da casa dos quarenta acabam seguindo o mesmo caminho e, como todas acabam parecidas você nunca sabe se está frente a frente com uma lenda da música árabe ou a mulher do Mustafá.

Mas o que difere a Nancy Ajram das demais é o fato de ela ser uma pessoa muito tranquila, o que é difícil de entender dada a devoção que o público árabe tem por elas. Homens, mulheres, crianças, todo mundo a adora.

Estou escrevendo isso quinze minutos depois de ter almoçado um PF com ela e a equipe de filmagem em umas mesinhas de plástico vagabundas, em que só faltava ter o logo da Kaiser. E para tornar a situação ainda mais complicada, ela está grávida...

Dá para respeitar, principalmente depois de ter feito um trabalho com um outro astro da música, Wael Kfoury.

O cara era uma figura realmente irritante. Durante uma sessão de fotos ele deixava a agência - no caso eu - ver o que estava acontecendo até ele estar feliz com o resultado. Era só ele, o fotógrafo, o assistente e o maquiador, isolados do resto da equipe.

Aí você era convidado para ver as fotos no monitor que foram selecionadas por ele. Enquanto passávamos pelas fotos - com nossa estrela do lado - e chegávamos a uma que o indivíduo achava especialmente boa ele mandava parar e assobiava.

- FIUUUUUUUU!!!! (nota do tradutor: como sou lindo!!!!!)

Não é de matar?

Monday, January 19, 2009

London, London.

Uma coisa que provavelmente alguns dos meus milhares de leitores não estão sabendo:

Ganhei um prêmio internacional bacana. Prata no London Festivals.

Claro que não fui para Londres para receber o trófeu. Primeiro porque não sabíamos se iríamos ganhar ou não e não ia ser muito divertido ir para lá e ficar com aquela cara de pão Pullman, quando anunciam que outro anúncio, que você sempre acha muito pior que o seu, ganhou.

A parte boa é que o trófeu chegou dois dias depois do anúncio oficial dos vencedores - e era bem pesado. Me senti numa Copa do Mundo quando levantei a taça. Só faltou a camiseta 100% Jardim Irene.

Para quem não conhece o tal anúncio, aí vai...

Que vergonha...

Quase seis meses sem postar.

As razões são várias. No começo você deixa de postar porque está sem assunto - ou pensa estar. Depois você fica ocupado por um tempo e não arruma espaço na cabeça para escrever. De repente você pára e descobre que não consegue escrever mais por excesso de assuntos.

Bom, para voltar a escrever com no blog nada melhor que uma das minhas resoluções de ano novo: voltar a escrever no blog.

Para continuar escrevendo nada melhor do que listar todas as outras resoluções. Mas isso fica para outro post, quero acumular números neste começo de ano.

Wednesday, August 13, 2008

Dissonância


Depois de três anos fora do Brasil ainda tenho a sensação de algo não está certo.

A vida do desterrado é assim. Você se acostuma com as coisas mais extraordinárias, mas sempre fica com a impressão de que alguns espaços não estão sendo preenchidos. Décadas de treinamento consciente e inconsciente fazem com que você tenha uma idéia de como o mundo deve ser. Você sabe, por exemplo, que as placas são devem ser escritas em português, que final de semana é sábado e domingo, que Natal é feriado e que Sete de Setembro também. Quando você muda de país - principalmente um país no Oriente Médio - seu treinamento consciente cuida do recado. Placas em inglês e em árabe, finais de semana de sexta e sábado, nada de Natal ou Sete de Setembro. Você faz a troca tranquilamente porque são coisas importantes e esperadas - parte da sua percepção e treinamento consciente.

As coisas começam a ficar interessantes quando você pensa nas pequenas coisas que fazem de você, digamos, você. Aquelas coisas que separadamente não são importantes, mas juntas ajudam a montar a sua imagem de mundo - e não estou falando apenas de Amendoim Mendorado.

Um dia você está dirigindo por aí e percebe que não nenhum fusca à vista. Como é possível que exista um lugar onde não existam fuscas? E não é só que os fuscas se foram - eles nunca estiveram. Assim como brasílias, variants, kombis e Monzas Hatch - o ausência do último eu qualificaria como uma benção. As ruas de Dubai não parecem certas sem eles. É a dissonância.

Essas pequenas coisas fazem falta - não só porque você gosta delas - muitas vezes é exatamente o contrário - mas porque você ESPERA que elas estejam lá. Condicionamente, meu caro.

Não ter padaria também é estranho. Como pode existir um lugar no mundo onde não tem padaria? Não me leve a mal - os supermercados têm excelentes pães e ainda tem aquela versão meio aviadada que os franceses gostam de chamar de boulangerie, mas não é a mesma coisa. Não são lugares em que você pára no caminho para casa para comprar presunto, mussarela e pãozinho francês - e claro, leite no saquinho. Ou que, na ida para o trabalho dá uma paradinha para tomar uma média.

No supermercado não tem goiabada cascão.

No sinal não tem ninguém tentando limpar seu vidro. Também não tem ninguém tentando te assaltar, mas isso é algo que eu não deixei de notar desde o primeiro segundo em que pisei aqui.

Na estrada não tem pedágio - mas você não pode dizer o mesmo da cidade.

Dubai não tem banquinha de jornal. Como é possível?

Não tem bala juquinha e pirulito Zorro.

Não tem buraco na rua - e também não tem prefeitura para amaldiçoar quando você passa em cima de um. Também não tem Testemunha de Jeová batendo na sua porta para te converter ou simplesmente para interromper sua Sessão da Tarde. Aliás, aqui não tem Sessão da Tarde - ou se tiver, não tive tempo de descobrir a existência.

Em Dubai não tem Coxinha de Frango - sinal, talvez, de que não há futuro para esta terra.

Não existem aqui restaurantes por quilo.

Aqui você nunca ouve o toque de "chamada a cobrar". Também não existe o toque de oito segundos antes do telejornais - a não ser, é claro, que você seja um dos (in)afortunados brasileiros que tem Globosat em casa e podem se deleitar não só com o Jornal Nacional mas também com Faustão, Zorra Total e afins.

Aqui não amolador de faca e vendedor de biju. Não que eles ainda existam no Brasil, mas não consigo imaginar a pátria-amada sem eles. Também não tem vendedora de Yakult com seus carrinho-isopor. Yakult tem, mas só no supermercado e com preço de Black Label. Nunca se pagou tanto por lactobacilos vivos - eles devem ter pedigree, com certeza.

Em Dubai não tem Casas Bahia, nem Riachuelo. E nem me fale em C&A...

Aqui não se vê camelô - a não ser que você tenha sotaque francês.

Dubai não tem pardal. Não tem catadores de papel com sua carroças, gente morando debaixo da ponte. Pontes não faltam.

Aqui não tem aqueles velhinhos com realejo e aquela maritaca que tira a sorte - e nem mico.

Dubai não tem peteca e nem balão em junho. Aqui não tem praça com coreto e nem feira Hippie. Não tem rodoviária - todo mundo vai e vem de avião - e nem descida para a praia em feriado prolongado.

Algumas dessas coisas volta e meia acabam aparecendo, contrabandeadas pela comunidade brazuca que vai e vem, agora non-stop by Emirates. Outras, a maioria delas, continuam ausentes - únicas, insubstituíveis ou intransportáveis.

No final das contas preenchemos as lacunas com outras coisas - treinando nossas cabeças para lidar com novas coisas que não estavam ali antes. O canto dos imans nas horas das preces vindo dos alto-falantes nas mesquitas, comer churrasco grego - shawarma - e achar o máximo, ver mulheres cobertas, trabalhadores indianos, umidade relativa do ar de 100%, comer no escritório durante o Ramadan, assistir cricket - e, surpreendentemente, entender, comer em restaurante indiano no almoço, soltar imprecações em árabe e outras coisinhas que podem até passar desapercebidas mas estão ali, ajudando a definir a sua idéia de realidade.

Mas o que eu não daria por uma coxinha...

Wednesday, July 16, 2008

38 primaveras.

Meu quarto aniversário comemorado em Dubai acabou de passar.

Engraçado que ainda me considero o mesmo moleque que gostava de empinar pipa, ler A Ilha do Tesouro e andar de bicicleta por todo o lado.

O que será que muda na gente? Será que são as contas para pagar? Ou são as dores nas costas?

Talvez sejam os cabelos brancos.

Thursday, July 10, 2008

Banzo vs. anti-Banzo.

O Brasil faz falta. De vez em quando dá vontade de empacotar tudo e voltar para casa, para as paisagens conhecidas, para as comidas, sons, cheiros e amigos.

Por outro lado você pensa no lado bom de estar longe da Pindorama. Desafios, dinheiro, segurança, conforto, aventura, novos amigos...

O resultado final sempre te deixa dividido. A cabeça do expatriado é vive uma eterna confusão, sempre pesando os prós e contras de estar aqui ou acolá - até que uma razão tão forte que destrua este equilíbrio apareça.

Hoje de manhã eu percebi que não dá para voltar para o Brasil. Perdi a fé no meu país de origem e não sei se um dia vou recuperar.

Hoje de manhã eu ouvi pela primeira vez a Dança do Quadrado.

Não há mais esperança para o povo brasileiro, sinto muito.

Friday, July 04, 2008

Mais uma sobre cinema.

Assistimos Wall-E hoje. Primoroso. Os caras da Pixar realmente estão além.
História, animação, personagens, design, edição, som, efeitos sonoros, música, tudo foi feito com tanta paixão e talento que me dão orgulho de fazer parte da mesma espécie dos realizadores.

Talvez tenha sido o melhor filme que vi este ano.

E como bônus tivemos a Carolina imitando sem parar o robozinho do filme dizendo seu nome.

"Wall...íííí, Wall...íííí!!!