A Pajero Morreu. Viva a Pajero.
Costumava dizer que não tinha um carro, tinha um relacionamento.
E, como uma boa parte dos relacionamentos, acabou de uma forma horrível.
Eu sei que a Pajero sempre foi uma fonte segura de histórias engraçadas - de se contar, não de se viver, diga-se de passagem.
Nada como ficar náufrago em uma das estradas mais movimentadas e perigosas do Oriente Médio - e por consequência do mundo - num sábado à noite no meio tempestade de areia COM CHUVA. (Acho que isso foi um quadro de um programa de pegadinhas produzido por uma super-inteligência alienígena)
Nada como o radiador explodir e te deixar não mão por algumas horas em um dos dias mais quentes do ano.
E tem mais, muito mais.
Há uns 3 meses mais ou menos aconteceu de novo.
Estava na fase final de produção do comercial de Ford Edge. Caro, complicado e com mil e um problemas durante a filmagem finalmente chegou o momento de ver a edição final feita pelo diretor.
Todo o projeto já tinha sido traumático.
Um diretor despreparado e fraco - não sabíamos porque como é comum aqui, ele foi "importado" para o projeto. Estávamos comprando um amontoado de comerciais interessantes e a promessa de que ele era o cara que precisávamos, feita pela companhia que estava produzindo o projeto. Não era.
Uma produção cheia de problemas, desapontamentos e discussões.
Efeitos especiais que não foram.
E, finalmente, a edição final das imagens...
Não funcionou. A edição ficou péssima, a história que queríamos contar não estava lá. Tudo errado.
Aí, tal qual o juiz Nicholas Marshall, tive que fazer justiça com as próprias mãos. Mandamos o diretor embora e sentei na ilha de edição e fiz a minha versão, que acabou indo para o ar.
Mas isso é só parte da história. Isso porque estamos aqui para falar da Pajero. E é claro que a Pajero estava lá para deixar a história mais interessante...
Voltando um pouco no tempo, a gente tinha combinado com um grupo de amigos brasileiros passar o fim de semana no Sandy Beach Hotel em Fujeirah, agora conhecido como Sandy Júnior Hotel. Para os meus leitores assíduos, Sandy Beach é o hotel onde aconteceu o episódio da areia quente.
Iamos passar o final de semana lá com a moçada brazuca. Praia, churrasco, cerveja e muito bate-papo. Receita de sucesso.
Voltando ainda mais no tempo. Imagine a sua esposa proprietária de um carro de luxo com a revisão atrasada. Agora imagine o marido pentelhando a cada 3 dias para que ela fizesse a revisão. Então imagine que a esposa está trabalhando num lançamento para um mega-produto e não tem tempo - nem cabeça - para levar o carro para revisão. E não deixe de levar em consideração que ela estava fazendo o trabalho de pelo menos 4 pessoas. Agora pense em um marido que continua pentelhando para levar o carro para a revisão, apesar de tudo.
No final o marido triunfa! Sim, vamos levar o carro para revisão.
Mas a gente viaja hoje à noite para a praia, diz ela.
Não tem problema. A gente deixa seu carro para a revisão de manhã e ele fica pronto no fim do dia, diz ele.
Esta revisão vai tomar 2 dias. Diz o sujeito responsável pela oficina na Nissan. Vocês gostariam de apenas trocar o óleo e fazer a primeira parte hoje e depois deixar o carro para o resto?
Não. Vamos deixar o carro aqui de uma vez. Pára de adiar essa coisa. A gente vai com a Pajero, diz o marido cheio de confiança.
E, como eu tenho que passar o dia na produtora fazendo a edição final do comercial, você já pode ficar com meu carro, diz ele ainda mais feliz como sua capacidade de arrumar soluções brilhantes para problemas complexos, fazendo tudo parecer simples.
OK, diz ela sem muito entusiasmo.
O primeiro sinal de que iria ser um longo dia apareceu quando fomos pegar a Pajero. Ela não ligava. Não tem problema, é só dar uma mexidinha no cabo da bateria que tudo funciona. E funcionou.
O combinado era que ela iria me pegar na produtora e estaríamos na estrada no começo da noite. Se tudo desse certo seis da tarde já estaríamos indo rumo à praia.
Claro que não deu.
Imaginem o cenário: uma esposa furiosa esperando no carro por quase 2 horas e um marido se sentindo como um revolucionário mexicano indo para o paredón - lutando por uma grande causa, mas sem esperanças de sobrevivência. Foram umas vinte chamadas falando "só mais 5 minutinhos".
Aí vem a ligação dela.
"Vou até um posto de gasolina para comprar algo para comer. Nós duas estamos famintas."
Para vocês terem uma idéia, me senti como uma gazela acuada por uma leoa que passou 3 semanas comendo só iogurte light.
10 minutos depois - e 2 horas e pouco depois da hora combinada - finalmente saio da produtora. E ali está ela, minha adorada esposa e minha linda filhinha me esperando na minha fantástica Pajero.
Foi rápido, falei. Nós não fomos, ela respondeu.
– ??????
O carro não está ligando, ela completou.
E não só não estava ligando como não ligou por outros 10 dias. E dessa vez não era a bateria, era algo muito mais complicado - e caro, para variar.
Ali estávamos nós nominalmente com 2 carros mas com nenhum carro real.
Derrotados e estressadíssimos, voltamos para casa, de taxi. Chega de viagem, quero a paz da não-existência.
Mas admitir a derrota seria demais. Ainda mais porque estávamos pagando pelo hotel.
No final acabamos alugando um carro e indo para a praia - isso mesmo, alugando um carro.
Praia, churrasco, cerveja, mergulho, muito bate-papo e nada de queimar o pé na areia quente.
Mas as aventuras com a Pajero não pararam aí. Acho que nosso relacionamento pode ser comparado com o dos personagens de A Guerra dos Roses. Só que neste caso era só eu que levava na cabeça. Eu pensava em divórcio mas, como todo relacionamento ruim, a gente vai levando. Resta a esperança de que um dia as coisas vão melhorar.
Em relacionamentos ruins sempre existe uma chance.
Mas acreditem em mim quando digo algo sobre carros velhos: as coisas só pioram.
Óbvio que o conserto saiu caro para caramba, demorou muito mais do que o esperado e os caras não fizeram tudo direito. Melhor ainda porque eu fiz tudo na concessionária, para ter certeza de que o carro ia receber o melhor serviço disponível.
Uma beleza.
Corta para três meses depois. Três meses sem problema no carro. Começo a achar que ainda há esperança. É uma sexta-feira - o que para equivale ao sábado para o planeta Tupiniquim. É um dia complicadíssimo. Tem um almoço com amigos, uma apresentação grande de campanha - que por coincidência era para uma empresa brasileira, que por coincidência era conta mundial da Y&R, e por coincidência parte da galera brazuca que estava no almoço ia estar na apresentação porque eles trabalham na tal empresa, a Perdigão - Perdix aqui no Oriente Médio e no resto do mundo - e logo depois da apresentação é hora de voltar para casa correndo porque minha digníssima esposa e minha filhota estão indo para a França para passar 10 dias com meus sogros, que estão dando um rolê pelo velho continente antes de darem uma parada nas quentes areias da Las Vegas do Oriente Médio.
Vamos adicionar um grau de dificuldade maior na coisa toda: o carro da minha digníssima esposa está com o licenciamento atrasado em sem seguro. Qual a solução? Vamos de Pajero!
O almoço para mim foi quase um pitstop. Comi 10% do que gostaria, 1% dos itens disponíveis no ultra-mega buffet master-blaster em que fomos. (Acho que o hotel era o Crowne Plaza) E, claro, paguei o preço inteiro. Acho que a única coisa que não tinha disponível era carne de cachorro, mas não tenho certeza, não deu tempo de ver tudo.
De lá corro para a agência para dar uma última olhada no trabalho antes da apresentação - de taxi. Minha digníssima fica com o carro porque tem que voltar para casa e aprontar as malas.
Óbvio que a apresentação que a gente imaginava que iria durar apenas uma hora acaba tomando quase 3 horas.
Depois do taxi para casa sobram apenas algumas horas antes de ir para o aeroporto. E todo mundo sabe como mulheres são seres tensos quando estão preparando as malas. Parece que elas estão se preparando para um holocausto nuclear logo depois que os mísseis foram lançados.
Se faltar uma escova de dente a espécie humana corre o risco de extinção.
Bom, pelo menos é esta a sensação.
Saímos duas horas e meia antes do vôo - tempo que não é o suficiente para se sentir completamente confortável, mas em meia horinha a gente chega lá. Vai dar tudo certo.
Com a Carolina vai dormindo no banco de trás a Dri me anuncia:
- Não consegui trocar dinheiro.
- O que??!!!
Tensão no ar.
- Não deu tempo. Fiquei arrumando as coisas e esperei você me ligar.
- Eu entendo completamente. Você estava ocupadíssima nos 20 dias que antecederam a viagem e não conseguiu dar uma parada para trocar dinheiro e agora deixou tudo para o último minuto...
Uma coisa que eu não admito é que minha esposa aja exatamente como eu. Como a gente pode imaginar que um relacionamente funcione deste jeito?
Complicado, mas com uma solução à vista. É só passar num caixa automático, tirar dinheiro e trocar em uma casa de câmbio no aeroporto.
Foi exatamente quando eu estava fazendo meus planos para resolver este pequeno problema que o batuque começou.
Foi aí que o GRANDE PROBLEMA começou.
O batuque é o barulho que a Pajero faz quando o motor tem um superaquecimento. Parece o som de uma escola de samba em que a bateria é toda composta por membros da realeza britânica. Imagina a Rainha Elizabeth com um agogô.
É essa a idéia.
So posso dizer que na hora não foi nada engraçado. Isso significava que o carro ia parar a qualquer momento. No meio de uma das estradas mais movimentadas - e perigosas - do Oriente Médio. No meio do deserto, sem um posto de gasolina a vista.
Show de horrores.
Agora imaginem a cena: sua filhinha está dormindo no banco de trás, você está atrasado para pegar um vôo internacional, no meio do deserto, longe de tudo e de todos e com caminhões passando a toda velocidade do seu lado. O que fazer?
Essa é a hora em que sua cabeça começa a funcionar furiosamente para encontrar uma saída. Arrumar um taxi iria demorar demais - sexta-feira à noite é quando todo mundo sai. A primeira idéia foi de dar um jeito do carro funcionar.
Superaquecimento significa falta de água no radiador. Arruma-se água, funciona-se o carro. Simples assim.
Simples quando você não está no meio do deserto e a única água por perto é a saliva na sua boca.
Procurando na bagunça do carro achamos duas garrafinhas de água com um restinho dentro. Um bom começo.
Mas pense duas vezes antes de abrir o radiador e despejar água dentro depois de um superaquecimento. É como ver um gêiser em atividade, sem uma câmera fotográfica para documentar e mostrar para os amigos. Falo isso por experiência própria.
Claro que as garrafinhas não deram nem para o cheiro por isso passei para o plano B - tentar arrumar ajuda com um caminhoneiro para conseguir água para o carro funcionar.
Depois de meia hora acenando para caminhões e sendo quase completamente ignorado (acho que pelo menos uns dois caminhoneiros devem ter pensado em passar por cima de mim só para quebrar a monotonia) chegou o momento "think outside the box". Como Dri já estava tentando entrar em contato com um taxi, sem sorte era a hora de tentar algo diferente, muito diferente.
Agora tente imaginar duas pessoas adultas tentando encher garrafinhas de água com a água do limpador de pára-brisa - com os limpadores de pára-brisa em movimento.
Patético, desesperado e, no fim, inútil porque não deu nem para deixar o radiador úmido.
E o tempo estava passando. Faltava apenas pouco mais de uma hora para o vôo. Hora de tentar algo novo. Novo como torcer para que um taxi aparecesse.
Finalmente, depois de vários alarmes falsos e a sensação de que nada mais podia dar errado, conseguimos que um taxi parasse. Jogamos toda a bagagem no porta-malas e corremos para o aeroporto, abandonando a moribunda Pajero na estrada.
Mas a noite ainda era uma criança.
Chegando no aeroporto uma hora antes do vôo - e sabendo que eles páram o check-in 45 minutos antes da decolagem - não havia espaço para erros. A sensação era de estar jogando um videogame em que o nível de dificuldade só aumenta.
Depois de passar pelo raio-x que dá acesso à area de check-in um funcionário chega para mim e diz que pessoas que não tem passagem não podem ficar na área de check. Começo a xingar ele em português com um sorriso nos lábios, como se estivesse falando as coisas mais doces e amigáveis - coisa que fiz muito naquela noite. Para conseguir ficar lá eu teria que pegar uma permissão, deixar meu documento e, como sempre em Dubai, pagar.
Mas eu ainda precisava pegar o dinheiro para minhas meninas poderem viajar. Deixei as duas no check-in - a Carolina ainda dormindo pesadamente e corri para o caixa eletrônico. Como meu caro leitor já deve estar imaginando, alguma coisa deve ter dado errado. E deu.
Meu cartão não funcionou em um caixa, tentei outro. Nada.
Corri para a área de desembarque onde um tem um saguão com uns 20 caixas automáticos de 14 bancos diferentes. Tentei uns seis e todos deram mesma mensagem - acesso não disponível. Achando que tinha um problema com meu cartão liguei para o banco. Coitado do cara que atendeu a ligação.
Explicação: toda noite, da meia-noite às 2 da manhã os bancos fazem uma consolidação da base de dados e os caixas ficam indisponíveis. Mas provavelmente os sistema já estaria liberado à uma e meia - meia hora depois da decolagem do vôo das minhas mulheres. Lindo.
Por sorte - enfim algo que não deu errado - achei uns dólares perdidos na minha carteira, o suficiente para elas fazerem uma viagem tranquila. De vez em quando vale a pena ser desorganizado.
Agora só faltava entrar na área de check-in para entregar o dinheiro, o que significou pegar a tal permissão, pagar, xingar o funcionário que me barrou de novo em português com uma expressão na minha cara de que ele era o meu melhor amigo. O cara era só sorrisos enquanto eu amaldiçoava até a terceira geração da família do desgraçado. Bom para desestressar.
Beijos e abraços rápidos no embarque e lá vão elas para sua aventura na França - e lá vou tentar resgatar o meu carro abandonado. Eram meia-noite e meia.
Peguei um taxi e pedi para o motorista parar em um posto de gasolina para que eu pudesse comprar água. Comprar água mineral para colocar no radiador me pareceu uma coisa tão ridícula que cheguei a pensar em comprar água mineral com sabor, para tornar a situação ainda mais memorável. Como essa piada iria sair muito cara - e eu seria o único a aproveitá-la - decidi deixar para lá.
Cinco garrafas de água mineral depois o carro continuava tão moribundo como antes. Nenhum sinal de vida. Solução: ligar para um amigo às duas da manhã e pedir para ele te ajudar a achar o telefone de um guincho.
Quatro e meia da manhã finalmente chego em casa derrotado, exaurido, depois de deixar a finada Pajero no pátio de uma oficina mecânica.
Durante a semana o mecânico me liga e diz que o motor já era.
The engine is gone, the engine is no more, it's an ex-engine.
A Pajero se foi.
Um divórcio litigioso que vai custar muito dinheiro para o marido.
Monday, June 25, 2007
Tuesday, June 12, 2007
2 anos.
Dia 12 de junho de 2005 foi o dia em que deixei o Brasil.
Quando cheguei aqui e passei minhas primeiras semanas pensava que não ia aguentar dois meses.
Quanto tempo tenho que ficar num lugar para poder dizer que morei lá? Seis meses? Nove meses?
Não posso fraquejar, pensava. Todo mundo está na maior expectativa para que minhas aventuras dêem certo...
Tem horas que o espírito aventureiro não é o suficiente para te manter no curso.
Nos primeiros meses o medo de decepcionar as pessoas ajudou bastante a engolir a saudade e seguir em frente.
O iPod também ajudou.
Ler tudo que caía na minha mão também.
Mergulhar de cabeça no trabalho ajudava a passar o tempo.
Ir ao cinema, escrever no blog, comer cachorro-quente...
2 empregos, duas casas, um carro que vive quebrando desde o começo (rende boas histórias mas garanto que não é nada divertido vivê-las) e continua quebrando um ano e meio depois, muitos cachorros-quentes, muitos cachorros-quentes depois estou aqui.
730 dias que parecem que foram 7.300.
Às vezes parecem apenas duas semanas.
Mas dois anos são o suficiente para contar para os amigos que você morou fora, não acha?
Dia 12 de junho de 2005 foi o dia em que deixei o Brasil.
Quando cheguei aqui e passei minhas primeiras semanas pensava que não ia aguentar dois meses.
Quanto tempo tenho que ficar num lugar para poder dizer que morei lá? Seis meses? Nove meses?
Não posso fraquejar, pensava. Todo mundo está na maior expectativa para que minhas aventuras dêem certo...
Tem horas que o espírito aventureiro não é o suficiente para te manter no curso.
Nos primeiros meses o medo de decepcionar as pessoas ajudou bastante a engolir a saudade e seguir em frente.
O iPod também ajudou.
Ler tudo que caía na minha mão também.
Mergulhar de cabeça no trabalho ajudava a passar o tempo.
Ir ao cinema, escrever no blog, comer cachorro-quente...
2 empregos, duas casas, um carro que vive quebrando desde o começo (rende boas histórias mas garanto que não é nada divertido vivê-las) e continua quebrando um ano e meio depois, muitos cachorros-quentes, muitos cachorros-quentes depois estou aqui.
730 dias que parecem que foram 7.300.
Às vezes parecem apenas duas semanas.
Mas dois anos são o suficiente para contar para os amigos que você morou fora, não acha?
Thursday, June 07, 2007
"Por que fazer hoje algo que você pode fazer amanhã?"
Barão de Itararé
Venho ensaiando uma volta aos posts faz um tempo.
De vez em quando tem coisas que você precisa - e mesmo deseja ardentemente - fazer, mas a inércia te faz adiar o máximo possível, sem razão aparente.
Na minha cabeça as coisas funcionaram mais ou menos assim:
"Hoje eu sento e escrevo alguma coisa"
"Amanhã de manhã sem falta deixo alguma coisa escrita"
"Vou só checar umas coisas na internet aí escrevo algo no blog"
"Pô, estou cheio de histórias para contar, preciso dar uma paradinha e atualizar o blog"
"Vou resolver uns probleminhas e depois sento atualizo o blog"
"Vou jogar uma partida de paciência e depois escrevo um post"
"Deixa eu existir por um tempinho e depois vou ver se encontro uma horinha para escrever"
Desculpas nunca faltam. Falta de tempo, falta de espaço na cabeça, falta de assunto, bad hair day, espinha na nuca, muito sal na comida, falta de inspiração, calor, crise política no Quiguistão, muita pimenta na comida, muita comida, falta de talento para escrever, falta de assunto, sapato apertado, resfriado, muita pressão no trabalho, mal humor, falta de assunto e até mesmo falta de assunto.
Dizem que se o ser humano sempre encontra maneiras de justificar suas ações - ou ausência delas.
A gente encontra justificativas para comprar aquele vestinho m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o, para comer aquela bomba de chocolate extra, para corrupção, para destruir o meio ambiente, para exterminar grupos étnicos e até para atos imperdoáveis e sérios como assistir Faustão num domingo à tarde.
Podia ser pior, podia ser Zorra Total. (Programa que aliás, desejo que esteja extinto)
E de desculpa em desculpa se passaram quase 2 meses...
O que será que meus fiéis milhares de leitores vão pensar?
Bom, hoje consegui quebrar o gelo e sentei para escrever uma coisa - qualquer coisa - que fizesse este confessionário-livro de crônicas-bloco de rascunhos-carta de apresentação virtual voltar a ter um significado e uma participação na minha vida.
Dizia Lélis Sanches, pupilo e amigo, que se uma pessoa faz uma coisa por 20 dias seguidos ela se transforma em hábito.
Só faltam 19.
Ei, se você ainda está aí, fique sintonizado.
Barão de Itararé
Venho ensaiando uma volta aos posts faz um tempo.
De vez em quando tem coisas que você precisa - e mesmo deseja ardentemente - fazer, mas a inércia te faz adiar o máximo possível, sem razão aparente.
Na minha cabeça as coisas funcionaram mais ou menos assim:
"Hoje eu sento e escrevo alguma coisa"
"Amanhã de manhã sem falta deixo alguma coisa escrita"
"Vou só checar umas coisas na internet aí escrevo algo no blog"
"Pô, estou cheio de histórias para contar, preciso dar uma paradinha e atualizar o blog"
"Vou resolver uns probleminhas e depois sento atualizo o blog"
"Vou jogar uma partida de paciência e depois escrevo um post"
"Deixa eu existir por um tempinho e depois vou ver se encontro uma horinha para escrever"
Desculpas nunca faltam. Falta de tempo, falta de espaço na cabeça, falta de assunto, bad hair day, espinha na nuca, muito sal na comida, falta de inspiração, calor, crise política no Quiguistão, muita pimenta na comida, muita comida, falta de talento para escrever, falta de assunto, sapato apertado, resfriado, muita pressão no trabalho, mal humor, falta de assunto e até mesmo falta de assunto.
Dizem que se o ser humano sempre encontra maneiras de justificar suas ações - ou ausência delas.
A gente encontra justificativas para comprar aquele vestinho m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o, para comer aquela bomba de chocolate extra, para corrupção, para destruir o meio ambiente, para exterminar grupos étnicos e até para atos imperdoáveis e sérios como assistir Faustão num domingo à tarde.
Podia ser pior, podia ser Zorra Total. (Programa que aliás, desejo que esteja extinto)
E de desculpa em desculpa se passaram quase 2 meses...
O que será que meus fiéis milhares de leitores vão pensar?
Bom, hoje consegui quebrar o gelo e sentei para escrever uma coisa - qualquer coisa - que fizesse este confessionário-livro de crônicas-bloco de rascunhos-carta de apresentação virtual voltar a ter um significado e uma participação na minha vida.
Dizia Lélis Sanches, pupilo e amigo, que se uma pessoa faz uma coisa por 20 dias seguidos ela se transforma em hábito.
Só faltam 19.
Ei, se você ainda está aí, fique sintonizado.
Friday, April 13, 2007
A volta.
Essa vida de diretor de criação de agência grande não é fácil. Todo todo prometo fazer 25 coisas que me interessam. Acabo fazendo meia.
Parece a maioria das pessoas, quando têm chefe, acabam desistindo de pensar. Vou fazer o meu trabalho de qualquer jeito, devem pensar eles, e depois o meu chefe vai me dizer exatamente o que fazer. E eu vou ficar puto com isso.
O resultado disso é que você não tem tempo nem para ir ao banheiro.
Estou falando sério. No meu caminho para trocar a água das azeitonas sou parado pelo menos 3 vezes para resolver pepinos de maior ou menor grandeza. E quando chego ao banheiro o maldito em geral está ocupado - o que significa que vão me achar de novo para descarregar ainda mais tranqueiras para serem resolvidas.
Estou pensando faz tempo em colocar um letreiro na minha sala dizendo "Corpo de Bombeiros", em vez de departamento de criação. (Não que exista uma placa indicando onde estão os macacos do zôo na nossa agência)
O que acaba acontecendo é que todo o tempo livre que tenho - pouco e em geral de manhãzinha, quando as pessoas ainda não chegaram - eu dedico a atividades que exigem tão pouco do meu cérebro que se colocassem um eletrodos no mesmo iriam achar que estou em um coma profundo.
São coisas bem básicas tipo checar os resultados do basquete profissional americano e as estatísticas e ver uns vídeos meia-boca - ou half-mouth, como dizem por aqui - no YouTube.
Quem acaba se sentindo abandonado é o meu blog. Querido confessionário virtual onde padres conhecidos e desconhecidos acabam sabendo o que se passa na minha cachola. Com a vantagem de que ninguém até hoje me passou nenhuma ave maria para rezar.
Estou com toneladas de coisas para contar mas fico adiando para o dia seguinte. E com isso já se passou um mês sem uma palavra escrita.
Não sou escritor, por isso não tenho essa necessidade visceral de escrever. Essa coisa que está inserida no DNA do desgraçado que não consegue viver sem derramar suas entranhas em um pedaço de papel, numa tela branca de Word ou nessa janelinha meia-boca - ou half-mouth, como dizem por aqui. (Tudo bem, eu sei que acabei de usar a mesma piada mas lembre-se que o pessoal da Praça É Nossa tem feito as mesmas piadas a 50 anos - com muito sucesso. Talvez haja sabedoria nisso.)
Escrever para mim é um esforço consciente. Tenho que sentar, pensar e escrever. Um ato físico tão intenso quanto ir à academia. Mas uma vez que eu começo não dá vontade de parar.
Contar histórias. Disso eu gosto. Pode ser na mesa do bar, no telefone, no blog ou mesmo num palco.
É só começar. E mais do que isso, não parar.
Mas sempre tem a tentação dos resultados do basquete e as estatísticas inúteis...
E mais um fogo para apagar.
To be continued...
Essa vida de diretor de criação de agência grande não é fácil. Todo todo prometo fazer 25 coisas que me interessam. Acabo fazendo meia.
Parece a maioria das pessoas, quando têm chefe, acabam desistindo de pensar. Vou fazer o meu trabalho de qualquer jeito, devem pensar eles, e depois o meu chefe vai me dizer exatamente o que fazer. E eu vou ficar puto com isso.
O resultado disso é que você não tem tempo nem para ir ao banheiro.
Estou falando sério. No meu caminho para trocar a água das azeitonas sou parado pelo menos 3 vezes para resolver pepinos de maior ou menor grandeza. E quando chego ao banheiro o maldito em geral está ocupado - o que significa que vão me achar de novo para descarregar ainda mais tranqueiras para serem resolvidas.
Estou pensando faz tempo em colocar um letreiro na minha sala dizendo "Corpo de Bombeiros", em vez de departamento de criação. (Não que exista uma placa indicando onde estão os macacos do zôo na nossa agência)
O que acaba acontecendo é que todo o tempo livre que tenho - pouco e em geral de manhãzinha, quando as pessoas ainda não chegaram - eu dedico a atividades que exigem tão pouco do meu cérebro que se colocassem um eletrodos no mesmo iriam achar que estou em um coma profundo.
São coisas bem básicas tipo checar os resultados do basquete profissional americano e as estatísticas e ver uns vídeos meia-boca - ou half-mouth, como dizem por aqui - no YouTube.
Quem acaba se sentindo abandonado é o meu blog. Querido confessionário virtual onde padres conhecidos e desconhecidos acabam sabendo o que se passa na minha cachola. Com a vantagem de que ninguém até hoje me passou nenhuma ave maria para rezar.
Estou com toneladas de coisas para contar mas fico adiando para o dia seguinte. E com isso já se passou um mês sem uma palavra escrita.
Não sou escritor, por isso não tenho essa necessidade visceral de escrever. Essa coisa que está inserida no DNA do desgraçado que não consegue viver sem derramar suas entranhas em um pedaço de papel, numa tela branca de Word ou nessa janelinha meia-boca - ou half-mouth, como dizem por aqui. (Tudo bem, eu sei que acabei de usar a mesma piada mas lembre-se que o pessoal da Praça É Nossa tem feito as mesmas piadas a 50 anos - com muito sucesso. Talvez haja sabedoria nisso.)
Escrever para mim é um esforço consciente. Tenho que sentar, pensar e escrever. Um ato físico tão intenso quanto ir à academia. Mas uma vez que eu começo não dá vontade de parar.
Contar histórias. Disso eu gosto. Pode ser na mesa do bar, no telefone, no blog ou mesmo num palco.
É só começar. E mais do que isso, não parar.
Mas sempre tem a tentação dos resultados do basquete e as estatísticas inúteis...
E mais um fogo para apagar.
To be continued...
Saturday, March 24, 2007
Can You Feel It?
Apesar da minha promessa de voltar a escrever com mais frequência o circo pegou fogo nas últimas semanas e não tive nem tempo nem energia para sentar e escrever meus posts.
E as histórias vão se acumulando.
Hoje achei um bom motivo para voltart a escrever e quebrar o gelo porque, disse o sábio, onde passa boi passa boiada.
Um dos motivos para ter estado fora do planeta nas últimas semanas foi porque estávamos filmando comerciais furiosamente.
Para que vocês possam saborear o resultado de meses de trabalho, muitas apresentações, idas e vindas, um diretor inútil perdido, muito stress na hora de filmar e um final de semana perdido salvando o comercial na ilha de edição - incluindo uma noite passada em claro para poder apresentar a versão final para o cliente, vou anexar o link do reclame.
http://www.youtube.com/watch?v=zkjtDh_Fbmw
Apesar da minha promessa de voltar a escrever com mais frequência o circo pegou fogo nas últimas semanas e não tive nem tempo nem energia para sentar e escrever meus posts.
E as histórias vão se acumulando.
Hoje achei um bom motivo para voltart a escrever e quebrar o gelo porque, disse o sábio, onde passa boi passa boiada.
Um dos motivos para ter estado fora do planeta nas últimas semanas foi porque estávamos filmando comerciais furiosamente.
Para que vocês possam saborear o resultado de meses de trabalho, muitas apresentações, idas e vindas, um diretor inútil perdido, muito stress na hora de filmar e um final de semana perdido salvando o comercial na ilha de edição - incluindo uma noite passada em claro para poder apresentar a versão final para o cliente, vou anexar o link do reclame.
http://www.youtube.com/watch?v=zkjtDh_Fbmw
Friday, February 23, 2007
Marcas
De vez em quando a gente tem que parar um pouco e entender o que está se passando ao seu redor. É da nossa natureza viver um dia de cada vez e não perceber o que está acontecendo com a "grande imagem" - big picture, para os mais íntimos.
Estar morando neste lugar maluco há quase 2 anos (achei no começo que não fosse aguentar 2 meses). Esta experiência muda você, vai deixando marcas, muitas e profundas.
Só para listar algumas delas:
- Quando a sua filha de 3 anos vem para você e fala em inglês e você responde em inglês, sem pensar.
- Quando um folgado faz uma barbaridade no trânsito e você primeiro checa se ele não é local (pela roupa de milionário árabe ou de beduíno de filme) antes de começar a xingar - em português.
- Você acha natural ser chefe de 12 indianos, uma libanesa e um cara de Bahrain. (Acho que se me dissessem há uns 10 anos que eu seria chefe de 12 pessoas já me espantaria.
- Você vai comer na praça de alimentação do shopping center e comida indiana é uma das opções mais populares - junto com McDonald's.
- O Burj Al Arab vira parte da paisagem e você deixa de notá-lo. (bom, eu ainda não cheguei lá mas quem sabe...)
- Sua esposa está um dia no Kwuait, no outro em Oman, depois em Bahrain e no dia seguinte no Qatar.
- Alguns dos seus melhores amigos são da Sérvia.
- Você definitivamente percebe que quando você é chefe não mais um cara da galera. Você pode ser querido, respeitado, temido ou detestado, mas não é mais o cara com quem seus companheiros de trabalho vão trocar confidências e falar mal da chefia.
- Você não se importa em estar nessa posição.
- Você não aguenta mais comer comida libanesa.
- Você se acostuma a ver Ferraris, Bentleys, Lamborghinis, Porsches e todos os carros caros do mundo nas ruas.
- Não te surpreende mais que os filmes tenham legendas em árabe.
- Você acha que ter um sheikh que é o líder supremo do Emirado e que tem fotos dele para todo lado é uma coisa normal.
- Passar 9 meses sem ver uma gota de chuva faz parte da vida.
- Comer feijoada (o que vai acontecer hoje) vira uma experiência quase religiosa.
- Você não tem mais paciência para ver as notícias no UOL e, quando vê, a maior parte delas você não entende.
- Você não faz idéia de quem esteve nos 4 últimos Big Brothers.
- O Lula parece uma coisa tão distante que você sente como se fosse uma memória distante de um sonho ruim que você teve há algum tempo.
- Faustão, Gugu e Zorra Total também fazem parte deste sonho ruim.
- Você se não fica mais frustrado por não poder fazer imitações dos Trapalhões. Ninguém entende mesmo...
- Não te irrita mais falar com pessoas que acham que o Maradona foi maior que Pelé.
- Música brasileira passa a ser maior que música. Passa a ser uma comunhão com algo maior.
- Até pagode e axé te deixam emocionado.
- Algumas das pessoas que você mais gosta são indianos.
- Tempestade de areia deixa de ser uma coisa exótica para se transformar em uma coisa pentelha.
- Fazer apresentação para qualquer grupo de pessoas, de qualquer nacionalidade e em qualquer nível hieráquico não te tiram o sono.
- Ter um cara trabalhando com você que chama Dodong é uma coisa normal.
- Morar em um condomínio no meio do deserto é, digamos, comum.
- Ter um computador com teclado em árabe é uma coisa corriqueira. (Não é só em árabe, claro)
- Você vai para o Brasil e depois volta para casa.
- Você consegue contar piadas em inglês fazendo tradução simultânea.
- Uma das coisas que você mais odeia são conference calls.
- 150 pessoas te procuram por dia para resolver problemas.
- Você tem disponível um prazo máximo de atenção de um minuto e 47 segundos para cada pessoa que vem falar com você. E ele tem diminuído ultimamente.
- A mania Dubaiana de fazer tudo gigante e impressionante deixa de ser (só) motivo de deslumbramento e passa a ser (também) motivo de piada.
- Ter um pacote de amendoim Mendorado na sua despensa é uma coisa mais importante do que a paz mundial.
Mas, como diria meu caríssimo Lázaro citando não-sei-quem (acho que é Adélia Prado, mas seria chute):
"A vida só é possível reinventada"
De vez em quando a gente tem que parar um pouco e entender o que está se passando ao seu redor. É da nossa natureza viver um dia de cada vez e não perceber o que está acontecendo com a "grande imagem" - big picture, para os mais íntimos.
Estar morando neste lugar maluco há quase 2 anos (achei no começo que não fosse aguentar 2 meses). Esta experiência muda você, vai deixando marcas, muitas e profundas.
Só para listar algumas delas:
- Quando a sua filha de 3 anos vem para você e fala em inglês e você responde em inglês, sem pensar.
- Quando um folgado faz uma barbaridade no trânsito e você primeiro checa se ele não é local (pela roupa de milionário árabe ou de beduíno de filme) antes de começar a xingar - em português.
- Você acha natural ser chefe de 12 indianos, uma libanesa e um cara de Bahrain. (Acho que se me dissessem há uns 10 anos que eu seria chefe de 12 pessoas já me espantaria.
- Você vai comer na praça de alimentação do shopping center e comida indiana é uma das opções mais populares - junto com McDonald's.
- O Burj Al Arab vira parte da paisagem e você deixa de notá-lo. (bom, eu ainda não cheguei lá mas quem sabe...)
- Sua esposa está um dia no Kwuait, no outro em Oman, depois em Bahrain e no dia seguinte no Qatar.
- Alguns dos seus melhores amigos são da Sérvia.
- Você definitivamente percebe que quando você é chefe não mais um cara da galera. Você pode ser querido, respeitado, temido ou detestado, mas não é mais o cara com quem seus companheiros de trabalho vão trocar confidências e falar mal da chefia.
- Você não se importa em estar nessa posição.
- Você não aguenta mais comer comida libanesa.
- Você se acostuma a ver Ferraris, Bentleys, Lamborghinis, Porsches e todos os carros caros do mundo nas ruas.
- Não te surpreende mais que os filmes tenham legendas em árabe.
- Você acha que ter um sheikh que é o líder supremo do Emirado e que tem fotos dele para todo lado é uma coisa normal.
- Passar 9 meses sem ver uma gota de chuva faz parte da vida.
- Comer feijoada (o que vai acontecer hoje) vira uma experiência quase religiosa.
- Você não tem mais paciência para ver as notícias no UOL e, quando vê, a maior parte delas você não entende.
- Você não faz idéia de quem esteve nos 4 últimos Big Brothers.
- O Lula parece uma coisa tão distante que você sente como se fosse uma memória distante de um sonho ruim que você teve há algum tempo.
- Faustão, Gugu e Zorra Total também fazem parte deste sonho ruim.
- Você se não fica mais frustrado por não poder fazer imitações dos Trapalhões. Ninguém entende mesmo...
- Não te irrita mais falar com pessoas que acham que o Maradona foi maior que Pelé.
- Música brasileira passa a ser maior que música. Passa a ser uma comunhão com algo maior.
- Até pagode e axé te deixam emocionado.
- Algumas das pessoas que você mais gosta são indianos.
- Tempestade de areia deixa de ser uma coisa exótica para se transformar em uma coisa pentelha.
- Fazer apresentação para qualquer grupo de pessoas, de qualquer nacionalidade e em qualquer nível hieráquico não te tiram o sono.
- Ter um cara trabalhando com você que chama Dodong é uma coisa normal.
- Morar em um condomínio no meio do deserto é, digamos, comum.
- Ter um computador com teclado em árabe é uma coisa corriqueira. (Não é só em árabe, claro)
- Você vai para o Brasil e depois volta para casa.
- Você consegue contar piadas em inglês fazendo tradução simultânea.
- Uma das coisas que você mais odeia são conference calls.
- 150 pessoas te procuram por dia para resolver problemas.
- Você tem disponível um prazo máximo de atenção de um minuto e 47 segundos para cada pessoa que vem falar com você. E ele tem diminuído ultimamente.
- A mania Dubaiana de fazer tudo gigante e impressionante deixa de ser (só) motivo de deslumbramento e passa a ser (também) motivo de piada.
- Ter um pacote de amendoim Mendorado na sua despensa é uma coisa mais importante do que a paz mundial.
Mas, como diria meu caríssimo Lázaro citando não-sei-quem (acho que é Adélia Prado, mas seria chute):
"A vida só é possível reinventada"
Tuesday, February 13, 2007
Um post, enfim!
Só para romper o marasmo resolvi escrever algo para reestabelecer meu contato com o blog.
O número de histórias para contar é diretamente proporcional à falta de energia e inspiração para sentar e escrever ao final do dia. Acabo me dedicanto a modalidades de entretenimento acéfalo tipo sentar e olhar a TV (olhar mesmo, sem compreender) e babar.
Prometo a mim mesmo e aos meus leitores - se é que eles ainda existem - a voltar a deixar minhas impressões no meu diário virtual. Mesmo que sejam breves e superficiais.
Vamos ver se funciona.
Só para romper o marasmo resolvi escrever algo para reestabelecer meu contato com o blog.
O número de histórias para contar é diretamente proporcional à falta de energia e inspiração para sentar e escrever ao final do dia. Acabo me dedicanto a modalidades de entretenimento acéfalo tipo sentar e olhar a TV (olhar mesmo, sem compreender) e babar.
Prometo a mim mesmo e aos meus leitores - se é que eles ainda existem - a voltar a deixar minhas impressões no meu diário virtual. Mesmo que sejam breves e superficiais.
Vamos ver se funciona.
Saturday, January 06, 2007
Como tudo começou - parte I
O pior já passou. Aquele primeiro momento em que parece que você não vai dar conta, que você sente que desta vez vão descobrir que você é uma farsa, que você vai acordar ver que nada aconteceu, tudo vai ficando para trás.
Hoje na Young & Rubicam a pressão está enorme mas agora é só fazer tudo acontecer - e posso dizer que está divertido. Você tem que chutar alguns, na verdade MUITOS traseiros, sacudir as fundações e estar sempre sorrindo.
Mesmo um movimento impressionante, uma mudança radial como esse acaba se transformando em parte do seu dia-a-dia. Eu já falei mais de uma vez que é necessário que a gente lute para nunca perder essa capacidade de maravilhamento. Eu volto e meia faço um esforço para parar, olhar para o lado e dizer: CACETA, estou aqui no Oriente Médio!!!
Mas como cheguei até aqui?
Tudo bem, tudo bem... Sei que mais de 99% dos meus leitores já devem ter me ouvido contar essa mesma história pelo menos umas 3 vezes, mas para que eu mesmo possa lembrá-la quando minha memória falhar vou tentar descrever como vim parar aqui, escrevendo coisas em uma sala de uma casa num condomínio imenso no meio do deserto, a 3o quilômetros de uma cidade árabe que vive uma metamorfose extrema e constante, meu lar nos últimos 19 meses.
Bom, tudo começou no começo de 2004. Na época eu trabalhava na Grottera (tudo bem que a agência na época chamava TBWA, mas nunca deixou de ser Grottera). Um dia num momento de tranquilidade eu parei para dar uma olhada numa revista de propaganda - a Archive.
Para a maioria dos publicitários a Archive não é uma revista, é um gênero alimentício. A revista é um forum aberto para toda a forma de propaganda, a maioria fantasma - ou especulativa, como gostam de dizer os especialistas. Lá você encontra dezenas de anúncios despirocados, que nem o filho drogado do cliente aprovaria. Também encontra algumas pérolas, idéias magistrais. Mas a grande maioria é de idéias quase lisérgicas.
O que eu encontrei também foi um anúncio quase tão louco como todos os outros - só que este era verdadeiro e não estava sendo publicado pela revista - era um anunciante real, pagando para ter sua mensagem publicada pela revista.
Pensando bem o anúncio era bem comum. Mas a mensagem que ele trazia era muito radical: uma empresa de Headhunting especializada em levar profissionais de propaganda para o Oriente Médio!
Interessante. Ah, tem até um website, pensei. Um dia desses dou uma olhada.
Abro um parênteses para falar um pouquinho da vida de um profissional de criação em São Paulo. Você trabalha muito, faz muita porcaria, raramente faz um anúncio bom, ganha prêmios com anúncios fantasmas, almoça em restaurantes caros com outros amigos publicitários, trabalha ainda mais, fala de propaganda, fala para todo mundo que está do caralho trabalhar no lugar onde você está trabalhando e que só faz coisa boa.
Aí seu amigo que está almoçando com você no restaurante caro e falando de propaganda fala: tá legal mesmo? Pena porque estão procurando alguém lá em tal lugar...
Aí você vira e diz: Sério??!!! Caceta, estou com meu portfolio pronto, vou ligar para todo mundo lá. Você me apresenta alguém? Tem como me indicar? Preciso sair do lugar onde estou! Odeio todo mundo lá! Não aguento mais fazer só coisa ruim!!!
Simples assim.
Aí começa o parte do processo mais mambembe do nosso negócio: mostrar a pasta, ou portfolio.
Portfolio nada mais é que uma pasta, CD, apresentação de Power Point, website ou coisa que o valha que mostre o trabalho do profissional de criação para seus potenciais empregadores.
Você arruma a tal entrevista e vai falar com uma pessoa que geralmente não conhece você, que não quer ver você e que não tem tempo para ver você. Você vai lá todo submisso e faz um monte de truques, tipo um poodle amestrado, para conseguir a atenção do indivíduo que pode te contratar ou falar de você para a pessoa que pode contratar. Em geral não dá em nada e é um tanto constrangedor, mas de vez em quando você conhece umas pessoas excelentes. O que acontece na maioria das vezes é que a pessoa com quem você falou fala que não tem nada para você e te passa uma lista de outras pessoas para você conversar em outras agências - e o processo continua até que você esteja no lugar certo na hora certa e, muito raro, falando com a pessoa certo. As chances de um meteoro atingir o planeta Terra são melhores.
Fechando parênteses.
Por isso saber que existem EMPRESAS de headhunting que fazem profissionais de criação arrumarem empregos era um conceito totalmente alienígena para mim.
E ainda mais profissionais de criação para o Oriente Médio.
Meses depois eu tive mais um momento de ócio e pensei: Hey (olha eu pensando em inglês), onde é mesmo que eu vi aquele anúncio louco sobre o Oriente Médio?
Depois de procurar em algumas edições da tal revista eu encontrei o tal anúncio. E com ele o website. Viva a internet!
Vamos dar uma olhada...olha só, tem até um formulário para preencher e enviar com algumas amostras de trabalho...
Num campo eles perguntavam: Lugar onde gostaria de trabalhar.
Eu não sabia quase nada sobre o Oriente Médio, a não ser que o lugar era um Barril de Pólvora (desculpe por essa, Lázaro). E que tinha alguns lugares interessantes e exóticos.
Mas sabia de um lugar que parecia interessante: Dubai (acho que era esse o nome). Um lugar meio diferente no golfo Pérsico.
Pois é, naquele campo coloquei Dubai.
Terminei de preencher o tal formulário, adicionei uns anúncios e mandei.
Não vai virar nada, pensei. Mas pelo menos foi divertido.
Empresa de headhunting para propaganda...AHAHAHAHA
O resto eu conto depois porque vou comer tacos na casa de uns amigos...mas acho que uma boa parte de vocês já sabe o que acontece...
O pior já passou. Aquele primeiro momento em que parece que você não vai dar conta, que você sente que desta vez vão descobrir que você é uma farsa, que você vai acordar ver que nada aconteceu, tudo vai ficando para trás.
Hoje na Young & Rubicam a pressão está enorme mas agora é só fazer tudo acontecer - e posso dizer que está divertido. Você tem que chutar alguns, na verdade MUITOS traseiros, sacudir as fundações e estar sempre sorrindo.
Mesmo um movimento impressionante, uma mudança radial como esse acaba se transformando em parte do seu dia-a-dia. Eu já falei mais de uma vez que é necessário que a gente lute para nunca perder essa capacidade de maravilhamento. Eu volto e meia faço um esforço para parar, olhar para o lado e dizer: CACETA, estou aqui no Oriente Médio!!!
Mas como cheguei até aqui?
Tudo bem, tudo bem... Sei que mais de 99% dos meus leitores já devem ter me ouvido contar essa mesma história pelo menos umas 3 vezes, mas para que eu mesmo possa lembrá-la quando minha memória falhar vou tentar descrever como vim parar aqui, escrevendo coisas em uma sala de uma casa num condomínio imenso no meio do deserto, a 3o quilômetros de uma cidade árabe que vive uma metamorfose extrema e constante, meu lar nos últimos 19 meses.
Bom, tudo começou no começo de 2004. Na época eu trabalhava na Grottera (tudo bem que a agência na época chamava TBWA, mas nunca deixou de ser Grottera). Um dia num momento de tranquilidade eu parei para dar uma olhada numa revista de propaganda - a Archive.
Para a maioria dos publicitários a Archive não é uma revista, é um gênero alimentício. A revista é um forum aberto para toda a forma de propaganda, a maioria fantasma - ou especulativa, como gostam de dizer os especialistas. Lá você encontra dezenas de anúncios despirocados, que nem o filho drogado do cliente aprovaria. Também encontra algumas pérolas, idéias magistrais. Mas a grande maioria é de idéias quase lisérgicas.
O que eu encontrei também foi um anúncio quase tão louco como todos os outros - só que este era verdadeiro e não estava sendo publicado pela revista - era um anunciante real, pagando para ter sua mensagem publicada pela revista.
Pensando bem o anúncio era bem comum. Mas a mensagem que ele trazia era muito radical: uma empresa de Headhunting especializada em levar profissionais de propaganda para o Oriente Médio!
Interessante. Ah, tem até um website, pensei. Um dia desses dou uma olhada.
Abro um parênteses para falar um pouquinho da vida de um profissional de criação em São Paulo. Você trabalha muito, faz muita porcaria, raramente faz um anúncio bom, ganha prêmios com anúncios fantasmas, almoça em restaurantes caros com outros amigos publicitários, trabalha ainda mais, fala de propaganda, fala para todo mundo que está do caralho trabalhar no lugar onde você está trabalhando e que só faz coisa boa.
Aí seu amigo que está almoçando com você no restaurante caro e falando de propaganda fala: tá legal mesmo? Pena porque estão procurando alguém lá em tal lugar...
Aí você vira e diz: Sério??!!! Caceta, estou com meu portfolio pronto, vou ligar para todo mundo lá. Você me apresenta alguém? Tem como me indicar? Preciso sair do lugar onde estou! Odeio todo mundo lá! Não aguento mais fazer só coisa ruim!!!
Simples assim.
Aí começa o parte do processo mais mambembe do nosso negócio: mostrar a pasta, ou portfolio.
Portfolio nada mais é que uma pasta, CD, apresentação de Power Point, website ou coisa que o valha que mostre o trabalho do profissional de criação para seus potenciais empregadores.
Você arruma a tal entrevista e vai falar com uma pessoa que geralmente não conhece você, que não quer ver você e que não tem tempo para ver você. Você vai lá todo submisso e faz um monte de truques, tipo um poodle amestrado, para conseguir a atenção do indivíduo que pode te contratar ou falar de você para a pessoa que pode contratar. Em geral não dá em nada e é um tanto constrangedor, mas de vez em quando você conhece umas pessoas excelentes. O que acontece na maioria das vezes é que a pessoa com quem você falou fala que não tem nada para você e te passa uma lista de outras pessoas para você conversar em outras agências - e o processo continua até que você esteja no lugar certo na hora certa e, muito raro, falando com a pessoa certo. As chances de um meteoro atingir o planeta Terra são melhores.
Fechando parênteses.
Por isso saber que existem EMPRESAS de headhunting que fazem profissionais de criação arrumarem empregos era um conceito totalmente alienígena para mim.
E ainda mais profissionais de criação para o Oriente Médio.
Meses depois eu tive mais um momento de ócio e pensei: Hey (olha eu pensando em inglês), onde é mesmo que eu vi aquele anúncio louco sobre o Oriente Médio?
Depois de procurar em algumas edições da tal revista eu encontrei o tal anúncio. E com ele o website. Viva a internet!
Vamos dar uma olhada...olha só, tem até um formulário para preencher e enviar com algumas amostras de trabalho...
Num campo eles perguntavam: Lugar onde gostaria de trabalhar.
Eu não sabia quase nada sobre o Oriente Médio, a não ser que o lugar era um Barril de Pólvora (desculpe por essa, Lázaro). E que tinha alguns lugares interessantes e exóticos.
Mas sabia de um lugar que parecia interessante: Dubai (acho que era esse o nome). Um lugar meio diferente no golfo Pérsico.
Pois é, naquele campo coloquei Dubai.
Terminei de preencher o tal formulário, adicionei uns anúncios e mandei.
Não vai virar nada, pensei. Mas pelo menos foi divertido.
Empresa de headhunting para propaganda...AHAHAHAHA
O resto eu conto depois porque vou comer tacos na casa de uns amigos...mas acho que uma boa parte de vocês já sabe o que acontece...
Saturday, December 02, 2006
Depois do frio na barriga...
...faz frio de verdade em Dubai.
17 graus - frio para os padrões daqui - e fica ainda mais frio à noite.
E está chovendo.
Choveu o dia inteiro hoje e várias vezes durante a semana.
Para quem está acostumado como o céu azul 360 dias por ano é como estar em um lugar totalmente novo.
Um lugar totalmente novo onde assim que cai UMA gota de chuva no vidro dos carros todos reduzem a velocidade à metade e a cidade se transforma em um imenso congestionamento - não importa a hora do dia.
Uma cidade nova onde os motoristas brações ou andam depressa demais, arriscando a vida, ou devagar demais.
Mas o barulhinho da chuva...eta trem bão, sô!
...faz frio de verdade em Dubai.
17 graus - frio para os padrões daqui - e fica ainda mais frio à noite.
E está chovendo.
Choveu o dia inteiro hoje e várias vezes durante a semana.
Para quem está acostumado como o céu azul 360 dias por ano é como estar em um lugar totalmente novo.
Um lugar totalmente novo onde assim que cai UMA gota de chuva no vidro dos carros todos reduzem a velocidade à metade e a cidade se transforma em um imenso congestionamento - não importa a hora do dia.
Uma cidade nova onde os motoristas brações ou andam depressa demais, arriscando a vida, ou devagar demais.
Mas o barulhinho da chuva...eta trem bão, sô!
Frio na barriga II - A Missão.
Começar um post com uma referência a um filme do Rambo que tem mais de 20 anos é uma coisa engraçada.
Bom, as quase 2 semanas sem um post tiveram uma razão: estou trabalhando como um louco.
Nunca antes na minha carreira uma mudança de trabalho foi tão tranquila. Não perdi o sono, não fiquei ansioso, não fiquei tenso. Foi tão tranquilo que nem parecia que estava acontecendo. Parece que a minha experiência inicial de chegar aqui em Dubai foi uma coisa tão intensa que me deixou maduro ao ponto de encarar qualquer evento da maneira mais tranquila do mundo. Me senti como um novo 007. Daniel Craig, cuide-se.
Ou pelo menos assim pensava eu.
No primeiro dia fui recebido pelo diretor de criação executivo - o Shahir, um indiano que passou quase a vida inteira em Dubai e que é um criativo excepcional.
Ele me contou um pouco da situação atual da agência, falou sobre os clientes e começou a falar sobre o meu papel no futuro.
Aí veio o frio na barriga.
Ele me mostrou primeiro a lista de pessoas pela qual eu seria responsável: 12 pessoas diretamente e mais um monte indiretamente. A lista de clientes: 21. Caramba, isso é mais do que o número de clientes das duas últimas agências que trabalhei no Brasil - somadas.
Entre eles estão:
Ford - e duas divisões Lincoln e Mercury, que são empresas separadas em termos de marketing - LG, Hitachi, Land Rover, Colgate, Emaar (uma empresa de real estate - incorporadora - que tem projetos enormes no mundo inteiro, incluindo o Burj Dubai - o prédio que vai ser o mais alto do mundo)...e por aí vai.
Muito trabalho e muita expectativa por conta dos clientes de receber sempre um trabalho extraordinário.
A expectativa da agência:
1 - Você tem que melhorar a qualidade criativa do seu grupo - são dois grupos de criação - o outro é tão grande quanto o meu, com outras contas enormes.
2 - Mudar a mentalidade das pessoas.
3 - Ganhar prêmios, muitos prêmios.
Fora isso tem aquele problema eterno de aprender o nome das pessoas, sendo que aqui isso significa aprender o nome e só depois aprender o nome das pessoas. Não tem nenhum nome normal. São Shradha, Poorna, Swapna, Umram, Jeevan, Moosa, Zeina, Komal, Dodong, Jobi, Muhannad, Anjum, Shamrock, Kunal, Sanjay, Ashraf, Dinesh...e um Danni.
Por isso "dude" e "man" viraram a minha versão o local de "cara" e "grande" - opções para quando você não faz a mínima idéia de como chama o indivíduo.
Muita expectativa. Muitos nomes, muitas personalidades diferentes. Muito, muito trabalho.
Um puta frio na barriga.
E um ar-condicionado frio para cacete.
Tá com medo, por que veio?
Para o alto e avante!
Começar um post com uma referência a um filme do Rambo que tem mais de 20 anos é uma coisa engraçada.
Bom, as quase 2 semanas sem um post tiveram uma razão: estou trabalhando como um louco.
Nunca antes na minha carreira uma mudança de trabalho foi tão tranquila. Não perdi o sono, não fiquei ansioso, não fiquei tenso. Foi tão tranquilo que nem parecia que estava acontecendo. Parece que a minha experiência inicial de chegar aqui em Dubai foi uma coisa tão intensa que me deixou maduro ao ponto de encarar qualquer evento da maneira mais tranquila do mundo. Me senti como um novo 007. Daniel Craig, cuide-se.
Ou pelo menos assim pensava eu.
No primeiro dia fui recebido pelo diretor de criação executivo - o Shahir, um indiano que passou quase a vida inteira em Dubai e que é um criativo excepcional.
Ele me contou um pouco da situação atual da agência, falou sobre os clientes e começou a falar sobre o meu papel no futuro.
Aí veio o frio na barriga.
Ele me mostrou primeiro a lista de pessoas pela qual eu seria responsável: 12 pessoas diretamente e mais um monte indiretamente. A lista de clientes: 21. Caramba, isso é mais do que o número de clientes das duas últimas agências que trabalhei no Brasil - somadas.
Entre eles estão:
Ford - e duas divisões Lincoln e Mercury, que são empresas separadas em termos de marketing - LG, Hitachi, Land Rover, Colgate, Emaar (uma empresa de real estate - incorporadora - que tem projetos enormes no mundo inteiro, incluindo o Burj Dubai - o prédio que vai ser o mais alto do mundo)...e por aí vai.
Muito trabalho e muita expectativa por conta dos clientes de receber sempre um trabalho extraordinário.
A expectativa da agência:
1 - Você tem que melhorar a qualidade criativa do seu grupo - são dois grupos de criação - o outro é tão grande quanto o meu, com outras contas enormes.
2 - Mudar a mentalidade das pessoas.
3 - Ganhar prêmios, muitos prêmios.
Fora isso tem aquele problema eterno de aprender o nome das pessoas, sendo que aqui isso significa aprender o nome e só depois aprender o nome das pessoas. Não tem nenhum nome normal. São Shradha, Poorna, Swapna, Umram, Jeevan, Moosa, Zeina, Komal, Dodong, Jobi, Muhannad, Anjum, Shamrock, Kunal, Sanjay, Ashraf, Dinesh...e um Danni.
Por isso "dude" e "man" viraram a minha versão o local de "cara" e "grande" - opções para quando você não faz a mínima idéia de como chama o indivíduo.
Muita expectativa. Muitos nomes, muitas personalidades diferentes. Muito, muito trabalho.
Um puta frio na barriga.
E um ar-condicionado frio para cacete.
Tá com medo, por que veio?
Para o alto e avante!
Uma pedra no meio do caminho.
A cabeça da gente faz um monte de conexões que nem notamos. Vivemos por aproximação, montamos imagens básicas, um retrato básico do nosso universo para que a gente não precise percebê-lo, entendê-lo e decupá-lo quando saímos à rua rumo aos nossos destinos diários. Assim sobra mais tempo e espaço no cérebro para pensar na vida, organizar a nossa agenda diária, cantar a música que está tocando no rádio, no CD ou no iPod ou - mesmo que proibido - falar no celular.
Viver é como dirigir falando no celular: de repente, sem perceber você chegou no seu destino final.
Mas quando o dia-a-dia introduz novos elementos temos que voltar a usar a cabeça. Não dá para deixar o piloto automático tomar conta.
Um amigo meu da BBDO uma vez me mostrou com orgulho sua BMW caríssima cheia de gadgets de última geração. Entre as coisas mais impressionantes estava o computador de bordo com GPS. Uma voz muito sexy - dá vontade de casar com ela, o que eu faria se não fosse o custo de manutenção e o fato de ter que mandar para revisão a cada 10 mil quilômetros - diz onde você está e como fazer para chegar no seu destino.
Por exemplo: você está perto do Burj Al Arab e está indo para as Emirates Towers (o lugar onde eu trabalhava antes de mudar para a Young & Rubicam). O computador vai falar coisas como "mude da faixa do centro para a faixa da direita"(realmente, você estava na faixa do centro) "após 400 metros, vire à direita".
Siga as informações passo-a-passo e você chegará ao seu destino.
Teoricamente.
Isso porque não tem como montar um modelo atualizado das ruas de Dubai. O emirado muda tão rapidamente que não tem rua que permaneça a mesma por mais de uma semana. Às vezes de manhã as ruas de uma região estão de um jeito no final da tarde estão de outro. São obras para todos os lados. Você disputa espaço nas ruas, avenidas e rodovias com caminhões, betoneiras, gruas e guindastes.
Se você seguir as dicas do supercomputador de bordo com voz sexy corre o risco de acabar em um buraco de 30 metros de profundidade.
Maldita. Sabia que não dava para confiar!
Mas o resultado disso é que fica mais difícil para você criar modelos mentais. O que faz o seu cérebro ficar sempre atento. Mesmo depois de um tempo longo você continua percebendo o lugar onde você está.
Uma coisa bem darwinista. Se você não estiver ligado acaba sendo tragado por buracos de obras imensos ou atropelado por betoneiras desembestadas - a versão moderna de poços de pixe e de mamutes enraivecidos.
A cabeça da gente faz um monte de conexões que nem notamos. Vivemos por aproximação, montamos imagens básicas, um retrato básico do nosso universo para que a gente não precise percebê-lo, entendê-lo e decupá-lo quando saímos à rua rumo aos nossos destinos diários. Assim sobra mais tempo e espaço no cérebro para pensar na vida, organizar a nossa agenda diária, cantar a música que está tocando no rádio, no CD ou no iPod ou - mesmo que proibido - falar no celular.
Viver é como dirigir falando no celular: de repente, sem perceber você chegou no seu destino final.
Mas quando o dia-a-dia introduz novos elementos temos que voltar a usar a cabeça. Não dá para deixar o piloto automático tomar conta.
Um amigo meu da BBDO uma vez me mostrou com orgulho sua BMW caríssima cheia de gadgets de última geração. Entre as coisas mais impressionantes estava o computador de bordo com GPS. Uma voz muito sexy - dá vontade de casar com ela, o que eu faria se não fosse o custo de manutenção e o fato de ter que mandar para revisão a cada 10 mil quilômetros - diz onde você está e como fazer para chegar no seu destino.
Por exemplo: você está perto do Burj Al Arab e está indo para as Emirates Towers (o lugar onde eu trabalhava antes de mudar para a Young & Rubicam). O computador vai falar coisas como "mude da faixa do centro para a faixa da direita"(realmente, você estava na faixa do centro) "após 400 metros, vire à direita".
Siga as informações passo-a-passo e você chegará ao seu destino.
Teoricamente.
Isso porque não tem como montar um modelo atualizado das ruas de Dubai. O emirado muda tão rapidamente que não tem rua que permaneça a mesma por mais de uma semana. Às vezes de manhã as ruas de uma região estão de um jeito no final da tarde estão de outro. São obras para todos os lados. Você disputa espaço nas ruas, avenidas e rodovias com caminhões, betoneiras, gruas e guindastes.
Se você seguir as dicas do supercomputador de bordo com voz sexy corre o risco de acabar em um buraco de 30 metros de profundidade.
Maldita. Sabia que não dava para confiar!
Mas o resultado disso é que fica mais difícil para você criar modelos mentais. O que faz o seu cérebro ficar sempre atento. Mesmo depois de um tempo longo você continua percebendo o lugar onde você está.
Uma coisa bem darwinista. Se você não estiver ligado acaba sendo tragado por buracos de obras imensos ou atropelado por betoneiras desembestadas - a versão moderna de poços de pixe e de mamutes enraivecidos.
Monday, November 13, 2006
Frio na barriga?
Ontem foi oficialmente meu último dia na Impact BBDO. É sempre uma coisa estranha dizer adeus a um ambiente de trabalho.
Não parece mas o espaço físico, os móveis, os computadores, o carpete cinza, a minha janela dando para o palácio do Sheikh, sua pista de corrida de cavalos particular e suas cavalariças com cavalos de muitos milhares de dólares acabaram se transformando em uma parte essencial do que Dubai representa na minha cabeça tão cheia de informação desordenada.
Dar uma última passada lá para dar um tchau e depois entregar o seu cartão de acesso é realmente esquisito. Os nossos lugares de trabalho, sem que a gente perceba, acabam fazendo parte da gente - tanto como a gente acaba fazendo parte dos lugares.
Agora é hora de recomeçar - e sem janela para palácio.
Meu grande Andrej - um diretor de arte sérvio que é uma das figuras mais queridas - me perguntou ontem:
"Você não está com um frio na barriga?"
Eu parei para pensar e percebi que não.
Acho que um pouco porque depois de algum tempo de carreira você percebe que trabalho é trabalho em qualquer lugar. Se você é uma farsa, vai continuar sendo. Se ninguém descobriu até agora, as chances são pequenas que desta vez você seja desmascarado. Se você é bom, nada vai mudar. Se você é um gênio, sorte sua - mas não conte para ninguém. E se você não sabe em qual categoria você se enquadra, provavelmente vai continuar vivendo com a benção da ignorância.
Claro que isso conta para não me fazer perder o sono, mas tem mais.
Esta mudança para Dubai, Emirados Árabes Unidos, Oriente Médio, Hemisfério Norte, foi muito radical. Muita coisa ao mesmo tempo: país, língua, sotaques, cultura (ou culturas), empresa (ou agência, se você leitor for publicitário), cultura empresarial, responsabilidade, clientes, leis, burocracia, temperatura, comida, nomes de pessoas, feriados, trânsito, carros diferentes, amizades, dias de final de semana, fuso horário, moeda, ausência de amendoim Mendorato...
É tanta coisa que é quase como nascer de novo - com a vantagem que desta vez você não tem que aprender a passar sem fraldas.
A sensação é de que qualquer mudança agora não assusta mais - e nem causa o impacto que costumava causar. E nem frio na barriga.
Afinal, é só um emprego novo.
Ontem foi oficialmente meu último dia na Impact BBDO. É sempre uma coisa estranha dizer adeus a um ambiente de trabalho.
Não parece mas o espaço físico, os móveis, os computadores, o carpete cinza, a minha janela dando para o palácio do Sheikh, sua pista de corrida de cavalos particular e suas cavalariças com cavalos de muitos milhares de dólares acabaram se transformando em uma parte essencial do que Dubai representa na minha cabeça tão cheia de informação desordenada.
Dar uma última passada lá para dar um tchau e depois entregar o seu cartão de acesso é realmente esquisito. Os nossos lugares de trabalho, sem que a gente perceba, acabam fazendo parte da gente - tanto como a gente acaba fazendo parte dos lugares.
Agora é hora de recomeçar - e sem janela para palácio.
Meu grande Andrej - um diretor de arte sérvio que é uma das figuras mais queridas - me perguntou ontem:
"Você não está com um frio na barriga?"
Eu parei para pensar e percebi que não.
Acho que um pouco porque depois de algum tempo de carreira você percebe que trabalho é trabalho em qualquer lugar. Se você é uma farsa, vai continuar sendo. Se ninguém descobriu até agora, as chances são pequenas que desta vez você seja desmascarado. Se você é bom, nada vai mudar. Se você é um gênio, sorte sua - mas não conte para ninguém. E se você não sabe em qual categoria você se enquadra, provavelmente vai continuar vivendo com a benção da ignorância.
Claro que isso conta para não me fazer perder o sono, mas tem mais.
Esta mudança para Dubai, Emirados Árabes Unidos, Oriente Médio, Hemisfério Norte, foi muito radical. Muita coisa ao mesmo tempo: país, língua, sotaques, cultura (ou culturas), empresa (ou agência, se você leitor for publicitário), cultura empresarial, responsabilidade, clientes, leis, burocracia, temperatura, comida, nomes de pessoas, feriados, trânsito, carros diferentes, amizades, dias de final de semana, fuso horário, moeda, ausência de amendoim Mendorato...
É tanta coisa que é quase como nascer de novo - com a vantagem que desta vez você não tem que aprender a passar sem fraldas.
A sensação é de que qualquer mudança agora não assusta mais - e nem causa o impacto que costumava causar. E nem frio na barriga.
Afinal, é só um emprego novo.
Saturday, November 11, 2006
Um pequeno passo para a humanidade...um grande passo para um homem.
Uma semana que começa com dois eventos que vão marcar a vida deste seu interlocutor.
O primeiro: Estou mudando de emprego. Depois de quase um ano e meio na Impact BBDO estou saindo para me aventurar em um lugar novo. Foram um ano e meio que mais pareceram uns 15 anos. Teve muito de tudo: medo, insegurança, frustração, surpresas, descoberta, conquista, satisfação, diversão e umas boas risadas.
Mas, como tudo tem um fim - menos A Praça é Nossa - chegou a hora de mudar. Foi tudo inesperado. Estava eu lá na agência vivendo talvez o momento da minha carreira, fazendo coisas muito bacanas para clientes como Pepsi, Mountain Dew, Wrigley's e Snickers. Um dia sai uma matéria com uns anúncios que fiz para Snickers e no dia seguinte me ligam:
Piyush (O dono da agência de headhunters que me trouxe para cá):
Chegou o momento. Entrevista hoje às 17h na Team Young&Rubicam.
Guilherme (diretor de criação da Impact BBDO que não estava entendendo nada):
Hã? Cuma?
Piyush: Está marcado
Guilherme (diretor de criação da Impact BBDO que continuava não entendendo nada):
Hã...OK.
Mais cinco minutos de explicações de como chegar no lugar - o que é de praxe aqui (aliás, o que é "de praxe"?) já que os lugares não têm números e as ruas não têm placas - e quando têm são em geral números que se repetem de acordo com o bairro e lá vou eu imaginando como escapar no meio da tarde sem dar na vista.
Sabe a síndrome do sábado à noite? Isso afeta mais os solteiros mas os casados também são vítimas comuns. Você fica vários finais de semana esquecido. Os amigos viajando, doentes ou ocupados com outras coisas, todos os filmes legais no cinema já assistidos... De repente chega um final de semana em que tem 4 festas de grupos de amigos diferentes, 8 novos filmes sensacionais em cartaz e mais um amigo que você não vê há uma década está de passagem na cidade te liga para dar uma saída para colocar o papo em dia.
Pois é (acho que eu uso muito "pois é" quando escrevo, mas fazer o que? Eu falo assim mesmo) é mais ou menos o que acontece quando você tem entrevista de emprego. De repente a campanha que era para amanhã precisa ser apresentada no final do dia. De repente o seu chefe precisa falar com você no meio da tarde e quer ver o status desta campanha - coisa que ele em geral não faz. De repente tem um evento - o primeiro desde que a Dri entrou na Microsoft - em que todas as famílias estão convidadas - e que começa às seis da tarde.
O universo conspira.
Bati todos os recordes para entregar o trabalho em tempo e deixei só um pedaço para terminar depois. Me reuni com meu chefe com a cabeça nas nuvens e depois, como um ninja, sumi numa nuvem de fumaça. Dirigi como um piloto de F1 em Mônaco e consegui chegar a tempo para a entrevista.
Gente bacana, a agência excelente - a melhor do Oriente Médio - muito premiada em todos os festivais internacionais, e possibilidades profissionais fantásticas.
Hora de mudar de curso de novo.
Novos recorde batidos na volta ao trabalho. O ninja retorna. Campanha entregue e é hora de correr para o evento da Microsoft - um iftar, ou momento de quebrar o jejum que os muçulmanos fazem durante o mês sagrado do Ramadan. Eles ficam sem comer o dia inteiro e assim que o sol se põe é a comilança.
E lá ia eu, atrasado e com muita fome. A única coisa no meu estômago, fora aquele frio na barriga pré-entrevista, era uma maçã que eu tinha pegado na academia no dia anterior e esquecido na minha mochila. Fui sonhando com um buffet gigante cheio de quitutes árabes me esperando. Me sentia como um Ali Babá pronto para entrar na caverna onde estava o tesouro dos 40 Ladrões. Só que ao invés de ouro, prata e pedras preciosas estavam tijelas cheias de quibes e esfihas.
Cheguei no lugar do evento e não encontro ninguém. Ligo para a Dri e ela e diz que está na saída, esperando o carro.
Nada de esfihas e quibes. (Se bem que aqui não tem as esfihas que a gente costuma comer - mas fica muito mais legal no texto)
Encontro minhas mulheres e vamos embora. Eu, elas e o meu estômago frustado, indo rumo aos cachorros-quente que me esperam em casa.
Tem uma música de uma banda americana, The Steve Miller Band que diz:
"You got to go through hell before you get to heaven."
Não foi tão difícil assim, mas ainda penso naqueles quibes.
Resumo da ópera: proposta na mão, várias reuniões com os "rola-grossa" da agência e a carta de alforria liberada. Na próxima quarta-feira começo como diretor de criação da Team Young & Rubicam.
Segundo: De que vale estar no Oriente Médio se você só toma Coca Cola e chá gelado?
Por isso decidi viver uma experiência decididamente beduína: tomei leite de camelo - ou melhor, de camela. Tudo bem que vem embalagem de plástico e é processado em instalações ultra-modernas - além de custar o dobro do leite normal.
Pode não ser tão radical quanto a primeira experiência que eu narrei, mas fica muito melhor com chocolate.
Pena que aqui não tem Nescau.
A aventura continua.
Uma semana que começa com dois eventos que vão marcar a vida deste seu interlocutor.
O primeiro: Estou mudando de emprego. Depois de quase um ano e meio na Impact BBDO estou saindo para me aventurar em um lugar novo. Foram um ano e meio que mais pareceram uns 15 anos. Teve muito de tudo: medo, insegurança, frustração, surpresas, descoberta, conquista, satisfação, diversão e umas boas risadas.
Mas, como tudo tem um fim - menos A Praça é Nossa - chegou a hora de mudar. Foi tudo inesperado. Estava eu lá na agência vivendo talvez o momento da minha carreira, fazendo coisas muito bacanas para clientes como Pepsi, Mountain Dew, Wrigley's e Snickers. Um dia sai uma matéria com uns anúncios que fiz para Snickers e no dia seguinte me ligam:
Piyush (O dono da agência de headhunters que me trouxe para cá):
Chegou o momento. Entrevista hoje às 17h na Team Young&Rubicam.
Guilherme (diretor de criação da Impact BBDO que não estava entendendo nada):
Hã? Cuma?
Piyush: Está marcado
Guilherme (diretor de criação da Impact BBDO que continuava não entendendo nada):
Hã...OK.
Mais cinco minutos de explicações de como chegar no lugar - o que é de praxe aqui (aliás, o que é "de praxe"?) já que os lugares não têm números e as ruas não têm placas - e quando têm são em geral números que se repetem de acordo com o bairro e lá vou eu imaginando como escapar no meio da tarde sem dar na vista.
Sabe a síndrome do sábado à noite? Isso afeta mais os solteiros mas os casados também são vítimas comuns. Você fica vários finais de semana esquecido. Os amigos viajando, doentes ou ocupados com outras coisas, todos os filmes legais no cinema já assistidos... De repente chega um final de semana em que tem 4 festas de grupos de amigos diferentes, 8 novos filmes sensacionais em cartaz e mais um amigo que você não vê há uma década está de passagem na cidade te liga para dar uma saída para colocar o papo em dia.
Pois é (acho que eu uso muito "pois é" quando escrevo, mas fazer o que? Eu falo assim mesmo) é mais ou menos o que acontece quando você tem entrevista de emprego. De repente a campanha que era para amanhã precisa ser apresentada no final do dia. De repente o seu chefe precisa falar com você no meio da tarde e quer ver o status desta campanha - coisa que ele em geral não faz. De repente tem um evento - o primeiro desde que a Dri entrou na Microsoft - em que todas as famílias estão convidadas - e que começa às seis da tarde.
O universo conspira.
Bati todos os recordes para entregar o trabalho em tempo e deixei só um pedaço para terminar depois. Me reuni com meu chefe com a cabeça nas nuvens e depois, como um ninja, sumi numa nuvem de fumaça. Dirigi como um piloto de F1 em Mônaco e consegui chegar a tempo para a entrevista.
Gente bacana, a agência excelente - a melhor do Oriente Médio - muito premiada em todos os festivais internacionais, e possibilidades profissionais fantásticas.
Hora de mudar de curso de novo.
Novos recorde batidos na volta ao trabalho. O ninja retorna. Campanha entregue e é hora de correr para o evento da Microsoft - um iftar, ou momento de quebrar o jejum que os muçulmanos fazem durante o mês sagrado do Ramadan. Eles ficam sem comer o dia inteiro e assim que o sol se põe é a comilança.
E lá ia eu, atrasado e com muita fome. A única coisa no meu estômago, fora aquele frio na barriga pré-entrevista, era uma maçã que eu tinha pegado na academia no dia anterior e esquecido na minha mochila. Fui sonhando com um buffet gigante cheio de quitutes árabes me esperando. Me sentia como um Ali Babá pronto para entrar na caverna onde estava o tesouro dos 40 Ladrões. Só que ao invés de ouro, prata e pedras preciosas estavam tijelas cheias de quibes e esfihas.
Cheguei no lugar do evento e não encontro ninguém. Ligo para a Dri e ela e diz que está na saída, esperando o carro.
Nada de esfihas e quibes. (Se bem que aqui não tem as esfihas que a gente costuma comer - mas fica muito mais legal no texto)
Encontro minhas mulheres e vamos embora. Eu, elas e o meu estômago frustado, indo rumo aos cachorros-quente que me esperam em casa.
Tem uma música de uma banda americana, The Steve Miller Band que diz:
"You got to go through hell before you get to heaven."
Não foi tão difícil assim, mas ainda penso naqueles quibes.
Resumo da ópera: proposta na mão, várias reuniões com os "rola-grossa" da agência e a carta de alforria liberada. Na próxima quarta-feira começo como diretor de criação da Team Young & Rubicam.
Segundo: De que vale estar no Oriente Médio se você só toma Coca Cola e chá gelado?
Por isso decidi viver uma experiência decididamente beduína: tomei leite de camelo - ou melhor, de camela. Tudo bem que vem embalagem de plástico e é processado em instalações ultra-modernas - além de custar o dobro do leite normal.
Pode não ser tão radical quanto a primeira experiência que eu narrei, mas fica muito melhor com chocolate.
Pena que aqui não tem Nescau.
A aventura continua.
Monday, November 06, 2006
O dilema do escritor.
O meu problema recentemente...bom, não tão recentemente assim, é que não me faltam idéias para postar no blog. O fato é exatamente o contrário. Estou com um excesso de notícias e fatos interessantes para escrever no blog e não sei por onde começar.
Só para ter uma idéia do que tem na minha cabeça:
1 - Vou mudar de emprego na semana que vem.
2 - Passou o verão.
3 - Comemos feijoada semana passada.
4 - As mulheres locais também saem para correr...todas cobertas.
5 - Casar para o muçulmano tradicional é uma coisa complicada.
6 - Como vim parar aqui.
7 - Os nativos - ou locais - acham que são os donos do lugar. E estão certos.
8 - Aventuras no Dia das Bruxas.
9 - Livros, livros, muitos livros. Abriu a primeira Borders (uma livraria imensa) no Mall of the Emirates.
10 - A Carolina cada vez mais menina.
11 - Coisas que fazem falta no Brasil.
12 - Minha última viagem para o Líbano.
13 - O que está tocando no meu iPod. (Só para dar um gostinho: Scissor Sisters - uma banda que faz um som dançante que tem os Bee Gees como avós e o Elton John como avó. Muito boa.)
Por onde começar então?
O meu problema recentemente...bom, não tão recentemente assim, é que não me faltam idéias para postar no blog. O fato é exatamente o contrário. Estou com um excesso de notícias e fatos interessantes para escrever no blog e não sei por onde começar.
Só para ter uma idéia do que tem na minha cabeça:
1 - Vou mudar de emprego na semana que vem.
2 - Passou o verão.
3 - Comemos feijoada semana passada.
4 - As mulheres locais também saem para correr...todas cobertas.
5 - Casar para o muçulmano tradicional é uma coisa complicada.
6 - Como vim parar aqui.
7 - Os nativos - ou locais - acham que são os donos do lugar. E estão certos.
8 - Aventuras no Dia das Bruxas.
9 - Livros, livros, muitos livros. Abriu a primeira Borders (uma livraria imensa) no Mall of the Emirates.
10 - A Carolina cada vez mais menina.
11 - Coisas que fazem falta no Brasil.
12 - Minha última viagem para o Líbano.
13 - O que está tocando no meu iPod. (Só para dar um gostinho: Scissor Sisters - uma banda que faz um som dançante que tem os Bee Gees como avós e o Elton John como avó. Muito boa.)
Por onde começar então?
Thursday, October 12, 2006
Uma Série de Eventos Desafortunados
Ontem foi um dia de eventos estranhos relacionados com mudanças profundas que estão para acontecer.
A primeira coisa que aconteceu foi que eu fui para uma reunião de manhã e quando estava voltando para a agência o ar-condicionado do carro parou de funcionar. Inexplicavelmente ele voltou a funcionar normalmente no final do dia - obviamente quando estava muito mais fresco. Suei como um porco.
A segunda coisa estranha foi que, ainda voltando para a agência alguma coisa acertou a lateral do carro. Eu vi um OVNI se aproximando a toda velocidade e o barulho, mas não consegui determinar o que era. Como estava passando por uma vizinhança indiana achei que podia ser uma bolinha de críquete, que é quase tão dura quanto uma bola de sinuca.
A terceira é que na hora de pegar a rotatória perto das Emirates Towers todos os sinais estavam desligados. Como esta rotatória é o gargalo para 3 saídas para regiões importantíssimas de Dubai o que deveria ter demorado 3 minutos demorou uma hora e meia - sem ar-condicionado e com calor de uns 35 plus graus.
Agora misturamos a segunda e a terceira coisa estranha que aconteceu e temos mais um evento único. Dubai (ainda) não é a terra dos motoboys, mas pela quantidade de engarrafamentos aqui não vai demorar muito para eles descobrirem esta desgraça e empestearem este lugar de motoqueiros alucinados.
Surpresa minha que, enquanto estou preso no engarrafamento um motoboy pára do lado direito do meu carro e começa a gesticular. Como estava ouvindo meu iPod acho que o figura devia estar falando algo, mas era impossível de ouvir. Mesmo que conseguisse com certeza não ia entender nada. Pensei "Catso da Carmela, este estrupício deve ter acertado meu carro!"
Desci do carro, já que o trânsito não andava mesmo, e fui ver o que o cara queria dizer. Aí vi que ele estava segurando uma coisa estranha na mão. Demorou um pouco para entender que a "bola de críquete" que acertou meu carro era o pombo que o motoqueiro tinha nas mãos. O bichinho ainda estava vivo, mas bem grogue por conta do nocaute técnico no primeiro assalto. Mills Lane teria adorado.
O indivíduo então me entregou a vítima como que dizendo "agora é responsabilidade sua". Eu não sabia muito bem o que fazer por isso deixei o bicho numa sombrinha para se recuperar e lhe desejei melhoras.
Mais sensíveis foram uns caras que estavam atrás de mim. Eles pegaram o pombo e o levaram. Talvez para cuidar do coitadinho, talvez para fazer uma bela fritada. Prefiro imaginar que foi a primeira opção.
Eu continuo achando que pombos são ratos voadores por isso meus sentimentos são conflitantes.
E tudo isso num dia cheio de mudanças.
Depois eu dou os detalhes.
Ontem foi um dia de eventos estranhos relacionados com mudanças profundas que estão para acontecer.
A primeira coisa que aconteceu foi que eu fui para uma reunião de manhã e quando estava voltando para a agência o ar-condicionado do carro parou de funcionar. Inexplicavelmente ele voltou a funcionar normalmente no final do dia - obviamente quando estava muito mais fresco. Suei como um porco.
A segunda coisa estranha foi que, ainda voltando para a agência alguma coisa acertou a lateral do carro. Eu vi um OVNI se aproximando a toda velocidade e o barulho, mas não consegui determinar o que era. Como estava passando por uma vizinhança indiana achei que podia ser uma bolinha de críquete, que é quase tão dura quanto uma bola de sinuca.
A terceira é que na hora de pegar a rotatória perto das Emirates Towers todos os sinais estavam desligados. Como esta rotatória é o gargalo para 3 saídas para regiões importantíssimas de Dubai o que deveria ter demorado 3 minutos demorou uma hora e meia - sem ar-condicionado e com calor de uns 35 plus graus.
Agora misturamos a segunda e a terceira coisa estranha que aconteceu e temos mais um evento único. Dubai (ainda) não é a terra dos motoboys, mas pela quantidade de engarrafamentos aqui não vai demorar muito para eles descobrirem esta desgraça e empestearem este lugar de motoqueiros alucinados.
Surpresa minha que, enquanto estou preso no engarrafamento um motoboy pára do lado direito do meu carro e começa a gesticular. Como estava ouvindo meu iPod acho que o figura devia estar falando algo, mas era impossível de ouvir. Mesmo que conseguisse com certeza não ia entender nada. Pensei "Catso da Carmela, este estrupício deve ter acertado meu carro!"
Desci do carro, já que o trânsito não andava mesmo, e fui ver o que o cara queria dizer. Aí vi que ele estava segurando uma coisa estranha na mão. Demorou um pouco para entender que a "bola de críquete" que acertou meu carro era o pombo que o motoqueiro tinha nas mãos. O bichinho ainda estava vivo, mas bem grogue por conta do nocaute técnico no primeiro assalto. Mills Lane teria adorado.
O indivíduo então me entregou a vítima como que dizendo "agora é responsabilidade sua". Eu não sabia muito bem o que fazer por isso deixei o bicho numa sombrinha para se recuperar e lhe desejei melhoras.
Mais sensíveis foram uns caras que estavam atrás de mim. Eles pegaram o pombo e o levaram. Talvez para cuidar do coitadinho, talvez para fazer uma bela fritada. Prefiro imaginar que foi a primeira opção.
Eu continuo achando que pombos são ratos voadores por isso meus sentimentos são conflitantes.
E tudo isso num dia cheio de mudanças.
Depois eu dou os detalhes.
Monday, October 09, 2006
5 Coisas sobre Dubai para você contar para seus amigos.
1 - Em Dubai estão 25% de todas as gruas existentes no mundo.
(Ne você dormir até mais tarde um dia pode ter certeza que vai encontrar um prédio novo que não estava lá ontem.)
2 - A gasolina (que é especial, de alta octanagem) custa aqui custa quase um terço do preço da gasolina normal na Pindorama e é misturada com...gasolina!
(Sai mais barato andar de carro do que andar de bicicleta)
3 - No cinema você encontra todos os blockbuster de Hollywood - e são lançados junto com Estados Unidos e Europa. Sexo e nudez são censurados e cortados nos filmes, mas violência e muito sangue pode rolar à vontade.
(Quase como nos Estados Unidos, mas os ianques chegam lá)
4 - Não existem camelos nas ruas.
(Não reclame, no Brasil também não tem tucanos e macacos na rua. Se bem que dizem que se você olhar bem vai ver que os tucanos estão sempre em cima do muro)
5 - Aqui tem praia e de vez em quando dá praia - mais ou menos umas 360 vezes por ano. E no verão a temperatura passa dos 45 graus.
(Dubai é o único lugar do mundo que se você disser que vai na praia no ver verão as pessoas vão te olhar assustadas e dizer "Você está louco?")
1 - Em Dubai estão 25% de todas as gruas existentes no mundo.
(Ne você dormir até mais tarde um dia pode ter certeza que vai encontrar um prédio novo que não estava lá ontem.)
2 - A gasolina (que é especial, de alta octanagem) custa aqui custa quase um terço do preço da gasolina normal na Pindorama e é misturada com...gasolina!
(Sai mais barato andar de carro do que andar de bicicleta)
3 - No cinema você encontra todos os blockbuster de Hollywood - e são lançados junto com Estados Unidos e Europa. Sexo e nudez são censurados e cortados nos filmes, mas violência e muito sangue pode rolar à vontade.
(Quase como nos Estados Unidos, mas os ianques chegam lá)
4 - Não existem camelos nas ruas.
(Não reclame, no Brasil também não tem tucanos e macacos na rua. Se bem que dizem que se você olhar bem vai ver que os tucanos estão sempre em cima do muro)
5 - Aqui tem praia e de vez em quando dá praia - mais ou menos umas 360 vezes por ano. E no verão a temperatura passa dos 45 graus.
(Dubai é o único lugar do mundo que se você disser que vai na praia no ver verão as pessoas vão te olhar assustadas e dizer "Você está louco?")
Friday, September 29, 2006
Brasil
Constatações.
1 - Verde faz falta.
2 - Chuva é bom demais.
3 - Eu contei as mesmas histórias 50 vezes - para 25 grupos diferentes. Teve gente que ouviu demais.
4 - A comida é boa demais.
5 - Tomar cerveja com os amigos é bom demais.
6 - O asfalto é uma merda. (Parece ainda pior quando você passa um tempo fora)
7 - A Ponte Preta continua uma bosta.
8 - Feijoada é vida.
9 - 5 graus em Sampa é mais frio que -50 na Sibéria.
10 - Eu odeio o Galvão Bueno.
11 - Dubai é longe para cacete.
12 - Não somos mais a Dri e o Gui. Agora oficialmente somos os pais da Carolina.
13 - A Carolina tem a própria agenda.
14 - O Giovanetti está vendendo chopp Schin - sacrilégio.
15 - A propaganda brasileira continua um lixo.
16 - Os carros do Brasil são muito pequenininhos.
17 - A gasolina é cara.
18 - Todo o resto também é caro.
19 - É uma delícia eu usar a expressão "O rapaz camufla" e as pessoas entenderem.
20 - É muito bom não ser visto como expert em futebol.
21 - A Veja é uma revista muito vagabunda.
22 - Não vi o Faustão e não fez falta.
23 - O Gol é um carro muito feio, tosco. Mas é confiável.
24 - Continuo detestando Kombis.
25 - A pizza no Brasil é a melhor do mundo.
26 - Amigo é uma coisa boa demais.
27 - Família também.
28 - Eu odeio pedágios.
29 - Como é bom contar piadas em português.
30 - Como é bom contar piadas de português.
31 - Sanduíche do Gordão é bão.
32 - Bacon é vida.
33 - Família é bom demais.
34 - Eu odeio ainda mais a KLM.
35 - O nosso aeroporto internacional de Cumbica é muito xinfrim.
36 - Voar é um saco.
37 - Passar 19 horas trancafiado dentro de um avião na classe econômica é uma condição de não-existência que deveria ser estudada por filósofos com o tema "O Ser e o Não-Ser".
38 - Guaraná faz falta.
39 - Churrasco é gostoso e alimenta.
40 - Comer fruta no pé é mágico.
41 - Andar sem camisa na rua é bom demais da conta, sô.
42 - Meu sobrinho mais velho está cada vez mais gente boa.
43 - É muito bom jogar conversa fora com a minha irmã. A gente se esquece que está separado por mais de 15 mil km.
44 - Não conheço mais ninguém em Campinas.
45 - Não faz falta morar em Sampa.
46 - Faz falta a galera de Sampa.
47 - Somos agora uma turma cheia de crianças.
48 - 36 anos é adulto para cacete.
49 - A Harley do André é um tesão - principalmente se sou eu que estou pilotando.
50 - O azul do céu do Brasil é diferente.
51 - O Alex está branco que nem um palmito.
52 - Abrir a janela e ver uma floresta é revigorante.
53 - Revigorante é uma palavra bem esquisita para se escrever.
54 - O carderno de esportes da Folha continua uma merda.
55 - As coisas estão sempre se transformando. Quando você fica fora é que percebe.
56 - O Brasil é uma merda, mas é bom.
57 - Amendoim Mendorato é só bom.
57 - Wear sunscreen.
Constatações.
1 - Verde faz falta.
2 - Chuva é bom demais.
3 - Eu contei as mesmas histórias 50 vezes - para 25 grupos diferentes. Teve gente que ouviu demais.
4 - A comida é boa demais.
5 - Tomar cerveja com os amigos é bom demais.
6 - O asfalto é uma merda. (Parece ainda pior quando você passa um tempo fora)
7 - A Ponte Preta continua uma bosta.
8 - Feijoada é vida.
9 - 5 graus em Sampa é mais frio que -50 na Sibéria.
10 - Eu odeio o Galvão Bueno.
11 - Dubai é longe para cacete.
12 - Não somos mais a Dri e o Gui. Agora oficialmente somos os pais da Carolina.
13 - A Carolina tem a própria agenda.
14 - O Giovanetti está vendendo chopp Schin - sacrilégio.
15 - A propaganda brasileira continua um lixo.
16 - Os carros do Brasil são muito pequenininhos.
17 - A gasolina é cara.
18 - Todo o resto também é caro.
19 - É uma delícia eu usar a expressão "O rapaz camufla" e as pessoas entenderem.
20 - É muito bom não ser visto como expert em futebol.
21 - A Veja é uma revista muito vagabunda.
22 - Não vi o Faustão e não fez falta.
23 - O Gol é um carro muito feio, tosco. Mas é confiável.
24 - Continuo detestando Kombis.
25 - A pizza no Brasil é a melhor do mundo.
26 - Amigo é uma coisa boa demais.
27 - Família também.
28 - Eu odeio pedágios.
29 - Como é bom contar piadas em português.
30 - Como é bom contar piadas de português.
31 - Sanduíche do Gordão é bão.
32 - Bacon é vida.
33 - Família é bom demais.
34 - Eu odeio ainda mais a KLM.
35 - O nosso aeroporto internacional de Cumbica é muito xinfrim.
36 - Voar é um saco.
37 - Passar 19 horas trancafiado dentro de um avião na classe econômica é uma condição de não-existência que deveria ser estudada por filósofos com o tema "O Ser e o Não-Ser".
38 - Guaraná faz falta.
39 - Churrasco é gostoso e alimenta.
40 - Comer fruta no pé é mágico.
41 - Andar sem camisa na rua é bom demais da conta, sô.
42 - Meu sobrinho mais velho está cada vez mais gente boa.
43 - É muito bom jogar conversa fora com a minha irmã. A gente se esquece que está separado por mais de 15 mil km.
44 - Não conheço mais ninguém em Campinas.
45 - Não faz falta morar em Sampa.
46 - Faz falta a galera de Sampa.
47 - Somos agora uma turma cheia de crianças.
48 - 36 anos é adulto para cacete.
49 - A Harley do André é um tesão - principalmente se sou eu que estou pilotando.
50 - O azul do céu do Brasil é diferente.
51 - O Alex está branco que nem um palmito.
52 - Abrir a janela e ver uma floresta é revigorante.
53 - Revigorante é uma palavra bem esquisita para se escrever.
54 - O carderno de esportes da Folha continua uma merda.
55 - As coisas estão sempre se transformando. Quando você fica fora é que percebe.
56 - O Brasil é uma merda, mas é bom.
57 - Amendoim Mendorato é só bom.
57 - Wear sunscreen.
Wednesday, September 27, 2006
Eu voltei...agora pra ficar
Enrolei, enrolei mas chegou a hora de quebrar o gelo e voltar a escrever no meu confessionário virtual.
Sabe qual o problema de ficar um tempo sem escrever? É que as histórias vão se acumulando e você não sabe por onde começar - o que leva a mais tempo para decidir e mais histórias que se acumulam. Uma espécie de moto-perpétuo tipográfico.
Bom, agora que o gelo foi quebrado vou tentar cumprir minha meta de um post por dia - menos no fim de semana porque dá preguiça até de pensar, quanto mais escrever. E também por que agora tenho que competir com a minha filhota para poder usar o computador.
Ela virou fã do site da Vila Sésamo americana, que é cheio de joguinhos para crianças. Ela joga - e, melhor de tudo - entende todos.
Acho que os pequenos já vem com chip de fábrica.
Enrolei, enrolei mas chegou a hora de quebrar o gelo e voltar a escrever no meu confessionário virtual.
Sabe qual o problema de ficar um tempo sem escrever? É que as histórias vão se acumulando e você não sabe por onde começar - o que leva a mais tempo para decidir e mais histórias que se acumulam. Uma espécie de moto-perpétuo tipográfico.
Bom, agora que o gelo foi quebrado vou tentar cumprir minha meta de um post por dia - menos no fim de semana porque dá preguiça até de pensar, quanto mais escrever. E também por que agora tenho que competir com a minha filhota para poder usar o computador.
Ela virou fã do site da Vila Sésamo americana, que é cheio de joguinhos para crianças. Ela joga - e, melhor de tudo - entende todos.
Acho que os pequenos já vem com chip de fábrica.
Thursday, August 24, 2006
Pindorama
Foi fogo.
Passar 30 horas viajando nem para Amyr Klink falar que é bolinho.
Ainda mais quando tem uma menininha de 3 anos extremamente vocal, energética e mandona trancada dentro de uma extremamente apertada e claustrofóbica classe econômica.
Ninguém merece. Bom, ninguém merece ser pobre, mas é este o caso de quem viaja de classe econômica - os pobres da classe rica - porque pobre de verdade viaja em ônibus velho apinhado, trem lotado, lombo de jegue e a pé mesmo.
Classe econômica só foi criada para você desejar a classe executiva. É a típica concretizaçâo da máxima "os fins justificam os meios". Os fins - chegar ao seu destino - justificam os meios - o processo de desumanização do ser humano empreendido pelos engenheiros de avião, decoradores de interior de avião, cozinheiros e comissários de bordo, todos obviamente contratados dos campos de reeducação do Camboja e da China.
Você chega de viagem sem identidade, sem vontade e sem uma boa idéia de onde está. Uma voz gutural no fundo da sua cabeça apenas diz "pegue suas coisas e corra daqui". E eis você no seu fim.
E aqui estamos nós, sofrendo da diferença de fuso, do jet lag, do cansaço físico normal mas felizes.
Que bom é ver o verde natural em vez da monotonia do amarelo do deserto. Que bom é sentir frio que não é de ar-condicionado. Que bom é ficar fora de casa e não se sentir como um picolé de limão deixado no asfalto no sol de meio-dia. Que bom é poder comer amendoim japonês Mendorado sem ter que economizar.
É bom estar no Brasil. Mas estas são apenas uma das poucas razões.
As outras a gente está curtindo a cada novo momento.
Foi fogo.
Passar 30 horas viajando nem para Amyr Klink falar que é bolinho.
Ainda mais quando tem uma menininha de 3 anos extremamente vocal, energética e mandona trancada dentro de uma extremamente apertada e claustrofóbica classe econômica.
Ninguém merece. Bom, ninguém merece ser pobre, mas é este o caso de quem viaja de classe econômica - os pobres da classe rica - porque pobre de verdade viaja em ônibus velho apinhado, trem lotado, lombo de jegue e a pé mesmo.
Classe econômica só foi criada para você desejar a classe executiva. É a típica concretizaçâo da máxima "os fins justificam os meios". Os fins - chegar ao seu destino - justificam os meios - o processo de desumanização do ser humano empreendido pelos engenheiros de avião, decoradores de interior de avião, cozinheiros e comissários de bordo, todos obviamente contratados dos campos de reeducação do Camboja e da China.
Você chega de viagem sem identidade, sem vontade e sem uma boa idéia de onde está. Uma voz gutural no fundo da sua cabeça apenas diz "pegue suas coisas e corra daqui". E eis você no seu fim.
E aqui estamos nós, sofrendo da diferença de fuso, do jet lag, do cansaço físico normal mas felizes.
Que bom é ver o verde natural em vez da monotonia do amarelo do deserto. Que bom é sentir frio que não é de ar-condicionado. Que bom é ficar fora de casa e não se sentir como um picolé de limão deixado no asfalto no sol de meio-dia. Que bom é poder comer amendoim japonês Mendorado sem ter que economizar.
É bom estar no Brasil. Mas estas são apenas uma das poucas razões.
As outras a gente está curtindo a cada novo momento.
Thursday, August 17, 2006
À Terra do Pau-Brasil.
Dia 22 de madrugada embarcamos para a Pindorama.
Vão ser 20 dias para matar a saudade de muita gente e muita coisa. 20 dias que eu sei que não vão ser o bastante.
Mas se eu tivesse que escolher uma coisa só para fazer ia ser andar na rua a pé, sem terminar a caminhada parecendo o personagem principal do filme de terror B dos anos 70 "O Incrível Homem que Derreteu".
E, claro, fazendo essa caminhada com um saquinho de amendoim Mendorado numa mão e uma cerveja gelada na outra.
Todos estão convidados.
Dia 22 de madrugada embarcamos para a Pindorama.
Vão ser 20 dias para matar a saudade de muita gente e muita coisa. 20 dias que eu sei que não vão ser o bastante.
Mas se eu tivesse que escolher uma coisa só para fazer ia ser andar na rua a pé, sem terminar a caminhada parecendo o personagem principal do filme de terror B dos anos 70 "O Incrível Homem que Derreteu".
E, claro, fazendo essa caminhada com um saquinho de amendoim Mendorado numa mão e uma cerveja gelada na outra.
Todos estão convidados.
Tuesday, August 15, 2006
Constatação.
Eu já falei mais de uma vez como a gente se acostuma com tudo, mesmo com as coisas mais extraordinárias.
Para mim hoje ficou comum dirigir 30 km, do condomínio onde moramos no meio do deserto para os prédios gigantescos com o formato de nave espacial onde fica o meu trabalho.
Ficou comum cruzar com os caminhões-tanque multicoloridos que parecem palácios indianos. Ficou comum ver os indianos e paquistaneses bigodudos e torradinhos. Ficou comum ver no mesmo dia árabes de dish-dasha (aquela roupa de milionário árabe do petróleo), mulheres de abbaya (aquele manto preto) com o rosto coberto e às vezes o rosto também, sikhs de turbante, indianas de sári, filipinos, ingleses, japas, sérvios, egípcios, sírios, libaneses, africanos dos mais diversos, canadenses, australianos e, de vez em quando, um brasileiro.
Ficou comum pensar que a gente divide a casa com uma mulher do Sri Lanka.
Ficou comum pensar que uma boa parte das pessoas com quem eu tenho contato - libaneses - estavam vivendo e se preocupando com uma guerra que afetava e continua afetando a família e os amigos.
Ficou comum pensar que não vou comer feijoada no sábado. E que não vou encontrar amendoim japonês Mendorado no supermercado.
Ficou comum ler, falar e ouvir inglês nas suas mais variadas formas. E entender todos os sotaques. Bom, a maioria pelo menos.
Ficou comum olhar para todos os lados e ver prédios gigantes aparecendo numa velocidade espantosa.
Ficou comum ver o Burj Al Arab no horizonte.
Ficou comum pensar que hoje vai fazer sol, amanhã e depois de amanhã também.
Ficou comum olhar para o termômetro no carro da Di e ver que a temperatura está nos 42 graus.
Ficou comum ir a shopping centers para fugir do calor.
E, mais importante do que tudo, não ficou comum chegar no domingo, ligar a televisão e saber que, por mais que você tente, não vai ter Faustão em nenhum canal.
Este é um prazer fantástico que sempre se renova em Dubai.
Recomendo.
Eu já falei mais de uma vez como a gente se acostuma com tudo, mesmo com as coisas mais extraordinárias.
Para mim hoje ficou comum dirigir 30 km, do condomínio onde moramos no meio do deserto para os prédios gigantescos com o formato de nave espacial onde fica o meu trabalho.
Ficou comum cruzar com os caminhões-tanque multicoloridos que parecem palácios indianos. Ficou comum ver os indianos e paquistaneses bigodudos e torradinhos. Ficou comum ver no mesmo dia árabes de dish-dasha (aquela roupa de milionário árabe do petróleo), mulheres de abbaya (aquele manto preto) com o rosto coberto e às vezes o rosto também, sikhs de turbante, indianas de sári, filipinos, ingleses, japas, sérvios, egípcios, sírios, libaneses, africanos dos mais diversos, canadenses, australianos e, de vez em quando, um brasileiro.
Ficou comum pensar que a gente divide a casa com uma mulher do Sri Lanka.
Ficou comum pensar que uma boa parte das pessoas com quem eu tenho contato - libaneses - estavam vivendo e se preocupando com uma guerra que afetava e continua afetando a família e os amigos.
Ficou comum pensar que não vou comer feijoada no sábado. E que não vou encontrar amendoim japonês Mendorado no supermercado.
Ficou comum ler, falar e ouvir inglês nas suas mais variadas formas. E entender todos os sotaques. Bom, a maioria pelo menos.
Ficou comum olhar para todos os lados e ver prédios gigantes aparecendo numa velocidade espantosa.
Ficou comum ver o Burj Al Arab no horizonte.
Ficou comum pensar que hoje vai fazer sol, amanhã e depois de amanhã também.
Ficou comum olhar para o termômetro no carro da Di e ver que a temperatura está nos 42 graus.
Ficou comum ir a shopping centers para fugir do calor.
E, mais importante do que tudo, não ficou comum chegar no domingo, ligar a televisão e saber que, por mais que você tente, não vai ter Faustão em nenhum canal.
Este é um prazer fantástico que sempre se renova em Dubai.
Recomendo.
Wednesday, August 02, 2006
Reflexões sobre a vida.
A Dri chegou mais tarde anteontem.
Aí eu subi para o nosso quarto com a Carolina para a gente brincar.
Uma hora ela pára toda séria olha para mim como se todo o peso do mundo estivesse sobre seus ombros e diz:
"A Calol tem peleleca."
E continua...
"A Mamãe tem peleleca."
"A vovó tem peleleca."
E, como uma filósofa chegando a uma conclusão sobre a essência da humanidade, arremata:
"O papai tem pinto."
A Dri chegou mais tarde anteontem.
Aí eu subi para o nosso quarto com a Carolina para a gente brincar.
Uma hora ela pára toda séria olha para mim como se todo o peso do mundo estivesse sobre seus ombros e diz:
"A Calol tem peleleca."
E continua...
"A Mamãe tem peleleca."
"A vovó tem peleleca."
E, como uma filósofa chegando a uma conclusão sobre a essência da humanidade, arremata:
"O papai tem pinto."
Friday, July 28, 2006
Runaway Baby
Como um serzinho cheio de vontade e opiniões deve ser, a Carolina detesta ser contrariada.
Em geral nas manhãs de sexta - o meu equivalente de sábado para os nativos da Pindorama e do resto do mundo dos cruzados - ela vêm me aporrinhar a partir das 7 da manhã.
Quando chamada a atenção para alguma atitude malina ela vira brava e fala com os braços cruzados:
"Eu não quelo mais você!"
E sai correndo na direção oposta ao progenitor.
Eu retruco:
"Ah, é? Não quer?"
E ela, sem pestanejar:
"Quelo sim!!!"
E vem correndo para o colo.
Tudo isso em uma questão de 5 segundos.
Ser pai não é a melhor coisa do mundo?
Como um serzinho cheio de vontade e opiniões deve ser, a Carolina detesta ser contrariada.
Em geral nas manhãs de sexta - o meu equivalente de sábado para os nativos da Pindorama e do resto do mundo dos cruzados - ela vêm me aporrinhar a partir das 7 da manhã.
Quando chamada a atenção para alguma atitude malina ela vira brava e fala com os braços cruzados:
"Eu não quelo mais você!"
E sai correndo na direção oposta ao progenitor.
Eu retruco:
"Ah, é? Não quer?"
E ela, sem pestanejar:
"Quelo sim!!!"
E vem correndo para o colo.
Tudo isso em uma questão de 5 segundos.
Ser pai não é a melhor coisa do mundo?
Crime em Dubai.
Há mais ou menos duas semanas a mulher de um amigo meu testemunhou o lado menos glamouroso de Dubai.
Eles têm um Polo conversível antigo e que está com a fechadura quebrada.
O problema é que ela teve que parar na rua para fazer uma coisa e deixou o carro destrancado por alguns minutos com bolsas cheias de roupas de marcas caríssimas.
Quando ela voltou o carro tinha sido aberto por alguém.
E tinham levado o tíquete do estacionamento.
Há mais ou menos duas semanas a mulher de um amigo meu testemunhou o lado menos glamouroso de Dubai.
Eles têm um Polo conversível antigo e que está com a fechadura quebrada.
O problema é que ela teve que parar na rua para fazer uma coisa e deixou o carro destrancado por alguns minutos com bolsas cheias de roupas de marcas caríssimas.
Quando ela voltou o carro tinha sido aberto por alguém.
E tinham levado o tíquete do estacionamento.
Ontem fomos assistir Superman.
O filme começa onde os segundo capítulo da série, com o Christopher Reeve, parou.
Superman 3 e 4 são ignorados.
Me senti menino de novo. Quando a música de John Williams começa a tocar - a mesma dos filmes originais - é como estar em uma sala de cinema no Rio nos idos de 78, com a diferença que invés de lição de casa, hoje você tem contas a pagar. E porque também tem uma criaturinha de quase 3 anos assistindo com você, dando os primeiros passos na sua paixão pela telona.
As pontas se conectam.
O filme é gostoso de assistir. A história não é tudo isso, mas você sai do cinema com a sensação que o homem pode voar sem ter que passar por check in.
O filme começa onde os segundo capítulo da série, com o Christopher Reeve, parou.
Superman 3 e 4 são ignorados.
Me senti menino de novo. Quando a música de John Williams começa a tocar - a mesma dos filmes originais - é como estar em uma sala de cinema no Rio nos idos de 78, com a diferença que invés de lição de casa, hoje você tem contas a pagar. E porque também tem uma criaturinha de quase 3 anos assistindo com você, dando os primeiros passos na sua paixão pela telona.
As pontas se conectam.
O filme é gostoso de assistir. A história não é tudo isso, mas você sai do cinema com a sensação que o homem pode voar sem ter que passar por check in.
Wednesday, July 19, 2006
A guerra que a gente vê pela TV é sempre idealizada.
São aviões saindo de porta-aviões, soldados e tanques de guerra indo para um lado e para o outro. Alguns tiros sendo dados, edifícios em ruínas e uns carros em chamas. Aí o apresentador fala quantas foram as vítimas e, de vez em quando, mostram uma mãe chorando.
Mas na guerra morre gente. E morre de maneiras horríveis, não daquele jeito inodoro de filme americano dos anos 50, em que o soldado põe a mão no peito e pronto - às vezes com direito a últimas palavras.
Na guerra de verdade as pessoas morrem queimadas, despedaçadas, sujas, sangrentas.
Mas o pior são as crianças.
Hoje eu recebi um link de um website com imagens extremamente fortes do que está acontecendo no Líbano. Prédios destruídos e gente morta, muita gente morta e ferida. Principalmente crianças.
É um site muito parcial e emocionalmente carregado, de revolta mesmo, mas que mostra uma cara do conflito que as grandes redes não mostram. Um conflito em que uma população de um país indefeso sofre de uma maneira desumana.
Ou será humana demais?
Para mim é algo muito mais real do que assistir isso no jornal nacional. As pessoas que trabalham comigo, meus amigos, têm família e amigos lá. Passam o dia acompanhando as notícias e com as caras carregadas e os ombros pesados.
A guerra para mim é de verdade.
Se você tem estômago - posso te dizer que não é fácil, quase me levou às lágrimas - e não tiverem bloqueado o site, olhe.
http://www.fromisraeltolebanon.org/
Tem uma petição para assinar também:
http://epetition.net/julywar/index.php
Agora só quero correr para casa e abraçar muito minha filha.
São aviões saindo de porta-aviões, soldados e tanques de guerra indo para um lado e para o outro. Alguns tiros sendo dados, edifícios em ruínas e uns carros em chamas. Aí o apresentador fala quantas foram as vítimas e, de vez em quando, mostram uma mãe chorando.
Mas na guerra morre gente. E morre de maneiras horríveis, não daquele jeito inodoro de filme americano dos anos 50, em que o soldado põe a mão no peito e pronto - às vezes com direito a últimas palavras.
Na guerra de verdade as pessoas morrem queimadas, despedaçadas, sujas, sangrentas.
Mas o pior são as crianças.
Hoje eu recebi um link de um website com imagens extremamente fortes do que está acontecendo no Líbano. Prédios destruídos e gente morta, muita gente morta e ferida. Principalmente crianças.
É um site muito parcial e emocionalmente carregado, de revolta mesmo, mas que mostra uma cara do conflito que as grandes redes não mostram. Um conflito em que uma população de um país indefeso sofre de uma maneira desumana.
Ou será humana demais?
Para mim é algo muito mais real do que assistir isso no jornal nacional. As pessoas que trabalham comigo, meus amigos, têm família e amigos lá. Passam o dia acompanhando as notícias e com as caras carregadas e os ombros pesados.
A guerra para mim é de verdade.
Se você tem estômago - posso te dizer que não é fácil, quase me levou às lágrimas - e não tiverem bloqueado o site, olhe.
http://www.fromisraeltolebanon.org/
Tem uma petição para assinar também:
http://epetition.net/julywar/index.php
Agora só quero correr para casa e abraçar muito minha filha.
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