Uma Série de Eventos Desafortunados
Ontem foi um dia de eventos estranhos relacionados com mudanças profundas que estão para acontecer.
A primeira coisa que aconteceu foi que eu fui para uma reunião de manhã e quando estava voltando para a agência o ar-condicionado do carro parou de funcionar. Inexplicavelmente ele voltou a funcionar normalmente no final do dia - obviamente quando estava muito mais fresco. Suei como um porco.
A segunda coisa estranha foi que, ainda voltando para a agência alguma coisa acertou a lateral do carro. Eu vi um OVNI se aproximando a toda velocidade e o barulho, mas não consegui determinar o que era. Como estava passando por uma vizinhança indiana achei que podia ser uma bolinha de críquete, que é quase tão dura quanto uma bola de sinuca.
A terceira é que na hora de pegar a rotatória perto das Emirates Towers todos os sinais estavam desligados. Como esta rotatória é o gargalo para 3 saídas para regiões importantíssimas de Dubai o que deveria ter demorado 3 minutos demorou uma hora e meia - sem ar-condicionado e com calor de uns 35 plus graus.
Agora misturamos a segunda e a terceira coisa estranha que aconteceu e temos mais um evento único. Dubai (ainda) não é a terra dos motoboys, mas pela quantidade de engarrafamentos aqui não vai demorar muito para eles descobrirem esta desgraça e empestearem este lugar de motoqueiros alucinados.
Surpresa minha que, enquanto estou preso no engarrafamento um motoboy pára do lado direito do meu carro e começa a gesticular. Como estava ouvindo meu iPod acho que o figura devia estar falando algo, mas era impossível de ouvir. Mesmo que conseguisse com certeza não ia entender nada. Pensei "Catso da Carmela, este estrupício deve ter acertado meu carro!"
Desci do carro, já que o trânsito não andava mesmo, e fui ver o que o cara queria dizer. Aí vi que ele estava segurando uma coisa estranha na mão. Demorou um pouco para entender que a "bola de críquete" que acertou meu carro era o pombo que o motoqueiro tinha nas mãos. O bichinho ainda estava vivo, mas bem grogue por conta do nocaute técnico no primeiro assalto. Mills Lane teria adorado.
O indivíduo então me entregou a vítima como que dizendo "agora é responsabilidade sua". Eu não sabia muito bem o que fazer por isso deixei o bicho numa sombrinha para se recuperar e lhe desejei melhoras.
Mais sensíveis foram uns caras que estavam atrás de mim. Eles pegaram o pombo e o levaram. Talvez para cuidar do coitadinho, talvez para fazer uma bela fritada. Prefiro imaginar que foi a primeira opção.
Eu continuo achando que pombos são ratos voadores por isso meus sentimentos são conflitantes.
E tudo isso num dia cheio de mudanças.
Depois eu dou os detalhes.
Thursday, October 12, 2006
Monday, October 09, 2006
5 Coisas sobre Dubai para você contar para seus amigos.
1 - Em Dubai estão 25% de todas as gruas existentes no mundo.
(Ne você dormir até mais tarde um dia pode ter certeza que vai encontrar um prédio novo que não estava lá ontem.)
2 - A gasolina (que é especial, de alta octanagem) custa aqui custa quase um terço do preço da gasolina normal na Pindorama e é misturada com...gasolina!
(Sai mais barato andar de carro do que andar de bicicleta)
3 - No cinema você encontra todos os blockbuster de Hollywood - e são lançados junto com Estados Unidos e Europa. Sexo e nudez são censurados e cortados nos filmes, mas violência e muito sangue pode rolar à vontade.
(Quase como nos Estados Unidos, mas os ianques chegam lá)
4 - Não existem camelos nas ruas.
(Não reclame, no Brasil também não tem tucanos e macacos na rua. Se bem que dizem que se você olhar bem vai ver que os tucanos estão sempre em cima do muro)
5 - Aqui tem praia e de vez em quando dá praia - mais ou menos umas 360 vezes por ano. E no verão a temperatura passa dos 45 graus.
(Dubai é o único lugar do mundo que se você disser que vai na praia no ver verão as pessoas vão te olhar assustadas e dizer "Você está louco?")
1 - Em Dubai estão 25% de todas as gruas existentes no mundo.
(Ne você dormir até mais tarde um dia pode ter certeza que vai encontrar um prédio novo que não estava lá ontem.)
2 - A gasolina (que é especial, de alta octanagem) custa aqui custa quase um terço do preço da gasolina normal na Pindorama e é misturada com...gasolina!
(Sai mais barato andar de carro do que andar de bicicleta)
3 - No cinema você encontra todos os blockbuster de Hollywood - e são lançados junto com Estados Unidos e Europa. Sexo e nudez são censurados e cortados nos filmes, mas violência e muito sangue pode rolar à vontade.
(Quase como nos Estados Unidos, mas os ianques chegam lá)
4 - Não existem camelos nas ruas.
(Não reclame, no Brasil também não tem tucanos e macacos na rua. Se bem que dizem que se você olhar bem vai ver que os tucanos estão sempre em cima do muro)
5 - Aqui tem praia e de vez em quando dá praia - mais ou menos umas 360 vezes por ano. E no verão a temperatura passa dos 45 graus.
(Dubai é o único lugar do mundo que se você disser que vai na praia no ver verão as pessoas vão te olhar assustadas e dizer "Você está louco?")
Friday, September 29, 2006
Brasil
Constatações.
1 - Verde faz falta.
2 - Chuva é bom demais.
3 - Eu contei as mesmas histórias 50 vezes - para 25 grupos diferentes. Teve gente que ouviu demais.
4 - A comida é boa demais.
5 - Tomar cerveja com os amigos é bom demais.
6 - O asfalto é uma merda. (Parece ainda pior quando você passa um tempo fora)
7 - A Ponte Preta continua uma bosta.
8 - Feijoada é vida.
9 - 5 graus em Sampa é mais frio que -50 na Sibéria.
10 - Eu odeio o Galvão Bueno.
11 - Dubai é longe para cacete.
12 - Não somos mais a Dri e o Gui. Agora oficialmente somos os pais da Carolina.
13 - A Carolina tem a própria agenda.
14 - O Giovanetti está vendendo chopp Schin - sacrilégio.
15 - A propaganda brasileira continua um lixo.
16 - Os carros do Brasil são muito pequenininhos.
17 - A gasolina é cara.
18 - Todo o resto também é caro.
19 - É uma delícia eu usar a expressão "O rapaz camufla" e as pessoas entenderem.
20 - É muito bom não ser visto como expert em futebol.
21 - A Veja é uma revista muito vagabunda.
22 - Não vi o Faustão e não fez falta.
23 - O Gol é um carro muito feio, tosco. Mas é confiável.
24 - Continuo detestando Kombis.
25 - A pizza no Brasil é a melhor do mundo.
26 - Amigo é uma coisa boa demais.
27 - Família também.
28 - Eu odeio pedágios.
29 - Como é bom contar piadas em português.
30 - Como é bom contar piadas de português.
31 - Sanduíche do Gordão é bão.
32 - Bacon é vida.
33 - Família é bom demais.
34 - Eu odeio ainda mais a KLM.
35 - O nosso aeroporto internacional de Cumbica é muito xinfrim.
36 - Voar é um saco.
37 - Passar 19 horas trancafiado dentro de um avião na classe econômica é uma condição de não-existência que deveria ser estudada por filósofos com o tema "O Ser e o Não-Ser".
38 - Guaraná faz falta.
39 - Churrasco é gostoso e alimenta.
40 - Comer fruta no pé é mágico.
41 - Andar sem camisa na rua é bom demais da conta, sô.
42 - Meu sobrinho mais velho está cada vez mais gente boa.
43 - É muito bom jogar conversa fora com a minha irmã. A gente se esquece que está separado por mais de 15 mil km.
44 - Não conheço mais ninguém em Campinas.
45 - Não faz falta morar em Sampa.
46 - Faz falta a galera de Sampa.
47 - Somos agora uma turma cheia de crianças.
48 - 36 anos é adulto para cacete.
49 - A Harley do André é um tesão - principalmente se sou eu que estou pilotando.
50 - O azul do céu do Brasil é diferente.
51 - O Alex está branco que nem um palmito.
52 - Abrir a janela e ver uma floresta é revigorante.
53 - Revigorante é uma palavra bem esquisita para se escrever.
54 - O carderno de esportes da Folha continua uma merda.
55 - As coisas estão sempre se transformando. Quando você fica fora é que percebe.
56 - O Brasil é uma merda, mas é bom.
57 - Amendoim Mendorato é só bom.
57 - Wear sunscreen.
Constatações.
1 - Verde faz falta.
2 - Chuva é bom demais.
3 - Eu contei as mesmas histórias 50 vezes - para 25 grupos diferentes. Teve gente que ouviu demais.
4 - A comida é boa demais.
5 - Tomar cerveja com os amigos é bom demais.
6 - O asfalto é uma merda. (Parece ainda pior quando você passa um tempo fora)
7 - A Ponte Preta continua uma bosta.
8 - Feijoada é vida.
9 - 5 graus em Sampa é mais frio que -50 na Sibéria.
10 - Eu odeio o Galvão Bueno.
11 - Dubai é longe para cacete.
12 - Não somos mais a Dri e o Gui. Agora oficialmente somos os pais da Carolina.
13 - A Carolina tem a própria agenda.
14 - O Giovanetti está vendendo chopp Schin - sacrilégio.
15 - A propaganda brasileira continua um lixo.
16 - Os carros do Brasil são muito pequenininhos.
17 - A gasolina é cara.
18 - Todo o resto também é caro.
19 - É uma delícia eu usar a expressão "O rapaz camufla" e as pessoas entenderem.
20 - É muito bom não ser visto como expert em futebol.
21 - A Veja é uma revista muito vagabunda.
22 - Não vi o Faustão e não fez falta.
23 - O Gol é um carro muito feio, tosco. Mas é confiável.
24 - Continuo detestando Kombis.
25 - A pizza no Brasil é a melhor do mundo.
26 - Amigo é uma coisa boa demais.
27 - Família também.
28 - Eu odeio pedágios.
29 - Como é bom contar piadas em português.
30 - Como é bom contar piadas de português.
31 - Sanduíche do Gordão é bão.
32 - Bacon é vida.
33 - Família é bom demais.
34 - Eu odeio ainda mais a KLM.
35 - O nosso aeroporto internacional de Cumbica é muito xinfrim.
36 - Voar é um saco.
37 - Passar 19 horas trancafiado dentro de um avião na classe econômica é uma condição de não-existência que deveria ser estudada por filósofos com o tema "O Ser e o Não-Ser".
38 - Guaraná faz falta.
39 - Churrasco é gostoso e alimenta.
40 - Comer fruta no pé é mágico.
41 - Andar sem camisa na rua é bom demais da conta, sô.
42 - Meu sobrinho mais velho está cada vez mais gente boa.
43 - É muito bom jogar conversa fora com a minha irmã. A gente se esquece que está separado por mais de 15 mil km.
44 - Não conheço mais ninguém em Campinas.
45 - Não faz falta morar em Sampa.
46 - Faz falta a galera de Sampa.
47 - Somos agora uma turma cheia de crianças.
48 - 36 anos é adulto para cacete.
49 - A Harley do André é um tesão - principalmente se sou eu que estou pilotando.
50 - O azul do céu do Brasil é diferente.
51 - O Alex está branco que nem um palmito.
52 - Abrir a janela e ver uma floresta é revigorante.
53 - Revigorante é uma palavra bem esquisita para se escrever.
54 - O carderno de esportes da Folha continua uma merda.
55 - As coisas estão sempre se transformando. Quando você fica fora é que percebe.
56 - O Brasil é uma merda, mas é bom.
57 - Amendoim Mendorato é só bom.
57 - Wear sunscreen.
Wednesday, September 27, 2006
Eu voltei...agora pra ficar
Enrolei, enrolei mas chegou a hora de quebrar o gelo e voltar a escrever no meu confessionário virtual.
Sabe qual o problema de ficar um tempo sem escrever? É que as histórias vão se acumulando e você não sabe por onde começar - o que leva a mais tempo para decidir e mais histórias que se acumulam. Uma espécie de moto-perpétuo tipográfico.
Bom, agora que o gelo foi quebrado vou tentar cumprir minha meta de um post por dia - menos no fim de semana porque dá preguiça até de pensar, quanto mais escrever. E também por que agora tenho que competir com a minha filhota para poder usar o computador.
Ela virou fã do site da Vila Sésamo americana, que é cheio de joguinhos para crianças. Ela joga - e, melhor de tudo - entende todos.
Acho que os pequenos já vem com chip de fábrica.
Enrolei, enrolei mas chegou a hora de quebrar o gelo e voltar a escrever no meu confessionário virtual.
Sabe qual o problema de ficar um tempo sem escrever? É que as histórias vão se acumulando e você não sabe por onde começar - o que leva a mais tempo para decidir e mais histórias que se acumulam. Uma espécie de moto-perpétuo tipográfico.
Bom, agora que o gelo foi quebrado vou tentar cumprir minha meta de um post por dia - menos no fim de semana porque dá preguiça até de pensar, quanto mais escrever. E também por que agora tenho que competir com a minha filhota para poder usar o computador.
Ela virou fã do site da Vila Sésamo americana, que é cheio de joguinhos para crianças. Ela joga - e, melhor de tudo - entende todos.
Acho que os pequenos já vem com chip de fábrica.
Thursday, August 24, 2006
Pindorama
Foi fogo.
Passar 30 horas viajando nem para Amyr Klink falar que é bolinho.
Ainda mais quando tem uma menininha de 3 anos extremamente vocal, energética e mandona trancada dentro de uma extremamente apertada e claustrofóbica classe econômica.
Ninguém merece. Bom, ninguém merece ser pobre, mas é este o caso de quem viaja de classe econômica - os pobres da classe rica - porque pobre de verdade viaja em ônibus velho apinhado, trem lotado, lombo de jegue e a pé mesmo.
Classe econômica só foi criada para você desejar a classe executiva. É a típica concretizaçâo da máxima "os fins justificam os meios". Os fins - chegar ao seu destino - justificam os meios - o processo de desumanização do ser humano empreendido pelos engenheiros de avião, decoradores de interior de avião, cozinheiros e comissários de bordo, todos obviamente contratados dos campos de reeducação do Camboja e da China.
Você chega de viagem sem identidade, sem vontade e sem uma boa idéia de onde está. Uma voz gutural no fundo da sua cabeça apenas diz "pegue suas coisas e corra daqui". E eis você no seu fim.
E aqui estamos nós, sofrendo da diferença de fuso, do jet lag, do cansaço físico normal mas felizes.
Que bom é ver o verde natural em vez da monotonia do amarelo do deserto. Que bom é sentir frio que não é de ar-condicionado. Que bom é ficar fora de casa e não se sentir como um picolé de limão deixado no asfalto no sol de meio-dia. Que bom é poder comer amendoim japonês Mendorado sem ter que economizar.
É bom estar no Brasil. Mas estas são apenas uma das poucas razões.
As outras a gente está curtindo a cada novo momento.
Foi fogo.
Passar 30 horas viajando nem para Amyr Klink falar que é bolinho.
Ainda mais quando tem uma menininha de 3 anos extremamente vocal, energética e mandona trancada dentro de uma extremamente apertada e claustrofóbica classe econômica.
Ninguém merece. Bom, ninguém merece ser pobre, mas é este o caso de quem viaja de classe econômica - os pobres da classe rica - porque pobre de verdade viaja em ônibus velho apinhado, trem lotado, lombo de jegue e a pé mesmo.
Classe econômica só foi criada para você desejar a classe executiva. É a típica concretizaçâo da máxima "os fins justificam os meios". Os fins - chegar ao seu destino - justificam os meios - o processo de desumanização do ser humano empreendido pelos engenheiros de avião, decoradores de interior de avião, cozinheiros e comissários de bordo, todos obviamente contratados dos campos de reeducação do Camboja e da China.
Você chega de viagem sem identidade, sem vontade e sem uma boa idéia de onde está. Uma voz gutural no fundo da sua cabeça apenas diz "pegue suas coisas e corra daqui". E eis você no seu fim.
E aqui estamos nós, sofrendo da diferença de fuso, do jet lag, do cansaço físico normal mas felizes.
Que bom é ver o verde natural em vez da monotonia do amarelo do deserto. Que bom é sentir frio que não é de ar-condicionado. Que bom é ficar fora de casa e não se sentir como um picolé de limão deixado no asfalto no sol de meio-dia. Que bom é poder comer amendoim japonês Mendorado sem ter que economizar.
É bom estar no Brasil. Mas estas são apenas uma das poucas razões.
As outras a gente está curtindo a cada novo momento.
Thursday, August 17, 2006
À Terra do Pau-Brasil.
Dia 22 de madrugada embarcamos para a Pindorama.
Vão ser 20 dias para matar a saudade de muita gente e muita coisa. 20 dias que eu sei que não vão ser o bastante.
Mas se eu tivesse que escolher uma coisa só para fazer ia ser andar na rua a pé, sem terminar a caminhada parecendo o personagem principal do filme de terror B dos anos 70 "O Incrível Homem que Derreteu".
E, claro, fazendo essa caminhada com um saquinho de amendoim Mendorado numa mão e uma cerveja gelada na outra.
Todos estão convidados.
Dia 22 de madrugada embarcamos para a Pindorama.
Vão ser 20 dias para matar a saudade de muita gente e muita coisa. 20 dias que eu sei que não vão ser o bastante.
Mas se eu tivesse que escolher uma coisa só para fazer ia ser andar na rua a pé, sem terminar a caminhada parecendo o personagem principal do filme de terror B dos anos 70 "O Incrível Homem que Derreteu".
E, claro, fazendo essa caminhada com um saquinho de amendoim Mendorado numa mão e uma cerveja gelada na outra.
Todos estão convidados.
Tuesday, August 15, 2006
Constatação.
Eu já falei mais de uma vez como a gente se acostuma com tudo, mesmo com as coisas mais extraordinárias.
Para mim hoje ficou comum dirigir 30 km, do condomínio onde moramos no meio do deserto para os prédios gigantescos com o formato de nave espacial onde fica o meu trabalho.
Ficou comum cruzar com os caminhões-tanque multicoloridos que parecem palácios indianos. Ficou comum ver os indianos e paquistaneses bigodudos e torradinhos. Ficou comum ver no mesmo dia árabes de dish-dasha (aquela roupa de milionário árabe do petróleo), mulheres de abbaya (aquele manto preto) com o rosto coberto e às vezes o rosto também, sikhs de turbante, indianas de sári, filipinos, ingleses, japas, sérvios, egípcios, sírios, libaneses, africanos dos mais diversos, canadenses, australianos e, de vez em quando, um brasileiro.
Ficou comum pensar que a gente divide a casa com uma mulher do Sri Lanka.
Ficou comum pensar que uma boa parte das pessoas com quem eu tenho contato - libaneses - estavam vivendo e se preocupando com uma guerra que afetava e continua afetando a família e os amigos.
Ficou comum pensar que não vou comer feijoada no sábado. E que não vou encontrar amendoim japonês Mendorado no supermercado.
Ficou comum ler, falar e ouvir inglês nas suas mais variadas formas. E entender todos os sotaques. Bom, a maioria pelo menos.
Ficou comum olhar para todos os lados e ver prédios gigantes aparecendo numa velocidade espantosa.
Ficou comum ver o Burj Al Arab no horizonte.
Ficou comum pensar que hoje vai fazer sol, amanhã e depois de amanhã também.
Ficou comum olhar para o termômetro no carro da Di e ver que a temperatura está nos 42 graus.
Ficou comum ir a shopping centers para fugir do calor.
E, mais importante do que tudo, não ficou comum chegar no domingo, ligar a televisão e saber que, por mais que você tente, não vai ter Faustão em nenhum canal.
Este é um prazer fantástico que sempre se renova em Dubai.
Recomendo.
Eu já falei mais de uma vez como a gente se acostuma com tudo, mesmo com as coisas mais extraordinárias.
Para mim hoje ficou comum dirigir 30 km, do condomínio onde moramos no meio do deserto para os prédios gigantescos com o formato de nave espacial onde fica o meu trabalho.
Ficou comum cruzar com os caminhões-tanque multicoloridos que parecem palácios indianos. Ficou comum ver os indianos e paquistaneses bigodudos e torradinhos. Ficou comum ver no mesmo dia árabes de dish-dasha (aquela roupa de milionário árabe do petróleo), mulheres de abbaya (aquele manto preto) com o rosto coberto e às vezes o rosto também, sikhs de turbante, indianas de sári, filipinos, ingleses, japas, sérvios, egípcios, sírios, libaneses, africanos dos mais diversos, canadenses, australianos e, de vez em quando, um brasileiro.
Ficou comum pensar que a gente divide a casa com uma mulher do Sri Lanka.
Ficou comum pensar que uma boa parte das pessoas com quem eu tenho contato - libaneses - estavam vivendo e se preocupando com uma guerra que afetava e continua afetando a família e os amigos.
Ficou comum pensar que não vou comer feijoada no sábado. E que não vou encontrar amendoim japonês Mendorado no supermercado.
Ficou comum ler, falar e ouvir inglês nas suas mais variadas formas. E entender todos os sotaques. Bom, a maioria pelo menos.
Ficou comum olhar para todos os lados e ver prédios gigantes aparecendo numa velocidade espantosa.
Ficou comum ver o Burj Al Arab no horizonte.
Ficou comum pensar que hoje vai fazer sol, amanhã e depois de amanhã também.
Ficou comum olhar para o termômetro no carro da Di e ver que a temperatura está nos 42 graus.
Ficou comum ir a shopping centers para fugir do calor.
E, mais importante do que tudo, não ficou comum chegar no domingo, ligar a televisão e saber que, por mais que você tente, não vai ter Faustão em nenhum canal.
Este é um prazer fantástico que sempre se renova em Dubai.
Recomendo.
Wednesday, August 02, 2006
Reflexões sobre a vida.
A Dri chegou mais tarde anteontem.
Aí eu subi para o nosso quarto com a Carolina para a gente brincar.
Uma hora ela pára toda séria olha para mim como se todo o peso do mundo estivesse sobre seus ombros e diz:
"A Calol tem peleleca."
E continua...
"A Mamãe tem peleleca."
"A vovó tem peleleca."
E, como uma filósofa chegando a uma conclusão sobre a essência da humanidade, arremata:
"O papai tem pinto."
A Dri chegou mais tarde anteontem.
Aí eu subi para o nosso quarto com a Carolina para a gente brincar.
Uma hora ela pára toda séria olha para mim como se todo o peso do mundo estivesse sobre seus ombros e diz:
"A Calol tem peleleca."
E continua...
"A Mamãe tem peleleca."
"A vovó tem peleleca."
E, como uma filósofa chegando a uma conclusão sobre a essência da humanidade, arremata:
"O papai tem pinto."
Friday, July 28, 2006
Runaway Baby
Como um serzinho cheio de vontade e opiniões deve ser, a Carolina detesta ser contrariada.
Em geral nas manhãs de sexta - o meu equivalente de sábado para os nativos da Pindorama e do resto do mundo dos cruzados - ela vêm me aporrinhar a partir das 7 da manhã.
Quando chamada a atenção para alguma atitude malina ela vira brava e fala com os braços cruzados:
"Eu não quelo mais você!"
E sai correndo na direção oposta ao progenitor.
Eu retruco:
"Ah, é? Não quer?"
E ela, sem pestanejar:
"Quelo sim!!!"
E vem correndo para o colo.
Tudo isso em uma questão de 5 segundos.
Ser pai não é a melhor coisa do mundo?
Como um serzinho cheio de vontade e opiniões deve ser, a Carolina detesta ser contrariada.
Em geral nas manhãs de sexta - o meu equivalente de sábado para os nativos da Pindorama e do resto do mundo dos cruzados - ela vêm me aporrinhar a partir das 7 da manhã.
Quando chamada a atenção para alguma atitude malina ela vira brava e fala com os braços cruzados:
"Eu não quelo mais você!"
E sai correndo na direção oposta ao progenitor.
Eu retruco:
"Ah, é? Não quer?"
E ela, sem pestanejar:
"Quelo sim!!!"
E vem correndo para o colo.
Tudo isso em uma questão de 5 segundos.
Ser pai não é a melhor coisa do mundo?
Crime em Dubai.
Há mais ou menos duas semanas a mulher de um amigo meu testemunhou o lado menos glamouroso de Dubai.
Eles têm um Polo conversível antigo e que está com a fechadura quebrada.
O problema é que ela teve que parar na rua para fazer uma coisa e deixou o carro destrancado por alguns minutos com bolsas cheias de roupas de marcas caríssimas.
Quando ela voltou o carro tinha sido aberto por alguém.
E tinham levado o tíquete do estacionamento.
Há mais ou menos duas semanas a mulher de um amigo meu testemunhou o lado menos glamouroso de Dubai.
Eles têm um Polo conversível antigo e que está com a fechadura quebrada.
O problema é que ela teve que parar na rua para fazer uma coisa e deixou o carro destrancado por alguns minutos com bolsas cheias de roupas de marcas caríssimas.
Quando ela voltou o carro tinha sido aberto por alguém.
E tinham levado o tíquete do estacionamento.
Ontem fomos assistir Superman.
O filme começa onde os segundo capítulo da série, com o Christopher Reeve, parou.
Superman 3 e 4 são ignorados.
Me senti menino de novo. Quando a música de John Williams começa a tocar - a mesma dos filmes originais - é como estar em uma sala de cinema no Rio nos idos de 78, com a diferença que invés de lição de casa, hoje você tem contas a pagar. E porque também tem uma criaturinha de quase 3 anos assistindo com você, dando os primeiros passos na sua paixão pela telona.
As pontas se conectam.
O filme é gostoso de assistir. A história não é tudo isso, mas você sai do cinema com a sensação que o homem pode voar sem ter que passar por check in.
O filme começa onde os segundo capítulo da série, com o Christopher Reeve, parou.
Superman 3 e 4 são ignorados.
Me senti menino de novo. Quando a música de John Williams começa a tocar - a mesma dos filmes originais - é como estar em uma sala de cinema no Rio nos idos de 78, com a diferença que invés de lição de casa, hoje você tem contas a pagar. E porque também tem uma criaturinha de quase 3 anos assistindo com você, dando os primeiros passos na sua paixão pela telona.
As pontas se conectam.
O filme é gostoso de assistir. A história não é tudo isso, mas você sai do cinema com a sensação que o homem pode voar sem ter que passar por check in.
Wednesday, July 19, 2006
A guerra que a gente vê pela TV é sempre idealizada.
São aviões saindo de porta-aviões, soldados e tanques de guerra indo para um lado e para o outro. Alguns tiros sendo dados, edifícios em ruínas e uns carros em chamas. Aí o apresentador fala quantas foram as vítimas e, de vez em quando, mostram uma mãe chorando.
Mas na guerra morre gente. E morre de maneiras horríveis, não daquele jeito inodoro de filme americano dos anos 50, em que o soldado põe a mão no peito e pronto - às vezes com direito a últimas palavras.
Na guerra de verdade as pessoas morrem queimadas, despedaçadas, sujas, sangrentas.
Mas o pior são as crianças.
Hoje eu recebi um link de um website com imagens extremamente fortes do que está acontecendo no Líbano. Prédios destruídos e gente morta, muita gente morta e ferida. Principalmente crianças.
É um site muito parcial e emocionalmente carregado, de revolta mesmo, mas que mostra uma cara do conflito que as grandes redes não mostram. Um conflito em que uma população de um país indefeso sofre de uma maneira desumana.
Ou será humana demais?
Para mim é algo muito mais real do que assistir isso no jornal nacional. As pessoas que trabalham comigo, meus amigos, têm família e amigos lá. Passam o dia acompanhando as notícias e com as caras carregadas e os ombros pesados.
A guerra para mim é de verdade.
Se você tem estômago - posso te dizer que não é fácil, quase me levou às lágrimas - e não tiverem bloqueado o site, olhe.
http://www.fromisraeltolebanon.org/
Tem uma petição para assinar também:
http://epetition.net/julywar/index.php
Agora só quero correr para casa e abraçar muito minha filha.
São aviões saindo de porta-aviões, soldados e tanques de guerra indo para um lado e para o outro. Alguns tiros sendo dados, edifícios em ruínas e uns carros em chamas. Aí o apresentador fala quantas foram as vítimas e, de vez em quando, mostram uma mãe chorando.
Mas na guerra morre gente. E morre de maneiras horríveis, não daquele jeito inodoro de filme americano dos anos 50, em que o soldado põe a mão no peito e pronto - às vezes com direito a últimas palavras.
Na guerra de verdade as pessoas morrem queimadas, despedaçadas, sujas, sangrentas.
Mas o pior são as crianças.
Hoje eu recebi um link de um website com imagens extremamente fortes do que está acontecendo no Líbano. Prédios destruídos e gente morta, muita gente morta e ferida. Principalmente crianças.
É um site muito parcial e emocionalmente carregado, de revolta mesmo, mas que mostra uma cara do conflito que as grandes redes não mostram. Um conflito em que uma população de um país indefeso sofre de uma maneira desumana.
Ou será humana demais?
Para mim é algo muito mais real do que assistir isso no jornal nacional. As pessoas que trabalham comigo, meus amigos, têm família e amigos lá. Passam o dia acompanhando as notícias e com as caras carregadas e os ombros pesados.
A guerra para mim é de verdade.
Se você tem estômago - posso te dizer que não é fácil, quase me levou às lágrimas - e não tiverem bloqueado o site, olhe.
http://www.fromisraeltolebanon.org/
Tem uma petição para assinar também:
http://epetition.net/julywar/index.php
Agora só quero correr para casa e abraçar muito minha filha.
Thursday, July 13, 2006
Carta do Meu Pai
Há 36 anos, v. era ainda uma grande expectativa. Aí, à 1:30 da madrugada gelada de uma segunda-feira, 13/7/70: - É um menino!!!. Uma luz apareceu neste pequenino planeta da Via Láctea para aquecer minha vida fria, para iluminar minha vida cinzenta. E nunca mais fui o mesmo. Envelheci, melhorei, aprendi a amar muito melhor a mim mesmo, às pessoas e à vida. Todos os dias de minha vida agradecerei ao infinito, à natureza, ao mistério que nos arrepia, pelo meu filho que me ensinou a ser pai, me fez gente, que na verdade me gerou. Cuidou de minha feridas e me mostrou um mundo novinho em folha.
"Um menino nasceu. O mundo torna a começar" - Guimarães Rosa, em Grande Sertão - Veredas.
Eu te amo, Guilherme. Feliz aniversário!
Pai
Há 36 anos, v. era ainda uma grande expectativa. Aí, à 1:30 da madrugada gelada de uma segunda-feira, 13/7/70: - É um menino!!!. Uma luz apareceu neste pequenino planeta da Via Láctea para aquecer minha vida fria, para iluminar minha vida cinzenta. E nunca mais fui o mesmo. Envelheci, melhorei, aprendi a amar muito melhor a mim mesmo, às pessoas e à vida. Todos os dias de minha vida agradecerei ao infinito, à natureza, ao mistério que nos arrepia, pelo meu filho que me ensinou a ser pai, me fez gente, que na verdade me gerou. Cuidou de minha feridas e me mostrou um mundo novinho em folha.
"Um menino nasceu. O mundo torna a começar" - Guimarães Rosa, em Grande Sertão - Veredas.
Eu te amo, Guilherme. Feliz aniversário!
Pai
Wednesday, July 12, 2006
Fuga das Estrelas.
Lembro que quando era moleque lá no Rio um dos meus maiores orgulhos era que eu ia e voltava do colégio sozinho.
Era um outro Rio de Janeiro, mas ainda assim era uma aventura.
Tinha 8 aninhos e lá ia eu pegar o ônibus que me deixava pertinho da escola. O cobrador queria me deixar passar sem pagar mas eu, orgulhoso de me sentir gente grande, fazia questão de pagar como todo mundo.
Minha irmã ia com uma mulher que dirigia uma caravan.
Eu voltava a pé, o que demorava um pouco - uma meia hora mais ou menos.
O problema acontecia nas quintas-feiras.
Quinta era o dia de Fuga das Estrelas. Era um seriado obscuro baseado num filme meia-boca do começo dos anos 70.
O herói era um tal de Logan. Ele era um policial numa cidade futurista que era construída dentro de um domo.
Deixa eu explicar...tudo aconteceu depois de uma guerra atômica. Os sobreviventes construiram a cidade para se abrigar do mundo desolado e radioativo que ficou lá fora.
O problema é que o espaço e os recursos para manter a cidade eram escassos. E como os governantes resolveram este problema?
A solução foi limitar a duração da vida de todos os habitantes a 30 anos.
Todo mundo tinha um cristalzinho na mão que indicava a idade - quando ele mudava de cor, tchau e benção.
Mais ou menos como o Peru da Sadia.
Aí todos iam alegremente para um auditório gigantesco onde eram todos reprocessados (desintegrados), com o resto da população curtindo alegremente o show.
Mas obviamente tinha um movimento de resistência que não acreditava nisto tudo e queria fugir do lugar.
Como uma das tarefas dos policiais era de garantir que todos fossem reprocessados no seu devido tempo.
Aí você já viu...policial persegue uma integrante da resistência gatinha, se apaixona e os dois fogem da cidade - e são perseguidos pelos outros policiais malvadões.
Tudo que eu gostava no mesmo pacote: ficção científica pós-apocalíptica, robôs, ruínas e uma mocinha gatinha.
Eu saía da escola às 5 e o seriado começava 5 e meia - eu tinha que andar rápido senão perdia o começo. E eu andava.
Amanhã o meu prazo de validade para "Fuga das Estrelas" vai estar expirado há 6 anos.
E eu me lembrei disso porque estar em Dubai é como fazer parte do seriado.
Não há velhos em Dubai. Eles não estão nas ruas, nos shoppings...
Será que quando todos chegamos numa certa idade somos reprocessandos em transformados em comida de camelo ou areia?
Eu fiquei quebrando a cabeça para entender esta equação. Como não vi ninguém sendo reprocessado e a quantidade de areia não tem aumentado (é impossível ter mais) deve ter uma explicação razoável.
Bom, como todos os meus leitores assíduos sabem - e todo mundo que me encontrou teve que ouvir umas 5 vezes pelo menos quando eu estive no Brasil - só 20% da população de Dubai é local.
Agora imagina que só 10% deles é da melhor idade. Num lugar onde só tem pouco mais de um milhão de pessoas estamos falando de uns 20 mil velhinhos, muito pouco.
O resto da população é composta de expatriados. Muitos indianos, todos jovens e dispostos a tudo para fazer um dinheirinho e mandar para casa. A maioria trabalhando em construção civil sob temperaturas de até 50 graus.
Solteiros de todas as nacionalidades trabalhando em companhias locais, internacionais, restaurantes, hotéis...
E como é quase impossível conseguir cidadania as pessoas não têm ligação emocional com Dubai, elas vêm e vão com muita facilidade - não dá tempo para envelhecer aqui.
Por isso os jovens estão por todos os lados.
E os velhos não estão em lugar nenhum.
Mas pode ser que eu esteja errado.
Se eu estiver, meu prazo de validade passou há 6 anos...
De qualquer maneira, vou ficar esperto.
Lembro que quando era moleque lá no Rio um dos meus maiores orgulhos era que eu ia e voltava do colégio sozinho.
Era um outro Rio de Janeiro, mas ainda assim era uma aventura.
Tinha 8 aninhos e lá ia eu pegar o ônibus que me deixava pertinho da escola. O cobrador queria me deixar passar sem pagar mas eu, orgulhoso de me sentir gente grande, fazia questão de pagar como todo mundo.
Minha irmã ia com uma mulher que dirigia uma caravan.
Eu voltava a pé, o que demorava um pouco - uma meia hora mais ou menos.
O problema acontecia nas quintas-feiras.
Quinta era o dia de Fuga das Estrelas. Era um seriado obscuro baseado num filme meia-boca do começo dos anos 70.
O herói era um tal de Logan. Ele era um policial numa cidade futurista que era construída dentro de um domo.
Deixa eu explicar...tudo aconteceu depois de uma guerra atômica. Os sobreviventes construiram a cidade para se abrigar do mundo desolado e radioativo que ficou lá fora.
O problema é que o espaço e os recursos para manter a cidade eram escassos. E como os governantes resolveram este problema?
A solução foi limitar a duração da vida de todos os habitantes a 30 anos.
Todo mundo tinha um cristalzinho na mão que indicava a idade - quando ele mudava de cor, tchau e benção.
Mais ou menos como o Peru da Sadia.
Aí todos iam alegremente para um auditório gigantesco onde eram todos reprocessados (desintegrados), com o resto da população curtindo alegremente o show.
Mas obviamente tinha um movimento de resistência que não acreditava nisto tudo e queria fugir do lugar.
Como uma das tarefas dos policiais era de garantir que todos fossem reprocessados no seu devido tempo.
Aí você já viu...policial persegue uma integrante da resistência gatinha, se apaixona e os dois fogem da cidade - e são perseguidos pelos outros policiais malvadões.
Tudo que eu gostava no mesmo pacote: ficção científica pós-apocalíptica, robôs, ruínas e uma mocinha gatinha.
Eu saía da escola às 5 e o seriado começava 5 e meia - eu tinha que andar rápido senão perdia o começo. E eu andava.
Amanhã o meu prazo de validade para "Fuga das Estrelas" vai estar expirado há 6 anos.
E eu me lembrei disso porque estar em Dubai é como fazer parte do seriado.
Não há velhos em Dubai. Eles não estão nas ruas, nos shoppings...
Será que quando todos chegamos numa certa idade somos reprocessandos em transformados em comida de camelo ou areia?
Eu fiquei quebrando a cabeça para entender esta equação. Como não vi ninguém sendo reprocessado e a quantidade de areia não tem aumentado (é impossível ter mais) deve ter uma explicação razoável.
Bom, como todos os meus leitores assíduos sabem - e todo mundo que me encontrou teve que ouvir umas 5 vezes pelo menos quando eu estive no Brasil - só 20% da população de Dubai é local.
Agora imagina que só 10% deles é da melhor idade. Num lugar onde só tem pouco mais de um milhão de pessoas estamos falando de uns 20 mil velhinhos, muito pouco.
O resto da população é composta de expatriados. Muitos indianos, todos jovens e dispostos a tudo para fazer um dinheirinho e mandar para casa. A maioria trabalhando em construção civil sob temperaturas de até 50 graus.
Solteiros de todas as nacionalidades trabalhando em companhias locais, internacionais, restaurantes, hotéis...
E como é quase impossível conseguir cidadania as pessoas não têm ligação emocional com Dubai, elas vêm e vão com muita facilidade - não dá tempo para envelhecer aqui.
Por isso os jovens estão por todos os lados.
E os velhos não estão em lugar nenhum.
Mas pode ser que eu esteja errado.
Se eu estiver, meu prazo de validade passou há 6 anos...
De qualquer maneira, vou ficar esperto.
Monday, July 10, 2006
Faz calor em Dubai.
Aliás, faz muito calor.
A temperatura passa facilmente dos 40 graus quase todo dia. É tranquilo quando está seco, mas quando está úmido fica algo próximo de um pesadelo. Você anda 50 metros e já está melado, com cara de quem pegou aquele ônibus lotado em dia de chuva e ficou em pé com mais 75 pessoas - e ainda se considera sortudo por ter pegado o ônibus.
O inferno não é quente. É quente e úmido.
Uma coisa boa de estar morando em Tatooine - o planeta desértico de Guerra nas Estrelas e também como eu apelidei o nosso condomínio no meio do deserto - é que, por ser longe do mar, o lugar é mais seco.
Aproveitando este aspecto interessante da climatologia local a minha querida Íris (mãe da Dri), quando estava conosco, teve um insight (é como os publicitários chamam uma idéia - a única diferença é que eles ganham dinheiro para ter insights e usam roupinhas fashion). Ao invés de colocar o pão congelado para assar no forno ela deixava lá fora por meia hora.
Acreditem, funcionou e continua funcionando - só não pode deixar muito porque senão o pão torra.
Não é surpreendente imaginar que existia civilização aqui antes do ar-condicionado?
Aliás, faz muito calor.
A temperatura passa facilmente dos 40 graus quase todo dia. É tranquilo quando está seco, mas quando está úmido fica algo próximo de um pesadelo. Você anda 50 metros e já está melado, com cara de quem pegou aquele ônibus lotado em dia de chuva e ficou em pé com mais 75 pessoas - e ainda se considera sortudo por ter pegado o ônibus.
O inferno não é quente. É quente e úmido.
Uma coisa boa de estar morando em Tatooine - o planeta desértico de Guerra nas Estrelas e também como eu apelidei o nosso condomínio no meio do deserto - é que, por ser longe do mar, o lugar é mais seco.
Aproveitando este aspecto interessante da climatologia local a minha querida Íris (mãe da Dri), quando estava conosco, teve um insight (é como os publicitários chamam uma idéia - a única diferença é que eles ganham dinheiro para ter insights e usam roupinhas fashion). Ao invés de colocar o pão congelado para assar no forno ela deixava lá fora por meia hora.
Acreditem, funcionou e continua funcionando - só não pode deixar muito porque senão o pão torra.
Não é surpreendente imaginar que existia civilização aqui antes do ar-condicionado?
Tuesday, July 04, 2006
Monday, June 19, 2006
Thursday, June 15, 2006
Peladeiro.
O churrasco estava bom.
Cerveja gelada e picanha à vontade como deve ser.
Aí chegou a hora da pelada.
Ele estava fora de forma, todo mundo comentava da sua barriga, mas não tem problema.
É só ficar na banheira esperando a bola que uma hora pinta uma chance de gol. E ainda dá para deixar um copinho de cerveja do lado da trave do gol adversário.
Como a bola não estava chegando ele esboça um pique.
Pronto, já fiz minha parte.
Depois de um tempo pedem para ele sair para outro amigo entrar.
Saindo do campo, cansado e com vontade de tomar mais cerveja, ele ainda tem que ouvir os amigos provocando:
"Porra, Ronaldo, você está uma merda mesmo!"
Será que sobrou picanha?
O churrasco estava bom.
Cerveja gelada e picanha à vontade como deve ser.
Aí chegou a hora da pelada.
Ele estava fora de forma, todo mundo comentava da sua barriga, mas não tem problema.
É só ficar na banheira esperando a bola que uma hora pinta uma chance de gol. E ainda dá para deixar um copinho de cerveja do lado da trave do gol adversário.
Como a bola não estava chegando ele esboça um pique.
Pronto, já fiz minha parte.
Depois de um tempo pedem para ele sair para outro amigo entrar.
Saindo do campo, cansado e com vontade de tomar mais cerveja, ele ainda tem que ouvir os amigos provocando:
"Porra, Ronaldo, você está uma merda mesmo!"
Será que sobrou picanha?
Wednesday, June 14, 2006
Bola é o que rola.
Para quem não sabe a Copa do Mundo está acontecendo.
Pode ser óbvio para os habitantes da Pindorama, mas lembrem-se de que estou no Oriente Médio.
Bom, se fosse um país normal do Oriente Médio também não teria problema, mas aqui são os Emirados Árabes Unidos.
Aqui a maior parte da população - 60% - gosta de de críquete.
Para quem não sabe críquete é aquele jogo que parece o Bets quando crescer - tem até casinha!
Pois é, críquete é o jogo favorito dos indianos, que estão para todos os lados aqui.
O resto é vidrado em futebol, como todo o resto do mundo.
O problema é que aqui não tem futebol em TV aberta. Para assistir a Copa em casa você tem que pagar - e muito!
Sai uns 400 reais para ver a Copa inteira - o que tira o zé povinho da equação.
Quem não tem dinheiro ou não quer pagar ou prefere calor humano, para adicionar ao calor insuportável que faz aqui atualmente, existem os bares e pubs que estão transmitindo todas as partidas.
Lá você encontra uma platéia multinacional muito animada.
Animada pelo clima de Copa do Mundo e pelo álcool que é fartamente consumido pelos torcedores. Tudo bem que uma caneca da loira não-tão-gelada aqui custa mais de 15 reais, mas a galera não quer nem saber, é só alegria.
Como tem gente de todos os cantos do mundo - e uma parte deles sem representantes na Copa - você acaba encontrando alguém que é Tunísia desde pequenininho, Ganense Roxo e Ucraniano doente.
E a maioria adora o Brasil. Ama o Brasil.
Um pouco porque a gente é meio o vira-lata que deu certo, outro pouco porque jogamos um futebol bonito para cacete e mais um pouquinho porque a gente escreve 100% Jardim Irene na camiseta quando vence a Copa.
E eu sou o brasileiro do pedaço.
Logo eu que gosto mesmo é de jogar basquete.
Eu que tenho uma habilidade única e incomparável que me faz ser um artilheiro respeitável nas peladas: tenho tanta consciência da minha falta de habilidade que chuto direto para o gol - coisa que ninguém espera nesta terra de aspirantes a Garrincha e Ronaldinho, inclusive - e principalmente - os goleiros. Por isso pego todos desprevenidos.
Tem poucos brasileiros aqui nos Emirados - e só um trabalhando em propaganda - este seu humilde interlocutor.
Todo mundo vem a mim para falar de futebol.
Um carinha libanês criado aqui, que sabe tudo de futebol europeu, sempre me visita para fazer comentários sobre este e aquele jogador. E eu nunca ouvi falar em 70% deles.
"Eu não acredito que ele convocou o Frommage ao invés do Bambeau Lé..."
Eu faço cara de choque e faço um comentário assim:
"Eu também não entendi essa convocação. Ela pode ser muito arriscada."
Claro que não entendi. Não faço a mínima idéia de quem sejam esses caras.
Mas falo com uma cara séria e com um tom de voz grave. Aí ele olha para mim com aquela cara "puxa, que bom que tem alguém aqui que entende realmente de futebol para eu poder conversar" e continua falando daquele exército de desconhecidos.
A ansiedade entre os fãs de futebol nos Emirados estava altíssima nos dias que antecederam a Copa. Não se falava de outra coisa.
E eu, como O Brasileiro de plantão, era a vítima preferencial. A cada 5 minutos alguém aparecia para me perguntar do Brasil, para falar do da do jogo, para perguntar onde eu ia assistir, para falar do time e como amam o Brasil, para falar que eles eram favoritos...blá, blá, blá.
Aí começou a Copa de verdade.
É estranho estar longe do Brasil nesta hora. O clima lá muda. As pessoas são tomadas de uma esperança e expectativa extremamente positiva. É como se o país inteiro parasse de sofrer com a luta diária, como se o peso que cada um carrega nos ombros ficasse muito mais leve. A Copa mexe com a brazucada. Faz falta isso.
Mas aqui o pessoal curte muito tudo. Combinam de assistir no bar Tunísia contra Arábia Saudita só pelo prazer de assistir futebol com os amigos.
E como o dia do jogo do Brasil ia chegando, todos queriam saber onde os brasileiros iam aparecer.
Todo mundo sabia de um lugar diferente onde todos os brasileiros iam assistir o jogo.
De cabeça me lembro de pelo menos 4 lugares diferentes.
Não há brasileiro que chegue para tanto lugar. Devem ter fantasiados uns indianos de baiana para enganar a galera.
No final decidimos ir para o Pachanga - um bar latino no Hilton de Jumeirah, que tem um gerente brasileiro.
O jogo em si é assunto para outro post.
Para quem não sabe a Copa do Mundo está acontecendo.
Pode ser óbvio para os habitantes da Pindorama, mas lembrem-se de que estou no Oriente Médio.
Bom, se fosse um país normal do Oriente Médio também não teria problema, mas aqui são os Emirados Árabes Unidos.
Aqui a maior parte da população - 60% - gosta de de críquete.
Para quem não sabe críquete é aquele jogo que parece o Bets quando crescer - tem até casinha!
Pois é, críquete é o jogo favorito dos indianos, que estão para todos os lados aqui.
O resto é vidrado em futebol, como todo o resto do mundo.
O problema é que aqui não tem futebol em TV aberta. Para assistir a Copa em casa você tem que pagar - e muito!
Sai uns 400 reais para ver a Copa inteira - o que tira o zé povinho da equação.
Quem não tem dinheiro ou não quer pagar ou prefere calor humano, para adicionar ao calor insuportável que faz aqui atualmente, existem os bares e pubs que estão transmitindo todas as partidas.
Lá você encontra uma platéia multinacional muito animada.
Animada pelo clima de Copa do Mundo e pelo álcool que é fartamente consumido pelos torcedores. Tudo bem que uma caneca da loira não-tão-gelada aqui custa mais de 15 reais, mas a galera não quer nem saber, é só alegria.
Como tem gente de todos os cantos do mundo - e uma parte deles sem representantes na Copa - você acaba encontrando alguém que é Tunísia desde pequenininho, Ganense Roxo e Ucraniano doente.
E a maioria adora o Brasil. Ama o Brasil.
Um pouco porque a gente é meio o vira-lata que deu certo, outro pouco porque jogamos um futebol bonito para cacete e mais um pouquinho porque a gente escreve 100% Jardim Irene na camiseta quando vence a Copa.
E eu sou o brasileiro do pedaço.
Logo eu que gosto mesmo é de jogar basquete.
Eu que tenho uma habilidade única e incomparável que me faz ser um artilheiro respeitável nas peladas: tenho tanta consciência da minha falta de habilidade que chuto direto para o gol - coisa que ninguém espera nesta terra de aspirantes a Garrincha e Ronaldinho, inclusive - e principalmente - os goleiros. Por isso pego todos desprevenidos.
Tem poucos brasileiros aqui nos Emirados - e só um trabalhando em propaganda - este seu humilde interlocutor.
Todo mundo vem a mim para falar de futebol.
Um carinha libanês criado aqui, que sabe tudo de futebol europeu, sempre me visita para fazer comentários sobre este e aquele jogador. E eu nunca ouvi falar em 70% deles.
"Eu não acredito que ele convocou o Frommage ao invés do Bambeau Lé..."
Eu faço cara de choque e faço um comentário assim:
"Eu também não entendi essa convocação. Ela pode ser muito arriscada."
Claro que não entendi. Não faço a mínima idéia de quem sejam esses caras.
Mas falo com uma cara séria e com um tom de voz grave. Aí ele olha para mim com aquela cara "puxa, que bom que tem alguém aqui que entende realmente de futebol para eu poder conversar" e continua falando daquele exército de desconhecidos.
A ansiedade entre os fãs de futebol nos Emirados estava altíssima nos dias que antecederam a Copa. Não se falava de outra coisa.
E eu, como O Brasileiro de plantão, era a vítima preferencial. A cada 5 minutos alguém aparecia para me perguntar do Brasil, para falar do da do jogo, para perguntar onde eu ia assistir, para falar do time e como amam o Brasil, para falar que eles eram favoritos...blá, blá, blá.
Aí começou a Copa de verdade.
É estranho estar longe do Brasil nesta hora. O clima lá muda. As pessoas são tomadas de uma esperança e expectativa extremamente positiva. É como se o país inteiro parasse de sofrer com a luta diária, como se o peso que cada um carrega nos ombros ficasse muito mais leve. A Copa mexe com a brazucada. Faz falta isso.
Mas aqui o pessoal curte muito tudo. Combinam de assistir no bar Tunísia contra Arábia Saudita só pelo prazer de assistir futebol com os amigos.
E como o dia do jogo do Brasil ia chegando, todos queriam saber onde os brasileiros iam aparecer.
Todo mundo sabia de um lugar diferente onde todos os brasileiros iam assistir o jogo.
De cabeça me lembro de pelo menos 4 lugares diferentes.
Não há brasileiro que chegue para tanto lugar. Devem ter fantasiados uns indianos de baiana para enganar a galera.
No final decidimos ir para o Pachanga - um bar latino no Hilton de Jumeirah, que tem um gerente brasileiro.
O jogo em si é assunto para outro post.
Friday, June 09, 2006
The day after.
Ainda me recuperando da mudança.
A semana foi bem tranquila, o que ajudou. Tenho uns 20 posts para escrever e vou ver se me concentro neste fim de semana para terminá-los.
Hoje acordei às 6 da matina para levar a Dri para o aeroporto. Ela está indo para o Cairo para o Congresso Internacional da Mulher - tudo pago pela Microsoft.
E eu aqui tenho que montar uns armários, o sofá balanço do jardim e mais uma cama novo.
Isso sim é que é glamour.
Ainda me recuperando da mudança.
A semana foi bem tranquila, o que ajudou. Tenho uns 20 posts para escrever e vou ver se me concentro neste fim de semana para terminá-los.
Hoje acordei às 6 da matina para levar a Dri para o aeroporto. Ela está indo para o Cairo para o Congresso Internacional da Mulher - tudo pago pela Microsoft.
E eu aqui tenho que montar uns armários, o sofá balanço do jardim e mais uma cama novo.
Isso sim é que é glamour.
Tuesday, June 06, 2006
"Você conseguiu falar com o pessoal da mudança?"
"Eles ficaram de me ligar."
"Mas a gente tem que mudar amanhã. Vai ficar muito em cima da hora."
"Ah, a gente não tem mobília. É só carregar nossas coisas nos carros. Vai ser rapidinho."
"Acho que você tem razão. E a gente ainda economiza a grana da companhia de mudança."
"Isso mesmo."
"Boa!"
17 horas de mudança e 8 viagens depois...
"Eles ficaram de me ligar."
"Mas a gente tem que mudar amanhã. Vai ficar muito em cima da hora."
"Ah, a gente não tem mobília. É só carregar nossas coisas nos carros. Vai ser rapidinho."
"Acho que você tem razão. E a gente ainda economiza a grana da companhia de mudança."
"Isso mesmo."
"Boa!"
17 horas de mudança e 8 viagens depois...
Tuesday, May 30, 2006
Mudança, de novo.
Estamos saindo da nossa casa nos Springs. Tudo por causa do aumento insano dos aluguéis aqui em Dubai.
A nossa casa saía por 65 mil dirhams por ano há cerca de um ano. Hoje estão pedindo mais de 100 mil.
Está todo mundo ficando desesperado com isso.
E como o nosso canto é mobiliado - eu não estava com cabeça ou paciência para comprar coisas quando cheguei aqui sozinho - pagamos um extra.
Por lei os aluguéis não podem aumentar mais do que 15%, mas os proprietários usam as mesmas desculpas que a gente vê no Brasil para desalojar seus inquilinos e alugar por um preço muito mais alto: alguém da família vai casar e morar lá, eles querem morar na casa, blá, blá, blá.
O fato é que eu não queria pagar de novo por móveis que não são nossos e também pelo preço absurdo que estão pedindo nos Springs. Desse jeito gastamos uma grana mas ficamos com uma casa com a nossa cara - o que ajuda muito a vida do desterrado.
Por praticamente o mesmo preço de uma villa de 2 dormitórios nos Springs conseguimos uma de 3 quartos nos Arabian Ranches, que é outro condomínio ultra-gigantesco construído pela mesma construtora, mas que parece demais com o primeiro.
A diferença é que os Ranches ficam ainda mais para dentro do deserto e não tem o laguinho que todo conjunto dos Springs tem.
Para quem já se mudou mais de 20 vezes na vida, como eu, isso deveria acontecer sem dor.
Isso não é verdade. Mudar para mim continua sendo um saco.
Mas filósofos explicam porque as pessoas se mudam.
Porque elas não se lembram da última mudança, porque se lembrassem jamais sairiam do lugar onde estão.
Estamos saindo da nossa casa nos Springs. Tudo por causa do aumento insano dos aluguéis aqui em Dubai.
A nossa casa saía por 65 mil dirhams por ano há cerca de um ano. Hoje estão pedindo mais de 100 mil.
Está todo mundo ficando desesperado com isso.
E como o nosso canto é mobiliado - eu não estava com cabeça ou paciência para comprar coisas quando cheguei aqui sozinho - pagamos um extra.
Por lei os aluguéis não podem aumentar mais do que 15%, mas os proprietários usam as mesmas desculpas que a gente vê no Brasil para desalojar seus inquilinos e alugar por um preço muito mais alto: alguém da família vai casar e morar lá, eles querem morar na casa, blá, blá, blá.
O fato é que eu não queria pagar de novo por móveis que não são nossos e também pelo preço absurdo que estão pedindo nos Springs. Desse jeito gastamos uma grana mas ficamos com uma casa com a nossa cara - o que ajuda muito a vida do desterrado.
Por praticamente o mesmo preço de uma villa de 2 dormitórios nos Springs conseguimos uma de 3 quartos nos Arabian Ranches, que é outro condomínio ultra-gigantesco construído pela mesma construtora, mas que parece demais com o primeiro.
A diferença é que os Ranches ficam ainda mais para dentro do deserto e não tem o laguinho que todo conjunto dos Springs tem.
Para quem já se mudou mais de 20 vezes na vida, como eu, isso deveria acontecer sem dor.
Isso não é verdade. Mudar para mim continua sendo um saco.
Mas filósofos explicam porque as pessoas se mudam.
Porque elas não se lembram da última mudança, porque se lembrassem jamais sairiam do lugar onde estão.
Thursday, May 25, 2006
Luzes
Essa é da Íris.
Quando voltamos de Fujairah já era noite e tive que dirigir os mais ou menos 200km que separam este emirado de Dubai sem luz alguma.
Bom, pelo menos era isso que eu esperava.
Mas as rodovias daqui são completamente iluminadas - do começo ao fim. É como estar em uma avenida de centenas de quilômetros. E sem sinal.
E tudo isso sem pagar pedágio.
Essa é da Íris.
Quando voltamos de Fujairah já era noite e tive que dirigir os mais ou menos 200km que separam este emirado de Dubai sem luz alguma.
Bom, pelo menos era isso que eu esperava.
Mas as rodovias daqui são completamente iluminadas - do começo ao fim. É como estar em uma avenida de centenas de quilômetros. E sem sinal.
E tudo isso sem pagar pedágio.
As locais.
Hoje encontrei ao sair da agência uma garota Dubai que era nossa cliente.
Ela é um bom exemplo do que acontece aqui com os locais.
Ela não deve ter mais do que 28 anos e é diretora de marketing de uma das imensas companhias de construção de Dubai.
Há alguns meses ela era gerente de uma outra companhia bem menor do mesmo grupo.
As coisas aqui acontecem tão rápido que, só de ter nascido em Dubai e estar trabalhando, você é promovido uma vez quinzena.
Subir de cargo é quase tão rápido quanto a velocidade que sobem os prédios que eles estão construindo.
Às vezes você encontra carinhas de 25 aninhos que só por vestirem dish dashas (aquela roupa de milionário árabe de filme) são os rolas-grossas de companhias imensas.
Mas isso não é importante.
O importante é que eu encontrei esta ex-cliente, que é gente boa e é local.
Ela estava vestindo a Abbayah, que é a roupa preta leve que elas vestem sobre as roupas "civis". Aqui em Dubai isso é mais uma questão cultural do que religiosa. Tanto que elas usam a roupa solta e dá para ver as roupas normais por baixo. E o lenço que elas usam na cabeça também é solto, dando para ver a franja.
Bem, nem todas são assim. Quando você anda nos shoppings tem de todo tipo de mulheres do Golfo (como eles chamam esta região).
Desde as mais fashion, sem lenço na cabeça até aquelas que têm tudo, absolutamente coberto - incluindo rosto e mãos com luvas.
Algumas mulheres velhas usam a burqa, que é a máscara que cobre parte do rosto. Parece uma versão malfeita da máscara do Fantasma da Ópera ao invés daquela burqa clássica dos tempos do Taleban no Afeganistão. Aquela burqa mais parecia uma máscara de esgrima.
Voltando à dita cuja e para discutir um pouco dos estereótipos, há algum tem atrás, quando ela ainda era nossa cliente, nós fomos para Beirute para a filmagem de um comercial. 4 pessoas do lado da agência e 2 do lado do cliente - incluindo ela.
No aeroporto ela estava de abbayah. O cara que estava com ela - que sempre veste dish dasha aqui - já chegou no aeroporto de camiseta e tênis. E foi o que ele usou no resto da viagem - incluindo Amsterdam, onde ele passou 90% do tempo maconhado. Um cara muito gente fina.
Foi só a gente sair para jantar que a roupa dela já era outra. Já estava totalmente ocidentalizada.
Ela participou de uma reunião de pré-produção e no dia seguinte iria embora.
O diretor de atendimento para a conta deles nos levou para a balada nesta noite.
Os dois locais tomaram todas e a senhorita local deu uns pega-nervoso num libanês.
Gente como a gente.
Mas eu contei tudo isso para chegar a uma particularidade local que não poderia deixar de mencionar.
Todas as mulheres aqui fazem a sobrancelha. Elas deixam fininha, mas com monocelha.
E, cacete, eu conversando com ela e não conseguia parar de ficar olhando aquela monocelha.
Ainda bem que me disseram que quando você olha no meio do nariz de uma pessoa parece que estamos olhando para os olhos dela.
Espero que seja verdade.
Hoje encontrei ao sair da agência uma garota Dubai que era nossa cliente.
Ela é um bom exemplo do que acontece aqui com os locais.
Ela não deve ter mais do que 28 anos e é diretora de marketing de uma das imensas companhias de construção de Dubai.
Há alguns meses ela era gerente de uma outra companhia bem menor do mesmo grupo.
As coisas aqui acontecem tão rápido que, só de ter nascido em Dubai e estar trabalhando, você é promovido uma vez quinzena.
Subir de cargo é quase tão rápido quanto a velocidade que sobem os prédios que eles estão construindo.
Às vezes você encontra carinhas de 25 aninhos que só por vestirem dish dashas (aquela roupa de milionário árabe de filme) são os rolas-grossas de companhias imensas.
Mas isso não é importante.
O importante é que eu encontrei esta ex-cliente, que é gente boa e é local.
Ela estava vestindo a Abbayah, que é a roupa preta leve que elas vestem sobre as roupas "civis". Aqui em Dubai isso é mais uma questão cultural do que religiosa. Tanto que elas usam a roupa solta e dá para ver as roupas normais por baixo. E o lenço que elas usam na cabeça também é solto, dando para ver a franja.
Bem, nem todas são assim. Quando você anda nos shoppings tem de todo tipo de mulheres do Golfo (como eles chamam esta região).
Desde as mais fashion, sem lenço na cabeça até aquelas que têm tudo, absolutamente coberto - incluindo rosto e mãos com luvas.
Algumas mulheres velhas usam a burqa, que é a máscara que cobre parte do rosto. Parece uma versão malfeita da máscara do Fantasma da Ópera ao invés daquela burqa clássica dos tempos do Taleban no Afeganistão. Aquela burqa mais parecia uma máscara de esgrima.
Voltando à dita cuja e para discutir um pouco dos estereótipos, há algum tem atrás, quando ela ainda era nossa cliente, nós fomos para Beirute para a filmagem de um comercial. 4 pessoas do lado da agência e 2 do lado do cliente - incluindo ela.
No aeroporto ela estava de abbayah. O cara que estava com ela - que sempre veste dish dasha aqui - já chegou no aeroporto de camiseta e tênis. E foi o que ele usou no resto da viagem - incluindo Amsterdam, onde ele passou 90% do tempo maconhado. Um cara muito gente fina.
Foi só a gente sair para jantar que a roupa dela já era outra. Já estava totalmente ocidentalizada.
Ela participou de uma reunião de pré-produção e no dia seguinte iria embora.
O diretor de atendimento para a conta deles nos levou para a balada nesta noite.
Os dois locais tomaram todas e a senhorita local deu uns pega-nervoso num libanês.
Gente como a gente.
Mas eu contei tudo isso para chegar a uma particularidade local que não poderia deixar de mencionar.
Todas as mulheres aqui fazem a sobrancelha. Elas deixam fininha, mas com monocelha.
E, cacete, eu conversando com ela e não conseguia parar de ficar olhando aquela monocelha.
Ainda bem que me disseram que quando você olha no meio do nariz de uma pessoa parece que estamos olhando para os olhos dela.
Espero que seja verdade.
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