Monday, June 19, 2006
Thursday, June 15, 2006
Peladeiro.
O churrasco estava bom.
Cerveja gelada e picanha à vontade como deve ser.
Aí chegou a hora da pelada.
Ele estava fora de forma, todo mundo comentava da sua barriga, mas não tem problema.
É só ficar na banheira esperando a bola que uma hora pinta uma chance de gol. E ainda dá para deixar um copinho de cerveja do lado da trave do gol adversário.
Como a bola não estava chegando ele esboça um pique.
Pronto, já fiz minha parte.
Depois de um tempo pedem para ele sair para outro amigo entrar.
Saindo do campo, cansado e com vontade de tomar mais cerveja, ele ainda tem que ouvir os amigos provocando:
"Porra, Ronaldo, você está uma merda mesmo!"
Será que sobrou picanha?
O churrasco estava bom.
Cerveja gelada e picanha à vontade como deve ser.
Aí chegou a hora da pelada.
Ele estava fora de forma, todo mundo comentava da sua barriga, mas não tem problema.
É só ficar na banheira esperando a bola que uma hora pinta uma chance de gol. E ainda dá para deixar um copinho de cerveja do lado da trave do gol adversário.
Como a bola não estava chegando ele esboça um pique.
Pronto, já fiz minha parte.
Depois de um tempo pedem para ele sair para outro amigo entrar.
Saindo do campo, cansado e com vontade de tomar mais cerveja, ele ainda tem que ouvir os amigos provocando:
"Porra, Ronaldo, você está uma merda mesmo!"
Será que sobrou picanha?
Wednesday, June 14, 2006
Bola é o que rola.
Para quem não sabe a Copa do Mundo está acontecendo.
Pode ser óbvio para os habitantes da Pindorama, mas lembrem-se de que estou no Oriente Médio.
Bom, se fosse um país normal do Oriente Médio também não teria problema, mas aqui são os Emirados Árabes Unidos.
Aqui a maior parte da população - 60% - gosta de de críquete.
Para quem não sabe críquete é aquele jogo que parece o Bets quando crescer - tem até casinha!
Pois é, críquete é o jogo favorito dos indianos, que estão para todos os lados aqui.
O resto é vidrado em futebol, como todo o resto do mundo.
O problema é que aqui não tem futebol em TV aberta. Para assistir a Copa em casa você tem que pagar - e muito!
Sai uns 400 reais para ver a Copa inteira - o que tira o zé povinho da equação.
Quem não tem dinheiro ou não quer pagar ou prefere calor humano, para adicionar ao calor insuportável que faz aqui atualmente, existem os bares e pubs que estão transmitindo todas as partidas.
Lá você encontra uma platéia multinacional muito animada.
Animada pelo clima de Copa do Mundo e pelo álcool que é fartamente consumido pelos torcedores. Tudo bem que uma caneca da loira não-tão-gelada aqui custa mais de 15 reais, mas a galera não quer nem saber, é só alegria.
Como tem gente de todos os cantos do mundo - e uma parte deles sem representantes na Copa - você acaba encontrando alguém que é Tunísia desde pequenininho, Ganense Roxo e Ucraniano doente.
E a maioria adora o Brasil. Ama o Brasil.
Um pouco porque a gente é meio o vira-lata que deu certo, outro pouco porque jogamos um futebol bonito para cacete e mais um pouquinho porque a gente escreve 100% Jardim Irene na camiseta quando vence a Copa.
E eu sou o brasileiro do pedaço.
Logo eu que gosto mesmo é de jogar basquete.
Eu que tenho uma habilidade única e incomparável que me faz ser um artilheiro respeitável nas peladas: tenho tanta consciência da minha falta de habilidade que chuto direto para o gol - coisa que ninguém espera nesta terra de aspirantes a Garrincha e Ronaldinho, inclusive - e principalmente - os goleiros. Por isso pego todos desprevenidos.
Tem poucos brasileiros aqui nos Emirados - e só um trabalhando em propaganda - este seu humilde interlocutor.
Todo mundo vem a mim para falar de futebol.
Um carinha libanês criado aqui, que sabe tudo de futebol europeu, sempre me visita para fazer comentários sobre este e aquele jogador. E eu nunca ouvi falar em 70% deles.
"Eu não acredito que ele convocou o Frommage ao invés do Bambeau Lé..."
Eu faço cara de choque e faço um comentário assim:
"Eu também não entendi essa convocação. Ela pode ser muito arriscada."
Claro que não entendi. Não faço a mínima idéia de quem sejam esses caras.
Mas falo com uma cara séria e com um tom de voz grave. Aí ele olha para mim com aquela cara "puxa, que bom que tem alguém aqui que entende realmente de futebol para eu poder conversar" e continua falando daquele exército de desconhecidos.
A ansiedade entre os fãs de futebol nos Emirados estava altíssima nos dias que antecederam a Copa. Não se falava de outra coisa.
E eu, como O Brasileiro de plantão, era a vítima preferencial. A cada 5 minutos alguém aparecia para me perguntar do Brasil, para falar do da do jogo, para perguntar onde eu ia assistir, para falar do time e como amam o Brasil, para falar que eles eram favoritos...blá, blá, blá.
Aí começou a Copa de verdade.
É estranho estar longe do Brasil nesta hora. O clima lá muda. As pessoas são tomadas de uma esperança e expectativa extremamente positiva. É como se o país inteiro parasse de sofrer com a luta diária, como se o peso que cada um carrega nos ombros ficasse muito mais leve. A Copa mexe com a brazucada. Faz falta isso.
Mas aqui o pessoal curte muito tudo. Combinam de assistir no bar Tunísia contra Arábia Saudita só pelo prazer de assistir futebol com os amigos.
E como o dia do jogo do Brasil ia chegando, todos queriam saber onde os brasileiros iam aparecer.
Todo mundo sabia de um lugar diferente onde todos os brasileiros iam assistir o jogo.
De cabeça me lembro de pelo menos 4 lugares diferentes.
Não há brasileiro que chegue para tanto lugar. Devem ter fantasiados uns indianos de baiana para enganar a galera.
No final decidimos ir para o Pachanga - um bar latino no Hilton de Jumeirah, que tem um gerente brasileiro.
O jogo em si é assunto para outro post.
Para quem não sabe a Copa do Mundo está acontecendo.
Pode ser óbvio para os habitantes da Pindorama, mas lembrem-se de que estou no Oriente Médio.
Bom, se fosse um país normal do Oriente Médio também não teria problema, mas aqui são os Emirados Árabes Unidos.
Aqui a maior parte da população - 60% - gosta de de críquete.
Para quem não sabe críquete é aquele jogo que parece o Bets quando crescer - tem até casinha!
Pois é, críquete é o jogo favorito dos indianos, que estão para todos os lados aqui.
O resto é vidrado em futebol, como todo o resto do mundo.
O problema é que aqui não tem futebol em TV aberta. Para assistir a Copa em casa você tem que pagar - e muito!
Sai uns 400 reais para ver a Copa inteira - o que tira o zé povinho da equação.
Quem não tem dinheiro ou não quer pagar ou prefere calor humano, para adicionar ao calor insuportável que faz aqui atualmente, existem os bares e pubs que estão transmitindo todas as partidas.
Lá você encontra uma platéia multinacional muito animada.
Animada pelo clima de Copa do Mundo e pelo álcool que é fartamente consumido pelos torcedores. Tudo bem que uma caneca da loira não-tão-gelada aqui custa mais de 15 reais, mas a galera não quer nem saber, é só alegria.
Como tem gente de todos os cantos do mundo - e uma parte deles sem representantes na Copa - você acaba encontrando alguém que é Tunísia desde pequenininho, Ganense Roxo e Ucraniano doente.
E a maioria adora o Brasil. Ama o Brasil.
Um pouco porque a gente é meio o vira-lata que deu certo, outro pouco porque jogamos um futebol bonito para cacete e mais um pouquinho porque a gente escreve 100% Jardim Irene na camiseta quando vence a Copa.
E eu sou o brasileiro do pedaço.
Logo eu que gosto mesmo é de jogar basquete.
Eu que tenho uma habilidade única e incomparável que me faz ser um artilheiro respeitável nas peladas: tenho tanta consciência da minha falta de habilidade que chuto direto para o gol - coisa que ninguém espera nesta terra de aspirantes a Garrincha e Ronaldinho, inclusive - e principalmente - os goleiros. Por isso pego todos desprevenidos.
Tem poucos brasileiros aqui nos Emirados - e só um trabalhando em propaganda - este seu humilde interlocutor.
Todo mundo vem a mim para falar de futebol.
Um carinha libanês criado aqui, que sabe tudo de futebol europeu, sempre me visita para fazer comentários sobre este e aquele jogador. E eu nunca ouvi falar em 70% deles.
"Eu não acredito que ele convocou o Frommage ao invés do Bambeau Lé..."
Eu faço cara de choque e faço um comentário assim:
"Eu também não entendi essa convocação. Ela pode ser muito arriscada."
Claro que não entendi. Não faço a mínima idéia de quem sejam esses caras.
Mas falo com uma cara séria e com um tom de voz grave. Aí ele olha para mim com aquela cara "puxa, que bom que tem alguém aqui que entende realmente de futebol para eu poder conversar" e continua falando daquele exército de desconhecidos.
A ansiedade entre os fãs de futebol nos Emirados estava altíssima nos dias que antecederam a Copa. Não se falava de outra coisa.
E eu, como O Brasileiro de plantão, era a vítima preferencial. A cada 5 minutos alguém aparecia para me perguntar do Brasil, para falar do da do jogo, para perguntar onde eu ia assistir, para falar do time e como amam o Brasil, para falar que eles eram favoritos...blá, blá, blá.
Aí começou a Copa de verdade.
É estranho estar longe do Brasil nesta hora. O clima lá muda. As pessoas são tomadas de uma esperança e expectativa extremamente positiva. É como se o país inteiro parasse de sofrer com a luta diária, como se o peso que cada um carrega nos ombros ficasse muito mais leve. A Copa mexe com a brazucada. Faz falta isso.
Mas aqui o pessoal curte muito tudo. Combinam de assistir no bar Tunísia contra Arábia Saudita só pelo prazer de assistir futebol com os amigos.
E como o dia do jogo do Brasil ia chegando, todos queriam saber onde os brasileiros iam aparecer.
Todo mundo sabia de um lugar diferente onde todos os brasileiros iam assistir o jogo.
De cabeça me lembro de pelo menos 4 lugares diferentes.
Não há brasileiro que chegue para tanto lugar. Devem ter fantasiados uns indianos de baiana para enganar a galera.
No final decidimos ir para o Pachanga - um bar latino no Hilton de Jumeirah, que tem um gerente brasileiro.
O jogo em si é assunto para outro post.
Friday, June 09, 2006
The day after.
Ainda me recuperando da mudança.
A semana foi bem tranquila, o que ajudou. Tenho uns 20 posts para escrever e vou ver se me concentro neste fim de semana para terminá-los.
Hoje acordei às 6 da matina para levar a Dri para o aeroporto. Ela está indo para o Cairo para o Congresso Internacional da Mulher - tudo pago pela Microsoft.
E eu aqui tenho que montar uns armários, o sofá balanço do jardim e mais uma cama novo.
Isso sim é que é glamour.
Ainda me recuperando da mudança.
A semana foi bem tranquila, o que ajudou. Tenho uns 20 posts para escrever e vou ver se me concentro neste fim de semana para terminá-los.
Hoje acordei às 6 da matina para levar a Dri para o aeroporto. Ela está indo para o Cairo para o Congresso Internacional da Mulher - tudo pago pela Microsoft.
E eu aqui tenho que montar uns armários, o sofá balanço do jardim e mais uma cama novo.
Isso sim é que é glamour.
Tuesday, June 06, 2006
"Você conseguiu falar com o pessoal da mudança?"
"Eles ficaram de me ligar."
"Mas a gente tem que mudar amanhã. Vai ficar muito em cima da hora."
"Ah, a gente não tem mobília. É só carregar nossas coisas nos carros. Vai ser rapidinho."
"Acho que você tem razão. E a gente ainda economiza a grana da companhia de mudança."
"Isso mesmo."
"Boa!"
17 horas de mudança e 8 viagens depois...
"Eles ficaram de me ligar."
"Mas a gente tem que mudar amanhã. Vai ficar muito em cima da hora."
"Ah, a gente não tem mobília. É só carregar nossas coisas nos carros. Vai ser rapidinho."
"Acho que você tem razão. E a gente ainda economiza a grana da companhia de mudança."
"Isso mesmo."
"Boa!"
17 horas de mudança e 8 viagens depois...
Tuesday, May 30, 2006
Mudança, de novo.
Estamos saindo da nossa casa nos Springs. Tudo por causa do aumento insano dos aluguéis aqui em Dubai.
A nossa casa saía por 65 mil dirhams por ano há cerca de um ano. Hoje estão pedindo mais de 100 mil.
Está todo mundo ficando desesperado com isso.
E como o nosso canto é mobiliado - eu não estava com cabeça ou paciência para comprar coisas quando cheguei aqui sozinho - pagamos um extra.
Por lei os aluguéis não podem aumentar mais do que 15%, mas os proprietários usam as mesmas desculpas que a gente vê no Brasil para desalojar seus inquilinos e alugar por um preço muito mais alto: alguém da família vai casar e morar lá, eles querem morar na casa, blá, blá, blá.
O fato é que eu não queria pagar de novo por móveis que não são nossos e também pelo preço absurdo que estão pedindo nos Springs. Desse jeito gastamos uma grana mas ficamos com uma casa com a nossa cara - o que ajuda muito a vida do desterrado.
Por praticamente o mesmo preço de uma villa de 2 dormitórios nos Springs conseguimos uma de 3 quartos nos Arabian Ranches, que é outro condomínio ultra-gigantesco construído pela mesma construtora, mas que parece demais com o primeiro.
A diferença é que os Ranches ficam ainda mais para dentro do deserto e não tem o laguinho que todo conjunto dos Springs tem.
Para quem já se mudou mais de 20 vezes na vida, como eu, isso deveria acontecer sem dor.
Isso não é verdade. Mudar para mim continua sendo um saco.
Mas filósofos explicam porque as pessoas se mudam.
Porque elas não se lembram da última mudança, porque se lembrassem jamais sairiam do lugar onde estão.
Estamos saindo da nossa casa nos Springs. Tudo por causa do aumento insano dos aluguéis aqui em Dubai.
A nossa casa saía por 65 mil dirhams por ano há cerca de um ano. Hoje estão pedindo mais de 100 mil.
Está todo mundo ficando desesperado com isso.
E como o nosso canto é mobiliado - eu não estava com cabeça ou paciência para comprar coisas quando cheguei aqui sozinho - pagamos um extra.
Por lei os aluguéis não podem aumentar mais do que 15%, mas os proprietários usam as mesmas desculpas que a gente vê no Brasil para desalojar seus inquilinos e alugar por um preço muito mais alto: alguém da família vai casar e morar lá, eles querem morar na casa, blá, blá, blá.
O fato é que eu não queria pagar de novo por móveis que não são nossos e também pelo preço absurdo que estão pedindo nos Springs. Desse jeito gastamos uma grana mas ficamos com uma casa com a nossa cara - o que ajuda muito a vida do desterrado.
Por praticamente o mesmo preço de uma villa de 2 dormitórios nos Springs conseguimos uma de 3 quartos nos Arabian Ranches, que é outro condomínio ultra-gigantesco construído pela mesma construtora, mas que parece demais com o primeiro.
A diferença é que os Ranches ficam ainda mais para dentro do deserto e não tem o laguinho que todo conjunto dos Springs tem.
Para quem já se mudou mais de 20 vezes na vida, como eu, isso deveria acontecer sem dor.
Isso não é verdade. Mudar para mim continua sendo um saco.
Mas filósofos explicam porque as pessoas se mudam.
Porque elas não se lembram da última mudança, porque se lembrassem jamais sairiam do lugar onde estão.
Thursday, May 25, 2006
Luzes
Essa é da Íris.
Quando voltamos de Fujairah já era noite e tive que dirigir os mais ou menos 200km que separam este emirado de Dubai sem luz alguma.
Bom, pelo menos era isso que eu esperava.
Mas as rodovias daqui são completamente iluminadas - do começo ao fim. É como estar em uma avenida de centenas de quilômetros. E sem sinal.
E tudo isso sem pagar pedágio.
Essa é da Íris.
Quando voltamos de Fujairah já era noite e tive que dirigir os mais ou menos 200km que separam este emirado de Dubai sem luz alguma.
Bom, pelo menos era isso que eu esperava.
Mas as rodovias daqui são completamente iluminadas - do começo ao fim. É como estar em uma avenida de centenas de quilômetros. E sem sinal.
E tudo isso sem pagar pedágio.
As locais.
Hoje encontrei ao sair da agência uma garota Dubai que era nossa cliente.
Ela é um bom exemplo do que acontece aqui com os locais.
Ela não deve ter mais do que 28 anos e é diretora de marketing de uma das imensas companhias de construção de Dubai.
Há alguns meses ela era gerente de uma outra companhia bem menor do mesmo grupo.
As coisas aqui acontecem tão rápido que, só de ter nascido em Dubai e estar trabalhando, você é promovido uma vez quinzena.
Subir de cargo é quase tão rápido quanto a velocidade que sobem os prédios que eles estão construindo.
Às vezes você encontra carinhas de 25 aninhos que só por vestirem dish dashas (aquela roupa de milionário árabe de filme) são os rolas-grossas de companhias imensas.
Mas isso não é importante.
O importante é que eu encontrei esta ex-cliente, que é gente boa e é local.
Ela estava vestindo a Abbayah, que é a roupa preta leve que elas vestem sobre as roupas "civis". Aqui em Dubai isso é mais uma questão cultural do que religiosa. Tanto que elas usam a roupa solta e dá para ver as roupas normais por baixo. E o lenço que elas usam na cabeça também é solto, dando para ver a franja.
Bem, nem todas são assim. Quando você anda nos shoppings tem de todo tipo de mulheres do Golfo (como eles chamam esta região).
Desde as mais fashion, sem lenço na cabeça até aquelas que têm tudo, absolutamente coberto - incluindo rosto e mãos com luvas.
Algumas mulheres velhas usam a burqa, que é a máscara que cobre parte do rosto. Parece uma versão malfeita da máscara do Fantasma da Ópera ao invés daquela burqa clássica dos tempos do Taleban no Afeganistão. Aquela burqa mais parecia uma máscara de esgrima.
Voltando à dita cuja e para discutir um pouco dos estereótipos, há algum tem atrás, quando ela ainda era nossa cliente, nós fomos para Beirute para a filmagem de um comercial. 4 pessoas do lado da agência e 2 do lado do cliente - incluindo ela.
No aeroporto ela estava de abbayah. O cara que estava com ela - que sempre veste dish dasha aqui - já chegou no aeroporto de camiseta e tênis. E foi o que ele usou no resto da viagem - incluindo Amsterdam, onde ele passou 90% do tempo maconhado. Um cara muito gente fina.
Foi só a gente sair para jantar que a roupa dela já era outra. Já estava totalmente ocidentalizada.
Ela participou de uma reunião de pré-produção e no dia seguinte iria embora.
O diretor de atendimento para a conta deles nos levou para a balada nesta noite.
Os dois locais tomaram todas e a senhorita local deu uns pega-nervoso num libanês.
Gente como a gente.
Mas eu contei tudo isso para chegar a uma particularidade local que não poderia deixar de mencionar.
Todas as mulheres aqui fazem a sobrancelha. Elas deixam fininha, mas com monocelha.
E, cacete, eu conversando com ela e não conseguia parar de ficar olhando aquela monocelha.
Ainda bem que me disseram que quando você olha no meio do nariz de uma pessoa parece que estamos olhando para os olhos dela.
Espero que seja verdade.
Hoje encontrei ao sair da agência uma garota Dubai que era nossa cliente.
Ela é um bom exemplo do que acontece aqui com os locais.
Ela não deve ter mais do que 28 anos e é diretora de marketing de uma das imensas companhias de construção de Dubai.
Há alguns meses ela era gerente de uma outra companhia bem menor do mesmo grupo.
As coisas aqui acontecem tão rápido que, só de ter nascido em Dubai e estar trabalhando, você é promovido uma vez quinzena.
Subir de cargo é quase tão rápido quanto a velocidade que sobem os prédios que eles estão construindo.
Às vezes você encontra carinhas de 25 aninhos que só por vestirem dish dashas (aquela roupa de milionário árabe de filme) são os rolas-grossas de companhias imensas.
Mas isso não é importante.
O importante é que eu encontrei esta ex-cliente, que é gente boa e é local.
Ela estava vestindo a Abbayah, que é a roupa preta leve que elas vestem sobre as roupas "civis". Aqui em Dubai isso é mais uma questão cultural do que religiosa. Tanto que elas usam a roupa solta e dá para ver as roupas normais por baixo. E o lenço que elas usam na cabeça também é solto, dando para ver a franja.
Bem, nem todas são assim. Quando você anda nos shoppings tem de todo tipo de mulheres do Golfo (como eles chamam esta região).
Desde as mais fashion, sem lenço na cabeça até aquelas que têm tudo, absolutamente coberto - incluindo rosto e mãos com luvas.
Algumas mulheres velhas usam a burqa, que é a máscara que cobre parte do rosto. Parece uma versão malfeita da máscara do Fantasma da Ópera ao invés daquela burqa clássica dos tempos do Taleban no Afeganistão. Aquela burqa mais parecia uma máscara de esgrima.
Voltando à dita cuja e para discutir um pouco dos estereótipos, há algum tem atrás, quando ela ainda era nossa cliente, nós fomos para Beirute para a filmagem de um comercial. 4 pessoas do lado da agência e 2 do lado do cliente - incluindo ela.
No aeroporto ela estava de abbayah. O cara que estava com ela - que sempre veste dish dasha aqui - já chegou no aeroporto de camiseta e tênis. E foi o que ele usou no resto da viagem - incluindo Amsterdam, onde ele passou 90% do tempo maconhado. Um cara muito gente fina.
Foi só a gente sair para jantar que a roupa dela já era outra. Já estava totalmente ocidentalizada.
Ela participou de uma reunião de pré-produção e no dia seguinte iria embora.
O diretor de atendimento para a conta deles nos levou para a balada nesta noite.
Os dois locais tomaram todas e a senhorita local deu uns pega-nervoso num libanês.
Gente como a gente.
Mas eu contei tudo isso para chegar a uma particularidade local que não poderia deixar de mencionar.
Todas as mulheres aqui fazem a sobrancelha. Elas deixam fininha, mas com monocelha.
E, cacete, eu conversando com ela e não conseguia parar de ficar olhando aquela monocelha.
Ainda bem que me disseram que quando você olha no meio do nariz de uma pessoa parece que estamos olhando para os olhos dela.
Espero que seja verdade.
Tuesday, May 23, 2006
"Cuidado que areia está quente! Você vai sem chinelo?"
"Claro que sim. Não tem problema. Não preciso de chinelo não."
Se eu passasse um post inteiro contando como foi lindo o final de semana passado, como tudo deu certo, o lugar para onde fomos era lindo, a viagem transcorreu sem problemas e tivemos grandes momentos, provavelmente quem está lendo morreria de tédio. Bom, pelo menos eu que estou escrevendo morreria de tédio.
Mas não foi só assim. Felizmente.
O fato chave para este post foi uma conversa que eu tive com meu grande amigo Domenico na semana passada.
Ele me escreveu dizendo que tinha achado um site sensacional daquela cerveja Miller.
A idéia do site é em torno de leis que definem o que é ser homem e como deve se dar a interação entre homens.
É mais ou menos uma versão revista e ampliada daquele famoso email de coisas de viado.
Nós percebemos que a esta coisa macha, de fazer parte do grande grupo dos Zeca Bordoada é internacional - parte do imaginário coletivo destas criaturas peludas que gostam de assistir esporte na TV e coçar o saco.
Muitas regras já eram conhecidas, como não tomar jamais drinques coloridos, especialmente quando eles vêm em taças com guarda-chuvinhas ou reparar em como as pessoas estão vestidas.
Mas uma delas me marcou. Era nova e verdadeira.
Um homem, quando descalço na areia da praia, não deve correr jamais. Não importa o quanto a areia esteja quente.
Bom, começando a narrativa do final de semana.
Minha querida Íris, mãe da Di, está aqui conosco há umas duas semanas.
A presença dela tem sido fantástica para a gente - principalmente para a dona fofinha, que não desgruda da vovó.
Quinta-feira passada a Di teve a idéia de irmos para Fujeirah.
Fujeirah é um dos emirados que compõe os Emirados Árabes Unidos. Não é rico como Abu Dhabi e nem badalado como Dubai. Mas como disseram que o lugar tem umas praias interessantes, resolvemos dar uma passeada por lá.
Como Fujeirah fica no Golfo de Omã - do outro lado da Península Arábica - a viagem demora um pouco mais de duas horas.
E para chegar lá temos que cruzar montanhas. Montanhas estranhíssimas, aliás.
São montanhas pontudas e completamente secas. Parece uma paisagem alienígena. Muito diferente de Dubai e Abu Dhabi, onde tudo é plano e cheio de areia.
No caminho paramos em um lugar que chama Friday Market, que mais parecia uma Feira de Acari.
Tem de tudo e é um sucesso.
O que tem mais - e o que deixa a mulherada louca - são os tapetes persas. Lá é possível encontrá-los por uma fração do preço que se encontra em Dubai - que já é uma fração do que se encontra no Brasil.
Para mim todos eles parecem aqueles que você compra no DIC ou no Tapetão. Acho que não nasci para ser decorador.
A minha única participação foi dizendo que não era a hora de comprar. O famoso estraga-prazeres.
Mais montanhas pontudas e secas, alguns vilarejos construídos ao redor de oásis e chagamos a Fujeirah.
O lugar parece uma cidade de veraneio. Um monte de casarões se espalhando por quilômetros de costa. E mais sendo construídos. Parece que a mania de construir é uma coisa disseminada pelo oriente médio.
A cor do mar é inacreditável. Um azul pintado de azul impressionante.
Finalmente chegamos no hotel onde iríamos passar o dia.
É um hotelzinho meia-boca chamado Sandy Beach.
O lugar até que é razoável - se você não comparar com os mastodontes 7 estrelas de Dubai - mas o principal atrativo é a praia.
Ela fica de frente para uma ilhota onde tem um banco de coral. Você pode alugar o material de mergulho e fazer snorkeling lá.
Foi o que fizemos. A fofinha ficou com a vovó na piscina e fomos lá.
Um dos melhores mergulhos da minha vida. Vimos trigger fishes aos montes, peixes multicoloridos, baiacus, lulas, uma tartaruga e para minha surpresa, 2 barracudas.
A barracuda é a versão peixe do personagem do Samuel Jackson em Pulp Fiction.
É o peixe Bad Mother Fucker.
O nosso mergulho foi coroado com o encontro com um tubarinho. O bicho era muito pequeno para ser considerado um tubarão, mas ainda sim merecia respeito.
Foi realmente um dia esplêndido. Mas você deve estar se perguntando o que deu errado. A vida cor de rosa é ótima de se viver mas muito chata de se contar.
Bom, claro que o dia teve o seu momento máximo.
E é aí que a história do site da Miller entra.
O dia estava quente. Muito quente. A areia da praia era fofa e escura. Fomos mergulhar à uma e meia da tarde.
A distância entre o hotel e água do mar era de uns 100 metros.
E é aí que entra o diálogo
"Cuidado que areia está quente! Você vai sem chinelo?"
"Claro que sim. Não tem problema. Não preciso de chinelo não."
Eu, o macho que sou, macho brasileiro padrão internacional, dou conta do recado.
Chinelo para que?
Coloquei meus pés na areia e fui andando como um lorde.
Caramba, essa areia tá quente.
Lembre-se do site!
Caramba, essa areia tá muito quente.
Mantenha a postura, cara!
Caceta, esse negócio tá pegando fogo!
Finja que não é com você, você é um faquir agora.
Faquir o cacete!
Quando me dei por mim estava correndo como uma franga e fazendo cara de menina chorona.
E a droga da areia não acabava. A sensação era de estar correndo em cima de uma daquelas chapas de lanchonete pé sujo, junto com aquele ovo frito e as fatias de bacon.
Corri como uma bailarina os metros que faltavam e mergulhei os pés nas abençoadas águas do golfo de Oman.
Com o orgulho ferido e os pés doloridos me preparei para mergulhar.
Dane-se Miller!!!
Quem mandou ler as coisas na internet e achar que são verdade?
"Claro que sim. Não tem problema. Não preciso de chinelo não."
Se eu passasse um post inteiro contando como foi lindo o final de semana passado, como tudo deu certo, o lugar para onde fomos era lindo, a viagem transcorreu sem problemas e tivemos grandes momentos, provavelmente quem está lendo morreria de tédio. Bom, pelo menos eu que estou escrevendo morreria de tédio.
Mas não foi só assim. Felizmente.
O fato chave para este post foi uma conversa que eu tive com meu grande amigo Domenico na semana passada.
Ele me escreveu dizendo que tinha achado um site sensacional daquela cerveja Miller.
A idéia do site é em torno de leis que definem o que é ser homem e como deve se dar a interação entre homens.
É mais ou menos uma versão revista e ampliada daquele famoso email de coisas de viado.
Nós percebemos que a esta coisa macha, de fazer parte do grande grupo dos Zeca Bordoada é internacional - parte do imaginário coletivo destas criaturas peludas que gostam de assistir esporte na TV e coçar o saco.
Muitas regras já eram conhecidas, como não tomar jamais drinques coloridos, especialmente quando eles vêm em taças com guarda-chuvinhas ou reparar em como as pessoas estão vestidas.
Mas uma delas me marcou. Era nova e verdadeira.
Um homem, quando descalço na areia da praia, não deve correr jamais. Não importa o quanto a areia esteja quente.
Bom, começando a narrativa do final de semana.
Minha querida Íris, mãe da Di, está aqui conosco há umas duas semanas.
A presença dela tem sido fantástica para a gente - principalmente para a dona fofinha, que não desgruda da vovó.
Quinta-feira passada a Di teve a idéia de irmos para Fujeirah.
Fujeirah é um dos emirados que compõe os Emirados Árabes Unidos. Não é rico como Abu Dhabi e nem badalado como Dubai. Mas como disseram que o lugar tem umas praias interessantes, resolvemos dar uma passeada por lá.
Como Fujeirah fica no Golfo de Omã - do outro lado da Península Arábica - a viagem demora um pouco mais de duas horas.
E para chegar lá temos que cruzar montanhas. Montanhas estranhíssimas, aliás.
São montanhas pontudas e completamente secas. Parece uma paisagem alienígena. Muito diferente de Dubai e Abu Dhabi, onde tudo é plano e cheio de areia.
No caminho paramos em um lugar que chama Friday Market, que mais parecia uma Feira de Acari.
Tem de tudo e é um sucesso.
O que tem mais - e o que deixa a mulherada louca - são os tapetes persas. Lá é possível encontrá-los por uma fração do preço que se encontra em Dubai - que já é uma fração do que se encontra no Brasil.
Para mim todos eles parecem aqueles que você compra no DIC ou no Tapetão. Acho que não nasci para ser decorador.
A minha única participação foi dizendo que não era a hora de comprar. O famoso estraga-prazeres.
Mais montanhas pontudas e secas, alguns vilarejos construídos ao redor de oásis e chagamos a Fujeirah.
O lugar parece uma cidade de veraneio. Um monte de casarões se espalhando por quilômetros de costa. E mais sendo construídos. Parece que a mania de construir é uma coisa disseminada pelo oriente médio.
A cor do mar é inacreditável. Um azul pintado de azul impressionante.
Finalmente chegamos no hotel onde iríamos passar o dia.
É um hotelzinho meia-boca chamado Sandy Beach.
O lugar até que é razoável - se você não comparar com os mastodontes 7 estrelas de Dubai - mas o principal atrativo é a praia.
Ela fica de frente para uma ilhota onde tem um banco de coral. Você pode alugar o material de mergulho e fazer snorkeling lá.
Foi o que fizemos. A fofinha ficou com a vovó na piscina e fomos lá.
Um dos melhores mergulhos da minha vida. Vimos trigger fishes aos montes, peixes multicoloridos, baiacus, lulas, uma tartaruga e para minha surpresa, 2 barracudas.
A barracuda é a versão peixe do personagem do Samuel Jackson em Pulp Fiction.
É o peixe Bad Mother Fucker.
O nosso mergulho foi coroado com o encontro com um tubarinho. O bicho era muito pequeno para ser considerado um tubarão, mas ainda sim merecia respeito.
Foi realmente um dia esplêndido. Mas você deve estar se perguntando o que deu errado. A vida cor de rosa é ótima de se viver mas muito chata de se contar.
Bom, claro que o dia teve o seu momento máximo.
E é aí que a história do site da Miller entra.
O dia estava quente. Muito quente. A areia da praia era fofa e escura. Fomos mergulhar à uma e meia da tarde.
A distância entre o hotel e água do mar era de uns 100 metros.
E é aí que entra o diálogo
"Cuidado que areia está quente! Você vai sem chinelo?"
"Claro que sim. Não tem problema. Não preciso de chinelo não."
Eu, o macho que sou, macho brasileiro padrão internacional, dou conta do recado.
Chinelo para que?
Coloquei meus pés na areia e fui andando como um lorde.
Caramba, essa areia tá quente.
Lembre-se do site!
Caramba, essa areia tá muito quente.
Mantenha a postura, cara!
Caceta, esse negócio tá pegando fogo!
Finja que não é com você, você é um faquir agora.
Faquir o cacete!
Quando me dei por mim estava correndo como uma franga e fazendo cara de menina chorona.
E a droga da areia não acabava. A sensação era de estar correndo em cima de uma daquelas chapas de lanchonete pé sujo, junto com aquele ovo frito e as fatias de bacon.
Corri como uma bailarina os metros que faltavam e mergulhei os pés nas abençoadas águas do golfo de Oman.
Com o orgulho ferido e os pés doloridos me preparei para mergulhar.
Dane-se Miller!!!
Quem mandou ler as coisas na internet e achar que são verdade?
Tuesday, May 16, 2006
Hoje o assunto de novo é Brasil.
Sim. Eu já votei no PT.
A partir do momento que tirei meu título de eleitor eu comecei a votar no PT. Parecia uma boa alternativa aos não-partidos que existem no Brasil.
Mas teve uma hora que o PT cansou. Decidi não votar mais no Lula. Acho que foi entre a 27a. ou 38 vez que ele tentou se eleger presidente. Faz tempo.
Eu decidi não votar mais no Lula porque ele é um chato.
Hoje eu não penso mais assim. Amadureci.
Para descrever ele não sou tão simplista assim. Ele é uma figura mais complexa, cheia de nuances.
Hoje para mim o Lula é chato, burro e feio.
Sim. Eu já votei no PT.
A partir do momento que tirei meu título de eleitor eu comecei a votar no PT. Parecia uma boa alternativa aos não-partidos que existem no Brasil.
Mas teve uma hora que o PT cansou. Decidi não votar mais no Lula. Acho que foi entre a 27a. ou 38 vez que ele tentou se eleger presidente. Faz tempo.
Eu decidi não votar mais no Lula porque ele é um chato.
Hoje eu não penso mais assim. Amadureci.
Para descrever ele não sou tão simplista assim. Ele é uma figura mais complexa, cheia de nuances.
Hoje para mim o Lula é chato, burro e feio.
A gente se acostuma com tudo.
Eu acho que já escrevi isso mais de uma vez, em diferentes situações.
A gente se acostuma com o bom, com o ótimo, com o ruim e com o péssimo.
Tem gente que casa com a Sharon Stone e depois de alguns anos nem acha ela mais bonita. (Acho que usei uma referência meio fora de moda)
Tem gente que foi mandada para campo de concentração e que, depois de algum tempo, estava insensível com tudo que acontecia ao seu redor.
Nós somos assim, seres adaptáveis.
Mas quando a gente olha de fora o que está acontecendo as coisas tomam uma proporção totalmente diferente.
Foi o que aconteceu quando li na semana passada os noticiários sobre os ataques do PCC em São Paulo.
Para meu choque, e minha vergonha, não era apenas nos sites brasileiros de notícias. Todos os grandes jornais e sites de notícias estavam falando sobre a crise. Histórias terríveis sobre a baderna que tomou conta do nosso país.
Ao invés de ver as pessoas vindo perguntar sobre o futebol brasileiro ou sobre nossa música, elas têm vindo me perguntar o que é essa insanidade que está acontecendo.
Nem no Iraque coisas assim têm acontecido - e é um país invadido por uma potência opressora e que está cheio de terroristas dispostos a dar a vida para derrubar o frágil governo que está lá, tentando se estabelecer.
O Brasil não é assim.
Parece que o governo nunca existiu. Essa entidade amorfa, sem cara, sem coração, que só dá sinais de vida quando age de acordo com os próprios interesses.
E, por isso, parece que um novo governo acabou de assumir.
Um governo que comanda a vida das pessoas através do uso de celulares. Eles dão as ordens e seus capos fazem cumprir.
E as pessoas de escondem enquanto seus governantes fazem duas coisas: a festa e a polícia correr.
Eu imagino que para você, brasileiro, os recentes acontecimentos tenham sido assustadores. Mas o Brasil é assim mesmo. Os bandidos estão por aí e a gente tem que lidar com eles, deve pensar você.
Por isso ande com a janela fechada dos nossos carros blindados. Não pare no sinal vermelho à noite. Vá ao shopping porque é fechado e é seguro. More num condomínio fechado e, de prefererência, com muros muito altos e cercas eletrificadas.
Enquanto isso o governo está nas ruas ou coordenando tudo de seus escritórios nas prisões.
E aquele "outro" governo, inútil e imóvel, se dedica a cuidar dos próprios interesses e a criar uma auto-imagem completamente distorcida.
É. a gente se acostuma.
Mas a gente também se desacostuma. Felizmente.
E essas coisas para quem está aqui, tão longe, agridem, assustam, de um jeito muito forte.
Que país é esse que eu pretendo voltar no futuro? Que coisa disforme é essa que um gerações e mais gerações de governantes ineptos, corruptos e interesseiros criou?
E que gerações de cidadãos coniventes, ignorantes ou simplesmente insensíveis ajudou a manter.
Dá medo.
Mas a gente não pode cair sem lutar.
E não pode se acostumar a ficar no chão.
Eu acho que já escrevi isso mais de uma vez, em diferentes situações.
A gente se acostuma com o bom, com o ótimo, com o ruim e com o péssimo.
Tem gente que casa com a Sharon Stone e depois de alguns anos nem acha ela mais bonita. (Acho que usei uma referência meio fora de moda)
Tem gente que foi mandada para campo de concentração e que, depois de algum tempo, estava insensível com tudo que acontecia ao seu redor.
Nós somos assim, seres adaptáveis.
Mas quando a gente olha de fora o que está acontecendo as coisas tomam uma proporção totalmente diferente.
Foi o que aconteceu quando li na semana passada os noticiários sobre os ataques do PCC em São Paulo.
Para meu choque, e minha vergonha, não era apenas nos sites brasileiros de notícias. Todos os grandes jornais e sites de notícias estavam falando sobre a crise. Histórias terríveis sobre a baderna que tomou conta do nosso país.
Ao invés de ver as pessoas vindo perguntar sobre o futebol brasileiro ou sobre nossa música, elas têm vindo me perguntar o que é essa insanidade que está acontecendo.
Nem no Iraque coisas assim têm acontecido - e é um país invadido por uma potência opressora e que está cheio de terroristas dispostos a dar a vida para derrubar o frágil governo que está lá, tentando se estabelecer.
O Brasil não é assim.
Parece que o governo nunca existiu. Essa entidade amorfa, sem cara, sem coração, que só dá sinais de vida quando age de acordo com os próprios interesses.
E, por isso, parece que um novo governo acabou de assumir.
Um governo que comanda a vida das pessoas através do uso de celulares. Eles dão as ordens e seus capos fazem cumprir.
E as pessoas de escondem enquanto seus governantes fazem duas coisas: a festa e a polícia correr.
Eu imagino que para você, brasileiro, os recentes acontecimentos tenham sido assustadores. Mas o Brasil é assim mesmo. Os bandidos estão por aí e a gente tem que lidar com eles, deve pensar você.
Por isso ande com a janela fechada dos nossos carros blindados. Não pare no sinal vermelho à noite. Vá ao shopping porque é fechado e é seguro. More num condomínio fechado e, de prefererência, com muros muito altos e cercas eletrificadas.
Enquanto isso o governo está nas ruas ou coordenando tudo de seus escritórios nas prisões.
E aquele "outro" governo, inútil e imóvel, se dedica a cuidar dos próprios interesses e a criar uma auto-imagem completamente distorcida.
É. a gente se acostuma.
Mas a gente também se desacostuma. Felizmente.
E essas coisas para quem está aqui, tão longe, agridem, assustam, de um jeito muito forte.
Que país é esse que eu pretendo voltar no futuro? Que coisa disforme é essa que um gerações e mais gerações de governantes ineptos, corruptos e interesseiros criou?
E que gerações de cidadãos coniventes, ignorantes ou simplesmente insensíveis ajudou a manter.
Dá medo.
Mas a gente não pode cair sem lutar.
E não pode se acostumar a ficar no chão.
Wednesday, May 10, 2006
Não saiu caro o conserto do carro, para minha surpresa.
Anticlímax para quem estava esperando um ultra-mega-preço, não paguei tanto dinheiro assim e, melhor de tudo, recebi um dos melhores discursos motivacionais do mundo, dado pelo chefe da oficina.
Ele me contou que uma Ferrari custa 14 reais de manutenção por quilômetro rodado. E isso aqui em Dubai, que é muito mais barato.
Me senti feliz da vida em me separar do meu dinheiro depois dessa.
Que pode, pode. Quem não pode...
Anticlímax para quem estava esperando um ultra-mega-preço, não paguei tanto dinheiro assim e, melhor de tudo, recebi um dos melhores discursos motivacionais do mundo, dado pelo chefe da oficina.
Ele me contou que uma Ferrari custa 14 reais de manutenção por quilômetro rodado. E isso aqui em Dubai, que é muito mais barato.
Me senti feliz da vida em me separar do meu dinheiro depois dessa.
Que pode, pode. Quem não pode...
Monday, May 08, 2006
O que você faria com 750 mil reais?
No Brasil você pensaria em comprar uma bela casa em um condomínio, um apê bacana com 4 dormitórios e 3 vagas na garagem, uns 45 Corsas, 75 TVs de plasma, 400 geladeiras ou 150 mil saquinhos de amendoim japonês Mendorado.
Aqui em Dubai você pode comprar uma placa de automóvel.
Como assim?
Isso mesmo. Placas com números curtos ou repetidos estão à venda.
As placas normais tem uma letra e 5 números.
G 42789, J 57681 e assim por diante.
Placas com 3 ou 2 números chegam a custar mais de 1 milhão de dirhams - mais de 600 mil realetes. E algumas com 2 números repetidos apenas chegam nestes valores astronômicos. 233, 45, 77 e 88, por exemplo.
Se você estava procurando evidências de uma presença alienígena no planeta não vai encontrar nada mais estranho do que isso.
As placas são anunciadas em revistas especializadas com valores que vão de alguns milhares de reais até estes milhões extraordinários.
É uma expressão da necessidade de exibir provas da sua riqueza para os seus pares que é comum na cultura árabe.
O que me deixa curioso é saber que carro tem um sujeito que gasta mais de um milhão de dirhams numa placa. 99% de chances do carro ser mais caro que a placa - aí estamos incluindo Ferraris, Lamborghinis e Porsches.
É o caso do carro do Sheikh Mohammed - o picão-mor de Dubai, ou CEO de Dubai, como ele gosta de ser chamado.
Ele tem uma Mercedes off-road branca - uma que parece uma Land Rover Defender velha e tosca.
O carro é caro, muito caro. Mas não chega a este valor absurdo.
E sabe qual é a placa?
1
Como diria Mel Brooks, It's good to be the King.
No Brasil você pensaria em comprar uma bela casa em um condomínio, um apê bacana com 4 dormitórios e 3 vagas na garagem, uns 45 Corsas, 75 TVs de plasma, 400 geladeiras ou 150 mil saquinhos de amendoim japonês Mendorado.
Aqui em Dubai você pode comprar uma placa de automóvel.
Como assim?
Isso mesmo. Placas com números curtos ou repetidos estão à venda.
As placas normais tem uma letra e 5 números.
G 42789, J 57681 e assim por diante.
Placas com 3 ou 2 números chegam a custar mais de 1 milhão de dirhams - mais de 600 mil realetes. E algumas com 2 números repetidos apenas chegam nestes valores astronômicos. 233, 45, 77 e 88, por exemplo.
Se você estava procurando evidências de uma presença alienígena no planeta não vai encontrar nada mais estranho do que isso.
As placas são anunciadas em revistas especializadas com valores que vão de alguns milhares de reais até estes milhões extraordinários.
É uma expressão da necessidade de exibir provas da sua riqueza para os seus pares que é comum na cultura árabe.
O que me deixa curioso é saber que carro tem um sujeito que gasta mais de um milhão de dirhams numa placa. 99% de chances do carro ser mais caro que a placa - aí estamos incluindo Ferraris, Lamborghinis e Porsches.
É o caso do carro do Sheikh Mohammed - o picão-mor de Dubai, ou CEO de Dubai, como ele gosta de ser chamado.
Ele tem uma Mercedes off-road branca - uma que parece uma Land Rover Defender velha e tosca.
O carro é caro, muito caro. Mas não chega a este valor absurdo.
E sabe qual é a placa?
1
Como diria Mel Brooks, It's good to be the King.
Sunday, May 07, 2006
Meu carro quebrou, de novo.
Grande começo. Uma verdade que eu descobri depois de uma vida contando histórias - todos sabem como eu gosto de falar - é que as pessoas adoram ouvir coisas sobre quando você se deu mal.
Os amigos gostam de lembrar quando você passou mal depois de beber muito, quando você tomou um tombão ou deu beijo em mulher feia.
Felicidade não vende e não atrai. A galera gosta de ver o circo pegar fogo.
Imagina eu contando uma história de como estava tudo tão lindo e maravilhoso, como o céu estava azul enquando eu ouvia uma música fantástica que me despertava muitas memórias bonitas e, quando dei por mim, havia chegado no trabalho para mais um glorioso dia.
Quem não tivesse dormido antes do fim deste relato ia achar que eu sou boiola.
Mas quando eu conto que o desgraçado do carro quebrou de novo, que estava fazendo um barulho de um liquidificador com um parafuso dentro antes de parar de vez, no meio de uma das estradas mais movimentadas e perigosas dos Emirados - e quando eu digo no meio, estou querendo dizer NO MEIO mesmo, tive que empurrar aquele carro monstruoso para o acostamento - e que tudo isso aconteceu com uma nuvem de vapor saindo do capô, parecendo o motor da Ferrari do Rubinho, com certeza todo mundo vai ficar interessado.
E, melhor de tudo, quando abro o capô emputecido - coisa que não sei exatamente porque a gente faz, já que não entendemos lhufas de mecânica - fora o vapor vejo um líquido verde espalhado por todo o motor.
"Céus, atropelei um alien!" Foi o meu primeiro pensamento.
Mas a solução para este pequeno mistério era simples. Na última parada na mecânica, onde gastei uma fábula para deixar o carro amaldiçoado em condições de rodagem, eles colocaram um troço verde na água do radiador.
E, quando a mangueira do radiador explodiu - e olha que eu consegui entender isso sozinho - essa meleca que parece sangue de ET foi para todo lado.
Chama o socorro e leva para os malditos mecânicos darem uma olhada.
Eu estou insistindo com eles para ver se eles se afeiçoam pelo carro, já que vêem ele com tanta frequência.
Claro que tudo isso aconteceu às 7h20 da matina, e eu estava na estrada já tão cedo para poder chegar no trabalho e resolver 3748 coisas pendentes.
A maior aventura do dia, fora ficar imaginando qual caminhão iria acertar meu carro, já que eu parei em um mega balão - roundabout como eles chamam por aqui - foi explicar para o motorista indiano do guincho onde eu estava.
E olha que era fácil.
Agora estou esperando para ver qual vai ser a facada. De novo.
Viu só como eu consegui manter o seu interesse?
É só o circo pegar fogo que todos vêm ver os palhaços correndo.
Ou empurrando o carro.
Grande começo. Uma verdade que eu descobri depois de uma vida contando histórias - todos sabem como eu gosto de falar - é que as pessoas adoram ouvir coisas sobre quando você se deu mal.
Os amigos gostam de lembrar quando você passou mal depois de beber muito, quando você tomou um tombão ou deu beijo em mulher feia.
Felicidade não vende e não atrai. A galera gosta de ver o circo pegar fogo.
Imagina eu contando uma história de como estava tudo tão lindo e maravilhoso, como o céu estava azul enquando eu ouvia uma música fantástica que me despertava muitas memórias bonitas e, quando dei por mim, havia chegado no trabalho para mais um glorioso dia.
Quem não tivesse dormido antes do fim deste relato ia achar que eu sou boiola.
Mas quando eu conto que o desgraçado do carro quebrou de novo, que estava fazendo um barulho de um liquidificador com um parafuso dentro antes de parar de vez, no meio de uma das estradas mais movimentadas e perigosas dos Emirados - e quando eu digo no meio, estou querendo dizer NO MEIO mesmo, tive que empurrar aquele carro monstruoso para o acostamento - e que tudo isso aconteceu com uma nuvem de vapor saindo do capô, parecendo o motor da Ferrari do Rubinho, com certeza todo mundo vai ficar interessado.
E, melhor de tudo, quando abro o capô emputecido - coisa que não sei exatamente porque a gente faz, já que não entendemos lhufas de mecânica - fora o vapor vejo um líquido verde espalhado por todo o motor.
"Céus, atropelei um alien!" Foi o meu primeiro pensamento.
Mas a solução para este pequeno mistério era simples. Na última parada na mecânica, onde gastei uma fábula para deixar o carro amaldiçoado em condições de rodagem, eles colocaram um troço verde na água do radiador.
E, quando a mangueira do radiador explodiu - e olha que eu consegui entender isso sozinho - essa meleca que parece sangue de ET foi para todo lado.
Chama o socorro e leva para os malditos mecânicos darem uma olhada.
Eu estou insistindo com eles para ver se eles se afeiçoam pelo carro, já que vêem ele com tanta frequência.
Claro que tudo isso aconteceu às 7h20 da matina, e eu estava na estrada já tão cedo para poder chegar no trabalho e resolver 3748 coisas pendentes.
A maior aventura do dia, fora ficar imaginando qual caminhão iria acertar meu carro, já que eu parei em um mega balão - roundabout como eles chamam por aqui - foi explicar para o motorista indiano do guincho onde eu estava.
E olha que era fácil.
Agora estou esperando para ver qual vai ser a facada. De novo.
Viu só como eu consegui manter o seu interesse?
É só o circo pegar fogo que todos vêm ver os palhaços correndo.
Ou empurrando o carro.
Tuesday, May 02, 2006
Friday, April 21, 2006
Toto, we are not in Kansas anymore...
Como é a sensação de estar do lado de um múlti-bilionário? E como é a sensação de encontrar por acaso o governante de um país andando num shopping?
Como algumas pessoas já devem saber, a agência onde eu trabalho fica nas Emirates Towers - por enquanto os prédios mais altos de do Oriente Médio.
Por acaso o CEO de Dubai - como o Sheikh Mohammad gosta de ser chamado - tem um escritório aqui.
Também por acaso ele é o dono do prédio.
Eis que esta semana eu estava voltando de um almoço no McDonald's (é junk food é como um vírus, se espalha para todo lado), que fica fora das torres e entrei pelo shopping que fica na base dos prédios. Um shopping ultra-sofisticado e caro onde estão as marcas mais cobiçadas desta fútil indústria do luxo.
Então eu vejo um grupo de 3 carinhas usando as dish dashas - aquela roupinha de petromilionário ou de árabe de carnaval, dependendo do seu universo de referência - andando ali na maior tranquilidade.
E o cara do centro era O Cara.
Sheikh Mohammad himself. Andando na boa como um mero mortal - ou assalariado.
Sem segurança, sem dezenas de repórteres seguindo, indo bater um rango no Scarlett's - um restaurante que eu considero meia-boquérrimo com estilo americano: hambúrgueres, pizza, uns troços de frango e um monte de appetizers caros.
E o cara estava pedindo uma mesa para a hostess.
Já imaginou ela: "mesa para 3, fumante ou não fumante? A espera é de 20 minutos, tudo bem para o senhor?"
A gente vive tão emparedado no Brasil que é estranho levar uma vida normal ou ver alguém levando uma vida normal - especialmente se esta pessoa é completamente anormal.
Alá Lá Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô...
Como é a sensação de estar do lado de um múlti-bilionário? E como é a sensação de encontrar por acaso o governante de um país andando num shopping?
Como algumas pessoas já devem saber, a agência onde eu trabalho fica nas Emirates Towers - por enquanto os prédios mais altos de do Oriente Médio.
Por acaso o CEO de Dubai - como o Sheikh Mohammad gosta de ser chamado - tem um escritório aqui.
Também por acaso ele é o dono do prédio.
Eis que esta semana eu estava voltando de um almoço no McDonald's (é junk food é como um vírus, se espalha para todo lado), que fica fora das torres e entrei pelo shopping que fica na base dos prédios. Um shopping ultra-sofisticado e caro onde estão as marcas mais cobiçadas desta fútil indústria do luxo.
Então eu vejo um grupo de 3 carinhas usando as dish dashas - aquela roupinha de petromilionário ou de árabe de carnaval, dependendo do seu universo de referência - andando ali na maior tranquilidade.
E o cara do centro era O Cara.
Sheikh Mohammad himself. Andando na boa como um mero mortal - ou assalariado.
Sem segurança, sem dezenas de repórteres seguindo, indo bater um rango no Scarlett's - um restaurante que eu considero meia-boquérrimo com estilo americano: hambúrgueres, pizza, uns troços de frango e um monte de appetizers caros.
E o cara estava pedindo uma mesa para a hostess.
Já imaginou ela: "mesa para 3, fumante ou não fumante? A espera é de 20 minutos, tudo bem para o senhor?"
A gente vive tão emparedado no Brasil que é estranho levar uma vida normal ou ver alguém levando uma vida normal - especialmente se esta pessoa é completamente anormal.
Alá Lá Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô...
Thursday, April 20, 2006
Hoje a Carolina mandou uma muito boa.
Eu estava preparando um leite com chocolate (aqui não tem Nescau) meio distraído com a pequena do lado.
Aí eu derramei um pouco do leite na mesa e ela veio com essa.
"Você fez sujeila, papai. Isso é muito feio. A Calolina tá blava com você"
E tudo isso com ela fazendo cara de brava e com aquela vozinha dos pequeninos.
Esta vai para o backup.
Eu estava preparando um leite com chocolate (aqui não tem Nescau) meio distraído com a pequena do lado.
Aí eu derramei um pouco do leite na mesa e ela veio com essa.
"Você fez sujeila, papai. Isso é muito feio. A Calolina tá blava com você"
E tudo isso com ela fazendo cara de brava e com aquela vozinha dos pequeninos.
Esta vai para o backup.
Wednesday, April 19, 2006
Estas últimas semanas foram MUITO corridas.
Estou me sentindo muito culpado por não ter atualizado o blog. O pior é que tenho uns 20 posts para escrever - tem muita coisa para contar.
Uma coisa eu já posso adiantar: a sexta-feira santa aqui foi inesperada.
Inesperada porque fomos convidados para um almoço na casa dos nossos amigos brasileiros em que teve até moqueca.
E o dia acabou com a gente jogando truco no jardim.
Às vezes nem dá para acreditar que a gente está no Oriente Médio...
Estou me sentindo muito culpado por não ter atualizado o blog. O pior é que tenho uns 20 posts para escrever - tem muita coisa para contar.
Uma coisa eu já posso adiantar: a sexta-feira santa aqui foi inesperada.
Inesperada porque fomos convidados para um almoço na casa dos nossos amigos brasileiros em que teve até moqueca.
E o dia acabou com a gente jogando truco no jardim.
Às vezes nem dá para acreditar que a gente está no Oriente Médio...
Tuesday, April 11, 2006
Amanhã faz 10 meses que cheguei a Dubai.
Parecem que foram uns 10 anos.
Olhando para trás é impressionante que todas as coisas que antes pareciam extraordinárias hoje fazem parte do meu dia a dia, às vezes nem percebidas.
O ser humano é dominou o planeta Terra por causa da sua capacidade de se adaptar.
E eu, que pensei que ia ser difícil ficar mais do que três meses, estou aqui.
Parecem que foram uns 10 anos.
Olhando para trás é impressionante que todas as coisas que antes pareciam extraordinárias hoje fazem parte do meu dia a dia, às vezes nem percebidas.
O ser humano é dominou o planeta Terra por causa da sua capacidade de se adaptar.
E eu, que pensei que ia ser difícil ficar mais do que três meses, estou aqui.
Friday, March 31, 2006
À indiana.
Como algumas pessoas devem saber, Dubai tem mais estrangeiros do que locais. Não apenas mais, muito mais.
80% da população aqui é de estrangeiros. E 60% deles são indianos.
Eles estão para todos os lados - principalmente porque a maioria trabalha em obras ou dirigem taxis, coisa que não falta por aqui. Mão de obra farta e barata.
Pense em Dubai como uma versão oriental do Sul Maravilha para toda a Ásia. Os nordestinos de todo o mundo vem para cá. Indianos, paquistaneses, filipinos, tailandeses, iranianos, chineses, gente de todo o lado.
Humildes de todos os lados vêm para tentar a sorte na cidade grande e cheia de dinheiro. Moram em espeluncas (sempre quis usar essa palavra em um texto) com grupos enormes de gente com esperança de mudar a vida e mandar dinheiro para casa de tempos em tempos.
E como ralam para isso.
Mas os indianos são a maioria disparada. O país-continente que tem mais de um bilhão de habitantes produz de tudo, das mentes mais brilhantes aos seres mais toscos.
E quando falamos sobre tosquidão eles conseguem superar tudo que se tem notícia.
Quando você está na praia e a tarde está no fim ela começa a ficar cheia de trabalhadores das construções da região. Eles andam em bandos, todos coladinhos e alguns com as mãos dadas.
Por mais que eu contenha este preconceito idiota e faça força para incorporar o meu lado cidadão-do-mundo-mente-aberta-puta-cara-cabeça eu vejo surgir dentro de mim aquela necessidade irresistível de incorporar o Didi Mocó e falar "hmmmmmm, ô da poltrona, o rapaz camufla..."
Eles andam pela praia usando roupas pesadas - tanto túnicas quanto camisas xadrez e calça comprida e sapato - naquele calor do cacete e à beira-mar. E, para completar a imagem de tosquidão, ficam secando que nem lobos famintos durante o inverno todas as mulheres da praia. Coisa irritante.
Quando me sinto muito superior lembro das praias no litoral norte onde os imbecis de São Paulo param seus carrões, abrem o porta-malas para tocar Axé music em decibéis que alcançam quase 4 dígitos enquanto tomam cerveja e mexem com a mulherada e percebo que a tosquidão tem muitas formas.
Eles não tem É o Tchan!
Mas essa é uma característica deles. Os caras sempre andam em bando, coladinhos. Deve ser essa a maneira que eles encontram para se sentir em casa.
Num país superpovoado é natural estar colado em alguém. Um bom amigo meu - indiano - estava me contando que em Mumbai - antiga Bombaim - tem tanta gente que tem pessoas que moram naquelas ilhas que ficam no meio das avenidas. Isso mesmo, naquele trechinho de calçada que separa os dois lados da avenida.
Outro pedaço de informação interessante veio de uma comissária da Emirates que é brasileira.
Como aqui estamos falando de vários países que estão separados por oceanos, montanhas e guerras civis, não existe a versão local do pau-de-arara. Todos viajam de avião - inclusive os mais toscos.
Imagina como é para um cara que nunca viajou de avião e que está viajando para trabalhar em uma obra imensa 6 dias por semana, 12 horas por dia numa temperatura que pode chegar a 50 graus e para descansar ao final da jornada de trabalho vai dividir um barracão com outros 23 indivíduos.
Ela me disse que nem dá para mencionar que existem opções de comida. Primeiro eles não entendem inglês e segundo eles não entendem que não precisam pagar pela comida.
Do lado esquerdo, frango e 7UP. Do direito, macarrão e Pepsi.
Se não for assim vai ser o caos.
E os banheiros fazem as latrinas do morumbi no dia de Curíntia e Parmeira parecer o banheiro do Fasano em comparação.
Vida dura essa de comissária.
Mas foi ela que me fez atentar para um pedaço de informação essencial.
Por que Fila Indiana?
Porque a na Índia tem tanta gente que se você abrir um espacinho para o cara da frente entram uns 9 no meio.
Olha a ficha caindo...
Como algumas pessoas devem saber, Dubai tem mais estrangeiros do que locais. Não apenas mais, muito mais.
80% da população aqui é de estrangeiros. E 60% deles são indianos.
Eles estão para todos os lados - principalmente porque a maioria trabalha em obras ou dirigem taxis, coisa que não falta por aqui. Mão de obra farta e barata.
Pense em Dubai como uma versão oriental do Sul Maravilha para toda a Ásia. Os nordestinos de todo o mundo vem para cá. Indianos, paquistaneses, filipinos, tailandeses, iranianos, chineses, gente de todo o lado.
Humildes de todos os lados vêm para tentar a sorte na cidade grande e cheia de dinheiro. Moram em espeluncas (sempre quis usar essa palavra em um texto) com grupos enormes de gente com esperança de mudar a vida e mandar dinheiro para casa de tempos em tempos.
E como ralam para isso.
Mas os indianos são a maioria disparada. O país-continente que tem mais de um bilhão de habitantes produz de tudo, das mentes mais brilhantes aos seres mais toscos.
E quando falamos sobre tosquidão eles conseguem superar tudo que se tem notícia.
Quando você está na praia e a tarde está no fim ela começa a ficar cheia de trabalhadores das construções da região. Eles andam em bandos, todos coladinhos e alguns com as mãos dadas.
Por mais que eu contenha este preconceito idiota e faça força para incorporar o meu lado cidadão-do-mundo-mente-aberta-puta-cara-cabeça eu vejo surgir dentro de mim aquela necessidade irresistível de incorporar o Didi Mocó e falar "hmmmmmm, ô da poltrona, o rapaz camufla..."
Eles andam pela praia usando roupas pesadas - tanto túnicas quanto camisas xadrez e calça comprida e sapato - naquele calor do cacete e à beira-mar. E, para completar a imagem de tosquidão, ficam secando que nem lobos famintos durante o inverno todas as mulheres da praia. Coisa irritante.
Quando me sinto muito superior lembro das praias no litoral norte onde os imbecis de São Paulo param seus carrões, abrem o porta-malas para tocar Axé music em decibéis que alcançam quase 4 dígitos enquanto tomam cerveja e mexem com a mulherada e percebo que a tosquidão tem muitas formas.
Eles não tem É o Tchan!
Mas essa é uma característica deles. Os caras sempre andam em bando, coladinhos. Deve ser essa a maneira que eles encontram para se sentir em casa.
Num país superpovoado é natural estar colado em alguém. Um bom amigo meu - indiano - estava me contando que em Mumbai - antiga Bombaim - tem tanta gente que tem pessoas que moram naquelas ilhas que ficam no meio das avenidas. Isso mesmo, naquele trechinho de calçada que separa os dois lados da avenida.
Outro pedaço de informação interessante veio de uma comissária da Emirates que é brasileira.
Como aqui estamos falando de vários países que estão separados por oceanos, montanhas e guerras civis, não existe a versão local do pau-de-arara. Todos viajam de avião - inclusive os mais toscos.
Imagina como é para um cara que nunca viajou de avião e que está viajando para trabalhar em uma obra imensa 6 dias por semana, 12 horas por dia numa temperatura que pode chegar a 50 graus e para descansar ao final da jornada de trabalho vai dividir um barracão com outros 23 indivíduos.
Ela me disse que nem dá para mencionar que existem opções de comida. Primeiro eles não entendem inglês e segundo eles não entendem que não precisam pagar pela comida.
Do lado esquerdo, frango e 7UP. Do direito, macarrão e Pepsi.
Se não for assim vai ser o caos.
E os banheiros fazem as latrinas do morumbi no dia de Curíntia e Parmeira parecer o banheiro do Fasano em comparação.
Vida dura essa de comissária.
Mas foi ela que me fez atentar para um pedaço de informação essencial.
Por que Fila Indiana?
Porque a na Índia tem tanta gente que se você abrir um espacinho para o cara da frente entram uns 9 no meio.
Olha a ficha caindo...
Thursday, March 30, 2006
Good Night and Good Luck.
Como é possível que o maldito do George Clooney também seja um cineasta de primeira?
O cara é galã, ganha milhões, joga bem basquete, é bom ator e agora também é um diretor de primeira linha?
O cara merece a morte!
Ontem assisti Good Night and Good Luck, este filme sobre a luta entre um jornalista e o senador republicano Joseph McCarthy, um paranóico conspiracionista que estava promovendo a caça aos comunistas nos anos 50 nos EUA.
O filme é brilhante. Simples, econômico e maduro.
O roteiro impecável e as os textos do Edward R. Murrow - o tal jornalista - são citações exatas do que ele havia dito nos anos 50.
Uma defesa brilhante das liberdades que estão garantidas na constituição americana - e que são ignoradas de tempos em tempos para justificar causas diversas.
O cara dominava absolutamente a capacidade de se expressar. Dá inveja.
Sobra pancada para todos os lados: o congresso, o governo, a televisão e mesmo a apatia do povo americano em aceitar tudo. Mas que leva mesmo o golpe é o governo de George Bush e seu Patriot Act, que distorce o conceito de liberdades individuais para defender - surpresa - a liberdade.
Liberdade, essa palavrinha que parece que perdeu o sentido e virou apenas a justificativa para agir em favor de certos grupos de poder.
Ontem eu li uma frase excelente que tem tudo a ver com isso:
"Democracia é eu mandando em você.
Ditadura é você mandando em mim."
O filme é todo em preto e branco. Uma metáfora sobre um tempo em que todas as verdades pareciam claras e definitivas.
Como é possível que o maldito do George Clooney também seja um cineasta de primeira?
O cara é galã, ganha milhões, joga bem basquete, é bom ator e agora também é um diretor de primeira linha?
O cara merece a morte!
Ontem assisti Good Night and Good Luck, este filme sobre a luta entre um jornalista e o senador republicano Joseph McCarthy, um paranóico conspiracionista que estava promovendo a caça aos comunistas nos anos 50 nos EUA.
O filme é brilhante. Simples, econômico e maduro.
O roteiro impecável e as os textos do Edward R. Murrow - o tal jornalista - são citações exatas do que ele havia dito nos anos 50.
Uma defesa brilhante das liberdades que estão garantidas na constituição americana - e que são ignoradas de tempos em tempos para justificar causas diversas.
O cara dominava absolutamente a capacidade de se expressar. Dá inveja.
Sobra pancada para todos os lados: o congresso, o governo, a televisão e mesmo a apatia do povo americano em aceitar tudo. Mas que leva mesmo o golpe é o governo de George Bush e seu Patriot Act, que distorce o conceito de liberdades individuais para defender - surpresa - a liberdade.
Liberdade, essa palavrinha que parece que perdeu o sentido e virou apenas a justificativa para agir em favor de certos grupos de poder.
Ontem eu li uma frase excelente que tem tudo a ver com isso:
"Democracia é eu mandando em você.
Ditadura é você mandando em mim."
O filme é todo em preto e branco. Uma metáfora sobre um tempo em que todas as verdades pareciam claras e definitivas.
Tuesday, March 28, 2006
Comemoração.
Ontem foi aniversário da Dri. Para comemorar ela se presenteou com a caixa da série Lost.
Viciante.
Ontem assistimos 6 episódios, aproveitando que a a dona fofinha foi dormir cedo.
Fomos dormir com vontade de ver mais.
O meu presente foi meio diferente: registrei uma estrela com o nome dela.
Eu gostei da idéia de dar um presente que vai durar alguns bilhões de anos e que, se por acaso um dia for encontrada uma civilização alienígena por lá, eles vão ser chamados de Adrianos.
Tudo isso por um punhado de dólares.
E eles aceitam cartão.
Ontem foi aniversário da Dri. Para comemorar ela se presenteou com a caixa da série Lost.
Viciante.
Ontem assistimos 6 episódios, aproveitando que a a dona fofinha foi dormir cedo.
Fomos dormir com vontade de ver mais.
O meu presente foi meio diferente: registrei uma estrela com o nome dela.
Eu gostei da idéia de dar um presente que vai durar alguns bilhões de anos e que, se por acaso um dia for encontrada uma civilização alienígena por lá, eles vão ser chamados de Adrianos.
Tudo isso por um punhado de dólares.
E eles aceitam cartão.
Sunday, March 19, 2006
Os Deuses devem estar putos.
Eu não sou um cara com muitos sonhos de consumo. Meus gostos são simples: gosto de livros, filmes e de viajar.
Nada de gadgets eletrônicos, relógios caros, roupas de griffe e outras frescuras.
Mas uma coisa acontece de vez em quando. Eu tenho vontade de ter um carro específico. Pode ser uma caminhonete - carro de egoísta em que só cabem dois - um dojão que vive dando problema e, como aconteceu recentemente, uma Pajero do modelo antigo.
Eu tinha essa vontade de ter uma Pajero há uns 3 anos. No Brasil não rolava - o seguro era caro, a manutenção era muito cara e o carro em si era como um cartão de visitas que dizia aos bandido "por favor, me seqüestre", mesmo que uma Pajero usada estivesse custando menos do que um Fiesta Totalflex.
Aqui era totalmente diferente: o carro estava barato e, se alguém tentar me seqüestrar e for pego eles cortam a mão ou algo pior.
Então tratei de satisfazer essa vontade. Comprei uma Pajero usada - bem usada, aliás, mas em grande forma.
Os primeiros meses foram bons. Um um monte de coisinhas para fazer no carro mas tudo estava indo às mil maravilhas.
Há mais ou menos umas duas semanas eu resolvi fazer aquele pitstop. Tinha um barulho me incomodando que justificava a parada e lá fui eu.
4 dias sem carro e uma pusta grana gasta. Acho que trocaram metade das peças da Pajero.
E o maldito barulho ainda estava lá.
Raiva.
Fiquei de levar o carro para resolver este problema outro dia - não aguentava mais ficar sem carro em Dubai.
Aí veio o sábado. A Dri não deveria ir trabalhar no sábado, mas o big boss da microsoft golfo tinha marcado uma megareunião.
Ela ficou com o carro durante e manhã, pegou a gente para almoçar e a deixamos na firrrrrrma.
Sete da noite e ela nos chama para buscá-la. Coloco a dona fofinha no assento - o que foi um parto, porque a pequena estava com a bateria no fim e ligo o carro.
Por falar em bateria...
A dita cuja estava no sofrendo seus últimos momentos de vida. Pelo menos assim eu pensava.
Nada de ligar o carro. Liguei para Dri e disse para ela pegar um taxi. Não dava para fazer nada.
Mais uma vez deu aquela sensação de estar perdido numa terra estranha e que não faz sentido. Quem chamar numa situação dessas?
O seguro meia-boca só serve para cobrir os custos da destruição total e parcial do seu carro e o de terceiros que por ventura venham a ser atingidos pelo mesmo.
A única coisa que me ocorreu naquele momento foi ligar para um amigo sírio aqui da agência. Ele mora em Dubai há uns 19 anos e com certeza ele teria todas as respostas.
Bom, as respostas ele não tinha, mas tinha os cabos necessários para fazer uma chupeta. Por favor, não pensem nada errado. Era só para recarregar a bateria.
Sábado à noite e lá vem ele até minha casa para fazer o carro pegar, para eu poder ir pelo menos até um mecânico 24 horas para trocar a bateria - se fosse este o problema.
Funcionou. Agradeci ao meu amigo e lá fui eu enfrentar a noite dubaiana.
Logo após sair do condomínio o carro começou a perder potência. Estranho. De repente os instrumentos não funcionavam mais e o carro foi ficando fraco, fraquinho, muito fraco...
Tentei voltar para casa mas não deu.
Parei no meio da estrada.
Chamo de novo o meu amigo. Coitado.
Mais uma tentativa. Oba! Acho que agora vai dar.
Para encurtar o caminho pego a estrada que fica atrás do condomínio - a Al Khail Road. Uma estrada de alta velocidade e cheia de caminhões. Para completar o cenário tem uma tempestade de areia acontecendo e ela está ficando cada vez mais forte.
Peguei a estrada e, depois de andar o suficiente para estar longe de qualquer coisa, o carro moribundo dá o seu último suspiro.
Nestas horas que eu agradeço pelo irritante telefone celular.
Chamei meu amigo de novo. Coitado, de novo. Não teve jeito, era um carro perdido.
Lá fiquei eu tentando entrar em contato com o mecânico que arrancou meu couro uma semana antes para me socorrer.
Sabe aquele náufrago que se salvou em um bote-salva vidas e passa meses à deriva sem salvação, vendo os barcos passarem.
Os barcos no caso eram caminhões passando à toda velocidade, chacoalhando a Pajero como se ela fosse um Uno Mille com uma galera dançando Techno dentro.
E tinha a tempestade de areia também. E eu estava no meio do deserto. De noite. Tudo isso no mesmo pacote.
Quer mais? Vamos adicionar mais um elemento exótico na mistura para dar um sabor único.
Começou a chover.
Caceta, o que falta mais acontecer?
O socorro demorar.
E demorou mais de uma hora e meia.
Lá estava eu, um náufrago terrestre o meio de uma tempestade de areia com chuva (!) no meio do deserto em uma das estradas mais perigosas do mundo.
A salvação surgiu na forma de um indiano no seu caminhão reboque. Tivemos altos papos, onde ele deve ter entendido no máximo umas 3 palavras. Mas nos divertimos bastante.
Ele colocou a Pajero na carreta e me levou até a mecânica, que claro, estava fechada na hora.
Mas os caras estavam preparados no dia seguinte para pegar meu carro, eliminar os problemas e eliminar qualquer vestígio de dinheiro do meu bolso.
Assim foi. Acho que as peças que eles ainda não tinham trocado no motor foram todas trocas. Pelo menos foi isso o que o meu bolso disse.
Quando um mecânico te diz para sentar quando vai te contar o valor do conserto nós sabemos que a coisa é séria.
Nós somos realmente totalmente reféns dos mecânicos, dada a nossa ignorância quanto aos assuntos, digamos, mecânicos.
Agora pensem como é quando alguém te diz que o problema é na rebimboca da parafuseta, mas em inglês!
Aí somos mais reféns que nunca.
Pelo menos uma coisa boa eu posso dizer sobre toda essa história: o chefe da oficina - um australiano - sabia falar meu nome direitinho! E olha que eu nem ensinei.
Always look at the bright side of life.
Eu não sou um cara com muitos sonhos de consumo. Meus gostos são simples: gosto de livros, filmes e de viajar.
Nada de gadgets eletrônicos, relógios caros, roupas de griffe e outras frescuras.
Mas uma coisa acontece de vez em quando. Eu tenho vontade de ter um carro específico. Pode ser uma caminhonete - carro de egoísta em que só cabem dois - um dojão que vive dando problema e, como aconteceu recentemente, uma Pajero do modelo antigo.
Eu tinha essa vontade de ter uma Pajero há uns 3 anos. No Brasil não rolava - o seguro era caro, a manutenção era muito cara e o carro em si era como um cartão de visitas que dizia aos bandido "por favor, me seqüestre", mesmo que uma Pajero usada estivesse custando menos do que um Fiesta Totalflex.
Aqui era totalmente diferente: o carro estava barato e, se alguém tentar me seqüestrar e for pego eles cortam a mão ou algo pior.
Então tratei de satisfazer essa vontade. Comprei uma Pajero usada - bem usada, aliás, mas em grande forma.
Os primeiros meses foram bons. Um um monte de coisinhas para fazer no carro mas tudo estava indo às mil maravilhas.
Há mais ou menos umas duas semanas eu resolvi fazer aquele pitstop. Tinha um barulho me incomodando que justificava a parada e lá fui eu.
4 dias sem carro e uma pusta grana gasta. Acho que trocaram metade das peças da Pajero.
E o maldito barulho ainda estava lá.
Raiva.
Fiquei de levar o carro para resolver este problema outro dia - não aguentava mais ficar sem carro em Dubai.
Aí veio o sábado. A Dri não deveria ir trabalhar no sábado, mas o big boss da microsoft golfo tinha marcado uma megareunião.
Ela ficou com o carro durante e manhã, pegou a gente para almoçar e a deixamos na firrrrrrma.
Sete da noite e ela nos chama para buscá-la. Coloco a dona fofinha no assento - o que foi um parto, porque a pequena estava com a bateria no fim e ligo o carro.
Por falar em bateria...
A dita cuja estava no sofrendo seus últimos momentos de vida. Pelo menos assim eu pensava.
Nada de ligar o carro. Liguei para Dri e disse para ela pegar um taxi. Não dava para fazer nada.
Mais uma vez deu aquela sensação de estar perdido numa terra estranha e que não faz sentido. Quem chamar numa situação dessas?
O seguro meia-boca só serve para cobrir os custos da destruição total e parcial do seu carro e o de terceiros que por ventura venham a ser atingidos pelo mesmo.
A única coisa que me ocorreu naquele momento foi ligar para um amigo sírio aqui da agência. Ele mora em Dubai há uns 19 anos e com certeza ele teria todas as respostas.
Bom, as respostas ele não tinha, mas tinha os cabos necessários para fazer uma chupeta. Por favor, não pensem nada errado. Era só para recarregar a bateria.
Sábado à noite e lá vem ele até minha casa para fazer o carro pegar, para eu poder ir pelo menos até um mecânico 24 horas para trocar a bateria - se fosse este o problema.
Funcionou. Agradeci ao meu amigo e lá fui eu enfrentar a noite dubaiana.
Logo após sair do condomínio o carro começou a perder potência. Estranho. De repente os instrumentos não funcionavam mais e o carro foi ficando fraco, fraquinho, muito fraco...
Tentei voltar para casa mas não deu.
Parei no meio da estrada.
Chamo de novo o meu amigo. Coitado.
Mais uma tentativa. Oba! Acho que agora vai dar.
Para encurtar o caminho pego a estrada que fica atrás do condomínio - a Al Khail Road. Uma estrada de alta velocidade e cheia de caminhões. Para completar o cenário tem uma tempestade de areia acontecendo e ela está ficando cada vez mais forte.
Peguei a estrada e, depois de andar o suficiente para estar longe de qualquer coisa, o carro moribundo dá o seu último suspiro.
Nestas horas que eu agradeço pelo irritante telefone celular.
Chamei meu amigo de novo. Coitado, de novo. Não teve jeito, era um carro perdido.
Lá fiquei eu tentando entrar em contato com o mecânico que arrancou meu couro uma semana antes para me socorrer.
Sabe aquele náufrago que se salvou em um bote-salva vidas e passa meses à deriva sem salvação, vendo os barcos passarem.
Os barcos no caso eram caminhões passando à toda velocidade, chacoalhando a Pajero como se ela fosse um Uno Mille com uma galera dançando Techno dentro.
E tinha a tempestade de areia também. E eu estava no meio do deserto. De noite. Tudo isso no mesmo pacote.
Quer mais? Vamos adicionar mais um elemento exótico na mistura para dar um sabor único.
Começou a chover.
Caceta, o que falta mais acontecer?
O socorro demorar.
E demorou mais de uma hora e meia.
Lá estava eu, um náufrago terrestre o meio de uma tempestade de areia com chuva (!) no meio do deserto em uma das estradas mais perigosas do mundo.
A salvação surgiu na forma de um indiano no seu caminhão reboque. Tivemos altos papos, onde ele deve ter entendido no máximo umas 3 palavras. Mas nos divertimos bastante.
Ele colocou a Pajero na carreta e me levou até a mecânica, que claro, estava fechada na hora.
Mas os caras estavam preparados no dia seguinte para pegar meu carro, eliminar os problemas e eliminar qualquer vestígio de dinheiro do meu bolso.
Assim foi. Acho que as peças que eles ainda não tinham trocado no motor foram todas trocas. Pelo menos foi isso o que o meu bolso disse.
Quando um mecânico te diz para sentar quando vai te contar o valor do conserto nós sabemos que a coisa é séria.
Nós somos realmente totalmente reféns dos mecânicos, dada a nossa ignorância quanto aos assuntos, digamos, mecânicos.
Agora pensem como é quando alguém te diz que o problema é na rebimboca da parafuseta, mas em inglês!
Aí somos mais reféns que nunca.
Pelo menos uma coisa boa eu posso dizer sobre toda essa história: o chefe da oficina - um australiano - sabia falar meu nome direitinho! E olha que eu nem ensinei.
Always look at the bright side of life.
Saturday, March 18, 2006
Semaninha do cão.
Caramba, eu tinha umas 20 histórias para contar mas eu tive uma semana tão miserável que não consegui escrever uma palavra.
Trabalho demais, pentelhação demais e tempo de menos.
Além disso ainda tenho uma cacetada de emails para responder. Amigos, não esqueci de você não!!!
Vou tentar atualizar o blog neste final de semana.
Caramba, eu tinha umas 20 histórias para contar mas eu tive uma semana tão miserável que não consegui escrever uma palavra.
Trabalho demais, pentelhação demais e tempo de menos.
Além disso ainda tenho uma cacetada de emails para responder. Amigos, não esqueci de você não!!!
Vou tentar atualizar o blog neste final de semana.
Sunday, March 12, 2006
Problemas de linguagem.
Uma das memórias mais intensas da minha infância dos momentos que meu pai passava brincando com a gente.
Nós dois pequenininhos aproveitando as brincadeiras que ele inventava ou incorporava de outros lugares.
Uma das minhas favoritas era uma que ele imitava um quadro da Praça da Alegria (isso é velho), um precursor de A Praça é Nossa (credo!).
O quadro era sempre a mesma coisa. Toda semana era a mesma piada, desde os tempos do rádio.
O Carlos Alberto da Nóbrega - o segundo do clã a fazer as mesmas piadas - sentava no banco da praça e recebia seus amigos bizarros.
Mas tinha este quadro específico que inspirou meu pai e fazia a nossa alegria - pelo menos aos 4 anos de idade eu gostava da Praça. Era um em que ele encontrava seu amigo alemão que ainda não sabia português direito, quadro protagonizado pelo Jô Soares, e ensinavam a ele palavras erradas para designar coisas que ele não sabia.
Chapéu eles chamavam de penico (ou pinico?), e lá ia o alemão contando como gostava de colocar o penico - na cabeça e tirar o penico para as mulheres.
Toda a semana era a mesma coisa. E nós rolávamos de rir. Bom, eu só tinha uns 4 anos, lembrem-se.
Mas era muito mais divertido quando meu pai fazia essa brincadeira.
Eu falei tudo isso para contar que ainda hoje essa confusão de palavras ainda faz a minha alegria. Uma alegria reminiscente do pequeno que fui mas também uma alegria de quem acha tudo isso ainda engraçado.
E que tal dar uma olhada no pôster de um filme libanês que é um sucesso estrondoso recente para saber como eu ainda consigo dar umas boas risadas com umas palavras fora de lugar.

(Só um detalhe, o nome do filme não é Besta. Sim é exatamente isto que você está pensando.)
Uma das memórias mais intensas da minha infância dos momentos que meu pai passava brincando com a gente.
Nós dois pequenininhos aproveitando as brincadeiras que ele inventava ou incorporava de outros lugares.
Uma das minhas favoritas era uma que ele imitava um quadro da Praça da Alegria (isso é velho), um precursor de A Praça é Nossa (credo!).
O quadro era sempre a mesma coisa. Toda semana era a mesma piada, desde os tempos do rádio.
O Carlos Alberto da Nóbrega - o segundo do clã a fazer as mesmas piadas - sentava no banco da praça e recebia seus amigos bizarros.
Mas tinha este quadro específico que inspirou meu pai e fazia a nossa alegria - pelo menos aos 4 anos de idade eu gostava da Praça. Era um em que ele encontrava seu amigo alemão que ainda não sabia português direito, quadro protagonizado pelo Jô Soares, e ensinavam a ele palavras erradas para designar coisas que ele não sabia.
Chapéu eles chamavam de penico (ou pinico?), e lá ia o alemão contando como gostava de colocar o penico - na cabeça e tirar o penico para as mulheres.
Toda a semana era a mesma coisa. E nós rolávamos de rir. Bom, eu só tinha uns 4 anos, lembrem-se.
Mas era muito mais divertido quando meu pai fazia essa brincadeira.
Eu falei tudo isso para contar que ainda hoje essa confusão de palavras ainda faz a minha alegria. Uma alegria reminiscente do pequeno que fui mas também uma alegria de quem acha tudo isso ainda engraçado.
E que tal dar uma olhada no pôster de um filme libanês que é um sucesso estrondoso recente para saber como eu ainda consigo dar umas boas risadas com umas palavras fora de lugar.

(Só um detalhe, o nome do filme não é Besta. Sim é exatamente isto que você está pensando.)
Saturday, March 11, 2006
Thursday, March 09, 2006
Tuesday, March 07, 2006
Assistam "Layer Cake".
Filminho legal com um estilo meio "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes". Aliás o diretor Layer Cake foi o produtor de Jogos, Trapaças.
Nele está o soon to be James Bond, Daniel Craig. O carinha manda bem. Mas tem mais cara de chefão da máfia russa do que agente inglês.
Uma história legal de vida bandida filmada como se fosse um comercial de duas horas. Publicitários vão gostar.
Filminho legal com um estilo meio "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes". Aliás o diretor Layer Cake foi o produtor de Jogos, Trapaças.
Nele está o soon to be James Bond, Daniel Craig. O carinha manda bem. Mas tem mais cara de chefão da máfia russa do que agente inglês.
Uma história legal de vida bandida filmada como se fosse um comercial de duas horas. Publicitários vão gostar.
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