Friday, April 21, 2006

Toto, we are not in Kansas anymore...

Como é a sensação de estar do lado de um múlti-bilionário? E como é a sensação de encontrar por acaso o governante de um país andando num shopping?

Como algumas pessoas já devem saber, a agência onde eu trabalho fica nas Emirates Towers - por enquanto os prédios mais altos de do Oriente Médio.
Por acaso o CEO de Dubai - como o Sheikh Mohammad gosta de ser chamado - tem um escritório aqui.
Também por acaso ele é o dono do prédio.
Eis que esta semana eu estava voltando de um almoço no McDonald's (é junk food é como um vírus, se espalha para todo lado), que fica fora das torres e entrei pelo shopping que fica na base dos prédios. Um shopping ultra-sofisticado e caro onde estão as marcas mais cobiçadas desta fútil indústria do luxo.
Então eu vejo um grupo de 3 carinhas usando as dish dashas - aquela roupinha de petromilionário ou de árabe de carnaval, dependendo do seu universo de referência - andando ali na maior tranquilidade.
E o cara do centro era O Cara.
Sheikh Mohammad himself. Andando na boa como um mero mortal - ou assalariado.
Sem segurança, sem dezenas de repórteres seguindo, indo bater um rango no Scarlett's - um restaurante que eu considero meia-boquérrimo com estilo americano: hambúrgueres, pizza, uns troços de frango e um monte de appetizers caros.
E o cara estava pedindo uma mesa para a hostess.
Já imaginou ela: "mesa para 3, fumante ou não fumante? A espera é de 20 minutos, tudo bem para o senhor?"
A gente vive tão emparedado no Brasil que é estranho levar uma vida normal ou ver alguém levando uma vida normal - especialmente se esta pessoa é completamente anormal.

Alá Lá Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô...

Thursday, April 20, 2006

Hoje a Carolina mandou uma muito boa.
Eu estava preparando um leite com chocolate (aqui não tem Nescau) meio distraído com a pequena do lado.
Aí eu derramei um pouco do leite na mesa e ela veio com essa.
"Você fez sujeila, papai. Isso é muito feio. A Calolina tá blava com você"
E tudo isso com ela fazendo cara de brava e com aquela vozinha dos pequeninos.
Esta vai para o backup.

Wednesday, April 19, 2006

Meu reino por um pacote de amendoim japonês!
Estas últimas semanas foram MUITO corridas.
Estou me sentindo muito culpado por não ter atualizado o blog. O pior é que tenho uns 20 posts para escrever - tem muita coisa para contar.
Uma coisa eu já posso adiantar: a sexta-feira santa aqui foi inesperada.
Inesperada porque fomos convidados para um almoço na casa dos nossos amigos brasileiros em que teve até moqueca.
E o dia acabou com a gente jogando truco no jardim.
Às vezes nem dá para acreditar que a gente está no Oriente Médio...

Tuesday, April 11, 2006

Amanhã faz 10 meses que cheguei a Dubai.
Parecem que foram uns 10 anos.
Olhando para trás é impressionante que todas as coisas que antes pareciam extraordinárias hoje fazem parte do meu dia a dia, às vezes nem percebidas.
O ser humano é dominou o planeta Terra por causa da sua capacidade de se adaptar.
E eu, que pensei que ia ser difícil ficar mais do que três meses, estou aqui.

Friday, March 31, 2006

À indiana.

Como algumas pessoas devem saber, Dubai tem mais estrangeiros do que locais. Não apenas mais, muito mais.
80% da população aqui é de estrangeiros. E 60% deles são indianos.
Eles estão para todos os lados - principalmente porque a maioria trabalha em obras ou dirigem taxis, coisa que não falta por aqui. Mão de obra farta e barata.
Pense em Dubai como uma versão oriental do Sul Maravilha para toda a Ásia. Os nordestinos de todo o mundo vem para cá. Indianos, paquistaneses, filipinos, tailandeses, iranianos, chineses, gente de todo o lado.
Humildes de todos os lados vêm para tentar a sorte na cidade grande e cheia de dinheiro. Moram em espeluncas (sempre quis usar essa palavra em um texto) com grupos enormes de gente com esperança de mudar a vida e mandar dinheiro para casa de tempos em tempos.
E como ralam para isso.
Mas os indianos são a maioria disparada. O país-continente que tem mais de um bilhão de habitantes produz de tudo, das mentes mais brilhantes aos seres mais toscos.
E quando falamos sobre tosquidão eles conseguem superar tudo que se tem notícia.
Quando você está na praia e a tarde está no fim ela começa a ficar cheia de trabalhadores das construções da região. Eles andam em bandos, todos coladinhos e alguns com as mãos dadas.
Por mais que eu contenha este preconceito idiota e faça força para incorporar o meu lado cidadão-do-mundo-mente-aberta-puta-cara-cabeça eu vejo surgir dentro de mim aquela necessidade irresistível de incorporar o Didi Mocó e falar "hmmmmmm, ô da poltrona, o rapaz camufla..."
Eles andam pela praia usando roupas pesadas - tanto túnicas quanto camisas xadrez e calça comprida e sapato - naquele calor do cacete e à beira-mar. E, para completar a imagem de tosquidão, ficam secando que nem lobos famintos durante o inverno todas as mulheres da praia. Coisa irritante.
Quando me sinto muito superior lembro das praias no litoral norte onde os imbecis de São Paulo param seus carrões, abrem o porta-malas para tocar Axé music em decibéis que alcançam quase 4 dígitos enquanto tomam cerveja e mexem com a mulherada e percebo que a tosquidão tem muitas formas.
Eles não tem É o Tchan!
Mas essa é uma característica deles. Os caras sempre andam em bando, coladinhos. Deve ser essa a maneira que eles encontram para se sentir em casa.
Num país superpovoado é natural estar colado em alguém. Um bom amigo meu - indiano - estava me contando que em Mumbai - antiga Bombaim - tem tanta gente que tem pessoas que moram naquelas ilhas que ficam no meio das avenidas. Isso mesmo, naquele trechinho de calçada que separa os dois lados da avenida.
Outro pedaço de informação interessante veio de uma comissária da Emirates que é brasileira.
Como aqui estamos falando de vários países que estão separados por oceanos, montanhas e guerras civis, não existe a versão local do pau-de-arara. Todos viajam de avião - inclusive os mais toscos.
Imagina como é para um cara que nunca viajou de avião e que está viajando para trabalhar em uma obra imensa 6 dias por semana, 12 horas por dia numa temperatura que pode chegar a 50 graus e para descansar ao final da jornada de trabalho vai dividir um barracão com outros 23 indivíduos.
Ela me disse que nem dá para mencionar que existem opções de comida. Primeiro eles não entendem inglês e segundo eles não entendem que não precisam pagar pela comida.
Do lado esquerdo, frango e 7UP. Do direito, macarrão e Pepsi.
Se não for assim vai ser o caos.
E os banheiros fazem as latrinas do morumbi no dia de Curíntia e Parmeira parecer o banheiro do Fasano em comparação.
Vida dura essa de comissária.
Mas foi ela que me fez atentar para um pedaço de informação essencial.
Por que Fila Indiana?
Porque a na Índia tem tanta gente que se você abrir um espacinho para o cara da frente entram uns 9 no meio.
Olha a ficha caindo...

Thursday, March 30, 2006

Good Night and Good Luck.

Como é possível que o maldito do George Clooney também seja um cineasta de primeira?
O cara é galã, ganha milhões, joga bem basquete, é bom ator e agora também é um diretor de primeira linha?
O cara merece a morte!
Ontem assisti Good Night and Good Luck, este filme sobre a luta entre um jornalista e o senador republicano Joseph McCarthy, um paranóico conspiracionista que estava promovendo a caça aos comunistas nos anos 50 nos EUA.
O filme é brilhante. Simples, econômico e maduro.
O roteiro impecável e as os textos do Edward R. Murrow - o tal jornalista - são citações exatas do que ele havia dito nos anos 50.
Uma defesa brilhante das liberdades que estão garantidas na constituição americana - e que são ignoradas de tempos em tempos para justificar causas diversas.
O cara dominava absolutamente a capacidade de se expressar. Dá inveja.
Sobra pancada para todos os lados: o congresso, o governo, a televisão e mesmo a apatia do povo americano em aceitar tudo. Mas que leva mesmo o golpe é o governo de George Bush e seu Patriot Act, que distorce o conceito de liberdades individuais para defender - surpresa - a liberdade.
Liberdade, essa palavrinha que parece que perdeu o sentido e virou apenas a justificativa para agir em favor de certos grupos de poder.
Ontem eu li uma frase excelente que tem tudo a ver com isso:
"Democracia é eu mandando em você.
Ditadura é você mandando em mim."

O filme é todo em preto e branco. Uma metáfora sobre um tempo em que todas as verdades pareciam claras e definitivas.

Tuesday, March 28, 2006

Comemoração.

Ontem foi aniversário da Dri. Para comemorar ela se presenteou com a caixa da série Lost.
Viciante.
Ontem assistimos 6 episódios, aproveitando que a a dona fofinha foi dormir cedo.
Fomos dormir com vontade de ver mais.

O meu presente foi meio diferente: registrei uma estrela com o nome dela.
Eu gostei da idéia de dar um presente que vai durar alguns bilhões de anos e que, se por acaso um dia for encontrada uma civilização alienígena por lá, eles vão ser chamados de Adrianos.
Tudo isso por um punhado de dólares.
E eles aceitam cartão.

Sunday, March 19, 2006

Os Deuses devem estar putos.

Eu não sou um cara com muitos sonhos de consumo. Meus gostos são simples: gosto de livros, filmes e de viajar.
Nada de gadgets eletrônicos, relógios caros, roupas de griffe e outras frescuras.
Mas uma coisa acontece de vez em quando. Eu tenho vontade de ter um carro específico. Pode ser uma caminhonete - carro de egoísta em que só cabem dois - um dojão que vive dando problema e, como aconteceu recentemente, uma Pajero do modelo antigo.
Eu tinha essa vontade de ter uma Pajero há uns 3 anos. No Brasil não rolava - o seguro era caro, a manutenção era muito cara e o carro em si era como um cartão de visitas que dizia aos bandido "por favor, me seqüestre", mesmo que uma Pajero usada estivesse custando menos do que um Fiesta Totalflex.
Aqui era totalmente diferente: o carro estava barato e, se alguém tentar me seqüestrar e for pego eles cortam a mão ou algo pior.
Então tratei de satisfazer essa vontade. Comprei uma Pajero usada - bem usada, aliás, mas em grande forma.
Os primeiros meses foram bons. Um um monte de coisinhas para fazer no carro mas tudo estava indo às mil maravilhas.
Há mais ou menos umas duas semanas eu resolvi fazer aquele pitstop. Tinha um barulho me incomodando que justificava a parada e lá fui eu.
4 dias sem carro e uma pusta grana gasta. Acho que trocaram metade das peças da Pajero.
E o maldito barulho ainda estava lá.
Raiva.
Fiquei de levar o carro para resolver este problema outro dia - não aguentava mais ficar sem carro em Dubai.
Aí veio o sábado. A Dri não deveria ir trabalhar no sábado, mas o big boss da microsoft golfo tinha marcado uma megareunião.
Ela ficou com o carro durante e manhã, pegou a gente para almoçar e a deixamos na firrrrrrma.
Sete da noite e ela nos chama para buscá-la. Coloco a dona fofinha no assento - o que foi um parto, porque a pequena estava com a bateria no fim e ligo o carro.
Por falar em bateria...
A dita cuja estava no sofrendo seus últimos momentos de vida. Pelo menos assim eu pensava.
Nada de ligar o carro. Liguei para Dri e disse para ela pegar um taxi. Não dava para fazer nada.
Mais uma vez deu aquela sensação de estar perdido numa terra estranha e que não faz sentido. Quem chamar numa situação dessas?
O seguro meia-boca só serve para cobrir os custos da destruição total e parcial do seu carro e o de terceiros que por ventura venham a ser atingidos pelo mesmo.
A única coisa que me ocorreu naquele momento foi ligar para um amigo sírio aqui da agência. Ele mora em Dubai há uns 19 anos e com certeza ele teria todas as respostas.
Bom, as respostas ele não tinha, mas tinha os cabos necessários para fazer uma chupeta. Por favor, não pensem nada errado. Era só para recarregar a bateria.
Sábado à noite e lá vem ele até minha casa para fazer o carro pegar, para eu poder ir pelo menos até um mecânico 24 horas para trocar a bateria - se fosse este o problema.
Funcionou. Agradeci ao meu amigo e lá fui eu enfrentar a noite dubaiana.
Logo após sair do condomínio o carro começou a perder potência. Estranho. De repente os instrumentos não funcionavam mais e o carro foi ficando fraco, fraquinho, muito fraco...
Tentei voltar para casa mas não deu.
Parei no meio da estrada.
Chamo de novo o meu amigo. Coitado.
Mais uma tentativa. Oba! Acho que agora vai dar.
Para encurtar o caminho pego a estrada que fica atrás do condomínio - a Al Khail Road. Uma estrada de alta velocidade e cheia de caminhões. Para completar o cenário tem uma tempestade de areia acontecendo e ela está ficando cada vez mais forte.
Peguei a estrada e, depois de andar o suficiente para estar longe de qualquer coisa, o carro moribundo dá o seu último suspiro.
Nestas horas que eu agradeço pelo irritante telefone celular.
Chamei meu amigo de novo. Coitado, de novo. Não teve jeito, era um carro perdido.
Lá fiquei eu tentando entrar em contato com o mecânico que arrancou meu couro uma semana antes para me socorrer.
Sabe aquele náufrago que se salvou em um bote-salva vidas e passa meses à deriva sem salvação, vendo os barcos passarem.
Os barcos no caso eram caminhões passando à toda velocidade, chacoalhando a Pajero como se ela fosse um Uno Mille com uma galera dançando Techno dentro.
E tinha a tempestade de areia também. E eu estava no meio do deserto. De noite. Tudo isso no mesmo pacote.
Quer mais? Vamos adicionar mais um elemento exótico na mistura para dar um sabor único.
Começou a chover.
Caceta, o que falta mais acontecer?
O socorro demorar.
E demorou mais de uma hora e meia.
Lá estava eu, um náufrago terrestre o meio de uma tempestade de areia com chuva (!) no meio do deserto em uma das estradas mais perigosas do mundo.
A salvação surgiu na forma de um indiano no seu caminhão reboque. Tivemos altos papos, onde ele deve ter entendido no máximo umas 3 palavras. Mas nos divertimos bastante.
Ele colocou a Pajero na carreta e me levou até a mecânica, que claro, estava fechada na hora.
Mas os caras estavam preparados no dia seguinte para pegar meu carro, eliminar os problemas e eliminar qualquer vestígio de dinheiro do meu bolso.
Assim foi. Acho que as peças que eles ainda não tinham trocado no motor foram todas trocas. Pelo menos foi isso o que o meu bolso disse.
Quando um mecânico te diz para sentar quando vai te contar o valor do conserto nós sabemos que a coisa é séria.
Nós somos realmente totalmente reféns dos mecânicos, dada a nossa ignorância quanto aos assuntos, digamos, mecânicos.
Agora pensem como é quando alguém te diz que o problema é na rebimboca da parafuseta, mas em inglês!
Aí somos mais reféns que nunca.
Pelo menos uma coisa boa eu posso dizer sobre toda essa história: o chefe da oficina - um australiano - sabia falar meu nome direitinho! E olha que eu nem ensinei.

Always look at the bright side of life.

Saturday, March 18, 2006

Da série "Pensamentos"

Sabe qual é a pior parte de ter que trabalhar com um cliente que você odeia? É ter que sorrir e apertar a mão dele antes de uma apresentação.
Semaninha do cão.

Caramba, eu tinha umas 20 histórias para contar mas eu tive uma semana tão miserável que não consegui escrever uma palavra.
Trabalho demais, pentelhação demais e tempo de menos.
Além disso ainda tenho uma cacetada de emails para responder. Amigos, não esqueci de você não!!!
Vou tentar atualizar o blog neste final de semana.

Sunday, March 12, 2006

Problemas de linguagem.

Uma das memórias mais intensas da minha infância dos momentos que meu pai passava brincando com a gente.
Nós dois pequenininhos aproveitando as brincadeiras que ele inventava ou incorporava de outros lugares.
Uma das minhas favoritas era uma que ele imitava um quadro da Praça da Alegria (isso é velho), um precursor de A Praça é Nossa (credo!).
O quadro era sempre a mesma coisa. Toda semana era a mesma piada, desde os tempos do rádio.
O Carlos Alberto da Nóbrega - o segundo do clã a fazer as mesmas piadas - sentava no banco da praça e recebia seus amigos bizarros.
Mas tinha este quadro específico que inspirou meu pai e fazia a nossa alegria - pelo menos aos 4 anos de idade eu gostava da Praça. Era um em que ele encontrava seu amigo alemão que ainda não sabia português direito, quadro protagonizado pelo Jô Soares, e ensinavam a ele palavras erradas para designar coisas que ele não sabia.
Chapéu eles chamavam de penico (ou pinico?), e lá ia o alemão contando como gostava de colocar o penico - na cabeça e tirar o penico para as mulheres.
Toda a semana era a mesma coisa. E nós rolávamos de rir. Bom, eu só tinha uns 4 anos, lembrem-se.
Mas era muito mais divertido quando meu pai fazia essa brincadeira.
Eu falei tudo isso para contar que ainda hoje essa confusão de palavras ainda faz a minha alegria. Uma alegria reminiscente do pequeno que fui mas também uma alegria de quem acha tudo isso ainda engraçado.
E que tal dar uma olhada no pôster de um filme libanês que é um sucesso estrondoso recente para saber como eu ainda consigo dar umas boas risadas com umas palavras fora de lugar.



(Só um detalhe, o nome do filme não é Besta. Sim é exatamente isto que você está pensando.)

Saturday, March 11, 2006

Verdades da ordem universal.

1 - Os preços vão subir.
2 - Os políticos vão mentir.
3 - Quando você lavar seu carro, vai chover.
(mesmo que você estiver morando no meio do deserto, isso eu posso garantir por experiência própria)

Thursday, March 09, 2006

Não sei se eu falei isso antes, mas aí vai:

Você sabia que os Emirados Árabes Unidos são os maiores consumidores de água per capita do mundo?
Você sabia que os Emirados Árabes Unidos são os maiores produtores de lixo per capita do mundo?

Tuesday, March 07, 2006

Assistam "Layer Cake".

Filminho legal com um estilo meio "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes". Aliás o diretor Layer Cake foi o produtor de Jogos, Trapaças.
Nele está o soon to be James Bond, Daniel Craig. O carinha manda bem. Mas tem mais cara de chefão da máfia russa do que agente inglês.
Uma história legal de vida bandida filmada como se fosse um comercial de duas horas. Publicitários vão gostar.
Miss Softy

A Carolina está oficialmente globalizada. Surgiram as primeiras palavrinhas en inglês no seu vocabulário.
Não é impressionante a capacidade de adaptação das cabecinhas destas pequenas criaturinhas?
Nada mais jóia do que uma pequena gritando "EU QUELO MEU PAPAI-DADDY!!!"
Twinkle, twinkle little star para vocês, brazucada.

Saturday, March 04, 2006

Al Candinha

Eu estava conversando com um amigo sérvio outro dia e ele fez um comentário muito pertinente sobre a vida no oriente médio.
Eu já contei há algum tempo como os árabes gostam de conversar.
E como falam!
A parte mais irritante é que quando tem um monte deles na mesa tem uma hora em que eles passam para o árabe e ignoram o fato de que você está lá.
Como já estou acostumado e vejo que eles estão começando a misturar expressões em inglês e árabe e logo vai ser árabe direto, entro no modo sleep ou stand by.
Em geral quando isso acontece significa que eles estão falando de alguém.
Isso mesmo, aqui a fofoca corre solta.
Eles querem saber de tudo. Perguntam da vida de todos e falam da vida de todos.
Você sai para almoçar e eles perguntam onde você foi, o que comeu e com quem foi, sem cerimônia.
É como ser uma celebridade - sem aparecer na revista Caras.

Thursday, March 02, 2006

Perguntas que não querem calar.

Por que será que todos os textos que eu recebo via email são escritos pelo Jabor ou pelo Veríssimo?
Texto do Jabor e do Veríssimo são como as loiras que andam por aí: a grande maioria é patrocinada pela Wellaton.

Saturday, February 25, 2006

Eu e o tamagochi de mim mesmo

Sabe uma coisa que é muito jóia de morar aqui?
É que quando você abre o Orkut - que continua uma mania absoluta entre os brasileiros - você centenas pessoas que no profile tem como hometown Ilhas Maurício, Afeganistão, Fiji, Iraque, Tuvalu, Mongólia.
E no meu está Dubai, United Arab Emirates.
E é de verdade.

Friday, February 24, 2006

Carta ao meu pai.

Lázaro, meu querido

Pelo que estou vendo você vai ter um ano bem movimentado.
Parabéns pela primeira nota da nossa empresa. Muitos outros talões virão, com certeza.
As coisas aqui estão boas. Temos um novo diretor de criação executivo - um escocês bacana - que tem poder e apoio para mudar as coisas. Antes nós estávamos muito vulneráveis porque não tínhamos poder suficiente para fazer mudanças expressivas no departamento, principalmente porque nossa responsabilidade acabava no pequeno grupo que era nossa responsábilidade - no meu caso 5 caras.
O cara entrou e está dando uma sacudida na estrutura do departamento - coisa que eu considero muito benéfica.
As pessoas não serão mais responsáveis por apenas um cliente, o que é excelente para a motivação e desenvolvimento dos profissionais.
A parte boa para mim é que eu também não vou ter que trabalhar com este cliente extremamente difícil - a bomba foi para outro cara. E ainda vou ser responsável por outros clientes, o que aumenta a chance de me divertir.
Saio muito por cima desta conta: ontem recebemos a notícia de que 2 projetos enormes - campanhas de lançamento - foram aprovados. Depois de toda aquela pressão para mudar a relação com o cliente nós conseguimos. E eu, modéstia a parte, coordenei minha equipe para chegar lá.
Mas foi um sucesso de todos nós.
O resultado foi tão bom que o CEO da empresa - que agora também é ministro do governo - de tão feliz que ficou com e resultado falou que ia mostrar para Sheikh Mohammed, soberano de Dubai.
Estas mudanças e os acontecimentos recentes deixam a vida mais fácil. Claro que eu preferia estar dando palestras sobre elas em vez de estar passando por elas, mas...
Estes últimos dias foram atípicos em Dubai.
Há dois dias acordamos no meio da noite com um barulho muito estranho.
Chuva.
E ontem caiu um temporal de fazer inveja a São Paulo. Acho que os indianos devem ter se sentido em casa, parecia uma Monção.
A cidade ficou alagada, carros abandonados em lugares inundados e tudo.
Nossa casa também ficou alagada, tá vazando água para tudo que é lado.
A construtora - Emaar, uma das maiores daqui, que está construindo o prédio mais alto do mundo - na sua ânsia por fazer dinheiro, fez tetos que fariam um beduíno feliz mas que são como esponjas.
Todo mundo que mora aqui nos Springs - nosso condomínio gigante com milhares de casas - teve os mesmos problemas.
Ei, aqui chove também! E muito.
As meninas estão ótimas.
A Carolina adaptada à escolinha e começando a entender e a falar um pouquinho de inglês.
A Dri trabalhando um monte e se adaptando aos novos desafios - do jeito que ela gosta.
E os desafios não são poucos. Ela hoje é responsável pelo marketing de Windows em 7 países: UAE, Iêmen, Omã, Kwait, Bahrain, Paquistão e Qatar.
Não é pouco e não é nada comum.
Esta semana a Dri me ligou toda feliz para contar que teve a primeira conversa completa pelo telefone com a dona fofinha.
Em geral quando a gente tentava falar com a pequena no telefone ela pegava o aparelho, abriu o olhão e não falava nada. De vez em quando ela cantava baixinho "Ia, ia, ôu" daquela música do Old MacDonald e sua fazendinha.
Desta vez foi diferente: ela falou sobre tudo que estava acontecendo, falou que estava assistindo o Tigrão, teve mais umas falas surreais e, para finalizar falou "Mamãe, te amo. Preciso ir agora".
Pode?
Hoje tem mais uma reunião com os Brasileiros - na verdade uma festa, a Brazilian Connection.
Eles são muito bacanas os desterrados daqui, mas vamos tentar não ficar fechados só neles porque a parte bacana desta experiência é conviver com gente de todos os lugares e culturas.

Sinto muita saudade de você, como pai, amigo e companheiro de trabalho.
O mundo parece menos quando você não pode estar perto de todo mundo que você ama.
Mas, como um grande professor meu falou uma vez...
There's no free lunch.
Bom, na verdade não foi uma vez, foram várias.

Muitos beijos,

Gui

Saturday, February 18, 2006

Mais uma sobre os brasileiros.

Ontem fomos a um churrasco da comunidade brasileira - ou parte dela - no Jumeirah Beach Park. Este é um parque muito arrumadinho que a gente paga para entrar - 20 Dirhams o carro (uns 14 reais) e tem tudo que a gente precisa: praia bonita limpa, banheiros muito limpos (supresa!), lanchonetes, gramados e churrasqueiras.
Na sexta-feira, que é final de semana para todo mundo, fica muito cheio.
Quem organizou foi a Luciana e o André e mais uma leva de brasileiros novos apareceu.
Não faltou nada. Teve picanha até dizer chega, salada (para as meninas, claro), linguiça - de frango, franguinho do bom, pãozinho francês (aqui tem), sambinha e até umas biritas mocozadas que a galera trouxe disfarçada.
Brasileiro é realmente um povo festeiro e conversador. Ontem conversei com umas 10 pessoas novas que fazem umas 11 coisas diferentes. Fora os comissários da Emirates Airlines que dominam o pedaço todo mundo tem ocupações diferentes.
Tem gente que trabalha na Sadia, especialistas em ar-condicionado - instalações imensas, não assistência técnica, engenheiros trabalhando em campos de petróleo que passam um mês no deserto e um mês de folga, gente trabalhando com importação de produtos brasileiros e por aí vai.
Todos interessantes e gente-fina.
A algazarra foi tanta que começaram a aparecer brasileiros do nada - gente que não tinha ainda travado contato com a comunidade e que estava ansiosa para ouvir umas palavrinhas em português. Isso me fez duvidar que existam tão poucos brasileiros aqui na região.
Eles podem ser poucos, mas fazem um barulhão.
E conseguem arrumar picanha.
Acho que Dubai ainda tem salvação. Falta arrumar pão de queijo.

Wednesday, February 15, 2006

Os brasileiros estão chegando.

Eles não são muitos mas são muito unidos, muito barulhentos e, melhor de tudo, muito legais.
Nada como um pouco de contato com a terrinha.
Outra notícia boa é que eles descobriram como conseguir picanha nesta terra dos camelos. Ensinaram a galera de um açougue de supermercado como cortar este pedaço precioso da carne bovina.
Civilização, enfim!
Ah, e tem festança programada para o fim do mês. É a Brazilian Connection, festança brazuca com direito a samba, karaokê e, quem sabe, cerveja.

Monday, February 13, 2006

Só em Dubai...

Ontem saí de manhã para deixar a Carolina na escolinha e a Dri no trabalho.
Depois de deixá-la na Microsoft saí pela Jumeirah Beach Road e enfrentei um congestionamento - coisa comum por aqui.
Mas este congestionamento foi causado por um acidente de carro que tinha acabado de acontecer - também coisa comum por aqui.
A que faz Dubai diferente de outros lugares é que quando passei do lado do carro acidentado, que estava todo destruído, era uma Lamborghini Gallardo novinha.
E o mais legal é que esse carros não amassam, eles racham.
Só em Dubai...

Friday, February 10, 2006

Não estamos sós.

Hoje fomos encontrados - eu e a Carolina - por um casal de brasileiros.
Como são as coisas. Passei uns 15 minutos tentando capturar a fofinha para colocar a roupa para passear no lago do condomínio. Ela me deu uma canseira. Mas se isso não tivesse acontecido não teríamos trombado no André e na Luciana.
Entramos na área do lago e me sentei no gramado para preparar uma pipa modernosa que a Di me deu de presente. O vento não estava dando muito sinal de sua presença, mas tinha esperança de colocar o bichinho no ar.
A Carolina correu para o lago para ficar jogando pedras.
Eu me controlei para não dizer aquela velha ladainha "imagina se todo mundo que viesse aqui fizesse isso...em pouco tempo não ia ter mais lago". Deixa ela jogar pedras à vontade.
De repente aparece um vira-lata do meu lado e a fofinha corre para vê-lo.
Eu fala alguma coisa em português e depois emendo no inglês "look, the dog!" - obviamente bancando o pai-professor de inglês.
O dono do cachorro olha para mim e fala "você fala português?".
Eu me senti como aquele português da piada: "Que raio de língua é essa que estou cá a entendeire tudo?"
Demorou para cair a ficha. E devo ter feito uma cara de otário impressionante.
Pô, faz mais de 6 meses que não encontro ninguém que fale português por aqui. Brasileiros parecem com gnomos por estas bandas: muitos acreditam que existem, mas ninguém nunca viu um.
Eles eram brasileiros - eram dois, o André e a Luciana.
Estão aqui há 3 anos e ele trabalha na Sadia.
De repente fico sabendo que existe uma comunidade inteira de brasileiros - de verdade!
Eles se reúnem, festejam, fazem feijoada e jogam futebol. Do jeito que tem que ser os brasileiros.
São um monte e vivem agitando coisas para fazer.
Falamos até cansar - bom, pelo menos até eles cansarem porque eu poderia ficar falando em português por uns 3 dias sem parar.
Trocamos telefones e marcamos de ir num restaurante japa amanhã, que é quando a Dri chega de Atenas.
Que beleza!
Agora imagina se a Carolina não tivesse ficado fugindo de mim...
Minha experiência mais difícil em Dubai.

Ontem passei pela situação mais crítica e estressante desde que cheguei em Dubai.
São nestas horas que o desterrado, expatriado, tem aquela vontade quase incontrolável de largar tudo e voltar para a pátria-mãe.
Tudo começou depois que a Dri saiu na primeira viagem profissional - foi para a Grécia para uma reunião. Ela saiu na terça e volta hoje - uma sexta-feira. Foi a primeira vez que eu ficava sozinho por um tempo mais longo com a Carolina desde o Brasil. Nos primeiros dias ela ficava durante a manhã na escolinha e à tarde com uma babá que a gente contratou por essas dias.
Mas ontem não tinha escolinha e eu decidi tirar o dia de folga para ficar com ela. Como eu trabalhei os últimos 3 finais de semana e passei várias noites em claro, decidi me dar esse presente. Nada como ser chefe.
Então fiquei a quinta-feira com a pequena - e foi aí que aconteceu. Se eu soubesse que seria tão terrível não teria nem tentado, mas já era tarde demais.
Tudo começou com a minha idéia de dar banho na pequena. Até aí tudo bem, mas a minha decisão errada foi em tentar lavar o cabelo dela, que está enorme.
Nenhum pai - digo, nós homens - está preparado para isso.
Depois de vários dias sem lavar o cabelo encaracolado dela estava , como diria minha mulher, um ninho de guaxo. Não faço a mínima idéia do que é um guaxo, mas o cabelo realmente estava parecendo com o ninho de um.
Foram cenas de horror sem fim. Me senti como um daqueles vilões que torturam jovens indefesas em filmes.
Gritaria, choradeira, lágrimas, teve de tudo.
No final, desesperado, apelei para o creme desembaraçante - em quantidades mastodônticas. Muito, muito mesmo. Ela ficou parecendo o Michael Jackson na época do Thriller.
O stress foi tanto que nós fomos para o shopping e ela dormiu as 2 horas que ficamos lá. Nem deu sinal de vida.
Um conselho para os pais: não tentem fazer isto em casa e sem a ajuda de profissionais.
A vítima pode ser você.

Wednesday, February 08, 2006

The telephone credit coin has fallen 2.

Eu já falei aqui sobre a capacidade que o ser humano tem de se acostumar com tudo.
É impressionante que mesmo o mais extraordinário se torna corriqueiro depois de um tempo.
Mas eu faço questão de me renovar constantemente e reavivar a minha capacidade de maravilhamento.
CACETA, ESTOU MORANDO EM DUBAI!!!

Tuesday, February 07, 2006

The telephone credit coin has fallen 1 - fatos que mudaram a história.

Mé em árabe quer dizer água.
Quem diria que Antônio Carlos iria buscar sua sabedoria nas distantes areias do Oriente Médio.
Mais uma razão para colocar este mito no panteão dos grandes da filosofia.

Cacildis!

Sunday, February 05, 2006

Tâf dêis

Que volta!
Chegamos de viagem numa sexta e voltei a trabalhar em um domingo. Ainda estava sofrendo os efeitos do jet lag, sem conseguir dormir direito e com aquela sensação de estar acordado de madrugada. Óbvio que a nossa filhota não estava ajudando. Afinal como se explica para uma criança de 2 anos de idade que ela tem que se adaptar ao fuso horário?
O pequeno dínamo estava ficando acordado até as 2 da manhã todos os dias. E eu me sentindo como um zumbi.
Brains!
Logo no primeiro dia de trabalho já tive uma reunião longa e, quando estava voltando para agência, recebi um chamado me dizendo que tínhamos que resolver uma crise.
A crise, fiquei sabendo depois, era ter que criar uma campanha inteira - ou melhor, duas - começando às 5 da tarde e apresentando no próximo dias às 10 da manhã.
Conseguimos negociar para o próximo dia - grande ajuda!
Mas isso só adiou a correria para o dia seguinte. Ainda cansado passei a noite em claro criando a bendita campanha - isso porque metade do meu grupo estava ausente, por várias razões.
No dia seguinte, tudo pronto para ir para casa e dormir, vem o atendimento e implora para que eu vá apresentar com eles.
Só vai demorar uma hora, disseram.
Eu sabia que não ia ser assim. Mas não estava esperando pelo que ia acontecer.
Fui, ou melhor, o que restou de mim foi com eles.
Eu tinha muita confiança na qualidade do trabalho que ia apresentar mas uma coisa eu posso afirmar: publicidade não é uma ciência exata.
Fomos destruídos pelo Chief Marketing Officer da empresa.
A campanha, o planejamento, a agência, o clima em Dubai. Só faltou ele falar que eu tenho chulé.
Se você tem vontade de destruir uma campanha - ou qualquer coisa baseada em criatividade - você consegue.
Essa é a triste verdade do nosso negócio. O "não gostei" recheado de um monte de explicações pseudo-intelectuais tem a mesma validade das tábuas sagradas trazidas por Moisés do alto do monte Sinai.
Derrotados e esculhambados voltamos para a agência - sim, para a agência - para resolver a situação.
Solução: criar novas campanhas em 3 horas(!), apresentar para o cliente as idéias e executá-las - colocá-la no papel - na noite seguinte para a apresentação.
Isso significou mais uma noite em claro.
Meu recorde foi batido: 48 horas em claro.
O problema - mais um problema, digo - é que essa empresa, Dubai Holding, é como uma cebola.
Não, não é porque ela me faz vontade de chorar - não sempre, pelo menos.
Mas porque ela é constituída em camadas.
E ela não funciona sem que todas as camadas estejam envolvidas, o que significa que até a sogra do presidente é envolvida no processo decisório.
A primeira apresentação era só uma entre muitas, culminando na grande apresentação para o ultra BIG BOSS MASTER BLASTER OF THE UNIVERSE da empresa, o homem que tem contato direto com o Sheikh Mohammed, ruler of Dubai.
E nessa a gente não tem acesso. Fica tudo a cargo dos cupinchas.
É como jogar um videogame: você luta, luta, luta até enfrentar o chefão da fase, aí você passa para fase seguinte, e é a mesma coisa.
No final você enfrenta o Mega Chefão e game over.
A diferença é você tem que enfrentar todos eles mais de uma vez.
E o game ainda não está over.
Depois da primeira apresentação foram várias outras, mais stress, mais encheção de saco e várias noites em claro.
Semana passada tivemos a notícia que que a comemoração do ano novo muçulmano seria na quinta-feira passada.
Oba! Final de semana prolongado!
E ficamos aqui todos os dias até de madrugada...
A novela continua, hoje tem mais um capítulo.
O bom das novelas é que no final todos se casam e os vilões se dão mal.
Que bom seria...
Agora deixa eu voltar para a vaca fria.

Câmbio, desligo.

Tuesday, January 31, 2006

CVs.

Ontem foi dia de celebração.
Minha musa inspiradora recebeu - ou melhor todos recebemos - uma notícia maravilhosa.
Depois de meses mandando currículos para as mais diversas empresas nos mais variados websites de empregos que atendem ao oriente médio - e que não deram nenhum resultado - finalmente uma resposta.
E não foi uma resposta qualquer, foi uma proposta de emprego que deixou minha amada iluminada.
O processo começou em meados de dezembro e parecia que ia se arrastar por meses.
Mas, depois que voltamos, as coisas parecem que ganharam velocidade e de repente se resolveram.
E como se resolveram.
Resumo da ópera: amanhã a Dri começa a trabalhar como senior product manager na empresa do anticristo.
Pois é, a Microsoft volta a fazer parte das nossas vidas - e não é como objeto das minhas reclamações com relação à qualidade dos produtos e como eu acho o Windows feio.
Mais uma sacudida nas nossas vidas.
Bem vinda ao mundo dos assalariados novamente, minha workaholic Linda.
E como o mundo dá voltas...

Friday, January 27, 2006

Inverno no deserto

Ano novo, vida nova e, acreditem, temperatura nova.
Está fazendo frio em Dubai. Claro que não é o frio de 1 grau que pegamos em Amsterdam na nossa caminhada enquanto esperávamos pela conexão de volta para o Oriente Médio, mas é uma sensação inédita nestas paragens areníticas.

É até difícil imaginar que no meio do verão eu me sentia como um picolé deixado nos asfalto da avenida Atlântica. 50 graus parecem mentira quando você experimenta agradáveis 20 graus durante o dia e uma friaca (essa é para você, Fininho) durante a noite.
Se fosse assim o ano inteiro não sobraria espaço nem para os camelos, tamanha a quantidade de gringos salsichudos que se mudariam para cá para fugir da (essa sim) friaca européia.

Não dá para imaginar que verão possa deprimir alguém, mas o negócio aqui é tão sério que chega perto. É a versão beduína do clima siberiano - não dá para ficar em lugares abertos e equipamentos de controle de temperatura - no nosso caso é o ar condicionado - são itens que separam a felicidade de uma existência miserável.

A diferença é que no auge do inverno as únicas figuras que são encontradas nas ruas geladas dos países do norte são Papai Noel e seus duendes. Aqui os trabalhadores da construção civil não conhecem a diferença entre as estações. Não é fácil.
Eu bebo um copo de água gelada a eles.

E aproveito ao máximo para experimentar essa Dubai que eu não conhecia.