Eu e o tamagochi de mim mesmo
Sabe uma coisa que é muito jóia de morar aqui?
É que quando você abre o Orkut - que continua uma mania absoluta entre os brasileiros - você centenas pessoas que no profile tem como hometown Ilhas Maurício, Afeganistão, Fiji, Iraque, Tuvalu, Mongólia.
E no meu está Dubai, United Arab Emirates.
E é de verdade.
Saturday, February 25, 2006
Friday, February 24, 2006
Carta ao meu pai.
Lázaro, meu querido
Pelo que estou vendo você vai ter um ano bem movimentado.
Parabéns pela primeira nota da nossa empresa. Muitos outros talões virão, com certeza.
As coisas aqui estão boas. Temos um novo diretor de criação executivo - um escocês bacana - que tem poder e apoio para mudar as coisas. Antes nós estávamos muito vulneráveis porque não tínhamos poder suficiente para fazer mudanças expressivas no departamento, principalmente porque nossa responsabilidade acabava no pequeno grupo que era nossa responsábilidade - no meu caso 5 caras.
O cara entrou e está dando uma sacudida na estrutura do departamento - coisa que eu considero muito benéfica.
As pessoas não serão mais responsáveis por apenas um cliente, o que é excelente para a motivação e desenvolvimento dos profissionais.
A parte boa para mim é que eu também não vou ter que trabalhar com este cliente extremamente difícil - a bomba foi para outro cara. E ainda vou ser responsável por outros clientes, o que aumenta a chance de me divertir.
Saio muito por cima desta conta: ontem recebemos a notícia de que 2 projetos enormes - campanhas de lançamento - foram aprovados. Depois de toda aquela pressão para mudar a relação com o cliente nós conseguimos. E eu, modéstia a parte, coordenei minha equipe para chegar lá.
Mas foi um sucesso de todos nós.
O resultado foi tão bom que o CEO da empresa - que agora também é ministro do governo - de tão feliz que ficou com e resultado falou que ia mostrar para Sheikh Mohammed, soberano de Dubai.
Estas mudanças e os acontecimentos recentes deixam a vida mais fácil. Claro que eu preferia estar dando palestras sobre elas em vez de estar passando por elas, mas...
Estes últimos dias foram atípicos em Dubai.
Há dois dias acordamos no meio da noite com um barulho muito estranho.
Chuva.
E ontem caiu um temporal de fazer inveja a São Paulo. Acho que os indianos devem ter se sentido em casa, parecia uma Monção.
A cidade ficou alagada, carros abandonados em lugares inundados e tudo.
Nossa casa também ficou alagada, tá vazando água para tudo que é lado.
A construtora - Emaar, uma das maiores daqui, que está construindo o prédio mais alto do mundo - na sua ânsia por fazer dinheiro, fez tetos que fariam um beduíno feliz mas que são como esponjas.
Todo mundo que mora aqui nos Springs - nosso condomínio gigante com milhares de casas - teve os mesmos problemas.
Ei, aqui chove também! E muito.
As meninas estão ótimas.
A Carolina adaptada à escolinha e começando a entender e a falar um pouquinho de inglês.
A Dri trabalhando um monte e se adaptando aos novos desafios - do jeito que ela gosta.
E os desafios não são poucos. Ela hoje é responsável pelo marketing de Windows em 7 países: UAE, Iêmen, Omã, Kwait, Bahrain, Paquistão e Qatar.
Não é pouco e não é nada comum.
Esta semana a Dri me ligou toda feliz para contar que teve a primeira conversa completa pelo telefone com a dona fofinha.
Em geral quando a gente tentava falar com a pequena no telefone ela pegava o aparelho, abriu o olhão e não falava nada. De vez em quando ela cantava baixinho "Ia, ia, ôu" daquela música do Old MacDonald e sua fazendinha.
Desta vez foi diferente: ela falou sobre tudo que estava acontecendo, falou que estava assistindo o Tigrão, teve mais umas falas surreais e, para finalizar falou "Mamãe, te amo. Preciso ir agora".
Pode?
Hoje tem mais uma reunião com os Brasileiros - na verdade uma festa, a Brazilian Connection.
Eles são muito bacanas os desterrados daqui, mas vamos tentar não ficar fechados só neles porque a parte bacana desta experiência é conviver com gente de todos os lugares e culturas.
Sinto muita saudade de você, como pai, amigo e companheiro de trabalho.
O mundo parece menos quando você não pode estar perto de todo mundo que você ama.
Mas, como um grande professor meu falou uma vez...
There's no free lunch.
Bom, na verdade não foi uma vez, foram várias.
Muitos beijos,
Gui
Lázaro, meu querido
Pelo que estou vendo você vai ter um ano bem movimentado.
Parabéns pela primeira nota da nossa empresa. Muitos outros talões virão, com certeza.
As coisas aqui estão boas. Temos um novo diretor de criação executivo - um escocês bacana - que tem poder e apoio para mudar as coisas. Antes nós estávamos muito vulneráveis porque não tínhamos poder suficiente para fazer mudanças expressivas no departamento, principalmente porque nossa responsabilidade acabava no pequeno grupo que era nossa responsábilidade - no meu caso 5 caras.
O cara entrou e está dando uma sacudida na estrutura do departamento - coisa que eu considero muito benéfica.
As pessoas não serão mais responsáveis por apenas um cliente, o que é excelente para a motivação e desenvolvimento dos profissionais.
A parte boa para mim é que eu também não vou ter que trabalhar com este cliente extremamente difícil - a bomba foi para outro cara. E ainda vou ser responsável por outros clientes, o que aumenta a chance de me divertir.
Saio muito por cima desta conta: ontem recebemos a notícia de que 2 projetos enormes - campanhas de lançamento - foram aprovados. Depois de toda aquela pressão para mudar a relação com o cliente nós conseguimos. E eu, modéstia a parte, coordenei minha equipe para chegar lá.
Mas foi um sucesso de todos nós.
O resultado foi tão bom que o CEO da empresa - que agora também é ministro do governo - de tão feliz que ficou com e resultado falou que ia mostrar para Sheikh Mohammed, soberano de Dubai.
Estas mudanças e os acontecimentos recentes deixam a vida mais fácil. Claro que eu preferia estar dando palestras sobre elas em vez de estar passando por elas, mas...
Estes últimos dias foram atípicos em Dubai.
Há dois dias acordamos no meio da noite com um barulho muito estranho.
Chuva.
E ontem caiu um temporal de fazer inveja a São Paulo. Acho que os indianos devem ter se sentido em casa, parecia uma Monção.
A cidade ficou alagada, carros abandonados em lugares inundados e tudo.
Nossa casa também ficou alagada, tá vazando água para tudo que é lado.
A construtora - Emaar, uma das maiores daqui, que está construindo o prédio mais alto do mundo - na sua ânsia por fazer dinheiro, fez tetos que fariam um beduíno feliz mas que são como esponjas.
Todo mundo que mora aqui nos Springs - nosso condomínio gigante com milhares de casas - teve os mesmos problemas.
Ei, aqui chove também! E muito.
As meninas estão ótimas.
A Carolina adaptada à escolinha e começando a entender e a falar um pouquinho de inglês.
A Dri trabalhando um monte e se adaptando aos novos desafios - do jeito que ela gosta.
E os desafios não são poucos. Ela hoje é responsável pelo marketing de Windows em 7 países: UAE, Iêmen, Omã, Kwait, Bahrain, Paquistão e Qatar.
Não é pouco e não é nada comum.
Esta semana a Dri me ligou toda feliz para contar que teve a primeira conversa completa pelo telefone com a dona fofinha.
Em geral quando a gente tentava falar com a pequena no telefone ela pegava o aparelho, abriu o olhão e não falava nada. De vez em quando ela cantava baixinho "Ia, ia, ôu" daquela música do Old MacDonald e sua fazendinha.
Desta vez foi diferente: ela falou sobre tudo que estava acontecendo, falou que estava assistindo o Tigrão, teve mais umas falas surreais e, para finalizar falou "Mamãe, te amo. Preciso ir agora".
Pode?
Hoje tem mais uma reunião com os Brasileiros - na verdade uma festa, a Brazilian Connection.
Eles são muito bacanas os desterrados daqui, mas vamos tentar não ficar fechados só neles porque a parte bacana desta experiência é conviver com gente de todos os lugares e culturas.
Sinto muita saudade de você, como pai, amigo e companheiro de trabalho.
O mundo parece menos quando você não pode estar perto de todo mundo que você ama.
Mas, como um grande professor meu falou uma vez...
There's no free lunch.
Bom, na verdade não foi uma vez, foram várias.
Muitos beijos,
Gui
Saturday, February 18, 2006
Mais uma sobre os brasileiros.
Ontem fomos a um churrasco da comunidade brasileira - ou parte dela - no Jumeirah Beach Park. Este é um parque muito arrumadinho que a gente paga para entrar - 20 Dirhams o carro (uns 14 reais) e tem tudo que a gente precisa: praia bonita limpa, banheiros muito limpos (supresa!), lanchonetes, gramados e churrasqueiras.
Na sexta-feira, que é final de semana para todo mundo, fica muito cheio.
Quem organizou foi a Luciana e o André e mais uma leva de brasileiros novos apareceu.
Não faltou nada. Teve picanha até dizer chega, salada (para as meninas, claro), linguiça - de frango, franguinho do bom, pãozinho francês (aqui tem), sambinha e até umas biritas mocozadas que a galera trouxe disfarçada.
Brasileiro é realmente um povo festeiro e conversador. Ontem conversei com umas 10 pessoas novas que fazem umas 11 coisas diferentes. Fora os comissários da Emirates Airlines que dominam o pedaço todo mundo tem ocupações diferentes.
Tem gente que trabalha na Sadia, especialistas em ar-condicionado - instalações imensas, não assistência técnica, engenheiros trabalhando em campos de petróleo que passam um mês no deserto e um mês de folga, gente trabalhando com importação de produtos brasileiros e por aí vai.
Todos interessantes e gente-fina.
A algazarra foi tanta que começaram a aparecer brasileiros do nada - gente que não tinha ainda travado contato com a comunidade e que estava ansiosa para ouvir umas palavrinhas em português. Isso me fez duvidar que existam tão poucos brasileiros aqui na região.
Eles podem ser poucos, mas fazem um barulhão.
E conseguem arrumar picanha.
Acho que Dubai ainda tem salvação. Falta arrumar pão de queijo.
Ontem fomos a um churrasco da comunidade brasileira - ou parte dela - no Jumeirah Beach Park. Este é um parque muito arrumadinho que a gente paga para entrar - 20 Dirhams o carro (uns 14 reais) e tem tudo que a gente precisa: praia bonita limpa, banheiros muito limpos (supresa!), lanchonetes, gramados e churrasqueiras.
Na sexta-feira, que é final de semana para todo mundo, fica muito cheio.
Quem organizou foi a Luciana e o André e mais uma leva de brasileiros novos apareceu.
Não faltou nada. Teve picanha até dizer chega, salada (para as meninas, claro), linguiça - de frango, franguinho do bom, pãozinho francês (aqui tem), sambinha e até umas biritas mocozadas que a galera trouxe disfarçada.
Brasileiro é realmente um povo festeiro e conversador. Ontem conversei com umas 10 pessoas novas que fazem umas 11 coisas diferentes. Fora os comissários da Emirates Airlines que dominam o pedaço todo mundo tem ocupações diferentes.
Tem gente que trabalha na Sadia, especialistas em ar-condicionado - instalações imensas, não assistência técnica, engenheiros trabalhando em campos de petróleo que passam um mês no deserto e um mês de folga, gente trabalhando com importação de produtos brasileiros e por aí vai.
Todos interessantes e gente-fina.
A algazarra foi tanta que começaram a aparecer brasileiros do nada - gente que não tinha ainda travado contato com a comunidade e que estava ansiosa para ouvir umas palavrinhas em português. Isso me fez duvidar que existam tão poucos brasileiros aqui na região.
Eles podem ser poucos, mas fazem um barulhão.
E conseguem arrumar picanha.
Acho que Dubai ainda tem salvação. Falta arrumar pão de queijo.
Wednesday, February 15, 2006
Os brasileiros estão chegando.
Eles não são muitos mas são muito unidos, muito barulhentos e, melhor de tudo, muito legais.
Nada como um pouco de contato com a terrinha.
Outra notícia boa é que eles descobriram como conseguir picanha nesta terra dos camelos. Ensinaram a galera de um açougue de supermercado como cortar este pedaço precioso da carne bovina.
Civilização, enfim!
Ah, e tem festança programada para o fim do mês. É a Brazilian Connection, festança brazuca com direito a samba, karaokê e, quem sabe, cerveja.
Eles não são muitos mas são muito unidos, muito barulhentos e, melhor de tudo, muito legais.
Nada como um pouco de contato com a terrinha.
Outra notícia boa é que eles descobriram como conseguir picanha nesta terra dos camelos. Ensinaram a galera de um açougue de supermercado como cortar este pedaço precioso da carne bovina.
Civilização, enfim!
Ah, e tem festança programada para o fim do mês. É a Brazilian Connection, festança brazuca com direito a samba, karaokê e, quem sabe, cerveja.
Monday, February 13, 2006
Só em Dubai...
Ontem saí de manhã para deixar a Carolina na escolinha e a Dri no trabalho.
Depois de deixá-la na Microsoft saí pela Jumeirah Beach Road e enfrentei um congestionamento - coisa comum por aqui.
Mas este congestionamento foi causado por um acidente de carro que tinha acabado de acontecer - também coisa comum por aqui.
A que faz Dubai diferente de outros lugares é que quando passei do lado do carro acidentado, que estava todo destruído, era uma Lamborghini Gallardo novinha.
E o mais legal é que esse carros não amassam, eles racham.
Só em Dubai...
Ontem saí de manhã para deixar a Carolina na escolinha e a Dri no trabalho.
Depois de deixá-la na Microsoft saí pela Jumeirah Beach Road e enfrentei um congestionamento - coisa comum por aqui.
Mas este congestionamento foi causado por um acidente de carro que tinha acabado de acontecer - também coisa comum por aqui.
A que faz Dubai diferente de outros lugares é que quando passei do lado do carro acidentado, que estava todo destruído, era uma Lamborghini Gallardo novinha.
E o mais legal é que esse carros não amassam, eles racham.
Só em Dubai...
Friday, February 10, 2006
Não estamos sós.
Hoje fomos encontrados - eu e a Carolina - por um casal de brasileiros.
Como são as coisas. Passei uns 15 minutos tentando capturar a fofinha para colocar a roupa para passear no lago do condomínio. Ela me deu uma canseira. Mas se isso não tivesse acontecido não teríamos trombado no André e na Luciana.
Entramos na área do lago e me sentei no gramado para preparar uma pipa modernosa que a Di me deu de presente. O vento não estava dando muito sinal de sua presença, mas tinha esperança de colocar o bichinho no ar.
A Carolina correu para o lago para ficar jogando pedras.
Eu me controlei para não dizer aquela velha ladainha "imagina se todo mundo que viesse aqui fizesse isso...em pouco tempo não ia ter mais lago". Deixa ela jogar pedras à vontade.
De repente aparece um vira-lata do meu lado e a fofinha corre para vê-lo.
Eu fala alguma coisa em português e depois emendo no inglês "look, the dog!" - obviamente bancando o pai-professor de inglês.
O dono do cachorro olha para mim e fala "você fala português?".
Eu me senti como aquele português da piada: "Que raio de língua é essa que estou cá a entendeire tudo?"
Demorou para cair a ficha. E devo ter feito uma cara de otário impressionante.
Pô, faz mais de 6 meses que não encontro ninguém que fale português por aqui. Brasileiros parecem com gnomos por estas bandas: muitos acreditam que existem, mas ninguém nunca viu um.
Eles eram brasileiros - eram dois, o André e a Luciana.
Estão aqui há 3 anos e ele trabalha na Sadia.
De repente fico sabendo que existe uma comunidade inteira de brasileiros - de verdade!
Eles se reúnem, festejam, fazem feijoada e jogam futebol. Do jeito que tem que ser os brasileiros.
São um monte e vivem agitando coisas para fazer.
Falamos até cansar - bom, pelo menos até eles cansarem porque eu poderia ficar falando em português por uns 3 dias sem parar.
Trocamos telefones e marcamos de ir num restaurante japa amanhã, que é quando a Dri chega de Atenas.
Que beleza!
Agora imagina se a Carolina não tivesse ficado fugindo de mim...
Hoje fomos encontrados - eu e a Carolina - por um casal de brasileiros.
Como são as coisas. Passei uns 15 minutos tentando capturar a fofinha para colocar a roupa para passear no lago do condomínio. Ela me deu uma canseira. Mas se isso não tivesse acontecido não teríamos trombado no André e na Luciana.
Entramos na área do lago e me sentei no gramado para preparar uma pipa modernosa que a Di me deu de presente. O vento não estava dando muito sinal de sua presença, mas tinha esperança de colocar o bichinho no ar.
A Carolina correu para o lago para ficar jogando pedras.
Eu me controlei para não dizer aquela velha ladainha "imagina se todo mundo que viesse aqui fizesse isso...em pouco tempo não ia ter mais lago". Deixa ela jogar pedras à vontade.
De repente aparece um vira-lata do meu lado e a fofinha corre para vê-lo.
Eu fala alguma coisa em português e depois emendo no inglês "look, the dog!" - obviamente bancando o pai-professor de inglês.
O dono do cachorro olha para mim e fala "você fala português?".
Eu me senti como aquele português da piada: "Que raio de língua é essa que estou cá a entendeire tudo?"
Demorou para cair a ficha. E devo ter feito uma cara de otário impressionante.
Pô, faz mais de 6 meses que não encontro ninguém que fale português por aqui. Brasileiros parecem com gnomos por estas bandas: muitos acreditam que existem, mas ninguém nunca viu um.
Eles eram brasileiros - eram dois, o André e a Luciana.
Estão aqui há 3 anos e ele trabalha na Sadia.
De repente fico sabendo que existe uma comunidade inteira de brasileiros - de verdade!
Eles se reúnem, festejam, fazem feijoada e jogam futebol. Do jeito que tem que ser os brasileiros.
São um monte e vivem agitando coisas para fazer.
Falamos até cansar - bom, pelo menos até eles cansarem porque eu poderia ficar falando em português por uns 3 dias sem parar.
Trocamos telefones e marcamos de ir num restaurante japa amanhã, que é quando a Dri chega de Atenas.
Que beleza!
Agora imagina se a Carolina não tivesse ficado fugindo de mim...
Minha experiência mais difícil em Dubai.
Ontem passei pela situação mais crítica e estressante desde que cheguei em Dubai.
São nestas horas que o desterrado, expatriado, tem aquela vontade quase incontrolável de largar tudo e voltar para a pátria-mãe.
Tudo começou depois que a Dri saiu na primeira viagem profissional - foi para a Grécia para uma reunião. Ela saiu na terça e volta hoje - uma sexta-feira. Foi a primeira vez que eu ficava sozinho por um tempo mais longo com a Carolina desde o Brasil. Nos primeiros dias ela ficava durante a manhã na escolinha e à tarde com uma babá que a gente contratou por essas dias.
Mas ontem não tinha escolinha e eu decidi tirar o dia de folga para ficar com ela. Como eu trabalhei os últimos 3 finais de semana e passei várias noites em claro, decidi me dar esse presente. Nada como ser chefe.
Então fiquei a quinta-feira com a pequena - e foi aí que aconteceu. Se eu soubesse que seria tão terrível não teria nem tentado, mas já era tarde demais.
Tudo começou com a minha idéia de dar banho na pequena. Até aí tudo bem, mas a minha decisão errada foi em tentar lavar o cabelo dela, que está enorme.
Nenhum pai - digo, nós homens - está preparado para isso.
Depois de vários dias sem lavar o cabelo encaracolado dela estava , como diria minha mulher, um ninho de guaxo. Não faço a mínima idéia do que é um guaxo, mas o cabelo realmente estava parecendo com o ninho de um.
Foram cenas de horror sem fim. Me senti como um daqueles vilões que torturam jovens indefesas em filmes.
Gritaria, choradeira, lágrimas, teve de tudo.
No final, desesperado, apelei para o creme desembaraçante - em quantidades mastodônticas. Muito, muito mesmo. Ela ficou parecendo o Michael Jackson na época do Thriller.
O stress foi tanto que nós fomos para o shopping e ela dormiu as 2 horas que ficamos lá. Nem deu sinal de vida.
Um conselho para os pais: não tentem fazer isto em casa e sem a ajuda de profissionais.
A vítima pode ser você.
Ontem passei pela situação mais crítica e estressante desde que cheguei em Dubai.
São nestas horas que o desterrado, expatriado, tem aquela vontade quase incontrolável de largar tudo e voltar para a pátria-mãe.
Tudo começou depois que a Dri saiu na primeira viagem profissional - foi para a Grécia para uma reunião. Ela saiu na terça e volta hoje - uma sexta-feira. Foi a primeira vez que eu ficava sozinho por um tempo mais longo com a Carolina desde o Brasil. Nos primeiros dias ela ficava durante a manhã na escolinha e à tarde com uma babá que a gente contratou por essas dias.
Mas ontem não tinha escolinha e eu decidi tirar o dia de folga para ficar com ela. Como eu trabalhei os últimos 3 finais de semana e passei várias noites em claro, decidi me dar esse presente. Nada como ser chefe.
Então fiquei a quinta-feira com a pequena - e foi aí que aconteceu. Se eu soubesse que seria tão terrível não teria nem tentado, mas já era tarde demais.
Tudo começou com a minha idéia de dar banho na pequena. Até aí tudo bem, mas a minha decisão errada foi em tentar lavar o cabelo dela, que está enorme.
Nenhum pai - digo, nós homens - está preparado para isso.
Depois de vários dias sem lavar o cabelo encaracolado dela estava , como diria minha mulher, um ninho de guaxo. Não faço a mínima idéia do que é um guaxo, mas o cabelo realmente estava parecendo com o ninho de um.
Foram cenas de horror sem fim. Me senti como um daqueles vilões que torturam jovens indefesas em filmes.
Gritaria, choradeira, lágrimas, teve de tudo.
No final, desesperado, apelei para o creme desembaraçante - em quantidades mastodônticas. Muito, muito mesmo. Ela ficou parecendo o Michael Jackson na época do Thriller.
O stress foi tanto que nós fomos para o shopping e ela dormiu as 2 horas que ficamos lá. Nem deu sinal de vida.
Um conselho para os pais: não tentem fazer isto em casa e sem a ajuda de profissionais.
A vítima pode ser você.
Wednesday, February 08, 2006
The telephone credit coin has fallen 2.
Eu já falei aqui sobre a capacidade que o ser humano tem de se acostumar com tudo.
É impressionante que mesmo o mais extraordinário se torna corriqueiro depois de um tempo.
Mas eu faço questão de me renovar constantemente e reavivar a minha capacidade de maravilhamento.
CACETA, ESTOU MORANDO EM DUBAI!!!
Eu já falei aqui sobre a capacidade que o ser humano tem de se acostumar com tudo.
É impressionante que mesmo o mais extraordinário se torna corriqueiro depois de um tempo.
Mas eu faço questão de me renovar constantemente e reavivar a minha capacidade de maravilhamento.
CACETA, ESTOU MORANDO EM DUBAI!!!
Tuesday, February 07, 2006
Sunday, February 05, 2006
Tâf dêis
Que volta!
Chegamos de viagem numa sexta e voltei a trabalhar em um domingo. Ainda estava sofrendo os efeitos do jet lag, sem conseguir dormir direito e com aquela sensação de estar acordado de madrugada. Óbvio que a nossa filhota não estava ajudando. Afinal como se explica para uma criança de 2 anos de idade que ela tem que se adaptar ao fuso horário?
O pequeno dínamo estava ficando acordado até as 2 da manhã todos os dias. E eu me sentindo como um zumbi.
Brains!
Logo no primeiro dia de trabalho já tive uma reunião longa e, quando estava voltando para agência, recebi um chamado me dizendo que tínhamos que resolver uma crise.
A crise, fiquei sabendo depois, era ter que criar uma campanha inteira - ou melhor, duas - começando às 5 da tarde e apresentando no próximo dias às 10 da manhã.
Conseguimos negociar para o próximo dia - grande ajuda!
Mas isso só adiou a correria para o dia seguinte. Ainda cansado passei a noite em claro criando a bendita campanha - isso porque metade do meu grupo estava ausente, por várias razões.
No dia seguinte, tudo pronto para ir para casa e dormir, vem o atendimento e implora para que eu vá apresentar com eles.
Só vai demorar uma hora, disseram.
Eu sabia que não ia ser assim. Mas não estava esperando pelo que ia acontecer.
Fui, ou melhor, o que restou de mim foi com eles.
Eu tinha muita confiança na qualidade do trabalho que ia apresentar mas uma coisa eu posso afirmar: publicidade não é uma ciência exata.
Fomos destruídos pelo Chief Marketing Officer da empresa.
A campanha, o planejamento, a agência, o clima em Dubai. Só faltou ele falar que eu tenho chulé.
Se você tem vontade de destruir uma campanha - ou qualquer coisa baseada em criatividade - você consegue.
Essa é a triste verdade do nosso negócio. O "não gostei" recheado de um monte de explicações pseudo-intelectuais tem a mesma validade das tábuas sagradas trazidas por Moisés do alto do monte Sinai.
Derrotados e esculhambados voltamos para a agência - sim, para a agência - para resolver a situação.
Solução: criar novas campanhas em 3 horas(!), apresentar para o cliente as idéias e executá-las - colocá-la no papel - na noite seguinte para a apresentação.
Isso significou mais uma noite em claro.
Meu recorde foi batido: 48 horas em claro.
O problema - mais um problema, digo - é que essa empresa, Dubai Holding, é como uma cebola.
Não, não é porque ela me faz vontade de chorar - não sempre, pelo menos.
Mas porque ela é constituída em camadas.
E ela não funciona sem que todas as camadas estejam envolvidas, o que significa que até a sogra do presidente é envolvida no processo decisório.
A primeira apresentação era só uma entre muitas, culminando na grande apresentação para o ultra BIG BOSS MASTER BLASTER OF THE UNIVERSE da empresa, o homem que tem contato direto com o Sheikh Mohammed, ruler of Dubai.
E nessa a gente não tem acesso. Fica tudo a cargo dos cupinchas.
É como jogar um videogame: você luta, luta, luta até enfrentar o chefão da fase, aí você passa para fase seguinte, e é a mesma coisa.
No final você enfrenta o Mega Chefão e game over.
A diferença é você tem que enfrentar todos eles mais de uma vez.
E o game ainda não está over.
Depois da primeira apresentação foram várias outras, mais stress, mais encheção de saco e várias noites em claro.
Semana passada tivemos a notícia que que a comemoração do ano novo muçulmano seria na quinta-feira passada.
Oba! Final de semana prolongado!
E ficamos aqui todos os dias até de madrugada...
A novela continua, hoje tem mais um capítulo.
O bom das novelas é que no final todos se casam e os vilões se dão mal.
Que bom seria...
Agora deixa eu voltar para a vaca fria.
Câmbio, desligo.
Que volta!
Chegamos de viagem numa sexta e voltei a trabalhar em um domingo. Ainda estava sofrendo os efeitos do jet lag, sem conseguir dormir direito e com aquela sensação de estar acordado de madrugada. Óbvio que a nossa filhota não estava ajudando. Afinal como se explica para uma criança de 2 anos de idade que ela tem que se adaptar ao fuso horário?
O pequeno dínamo estava ficando acordado até as 2 da manhã todos os dias. E eu me sentindo como um zumbi.
Brains!
Logo no primeiro dia de trabalho já tive uma reunião longa e, quando estava voltando para agência, recebi um chamado me dizendo que tínhamos que resolver uma crise.
A crise, fiquei sabendo depois, era ter que criar uma campanha inteira - ou melhor, duas - começando às 5 da tarde e apresentando no próximo dias às 10 da manhã.
Conseguimos negociar para o próximo dia - grande ajuda!
Mas isso só adiou a correria para o dia seguinte. Ainda cansado passei a noite em claro criando a bendita campanha - isso porque metade do meu grupo estava ausente, por várias razões.
No dia seguinte, tudo pronto para ir para casa e dormir, vem o atendimento e implora para que eu vá apresentar com eles.
Só vai demorar uma hora, disseram.
Eu sabia que não ia ser assim. Mas não estava esperando pelo que ia acontecer.
Fui, ou melhor, o que restou de mim foi com eles.
Eu tinha muita confiança na qualidade do trabalho que ia apresentar mas uma coisa eu posso afirmar: publicidade não é uma ciência exata.
Fomos destruídos pelo Chief Marketing Officer da empresa.
A campanha, o planejamento, a agência, o clima em Dubai. Só faltou ele falar que eu tenho chulé.
Se você tem vontade de destruir uma campanha - ou qualquer coisa baseada em criatividade - você consegue.
Essa é a triste verdade do nosso negócio. O "não gostei" recheado de um monte de explicações pseudo-intelectuais tem a mesma validade das tábuas sagradas trazidas por Moisés do alto do monte Sinai.
Derrotados e esculhambados voltamos para a agência - sim, para a agência - para resolver a situação.
Solução: criar novas campanhas em 3 horas(!), apresentar para o cliente as idéias e executá-las - colocá-la no papel - na noite seguinte para a apresentação.
Isso significou mais uma noite em claro.
Meu recorde foi batido: 48 horas em claro.
O problema - mais um problema, digo - é que essa empresa, Dubai Holding, é como uma cebola.
Não, não é porque ela me faz vontade de chorar - não sempre, pelo menos.
Mas porque ela é constituída em camadas.
E ela não funciona sem que todas as camadas estejam envolvidas, o que significa que até a sogra do presidente é envolvida no processo decisório.
A primeira apresentação era só uma entre muitas, culminando na grande apresentação para o ultra BIG BOSS MASTER BLASTER OF THE UNIVERSE da empresa, o homem que tem contato direto com o Sheikh Mohammed, ruler of Dubai.
E nessa a gente não tem acesso. Fica tudo a cargo dos cupinchas.
É como jogar um videogame: você luta, luta, luta até enfrentar o chefão da fase, aí você passa para fase seguinte, e é a mesma coisa.
No final você enfrenta o Mega Chefão e game over.
A diferença é você tem que enfrentar todos eles mais de uma vez.
E o game ainda não está over.
Depois da primeira apresentação foram várias outras, mais stress, mais encheção de saco e várias noites em claro.
Semana passada tivemos a notícia que que a comemoração do ano novo muçulmano seria na quinta-feira passada.
Oba! Final de semana prolongado!
E ficamos aqui todos os dias até de madrugada...
A novela continua, hoje tem mais um capítulo.
O bom das novelas é que no final todos se casam e os vilões se dão mal.
Que bom seria...
Agora deixa eu voltar para a vaca fria.
Câmbio, desligo.
Tuesday, January 31, 2006
CVs.
Ontem foi dia de celebração.
Minha musa inspiradora recebeu - ou melhor todos recebemos - uma notícia maravilhosa.
Depois de meses mandando currículos para as mais diversas empresas nos mais variados websites de empregos que atendem ao oriente médio - e que não deram nenhum resultado - finalmente uma resposta.
E não foi uma resposta qualquer, foi uma proposta de emprego que deixou minha amada iluminada.
O processo começou em meados de dezembro e parecia que ia se arrastar por meses.
Mas, depois que voltamos, as coisas parecem que ganharam velocidade e de repente se resolveram.
E como se resolveram.
Resumo da ópera: amanhã a Dri começa a trabalhar como senior product manager na empresa do anticristo.
Pois é, a Microsoft volta a fazer parte das nossas vidas - e não é como objeto das minhas reclamações com relação à qualidade dos produtos e como eu acho o Windows feio.
Mais uma sacudida nas nossas vidas.
Bem vinda ao mundo dos assalariados novamente, minha workaholic Linda.
E como o mundo dá voltas...
Ontem foi dia de celebração.
Minha musa inspiradora recebeu - ou melhor todos recebemos - uma notícia maravilhosa.
Depois de meses mandando currículos para as mais diversas empresas nos mais variados websites de empregos que atendem ao oriente médio - e que não deram nenhum resultado - finalmente uma resposta.
E não foi uma resposta qualquer, foi uma proposta de emprego que deixou minha amada iluminada.
O processo começou em meados de dezembro e parecia que ia se arrastar por meses.
Mas, depois que voltamos, as coisas parecem que ganharam velocidade e de repente se resolveram.
E como se resolveram.
Resumo da ópera: amanhã a Dri começa a trabalhar como senior product manager na empresa do anticristo.
Pois é, a Microsoft volta a fazer parte das nossas vidas - e não é como objeto das minhas reclamações com relação à qualidade dos produtos e como eu acho o Windows feio.
Mais uma sacudida nas nossas vidas.
Bem vinda ao mundo dos assalariados novamente, minha workaholic Linda.
E como o mundo dá voltas...
Friday, January 27, 2006
Inverno no deserto
Ano novo, vida nova e, acreditem, temperatura nova.
Está fazendo frio em Dubai. Claro que não é o frio de 1 grau que pegamos em Amsterdam na nossa caminhada enquanto esperávamos pela conexão de volta para o Oriente Médio, mas é uma sensação inédita nestas paragens areníticas.
É até difícil imaginar que no meio do verão eu me sentia como um picolé deixado nos asfalto da avenida Atlântica. 50 graus parecem mentira quando você experimenta agradáveis 20 graus durante o dia e uma friaca (essa é para você, Fininho) durante a noite.
Se fosse assim o ano inteiro não sobraria espaço nem para os camelos, tamanha a quantidade de gringos salsichudos que se mudariam para cá para fugir da (essa sim) friaca européia.
Não dá para imaginar que verão possa deprimir alguém, mas o negócio aqui é tão sério que chega perto. É a versão beduína do clima siberiano - não dá para ficar em lugares abertos e equipamentos de controle de temperatura - no nosso caso é o ar condicionado - são itens que separam a felicidade de uma existência miserável.
A diferença é que no auge do inverno as únicas figuras que são encontradas nas ruas geladas dos países do norte são Papai Noel e seus duendes. Aqui os trabalhadores da construção civil não conhecem a diferença entre as estações. Não é fácil.
Eu bebo um copo de água gelada a eles.
E aproveito ao máximo para experimentar essa Dubai que eu não conhecia.
Ano novo, vida nova e, acreditem, temperatura nova.
Está fazendo frio em Dubai. Claro que não é o frio de 1 grau que pegamos em Amsterdam na nossa caminhada enquanto esperávamos pela conexão de volta para o Oriente Médio, mas é uma sensação inédita nestas paragens areníticas.
É até difícil imaginar que no meio do verão eu me sentia como um picolé deixado nos asfalto da avenida Atlântica. 50 graus parecem mentira quando você experimenta agradáveis 20 graus durante o dia e uma friaca (essa é para você, Fininho) durante a noite.
Se fosse assim o ano inteiro não sobraria espaço nem para os camelos, tamanha a quantidade de gringos salsichudos que se mudariam para cá para fugir da (essa sim) friaca européia.
Não dá para imaginar que verão possa deprimir alguém, mas o negócio aqui é tão sério que chega perto. É a versão beduína do clima siberiano - não dá para ficar em lugares abertos e equipamentos de controle de temperatura - no nosso caso é o ar condicionado - são itens que separam a felicidade de uma existência miserável.
A diferença é que no auge do inverno as únicas figuras que são encontradas nas ruas geladas dos países do norte são Papai Noel e seus duendes. Aqui os trabalhadores da construção civil não conhecem a diferença entre as estações. Não é fácil.
Eu bebo um copo de água gelada a eles.
E aproveito ao máximo para experimentar essa Dubai que eu não conhecia.
Monday, January 23, 2006
Um mês depois, mil aventuras depois e muitas e muitas horas de vôo e de aeroporto depois, estou de volta ao meu blog.
Tenho que confessar que me deu uma preguiça enorme recomeçar a escrever - principalmente depois das 31 horas de viagem de São Paulo até Dubai.
Recomeço no trabalho - claro que em ponto morto - e logo de cara um mega pepino para resolver.
Resultado: passei 48 horas trabalhando sem parar e, depois de um dia de quase descanso, mais uma noite virada.
Ninguém merece.
Ah, e tudo isso com jet lag para ajudar.
Por isso me faltaram as palavras para atualizar meus meus posts.
Prometo a mim mesmo - promessas de virada de ano - manter as minhas aventuras e desventuras em dia.
Até a próxima.
Tenho que confessar que me deu uma preguiça enorme recomeçar a escrever - principalmente depois das 31 horas de viagem de São Paulo até Dubai.
Recomeço no trabalho - claro que em ponto morto - e logo de cara um mega pepino para resolver.
Resultado: passei 48 horas trabalhando sem parar e, depois de um dia de quase descanso, mais uma noite virada.
Ninguém merece.
Ah, e tudo isso com jet lag para ajudar.
Por isso me faltaram as palavras para atualizar meus meus posts.
Prometo a mim mesmo - promessas de virada de ano - manter as minhas aventuras e desventuras em dia.
Até a próxima.
Friday, December 23, 2005
Prontos para a jornada.
Faltam só algumas horas para irmos audaciosamente onde poucos de aventuraram e sairam vivos para contar a história: rumo ao Brasil de classe econômica da KLM com uma criança de 2 anos.
São 6 horas e meia até Amsterdam, 4 horas no aeroporto e mais umas 12 horas até Guarulhos - sem contar a hora e meia de estrada até a casa do meu pai.
Acho que deve ter sido mais confortável para os peregrinos que passavam meses atravessando os oceanos em barquinhos de madeira.
Saímos hoje às 1h30 da matina e chegamos em GRU às 20h50 - sem descontar os fuso de 6 horas.
Espero que a ceia ainda esteja quentinha quando a gente chegar.
Faltam só algumas horas para irmos audaciosamente onde poucos de aventuraram e sairam vivos para contar a história: rumo ao Brasil de classe econômica da KLM com uma criança de 2 anos.
São 6 horas e meia até Amsterdam, 4 horas no aeroporto e mais umas 12 horas até Guarulhos - sem contar a hora e meia de estrada até a casa do meu pai.
Acho que deve ter sido mais confortável para os peregrinos que passavam meses atravessando os oceanos em barquinhos de madeira.
Saímos hoje às 1h30 da matina e chegamos em GRU às 20h50 - sem descontar os fuso de 6 horas.
Espero que a ceia ainda esteja quentinha quando a gente chegar.
Tuesday, December 20, 2005
Sunday, December 18, 2005
Acho que vou passar todo o tempo que vamos ficar no Brasil comendo e conversando.
Faz mais de 6 meses que não como uma feijoada ou um bife acebolado.
Churrasco nem pensar. Fui num restaurante com uns amigos há uns 4 meses e paguei mais de 100 reais numa carninha meia-boca... Linguiça, picanha, alcatra...
E eu já sou um ardoroso fã da língua-pátria falada. Imaginem agora que estou há mais de 6 meses quase sem interlocutores.
(A Dri já não deve me aguentar mais)
Me aguardem.
Faz mais de 6 meses que não como uma feijoada ou um bife acebolado.
Churrasco nem pensar. Fui num restaurante com uns amigos há uns 4 meses e paguei mais de 100 reais numa carninha meia-boca... Linguiça, picanha, alcatra...
E eu já sou um ardoroso fã da língua-pátria falada. Imaginem agora que estou há mais de 6 meses quase sem interlocutores.
(A Dri já não deve me aguentar mais)
Me aguardem.
Saturday, December 17, 2005
O Grande Macaco e a pequena cinéfila.
Ontem fomos ao Ibn Battuta Mall para fazer compras. Eram 8 da noite e a Carolina, enfim, estava dormindo no seu carrinho depois de fazer estripulias o dia inteiro.
Idéia da Dri - conhecendo nossa pequena tínhamos certeza que a dona fofinha não acordaria mais naquela noite. Que tal se tentássemos ver de novo King Kong?
De novo porque na quarta nós fomos tentamos assistir com ela. Mas chegou um certo ponto em que as cenas estavam pesadas demais para a nossa pequena e saímos antes da metade do filme - com água na boca.
Lá fomos nós com nosso bebê no carrinho para a sessão das 9 e meia do filme - que tem mais de 3 horas de duração.
Quando peguei a pequena no colo a bichinha acordou. E não pregou mais o olho até o fim. Aliás, ficou com os olhos bem mais abertos que o normal.
Cobrimos seus olhinhos nas cenas mais pesadas - que são pouquinhas, menos de 3 minutos do filme - e ela seguiu alegremente pelo filme, vibrando com tudo que estava acontecendo na tela.
Acho deve ter um gene que codifica a paixão pelo cinema ainda por ser descoberto.
O filme é magnífico. Emocionante, emocional, surpreendente e impressionante.
É um daqueles momentos raros e preciosos em que você se sente novamente como um garoto de 8 anos de idade. O Peter Jackson acertou de novo.
Semana que vem vamos tentar assistir Harry Potter. Mas aí vai ser no Brasil.
Dia 24 estamos chegando na Pindorama.
Ontem fomos ao Ibn Battuta Mall para fazer compras. Eram 8 da noite e a Carolina, enfim, estava dormindo no seu carrinho depois de fazer estripulias o dia inteiro.
Idéia da Dri - conhecendo nossa pequena tínhamos certeza que a dona fofinha não acordaria mais naquela noite. Que tal se tentássemos ver de novo King Kong?
De novo porque na quarta nós fomos tentamos assistir com ela. Mas chegou um certo ponto em que as cenas estavam pesadas demais para a nossa pequena e saímos antes da metade do filme - com água na boca.
Lá fomos nós com nosso bebê no carrinho para a sessão das 9 e meia do filme - que tem mais de 3 horas de duração.
Quando peguei a pequena no colo a bichinha acordou. E não pregou mais o olho até o fim. Aliás, ficou com os olhos bem mais abertos que o normal.
Cobrimos seus olhinhos nas cenas mais pesadas - que são pouquinhas, menos de 3 minutos do filme - e ela seguiu alegremente pelo filme, vibrando com tudo que estava acontecendo na tela.
Acho deve ter um gene que codifica a paixão pelo cinema ainda por ser descoberto.
O filme é magnífico. Emocionante, emocional, surpreendente e impressionante.
É um daqueles momentos raros e preciosos em que você se sente novamente como um garoto de 8 anos de idade. O Peter Jackson acertou de novo.
Semana que vem vamos tentar assistir Harry Potter. Mas aí vai ser no Brasil.
Dia 24 estamos chegando na Pindorama.
Wednesday, December 14, 2005
O dia em que a terra tremeu.
Estar em Dubai é sempre interessante. Sempre tem uma novidade para contar. Infelizmente o ritmo da minha vida tem sido tão alucinante que tenho falhado em postar neste blog regularmente. E pode ter certeza que tem muita coisa para acontecendo.
A antepenúltima coisa interessante que aconteceu foi mais um item para entrar no meu currículo.
Estava eu aqui na minha sala no 17o. andar das Emirates Towers, logo depois de comer um típico prato local chamado Big Mac, quando senti que tudo estava balançando. Meu primeiro pensamento foi "o que será que eles colocam neste molho especial?".
Realmente as coisas estavam sacudindo. Era um terremoto.
Interessante que em momentos como este você fica sem ação, sem saber o que fazer, abestalhado, parvo, abobalhado.
Nada na vida pode prever o que acontece em situações inesperadas, você fica a mercê dos seus instintos, da sua capacidade de improvisação e, pior de tudo, do espírito da matilha.
Isso mesmo. Em situações de estresse agimos em bando. Uma inteligência - ou estupidez - coletiva toma conta de todos nós.
Demorou alguns minutos até entendermos o que estava acontecendo. Aí todos fugiram do prédio - tentando preservar as aparências, mas fugindo do mesmo jeito.
Depois de algum tempo a segurança do prédio veio dizer que era seguro voltar, que nada mais ia acontecer.
E, acreditem, as pessoas voltaram!
Tenho certeza que a admnistração do prédio ligou para Princeton e Harvard para colher esta informação antes de passar para a gente...
Em momentos como estes as pessoas voltam a ser crianças. Precisam que alguém mostre o que é certo e errado e que lhes digam o caminho.
Eu demorei mais um pouquinho, para enfatizar minha independência, mas fiz o mesmo no fim.
O que aconteceu foi um terremoto de 6.5 graus na escala Richter com o epicentro em uma cidade do Irã a 250km daqui. Matou algumas pessoas e destruiu umas casas. E foi a primeira vez que um evento como esse foi percebido em Dubai.
A Dri por exemplo só ficou sabendo depois que eu liguei para contar. Pelo jeito só os prédios mais altos - que são como imensos pêndulos - sofreram claramente os efeitos do choque. E as Emirates Towers têm mais de 50 andares.
É muito estranho estar numa situação como esta. É como se o planeta estivessa fazendo uma exclamação que diz claramente "ei, amigos, por mais que você pensem o contrário quem controla as coisas por aqui sou eu".
Faz a gente se sentir bem pequeninho.
Essa eu vou colocar no currículo. E olha que nem estava no pacote...
Estar em Dubai é sempre interessante. Sempre tem uma novidade para contar. Infelizmente o ritmo da minha vida tem sido tão alucinante que tenho falhado em postar neste blog regularmente. E pode ter certeza que tem muita coisa para acontecendo.
A antepenúltima coisa interessante que aconteceu foi mais um item para entrar no meu currículo.
Estava eu aqui na minha sala no 17o. andar das Emirates Towers, logo depois de comer um típico prato local chamado Big Mac, quando senti que tudo estava balançando. Meu primeiro pensamento foi "o que será que eles colocam neste molho especial?".
Realmente as coisas estavam sacudindo. Era um terremoto.
Interessante que em momentos como este você fica sem ação, sem saber o que fazer, abestalhado, parvo, abobalhado.
Nada na vida pode prever o que acontece em situações inesperadas, você fica a mercê dos seus instintos, da sua capacidade de improvisação e, pior de tudo, do espírito da matilha.
Isso mesmo. Em situações de estresse agimos em bando. Uma inteligência - ou estupidez - coletiva toma conta de todos nós.
Demorou alguns minutos até entendermos o que estava acontecendo. Aí todos fugiram do prédio - tentando preservar as aparências, mas fugindo do mesmo jeito.
Depois de algum tempo a segurança do prédio veio dizer que era seguro voltar, que nada mais ia acontecer.
E, acreditem, as pessoas voltaram!
Tenho certeza que a admnistração do prédio ligou para Princeton e Harvard para colher esta informação antes de passar para a gente...
Em momentos como estes as pessoas voltam a ser crianças. Precisam que alguém mostre o que é certo e errado e que lhes digam o caminho.
Eu demorei mais um pouquinho, para enfatizar minha independência, mas fiz o mesmo no fim.
O que aconteceu foi um terremoto de 6.5 graus na escala Richter com o epicentro em uma cidade do Irã a 250km daqui. Matou algumas pessoas e destruiu umas casas. E foi a primeira vez que um evento como esse foi percebido em Dubai.
A Dri por exemplo só ficou sabendo depois que eu liguei para contar. Pelo jeito só os prédios mais altos - que são como imensos pêndulos - sofreram claramente os efeitos do choque. E as Emirates Towers têm mais de 50 andares.
É muito estranho estar numa situação como esta. É como se o planeta estivessa fazendo uma exclamação que diz claramente "ei, amigos, por mais que você pensem o contrário quem controla as coisas por aqui sou eu".
Faz a gente se sentir bem pequeninho.
Essa eu vou colocar no currículo. E olha que nem estava no pacote...
Monday, December 05, 2005
O Burjo.
Que beleza! Minha filha não só reconhece o Burj Al Arab na paisagem como é apaixonada por este hotel magnífico.
Quando estamos passando pela Sheikh Zayed Road ela nos surpreende gritando "Olha o Burjo!". E lá está ele, enorme e imponente.
Na praia em que vamos - a Jumeira Beach - estamos do lado do hotel. Uma vista impressionante. E ela fica em êxtase.
Isso porque tudo que ela precisa está lá: mamãe, papai, areia para fazer seus bolinhos e o Burjo.
Viu só como a vida pode ser simples?
Que beleza! Minha filha não só reconhece o Burj Al Arab na paisagem como é apaixonada por este hotel magnífico.
Quando estamos passando pela Sheikh Zayed Road ela nos surpreende gritando "Olha o Burjo!". E lá está ele, enorme e imponente.
Na praia em que vamos - a Jumeira Beach - estamos do lado do hotel. Uma vista impressionante. E ela fica em êxtase.
Isso porque tudo que ela precisa está lá: mamãe, papai, areia para fazer seus bolinhos e o Burjo.
Viu só como a vida pode ser simples?
Sunday, December 04, 2005
Thursday, November 24, 2005
Nem parece Dubai.
As estações vão passando e o clima vai se transformando.
Acreditem ou não à noite chega a fazer frio.
Uma das melhores coisas que eu posso dizer sobre isso é que meu contato com ar-condicionado foi bastante reduzido.
As pessoas aqui têm uma paixão imensa por ar-condicionado. Se você tomasse como exemplo a temperatura que experimentamos em taxis e lugares públicos, iria achar que estamos em um lugar com clima sub-polar.
Pinguins poderiam andar de taxi tranquilamente aqui.
Acho que usar essa maldita caixa de fazer gelo é uma maneira das pessoas daqui se sentirem civilizadas.
Deve ser esta a razão que levou estes alucinados a criar a maior caixa de fazer gelo que se tem notícia.
Semana passada foi inaugurado no Mall of the Emirates - que em si já é um lugar com clima sub-polar - o Ski Dubai.
Isso mesmo, uma pista de esqui indoor no meio do deserto. Nela a paixão local por coisas imensas e por ar-condicionado alcançou o ápice.
A pista de esqui é uma vista surreal que parece um espaçoporto, coisa de ficção científica, A entrada é dentro do Mall of the Emirates, que fica pertinho do Burj Al Arab.
Dentro do Shopping tem janelas enormes onde é possível ver as pessoas brincando alegremente com a neve, jogando bolas de neve umas nas outras, correndo, pulando e agindo como retardadas - tudo que se poderia esperar de gente nesta situação. Infelizmente a pista de esqui ainda não estava liberada - chegar na temperatura adequada e preparar neve suficiente leva meses.
Quem diria que o meu primeiro contato com esqui iria ser no meio do deserto no oriente médio.
Que tal um programa do tipo tomar sol na praia de manhã e esquiar à tarde? E tudo isso separado por apenas 1 km.
Para que achava que já tinha visto de tudo...
As estações vão passando e o clima vai se transformando.
Acreditem ou não à noite chega a fazer frio.
Uma das melhores coisas que eu posso dizer sobre isso é que meu contato com ar-condicionado foi bastante reduzido.
As pessoas aqui têm uma paixão imensa por ar-condicionado. Se você tomasse como exemplo a temperatura que experimentamos em taxis e lugares públicos, iria achar que estamos em um lugar com clima sub-polar.
Pinguins poderiam andar de taxi tranquilamente aqui.
Acho que usar essa maldita caixa de fazer gelo é uma maneira das pessoas daqui se sentirem civilizadas.
Deve ser esta a razão que levou estes alucinados a criar a maior caixa de fazer gelo que se tem notícia.
Semana passada foi inaugurado no Mall of the Emirates - que em si já é um lugar com clima sub-polar - o Ski Dubai.
Isso mesmo, uma pista de esqui indoor no meio do deserto. Nela a paixão local por coisas imensas e por ar-condicionado alcançou o ápice.
A pista de esqui é uma vista surreal que parece um espaçoporto, coisa de ficção científica, A entrada é dentro do Mall of the Emirates, que fica pertinho do Burj Al Arab.
Dentro do Shopping tem janelas enormes onde é possível ver as pessoas brincando alegremente com a neve, jogando bolas de neve umas nas outras, correndo, pulando e agindo como retardadas - tudo que se poderia esperar de gente nesta situação. Infelizmente a pista de esqui ainda não estava liberada - chegar na temperatura adequada e preparar neve suficiente leva meses.
Quem diria que o meu primeiro contato com esqui iria ser no meio do deserto no oriente médio.
Que tal um programa do tipo tomar sol na praia de manhã e esquiar à tarde? E tudo isso separado por apenas 1 km.
Para que achava que já tinha visto de tudo...
Saturday, November 19, 2005
Meu Brasil brasileiro.
Estar longe do Brasil faz a gente ter comportamentos muito estranhos.
De repente tudo que diz respeito à terra natal ganha um novo significado.
Coisas que não importavam nada passam a ser maravilhosas.
Calma, não vou dizer que sinto falta de assistir televisão no domingo.
Mas estar em comunhão com a Pindorama é algo que a gente tem uma necessidade muito grande.
É tão forte essa necessidade que acabamos fazendo coisas impensáveis.
E hoje pode acontecer uma delas.
Um grande ídolo mundial está dando uma passada nestas terras. E, como em todos os outros lugares, multidões se reúnem para estar perto do mito.
Não, não estamos falando do Michael Jackson ou do Ronaldinho.
Também não é o Pelé.
É ele, o Alquimista, a lenda. O escritor favorito de franceses, iranianos, árabes e russos.
Paulo Coelho está em Dubai.
E hoje tem uma noite de autógrafos na Macgrudy's do Ibn Battuta Mall.
E o pior de tudo: estamos REALMENTE pensando em ir.
Saudades da terrinha fazem a gente se comportar de maneira estranha.
Estar longe do Brasil faz a gente ter comportamentos muito estranhos.
De repente tudo que diz respeito à terra natal ganha um novo significado.
Coisas que não importavam nada passam a ser maravilhosas.
Calma, não vou dizer que sinto falta de assistir televisão no domingo.
Mas estar em comunhão com a Pindorama é algo que a gente tem uma necessidade muito grande.
É tão forte essa necessidade que acabamos fazendo coisas impensáveis.
E hoje pode acontecer uma delas.
Um grande ídolo mundial está dando uma passada nestas terras. E, como em todos os outros lugares, multidões se reúnem para estar perto do mito.
Não, não estamos falando do Michael Jackson ou do Ronaldinho.
Também não é o Pelé.
É ele, o Alquimista, a lenda. O escritor favorito de franceses, iranianos, árabes e russos.
Paulo Coelho está em Dubai.
E hoje tem uma noite de autógrafos na Macgrudy's do Ibn Battuta Mall.
E o pior de tudo: estamos REALMENTE pensando em ir.
Saudades da terrinha fazem a gente se comportar de maneira estranha.
Thursday, November 17, 2005
Sunday, November 13, 2005
Brasil 8x0 Mirrados Árabes Unidos
Que naba! Ontem foi o jogo da seleção local contra a seleção.
Consegui resistir à pressão de 2 meses que a galera da agência fez para eu ir.
Inacreditável!
Ainda bem que eles acreditaram que no Brasil a gente sempre tem a oportunidade de assistir à seleção jogar. Quase todo final de semana a seleção joga pertinho de casa.
Como diria meu grande amigo Alê Guerreiro, dá para falar para eles que tem macaco andando na rua que eles acreditam.
250 dirhams cada ingresso mais a viagem para Abu Dhabi, mais a babá para a Carolina e mais a vontade de ficar traquilinho com a minha família me convenceram a ficar em casa.
O que eu perdi foi uma chuva de gols - que começou na hora que a gente decidiu desligar a televisão.
E como a seleção dos Mirrados é ruim. Devia ser a seleção da Toscana.
Os caras estavam completamente amedrontados com o poder da camisa amarelinha. Até mesmo a Ponte - com o Monga - ganhava de goleada deles.
Metade dos torcedores era do Brasil...espera aí, me disseram que só tinha uns 300 brasileiros aqui...
A câmera passeia e olha só a galera brasileira agitando...pera lá, aquele carinha alegre com a camisa do Brasil trabalha comigo! Um libanês da gema!
Acho que vai ser difícil ver uns brasileiros legítimos.
O Brasil faz sucesso por aqui.
Todo mundo adora torcer pelo mais fraco - mesmo que a coisa fraca aí no Brasil seja a economia e as questões sociais.
A melhor coisa do jogo foi poder assistir a uma transmissão completa sem ouvir o Galvão Bueno. Não dá para ter uma idéia como é bom isso.
Tudo bem que os locutores árabes eram mais animados que locutor de rádio e que se um jogador dos Mirrados chutasse a bola para a lateral eles faziam pelo menos 5 replays, mas foi muito bom ver que eles escreveram o nome do nosso glorioso técnico Perera - e falavam o nome do desgraçado a cada 5 minutos.
Um evento interessantíssimo que transformou um amistoso de boa vontade numa célebre cena de atropelamento, onde repetidamente novas estrelas do futebol tupiniquim passavam por cima da vítima indefesa - aliás INdefesa é uma boa mareira de definir aquela zaga - para garantir sua presença na próxima copa.
Bom, batemos nos bêbado.
Vamos ver o que acontece quando a história for séria.
O bom é chegar no trabalho no dia seguinte e agir como se você tivesse ganhado o jogo.
Nada como ser o representante local de uma franquia de sucesso.
Que naba! Ontem foi o jogo da seleção local contra a seleção.
Consegui resistir à pressão de 2 meses que a galera da agência fez para eu ir.
Inacreditável!
Ainda bem que eles acreditaram que no Brasil a gente sempre tem a oportunidade de assistir à seleção jogar. Quase todo final de semana a seleção joga pertinho de casa.
Como diria meu grande amigo Alê Guerreiro, dá para falar para eles que tem macaco andando na rua que eles acreditam.
250 dirhams cada ingresso mais a viagem para Abu Dhabi, mais a babá para a Carolina e mais a vontade de ficar traquilinho com a minha família me convenceram a ficar em casa.
O que eu perdi foi uma chuva de gols - que começou na hora que a gente decidiu desligar a televisão.
E como a seleção dos Mirrados é ruim. Devia ser a seleção da Toscana.
Os caras estavam completamente amedrontados com o poder da camisa amarelinha. Até mesmo a Ponte - com o Monga - ganhava de goleada deles.
Metade dos torcedores era do Brasil...espera aí, me disseram que só tinha uns 300 brasileiros aqui...
A câmera passeia e olha só a galera brasileira agitando...pera lá, aquele carinha alegre com a camisa do Brasil trabalha comigo! Um libanês da gema!
Acho que vai ser difícil ver uns brasileiros legítimos.
O Brasil faz sucesso por aqui.
Todo mundo adora torcer pelo mais fraco - mesmo que a coisa fraca aí no Brasil seja a economia e as questões sociais.
A melhor coisa do jogo foi poder assistir a uma transmissão completa sem ouvir o Galvão Bueno. Não dá para ter uma idéia como é bom isso.
Tudo bem que os locutores árabes eram mais animados que locutor de rádio e que se um jogador dos Mirrados chutasse a bola para a lateral eles faziam pelo menos 5 replays, mas foi muito bom ver que eles escreveram o nome do nosso glorioso técnico Perera - e falavam o nome do desgraçado a cada 5 minutos.
Um evento interessantíssimo que transformou um amistoso de boa vontade numa célebre cena de atropelamento, onde repetidamente novas estrelas do futebol tupiniquim passavam por cima da vítima indefesa - aliás INdefesa é uma boa mareira de definir aquela zaga - para garantir sua presença na próxima copa.
Bom, batemos nos bêbado.
Vamos ver o que acontece quando a história for séria.
O bom é chegar no trabalho no dia seguinte e agir como se você tivesse ganhado o jogo.
Nada como ser o representante local de uma franquia de sucesso.
Sunday, November 06, 2005
Vamos a la playa.
O final de semana ultra-prolongado do fim do Ramadan me deu a oportunidade de fazer várias coisas que fazia tempo que eu tinha vontade de fazer.
Nada era uma delas.
Outra, era finalmente visitar a praia.
Poucas pessoas vão acreditar, mas desde que cheguei a Dubai não fui à praia. Sempre gostei muito de praia, mas a experiência aqui tem sido tão intensa que acabei deixando de lado a idéia, até que recebi um ultimado de minha digníssima e tive que ceder.
Como era sábado e neste dia a principal praia fechada é reservada para mulheres e crianças (meninos só até 8 anos de idade!) resolvemos nos aventurar a ir em uma praia mais afastada na vizinhança de Jebel Ali.
Para quem não sabe - até pouco tempo eu me incluiria neste grupo - Jebel Ali é o lugar onde foi construído o maior porto artificial do mundo e que, dizem, pode ser visto do espaço.
É lá também que eles estão construindo uma daquelas ilhas artificiais com o formato de palmeiras - gigantes e cheias de construções de alto luxo. The Palm Jebel Ali, o empreendimento irmão do The Palm Jumeirah.
Mas a praia....ah a praia...
Pegamos as indicações no guia e lá fomos nós.
Quando chegamos pertinho da praia não tinha mais estrada, só uma estrada de areia batida, mas cheia de marcas.
Vamos por aqui.
Depois de andar um pouco chegamos na dita cuja. E ela estava cheia, lotada de 4x4, que passaram da categoria de figurantes para atores principais nesta minha história de Dubai, tamanha a quantidade.
A galera vai até a areia com elas, monta umas tendinhas e aí começa a farofa.
Tudo digno de Praia Grande, com direito até a churrasco feito na areia.
Fomos indo, indo e...não iu.
O nosso carrinho atolou na areia.
Escolado que já sou depois de ter dado esta mancada outras vezes, parei instantaneamente.
A situação parecia desesperadora, mas lembre-se que tinha mais de 500 4x4 nas redondezas.
Não foi preciso. Desci e consegui, com a ajuda da minha co-pilota no volante, empurrar o carro para fora do atoleiro. Me respeitei.
Paramos o carro num lugar seguro - leia-se areia dura - e fomos para a praia.
Retrato de um pesadelo.
A primeira imagem marcante depois dos carros foi um grupo de malas dirigindo quadriciclos no meio da praia. Não sei o que é pior, o barulho ou os caras passando a toda do seu lado.
E não é só isso!!! Tem mais!!!
Os 4x4 circulam a toda pela areia, tanto no meio quando perto da rebentação (ou arrebentação?). Me senti - nos sentimos - como aquele sapo no jogo antigo de Atari.
Só que a gente não tinha que evitar ser atropelado na rua, mas sim na praia.
Ah, mas pelo menos tinha o mar tranquilo...
Não.
Outro bando de joselitos ficava passando de Jet Ski na beirada, fazendo malabarismo ou puxando outros maletas de wake board.
Pelo menos a Carolina de divertiu. Os papais estavam muito tensos tentando protegê-la dos 48 tipos de perigo disponíveis na praia.
Saímos fugidos de lá.
Para quem veio para cá buscando uma cultura nova, foi uma surpresa encontrar os farofeiros da baixada por aqui.
Só faltou canja na garrafa térmica e Ki-Suco.
Visite Jebel Ali. Mas não me chame.
O final de semana ultra-prolongado do fim do Ramadan me deu a oportunidade de fazer várias coisas que fazia tempo que eu tinha vontade de fazer.
Nada era uma delas.
Outra, era finalmente visitar a praia.
Poucas pessoas vão acreditar, mas desde que cheguei a Dubai não fui à praia. Sempre gostei muito de praia, mas a experiência aqui tem sido tão intensa que acabei deixando de lado a idéia, até que recebi um ultimado de minha digníssima e tive que ceder.
Como era sábado e neste dia a principal praia fechada é reservada para mulheres e crianças (meninos só até 8 anos de idade!) resolvemos nos aventurar a ir em uma praia mais afastada na vizinhança de Jebel Ali.
Para quem não sabe - até pouco tempo eu me incluiria neste grupo - Jebel Ali é o lugar onde foi construído o maior porto artificial do mundo e que, dizem, pode ser visto do espaço.
É lá também que eles estão construindo uma daquelas ilhas artificiais com o formato de palmeiras - gigantes e cheias de construções de alto luxo. The Palm Jebel Ali, o empreendimento irmão do The Palm Jumeirah.
Mas a praia....ah a praia...
Pegamos as indicações no guia e lá fomos nós.
Quando chegamos pertinho da praia não tinha mais estrada, só uma estrada de areia batida, mas cheia de marcas.
Vamos por aqui.
Depois de andar um pouco chegamos na dita cuja. E ela estava cheia, lotada de 4x4, que passaram da categoria de figurantes para atores principais nesta minha história de Dubai, tamanha a quantidade.
A galera vai até a areia com elas, monta umas tendinhas e aí começa a farofa.
Tudo digno de Praia Grande, com direito até a churrasco feito na areia.
Fomos indo, indo e...não iu.
O nosso carrinho atolou na areia.
Escolado que já sou depois de ter dado esta mancada outras vezes, parei instantaneamente.
A situação parecia desesperadora, mas lembre-se que tinha mais de 500 4x4 nas redondezas.
Não foi preciso. Desci e consegui, com a ajuda da minha co-pilota no volante, empurrar o carro para fora do atoleiro. Me respeitei.
Paramos o carro num lugar seguro - leia-se areia dura - e fomos para a praia.
Retrato de um pesadelo.
A primeira imagem marcante depois dos carros foi um grupo de malas dirigindo quadriciclos no meio da praia. Não sei o que é pior, o barulho ou os caras passando a toda do seu lado.
E não é só isso!!! Tem mais!!!
Os 4x4 circulam a toda pela areia, tanto no meio quando perto da rebentação (ou arrebentação?). Me senti - nos sentimos - como aquele sapo no jogo antigo de Atari.
Só que a gente não tinha que evitar ser atropelado na rua, mas sim na praia.
Ah, mas pelo menos tinha o mar tranquilo...
Não.
Outro bando de joselitos ficava passando de Jet Ski na beirada, fazendo malabarismo ou puxando outros maletas de wake board.
Pelo menos a Carolina de divertiu. Os papais estavam muito tensos tentando protegê-la dos 48 tipos de perigo disponíveis na praia.
Saímos fugidos de lá.
Para quem veio para cá buscando uma cultura nova, foi uma surpresa encontrar os farofeiros da baixada por aqui.
Só faltou canja na garrafa térmica e Ki-Suco.
Visite Jebel Ali. Mas não me chame.
Friday, November 04, 2005
Rides
Mais um capítulo da minha aventura está acontencendo: a compra de um carro.
As histórias são tantas que vão gerar vários posts.
Só para dar uma pincelada: semana passada fomos eu, a Dri, a fofinha e dois amigos sérvios (eles estavam em outro carro) procurar carro para comprar.
Primeiro fomos em um mercado em Dubai - uma área reservada pelo governo onde eles colocaram umas 120 lojas de carro. Vimos alguns carros e sentimos o clima.
De lá eles nos guiaram para outro mercado em um Emirado vizinho: Sharjah.
Sharjah fica a uns 15 quilômetros do centro de Dubai e é um primo pobre dos Emirados bacanudos.
Fomos com a promessa de achar os mesmos carros com preços muito melhores.
Depois de ficarmos perdidos por uma hora e meia seguindo nossos ditos "guias", chegamos ao tal mercado.
É um lugar bem tosco. Lojas de carros se enfileiram por quilômetros. Todas cheias de SUVs gigantescas. Algo que não parece de verdade, tal a quantidade. Imagina uma Santa Ifigênia que em vez de vender muamba vende Toyotas Land Cruiser e Pajeros.
Toyotas, Mitsubishis, Nissans, Lincolns, Infinitis, Lexus, Land Rovers...
Todas gigantes, caras, usadas e à venda.
Acho que só naquela área tinha mais delas que no Brasil inteiro.
E esse é o Emirado pobre...
Os preços eram melhores mas não eram nada de outro mundo.
E os vendedores ou aquele jeito de escroque safado ou são uns figuras panacas que não sabem nada de inglês.
Vi muitos carros mas ainda não fechei com nenhum.
A busca continua.
Depois tem mais. Muito mais.
Mais um capítulo da minha aventura está acontencendo: a compra de um carro.
As histórias são tantas que vão gerar vários posts.
Só para dar uma pincelada: semana passada fomos eu, a Dri, a fofinha e dois amigos sérvios (eles estavam em outro carro) procurar carro para comprar.
Primeiro fomos em um mercado em Dubai - uma área reservada pelo governo onde eles colocaram umas 120 lojas de carro. Vimos alguns carros e sentimos o clima.
De lá eles nos guiaram para outro mercado em um Emirado vizinho: Sharjah.
Sharjah fica a uns 15 quilômetros do centro de Dubai e é um primo pobre dos Emirados bacanudos.
Fomos com a promessa de achar os mesmos carros com preços muito melhores.
Depois de ficarmos perdidos por uma hora e meia seguindo nossos ditos "guias", chegamos ao tal mercado.
É um lugar bem tosco. Lojas de carros se enfileiram por quilômetros. Todas cheias de SUVs gigantescas. Algo que não parece de verdade, tal a quantidade. Imagina uma Santa Ifigênia que em vez de vender muamba vende Toyotas Land Cruiser e Pajeros.
Toyotas, Mitsubishis, Nissans, Lincolns, Infinitis, Lexus, Land Rovers...
Todas gigantes, caras, usadas e à venda.
Acho que só naquela área tinha mais delas que no Brasil inteiro.
E esse é o Emirado pobre...
Os preços eram melhores mas não eram nada de outro mundo.
E os vendedores ou aquele jeito de escroque safado ou são uns figuras panacas que não sabem nada de inglês.
Vi muitos carros mas ainda não fechei com nenhum.
A busca continua.
Depois tem mais. Muito mais.
O Ramadan terminou mesmo...
Dubai - e todo o mundo islâmico - explode em comemoração.
Os shoppings estão lotados. As praças de alimentação cheias não só de muçulmanos que estão tirando o atraso, mas também de não-muçulmanos que estavam de saco cheio de comer em casa.
As pessoas estão nas ruas os tempo todo. Diferente do Ramadan quando todos os muçulmanos ficavam meio em ponto-morto. Parece que eles estão correndo atrás do prejuízo.
Para mim vai ser uma baita mudança. Não vou ter que comer nos restaurantes caríssimos nas Emirates Towers - que abriam atrás de biombos - ou ter que levar sanduíches insípidos para comer no escritório.
O mundo volta a girar no ritmo de sempre.
Dubai - e todo o mundo islâmico - explode em comemoração.
Os shoppings estão lotados. As praças de alimentação cheias não só de muçulmanos que estão tirando o atraso, mas também de não-muçulmanos que estavam de saco cheio de comer em casa.
As pessoas estão nas ruas os tempo todo. Diferente do Ramadan quando todos os muçulmanos ficavam meio em ponto-morto. Parece que eles estão correndo atrás do prejuízo.
Para mim vai ser uma baita mudança. Não vou ter que comer nos restaurantes caríssimos nas Emirates Towers - que abriam atrás de biombos - ou ter que levar sanduíches insípidos para comer no escritório.
O mundo volta a girar no ritmo de sempre.
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